
A estória que vou contar aconteceu em plena década de 1960! Uma seleção brasileira olímpica foi jogar em Santarém. Coisa assim era troço de outro mundo, na época.
Para começar o espetáculo, na entrada encontro o famoso Caixa d’Água de porre, querendo entrar sem pagar, de qualquer maneira e já ameaçando criar caso.
Ele entrou abraçado comigo, falando, gesticulando e cuspindo. Pediu que eu pagasse um “rebráulio”, o refresco preparado e vendido pelo famoso Bráulio, que tinha freguesia bastante concorrida.
Cumprimentei o “Seu Bandeira” aquele velhote do banquinho famoso e fiquei sentado na “arquibancada nova”, aquela que dava para a sede dos Estivadores, na Avenida São Sebastião. Estava numa posição privilegiadíssima. À minha direita o Carlos Meschede, à esquerda o médico Alberto Serruya.
Na defesa santarena, Inacinho, Piraculhão e companhia barravam todas as investidas, pois não brincavam em serviço.
Até hoje desconfio do lance. Manoel Maria, que como eu disse, havia jogado no São Raimundo e era amigo do inesquecível Dr. Everaldo Martins, prefeito e patrocinador do evento, perdeu um gol, depois de haver driblado a defesa, o goleiro, ficando de frente, a meio metro (repito: meio metro!) da trave vazia. Chutou por cima do travessão. A torcida do São Raimundo até aplaudiu. Não sei, não. Acho que o coração falou mais alto do que as chuteiras.
Pegou a bola no meio do campo, veio costurando aqui e ali, driblando pra lá e pra cá, entortando uns e outros, enquanto os varapaus da defesa do selecionado iam recuando ou escorregando no gramado, abrindo caminho para o artilheiro.
Sem exagero, um lance assim eu só vi muitos anos depois, quando o Maradona driblou todo mundo e se vingou da Inglaterra, na Copa do Mundo.
Com certeza as ninfas do Tapajós, os uirapurus, bem-te-vis, rouxinóis e outros pássaros, o curupira, a matintaperera ali na mata ao redor da cidade compuseram ao entardecer daquele dia de glória, mais uma sinfonia para saudar esse gol de placa.
Pena que a Caçula torcia pelo São Francisco e certamente não estava lá para incentivar o time com palavrões cabeludos e brindar a vitória. Mas isto já é outra estória.
José Wilson, essa crônica é gol de placa. Adorei! Lembrei-me dos vários craques do futebol santareno - Licurgo, Jeremias, Beleza Preta, Manoel Moraes e tantos outros. Hoje, é só perna-de-pau, mercenários, sem amor a camisa que vestem. Abraços do Reinaldo Sena - Belém/Pedreira
ResponderExcluirCaçula, Expedito Toscano com sua flautinha, Phebus Dourado rodeando o alambrado, dando chutes, torcendo pelo seu São Francisco... que saudade!... que falta fazem...
ResponderExcluiroi zé wilson, como voce escreve bem! também, como diz o outro, filho do chefe izoca...so podia escrever isso tudo!!! espero que estejas muito bem, com saude, um abraço a ti, damea e toda a turma de casa. regina silva, mocoronga, vivendo em floripa!!
ResponderExcluirHá bastante tempo que "encho o saco" do (hoje desembargador e meu colega desde o D. Amando) Tadeu Matos para que escreva os "causos" que sabe sobre a história do futebol santareno. Ele me promete, promete, um dia sai... Aí vamos ter coisas saborosas pra relembrar... josé wilson
ResponderExcluirNo meu tempo de moleque em Santarém assisti muito jogo no velho estádio Elinaldo Barbosa. Naquela época, o futebol era mais apaixonante, os atletas de São Francisco, São Raimundo, Flamengo, América, etc. compravam suas próprias chuteiras, não tinham salários, mas defendiam com garra os seus times. Que bom que esse cronista traga essas coisas do passado tão bem narradas. Aplausos, José Wilson! Sou leitor e gosto muito deste blog. Abraços, Ercio. GUILHERME CALDERARO MENDES - Rio de Janeiro
ResponderExcluirPrezados leitores,recebi do Oti Santos, pessoa de minha admiração, o e mail a seguir. Realmente ELE TEM RAZÃO. O tempo decorrido me traiu a memória e o meu amigo, com seus "arquivos implacáveis" e corretíssimos, me avivou a memória. Falei hoje com o Ataualpa e ele me confirmou que o jogo, em verdade foi SÃO FRANCISCO 5, MADUREIRA DO RIO 1 (o pessoal até cantou o famoso samba "Madureira chorou..." e o gol bonito aconteceu, sim.
ResponderExcluirFica feita a correção em nome da verdade, em homenagem aos arquivos do Oti e de vocês leitores. Grato, amigo.
Mestre Zé Wilson,A propósito do artigo de O Impacto desta semana ? edição 779, pág. 29 -?O gol mais bonito?, assinado pelo amigo; gostaria de obter maisinformações sobre esse espetáculo dos anos sessenta.Se conseguiu lembrar do Boanerges Sena na bilheteria, do rala-rala doBráulio e do golaço do Ataualpa, um pouquinho mais pode! Por exemplo:Qual a data do jogo, o árbitro, o placar final (foi 1x0?) e as onzenasdo Pantera e da Seleção?Minha indagação tem por objetivo corrigir dados colhidos sobre umapartida da Seleção Olímpica em Santarém, na garimpagem que faço sobre ofutebol do passado.Eis os dados que disponho:Data- 15.09.1968. Amistoso Interestadual- S RAIMUNDO 3x2 SELEÇÃOOLÍMPICA DO BRASIL. Local- Estádio Municipal Adherbal CorrêaGols- 1x0 Pelezinho; 2x0 Pelezinho/2x1 Ferrete; 3x1 Cabinha e 3x2Ferrete. O São Raimundo com Surdão- Pedro Nazaré, Ricardo, Inacinho eBrito- Jurandir(Antonio Wilson Formiga) e Bosco- ManoelMaria(Caveirinha), Pelezinho, Dote e Nazareno(Cabinha)- Téc: ValdoAbdala/David Natanael. Obs-Dote ainda desperdiçou uma penalidade emfavor do S Raimundo no 1º Tempo. Manoel Maria jogou o 1º tempo pelo SRaimundo e o 2º pela Seleção a qual pertencia. O Técnico Valdo Abdala serecuperava de uma cirurgia, ficando protegido do sol nas arquibancadascobertas.Como o amigo pode observar, não consta a presença do Ataualpa nasinformações colhidas. Ou o jogo que mereceu o seu artigo foi outro?Com um forte abraço do Oti.