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quarta-feira, 5 de maio de 2010

CAMINHANDO NA ORLA SANTARENA (Crônica de José Wilson Malheiros)

Não nego a beleza do calçadão de Copacabana. Mas não me apetece. Naquela multidão dedesconhecidos quase ninguém se cumprimenta com medo de assalto ou seqüestro.É um festival de peitos defora, de bundas despudoradas, de silicone, botox falsos atletas e musasdecadentes, todo mundo disputando meio metro de areia com os halterofilistas,os vendedores de produtos duvidosos e suspeitos.

Desculpem o bairrismo. Mas,caminhar na orla santarena é um raro privilégio.No final de tarde, na hora em que o sol se põe, nada se compara com a cervejinha gostosa no Bar Mascote, o encontro das águas e os barcos no Tapajós.

Quando for caminhar, tente reparar melhor a paisagem e os barcos. Essas embarcações parecem gente. Elas possuem alma, rosto e personalidade. Pode observar. Umas andam de caras amarradas, outras, com rostos felizes, aquela ali tem ares de tristeza, a que vai passando lá no meio do rio navega de nariz arrebitado... É esnobe, parece uma socialite (mas é tão feia... ). Olha aquelas duas atracadas lá na beira: a gordinha, toda enfeitada de luzes e redes, é vaidosa como as estrelas da ópera. A mais esguia é humilde e retrata, no casco desbotado e nos fardos de mercadoria que carrega, todas as pelejas, sofrimentos e desesperanças de quem trabalha correndo águas... Ela se assemelha a um pangaré, um animal decarga... mas, não perde a dignidade, não...

Quando eu era garoto existia um pequeno barco-motor chamado “Pata Choca”.E não é que parecia, mesmo, uma pata no choco? Todo arrepiado, e valente que ele só. Assim são os barcos e o rio azul da Terra Querida, “meu encanto, minha vida”, como dizia o Mestre Izoca.

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Recado para o Oti Santos: Meu prezado, seu arquivo é infalível. O jogo é São Francisco e Madureira, quando a cidade cantou: “...Madureira chorou...” mas isto é assunto para outra crônica. Prometo a você.

3 comentários:

  1. Êta, zéwilson, não faz isso. Saudades, saudades, saudades!
    Um carioca mocorongo.

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  2. É verdade, Malheiros. Santarém é belíssima! A orla e o por-do-sol, principalmente. Abraços do Fernando Lins.

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  3. zéwilson, quanta beleza! babei!! gostei do texto, da foto, da lembrança e da saudade imensa que bateu. to pensando em ir ate lá no mês que vem, se Deus quizer, matar as saudades da terrinha, dos irmãos, cunhadas, sobrinhos e amigos, muitos amigos. um abraço. regina, direto de floripa

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