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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Removendo o passado santareno: ELEIÇÕES

Por: Ercio Bemerguy:
Quando vejo em funcionamento o atual e moderno sistema informatizado de votação e apuração dos votos das eleições, que indiscutivelmente é eficiente, confiável e de uma rapidez impressionante, fazendo com que os eleitores em poucas horas após terem votado, conheçam os nomes dos candidatos eleitos, me faz lembrar como era, antigamente, em Santarém, o processo manual de apuração.

Geralmente, duravam no mínimo quatro dias os trabalhos de contagem dos votos para, então, serem divulgados os resultados do pleito eleitoral. O local escolhido pelos juizes era sempre o prédio da Associação Comercial. Nos seus salões eram formados diversos grupos, cada um encarregado de fazer a contagem dos votos existentes em determinado número de urnas (caixas de madeira e, posteriormente, de lona). Os escrutinadores, sob às vistas, e, muitas vezes, enfrentando os veementes protestos dos fiscais e delegados dos partidos, “cantavam” os votos constantes das “chapinhas”, como, por exemplo: vereador: Joaquim Martins; prefeito: Armando Nadler; deputado estadual: Santino Sirotheau; deputado federal: Silvio Braga; senador: Lameira Bittencourt; governador: Magalhães Barata. Do lado de fora, o povo se aglomerava, e não arredava o pé, desde às primeiras horas da manhã até às 21h quando o trabalho diário era encerrado. De cada urna apurada o número de votos obtidos pelos candidatos era anunciado através de alto-falante e a euforia, os gritos de “já ganhou” era grande por parte de simpatizantes dos que estavam na dianteira, causando irritação e até desespero dos contrários. Ao final de tudo, os eleitos saiam carregados em passeatas pelas ruas da cidade.

Tempo bom! Lamentavelmente, apesar da grande aceitação e da credibilidade das urnas eletrônicas, ainda existem políticos que reclamam, saudosos da época de quando os mortos votavam tanto ou mais que os vivos.

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