No blog de José Roberto de Toledo:
A polêmica em torno do enriquecimento de Antonio Palocci nos últimos quatro anos abre uma interessante discussão sobre as relações entre público e privado. Há uma certa confusão no ar sobre o que é lícito e ilícito e mesmo se há ou não o que discutir. Paixões partidárias de lado, vamos tentar isolar as partes do problema para avançar no debate.
O que se sabe:
1) Antonio Palocci foi ministro da Fazenda do primeiro governo Lula, um cargo cujas decisões têm implicação fundamental sobre o faturamento de praticamente todas as grandes empresas nacionais e multinacionais atuantes no Brasil. Saiu após ser acusado, e mais tarde absolvido pela Justiça, de ordenar a violação do sigilo da conta bancária de um caseiro.
2) Eleito deputado federal em 2006, Palocci, sabe-se agora, abriu uma empresa de consultoria e ganhou alguns milhões de reais. Não se sabe o quanto, mas o suficiente para ele comprar imóveis cujos valores somados implicam um aumento de 20 vezes o seu patrimônio declarado em 2006.
3) Em 2010, Palocci se torna um dos coordenadores da campanha presidencial vitoriosa de Dilma Roussef, um dos responsáveis por traçar a estratégia eleitoral, fazer contatos e articulações.
4) Palocci volta ao governo como ministro da Casa Civil de Dilma, cargo mais importante do Palácio do Planalto depois do dela. Pelas mãos do ministro passam todas as principais decisões de governo. Ele acompanha o dia-a-dia da administração e articula as relações com o Congresso.
5) Para evitar acusações de conflito de interesse e tráfico de influência, Palocci muda o objeto social de sua empresa, que deixa de ser uma consultoria e passa a ser uma administradora de seus novos bens.
6) O enriquecimento vem a público e Palocci defende-se em nota a parlamentares dizendo que não fez nada de errado e comparando-se a outras figuras públicas que enriqueceram antes e depois de serem ministros ou presidentes do Banco Central ou do BNDES.
O que não se sabe:
1) Quem foram os clientes atendidos por Palocci em seus serviços de consultoria?
2) Quando cada um desses contratos/serviços começou e acabou?
3) Quanto cada um pagou e por qual tipo de consultoria?
4) Esses ex-clientes ainda têm acesso ao redivivo ministro?
5) Algum dos ex-clientes tentou aproveitar a boa relação com o ministro para fazer lobby no atual governo, seja através dele ou usando seu nome?
Leia a íntegra em Dúvidas e oportunidades criadas pelo caso Palocci
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