Havia um clima de esperança remista em torno da desistência do Independente de disputar a Série D, hipótese que foi comentada imediatamente após a conquista do título do segundo turno pelo time de Tucuruí. O presidente do clube, Deley Santos, tratou de confirmar as férias forçadas do Leão.
Acompanhado do prefeito de Tucuruí, Sancler Ferreira, ele esteve ontem na sede da FPF para oficializar a participação do clube na competição nacional, depois de ter ganhado em campo o direito à disputa. "Estou vindo (à FPF) para oficializar nossa participação e acabar com as especulações que estão surgindo", disse. "A nossa dificuldade era em relação às despesas que envolvem essa disputa. Mas conseguimos adiantar parcerias com empresários e vamos participar", disse.
O presidente do clube informou que, além da Prefeitura de Tucuruí, patrocinador desde o início da temporada, o Galo pode fechar ainda nesta semana parcerias com a rede de farmácias Big Ben e com as lojas Leo Lar. "Vou amanhã (hoje) conversar mais uma vez com representantes da Big Ben. No nosso primeiro encontro eles já sinalizaram de forma positiva. Só não fechamos antes porque não houve tempo, foram dois dias desde o título", disse. Na agenda do presidente consta ainda uma visita a Marabá, onde se reunirá com os empresários das lojas Leo Lar, que fez sua primeira incursão no esporte patrocinando o Águia.
Deley vê na participação um fator a mais de motivação para que a equipe leve o inédito título do Campeonato Paraense para o interior do Estado. "Agora é um Campeonato Paraense de fato. Antes parecia mais um torneio metropolitano. Desde o início queríamos a vaga na Copa do Brasil e um turno como primeiros objetivos. O segundo é o título do campeonato", disse ele, que afirmou não temer uma nova investida do Remo no "tapetão". "Quem deu condições de jogo para o Edilson Belém foi a CBF. Não estamos preocupados", disse.
Deley afirmou ainda que se o Remo tivesse procurado o Galo para conversar antes de dar início a um imbróglio judicial, as chances de desistência do Independente seriam ainda maiores. "Mas o Remo preferiu outra via, o que criou uma antipatia natural do clube, de nós, dirigentes, e do povo de Tucuruí. Acho que fica feio para o Remo tentar se ‘classificar’ assim", concluiu.
O futuro do Leão Azul
Chegou a hora de o Remo decidir o que vai fazer até o fim do ano. Na tarde de hoje, um dia após a confirmação da participação do Independente na Série D do Campeonato Brasileiro, a diretoria azulina finalmente irá se reunir para definir uma série de questões relativas ao futuro imediato do clube. Mesmo com um recurso em andamento na Justiça Desportiva, que em tese poderia provocar o retorno da equipe ao Parazão, a cúpula remista precisa tomar decisões sobre o período de férias do elenco, quando será a reapresentação dos jogadores e, principalmente, quem será o novo treinador do Leão Azul.
Aliás, entre os nomes citados nos corredores do Baenão, o de Fran Costa vem ganhando cada vez mais força. Vice-campeão do primeiro e do segundo turno do Parazão 2011, o ex-treinador do Cametá encaixa perfeitamente no perfil delimitado pelos cartolas azulinos. Alguém com experiência no futebol local, que saiba trabalhar com os jogadores oriundos das divisões de base azulinas e com atletas regionais e que não saia caro para os combalidos cofres do clube.
Além de Fran Costa, profissionais como Sinomar Naves, Charles Guerreiro, Samuel Cândido, Arthur Oliveira e até Agnaldo, o "Seu Boneco", foram especulados nos últimos dias. A diretoria remista também já revelou que está interessada em manter uma espinha dorsal com jogadores regionais para a disputa da próxima temporada.
Como sempre acontece logo depois de um fracasso, a promessa agora é limitar as contratações de jogadores "importados" a um número bem menor do que costumam ser feitas no início de cada ano. "Acredito que se montarmos um grupo com 80% de atletas daqui e trouxermos apenas uns 20% para reforçar algumas posições, poderemos ter mais sucesso do que contratando quase que um plantel inteiro", ponderou o presidente Sérgio Cabeça.
No encontro desta tarde, estarão presentes o presidente Sérgio Cabeça, o vice Paulo Mota, o vice de futebol Raphael Levy e o diretor de futebol Francisco Rosas, além de outros dirigentes e conselheiros, como Antônio Carlos Teixeira, o Tonhão, e os advogados Marco Antônio Pina de Araújo e Gustavo Nobre. Essa também será a oportunidade de começar o planejamento para a sequência de amistosos que o time remista fará pelo interior do Estado, provavelmente a partir de agosto.
O elenco do Remo, que está treinando apenas em um período desde a eliminação nas semifinais do segundo turno, vai ficar sete meses sem jogar uma partida oficial. Por isso, a tendência é dar férias ao que restou do elenco azulino a partir da próxima segunda-feira até meados de julho. Somente então, o grupo iniciaria treinamentos com vistas aos amistosos que deverá fazer pelo interior do Estado.
"O Remo precisa continuar em atividade até o fim do ano, mesmo que seja fazendo excursões pelo interior. Nossos patrocinadores precisam ter suas marcas exibidas, caso contrário, poderão pedir a suspensão de seus contratos", ressaltou Cabeça.
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