Posso dizer como o poeta: “Meninos, eu vi!”. Sim, eu vi, em 1974, nascer a Rurópolis Presidente Medici, hoje, uma próspera cidade localizada às proximidades do “cruzamento” da Transamazônica com a Rodovia Santarém-Cuiabá. As origens de Rurópolis têm a ver com o Programa de Integração Nacional (PIN), instituído no ano de 1970 e implantado a partir de 1971. O objetivo do PIN era o de desenvolver um grande programa de colonização dirigida na Amazônia, trazendo trabalhadores de diversos pontos do Brasil, em especial do Nordeste para povoar a região que tinha como lema "integrar para não entregar".
Ali, acompanhei, do início até ao final, a construção de um prédio onde instalei e gerenciei por quase dois anos a primeira agência bancária – do Banco da Amazônia S/A – inaugurada pelo então presidente da República, general Emílio Garrastazu Médici, presentes, também, entre inúmeras outras destacadas autoridades, o governador do Pará, Fernando Guilhon, Jorge Babot de Miranda, presidente do BASA e José de Moura Cavalcante, presidente do INCRA.
Assisti a montagem, no meio da mata, de imensos canteiros de obras e a execução, diuturnamente, de serviços de desmatamento de grandes áreas. Era grande a quantidade de caminhões, caçambas, tratores e betoneiras preparando, transportando e despejando concreto nas ruas, calçadas, casas e praças e em centenas de outras obras que iam surgindo da noite para o dia, concluídas com rapidez impressionante. Testemunhei, também, a chegada de gaúchos, nordestinos, catarinenses, enfim, de milhares de imugrantes de diversas regiões brasileiras, homens e mulheres, de todas as idades, transportados em ônibus e em carrocerias de caminhões, para povoar a região e trabalhar, prioritariamente, na agricultura, plantando arroz, milho e feijão. Quando chegavam, o Incra disponibilizava uma casinha a cada uma das famílias, além de dar uma ajuda mensal em dinheiro, equivalente ao valor de um salário mínimo vigente naquela época, isso durante seis meses.
Outra coisa: era comovente e, ao mesmo tempo, muito gratificante ver centenas de operários – chamados de “peões” – alojados em grandes barracões cobertos de lona ou de palha, sem paredes, com goteiras, sem o mínimo de segurança e conforto, porém, todos alegres e felizes, certos de que estavam contribuindo para fazer nascer um povoado, uma futura cidade para gerar emprego e renda pra muita gente. Era um sonho, sim, mas que transformou-se em realidade, pois Rurópolis, como município autônomo, passou à categoria de cidade através da Lei nº5.446, de 10 de maio de 1988, e instalado no dia primeiro de janeiro de 1989, durante o governo Hélio Mota Gueiros, com área desmembrada de Aveiro. Sua população é de 35.033 mil habitantes - dados IBGE-2008.
Ao ser inaugurada, Rurópolis dispunha apenas de um belíssimo hotel construído em madeira da melhor qualidade, uma galeria comercial com dez pequenas lojas, uma estação rodoviária com bar e restaurante, uma igrejinha ecumênica, um hospital, escritório do Incra, agência do BASA, umas cinqüenta casas residenciais, uma praça, uma escola, uma quadra de esportes, água encanada e luz elétrica. Tudo era administrado e custeado pelo Incra.
Inúmeras foram as minhas viagens, à serviço, ou simplesmente para passar o fim de semana junto aos meus familiares em Santarém. Dirigindo o meu próprio carro, lá ia eu com muita dificuldades no trajeto de 214 quilômetros de estrada de chão batido, sem um pingo de asfalto. Enfrentava buracos , poeira, muita lama e, às vezes, fazia muita força para tirar do atoleiro o meu valente fusquinha. Um detalhe não pode deixar de ser registrado aqui: não foram poucas as vezes que eu era obrigado a transportar no trecho Santarém/Rurópolis, apenas na companhia de um colega de trabalho - o Ramiro (Sarará) -, muita grana destinada ao suprimento do Caixa da agência bancária que eu gerenciava. Viajávamos desarmados e nunca fomos assaltados ou pelo menos importunados na estrada ou nas paradas que fazíamos, por quem quer que seja, ao contrário do que acontece atualmente, com a bandidagem imperando em toda parte, assaltando bancos, seqüestrando e matando pessoas.
Nota: Escrevi este texto ao tomar conhecimento de que, há poucos dias, bandidos assaltaram a agência do Basa na cidade de Rurópolis Presidente Médici, levando o gerente como refém.




Caro amigo, muito interessante sua postagem, sou filho desta terra e admiro muito aos quais fazem matérias que conte um pouco de nossa história. Gostaria de saber se há mais fotos desta época.
ResponderExcluirAtt. Eder Baségio
Eder, infelizmente não disponho de outras fotos, mas acrescento outro detalhe interessante:o primeiro financiamento feito na agência do BASA em Rurópolis foi para a família Ganzer (atual deputado estadual Waldir, seu irmão Avelino e seus pais) para plantio de arroz que, ao final do prazo contratado, o pagaram totalmente. É um prazer tê-lo como leitor. Um abraço e volte sempre.
ResponderExcluircresci ouvindo essa história
ResponderExcluire fico feliz por fazer parte disso
afinal tbm sou filho desse maravilhoso municipio
óla amigo q interessante, essa matéria faz parte do meu passado, fiquei feliz em lêr pois presenciei cuase tudo isso ai e muito mais, parecia q eu tinha voltado esse tempo atráz,pós eu era uma pequena. eu, meu pai viemos a essa inaguração.
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