A chegada de reforço federal para garantir a segurança de assentados no Pará não altera a decisão de trabalhadores rurais ameaçados de morte. Eles optaram por abandonar plantações e fugir da região. Além dos extrativistas relacionados na lista da Comissão Pastoral da Terra (CPT), também vão deixar o assentamento os parentes do casal José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, mortos em uma emboscada na saída do assentamento em Nova Ipixuna (PA).
A força tarefa formada por policiais federais, agentes do Exército e da Força Nacional começa nesta terça-feira (7) a atuar na região. Também nesta terça, líderes do movimento participam de audiência no Ministério do Meio Ambiente, em Brasília. O reforço e o diálogo começam 14 dias após o assassinato do casal. Enquanto alguns decidem fugir, em Marabá, os acampados improvisam uma milícia armada com porretes de madeira para controlar distúrbios e alertar sobre ação de pistoleiros.
A assessoria do Ministério da Justiça informou que vai reforçar a segurança no Pará, Rondônia e Amazonas, nas regiões onde ocorreram crimes na última semana e onde há conflitos pela terra. A ação, segundo a assessoria, será baseada no apoio às ações das polícias locais. Sobre a quantidade de homens que participarão, o ministério informou que ainda não tem o número e que não vai divulgá-lo por questões de segurança. A duração do reforço na segurança também não está definida. A assessoria informou que “ela atuará enquanto necessária”.
Até então sem proteção direta de forças de segurança, os grupos buscavam com improviso maneiras de evitar o crescimento da lista de 42 líderes assassinados em dez anos na região, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Na semana passada, a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, destacou que o governo avalia as situações mais graves de ameaça, mas não tem condição de dar segurança para todos.
A Polícia Civil ouviu 25 testemunhas sobre o caso, mas não conseguiu determinar os possíveis mandantes do crime e os executores do plano. O delegado Álvaro Ikeda, do Núcleo de Apoio às Investigações, e Rilmar Firmino de Sousa, delegado-geral do Pará, estão em Marabá para acompanhar a investigação. (G1)
Nenhum comentário:
Postar um comentário