Mensalidades mais baratas e a dispensa de vestibular têm atraído jovens brasileiros interessados em cursar medicina em países da América Latina, como Bolívia e Argentina. Uma busca rápida na internet revela que há até empresas especializadas em dar assessoria a quem não conseguiu realizar o sonho de ser médico no Brasil.
Oberdan Ritchie Ramiro Costa, de 27 anos, tentou fazer medicina nas universidades de São Paulo (USP), Federal de São Paulo (Unifesp) e Federal de Minas Gerais (UFMG). Como não foi aprovado no vestibular, após duas tentativas, mudou-se para Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, onde estuda numa universidade privada. Paga mensalidade de US$ 300. Se fosse estudar nas faculdades particulares da região onde morava, no interior de São Paulo, pagaria de R$ 3 mil a R$ 4 mil por mês. — Além de ser caro no Brasil, ainda tem o vestibular, que não é fácil — diz.
Mas o Conselho Federal de Medicina (CFM) alerta para a existência de cursos de qualidade duvidosa. Essa pode ser uma das razões das dificuldades encontradas pelos recém-formados para revalidar seus diplomas. Sem isso, não podem atuar como médicos no Brasil.
Em 2010, os ministérios da Saúde e da Educação criaram o programa Revalida, para tentar agilizar o processo de revalidação de diplomas de médicos. Quem se forma em medicina no exterior pode pedir a revalidação apresentando diploma e documentação em universidades públicas brasileiras, um procedimento, em geral, demorado, ou fazendo a prova do Revalida.
O índice de aprovação dos formandos em medicina no ano passado preocupa o CFM. Dos 628 candidatos, só dois foram aprovados. Para a prova deste ano, que abrange uma parte teórica e outra prática, há 601 inscritos de 29 países, sendo 320 da Bolívia, 146 de Cuba e 58 da Argentina. (Em O Globo)
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