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sábado, 29 de março de 2014

Vale a pena ler: AOS MILITARES DO PASSADO QUE FALEM E QUE FAÇAM REVELAÇÕES, O MEU RECONHECIMENTO

Por Hildegarg Angel
Eu não exporia os militares que agora falam, mesmo os que torturaram, como monstros. Alguma dignidade eles guardam, pois ao falar expiam culpas. E quem tem culpa, tem consciência. O remorso é prerrogativa de quem guarda dentro de si sentimento. Monstruosos de fato são aqueles que se calam em seus horrores, compartilham entre si as atrocidades cometidas. Como caçadores de safaris que expõem cabeças empalhadas de bichos decapitados nas paredes de suas mansões.

Se pudessem, esses que se calam, pendurariam, como se fossem troféus de guerra, recuerdos nostágicos, as cabeças de meu irmão, minha mãe, minha cunhada e de todos os milhares de brasileiros trucidados – pois há os sabidos e os não sabidos – emolduradas em seus livings e, entre drinks, chacoalhando as pedras de gelo com os dedões, comentariam as próprias barbaridades, aos requintes, de modo espalhafatoso: “Esta cicatriz, vocês precisavam ver na hora…”.

São estes os verdadeiros monstros: os que batem no peito, se orgulham, fazem mistério sobre o paradeiro dos corpos, acordos mafiosos de silêncio eterno à la Omertá, queimam documentos, escondem vestígios.

Monstruosos são os que agora incitam pobres ignorantes dos fatos passados a saírem em marchas pedindo mais atrocidades, “queremos mais, muito mais!”.

Ignoram que, no próprio dia do Golpe, 1º de Abril de 1964, o Estádio Caio Martins de Niterói foi lotado com prisioneiros, intelectuais, artistas, estudantes, jornalistas. E os golpistas recorreram ao estádio porque já haviam lotado três navios de guerra fundeados na Baía da Guanabara, especialmente para acolher prisioneiros. Que, por sua vez, estavam cheios de gente porque os quartéis também já estavam. Estes precisaram ser usados porque as celas das delegacias também abarrotadas estavam.

E a fila diante do Dops, aqui na Rua da Relação, virava quarteirão, com pais e mães desesperados, esposas e esposos, irmãs e irmãos, parentes, advogados, amigos querendo saber dos seus, repentinamente, abruptamente, sem qualquer motivo ou razão, sabe-se lá por ordem de quem, aprisionados sem ordem, sem mandado, sem nada. De modo arbitrário.

O professor Sobral Pinto, o mais respeitado advogado do país, o ilustre jurista, até ele, foi barrado à porta do Dops por um soldadeco de chumbo naquela noite! O dr. Sobral, advogado do governador Carlos Lacerda, que teoricamente mandava no Dops!

E todos entenderam a gravidade daquele momento. E todos entenderam que os que pensavam que mandavam não mais mandavam.

E no arbítrio, no silêncio sem resposta, na ponta da baioneta, assim vivemos nos anos de escuridão. Quem mandava, não explicava. Calçava botas, não respondia, apenas prendia. E matava.

E que venham outros militares que falem, com alguma culpa, alguma nobreza. A esses militares, serei reconhecida, pois ao menos estarão mostrando algum respeito pela minha dor e a de tantas famílias que querem respostas!

Um comentário:

  1. Concordo. Os militares devem purgar a suas culpas. Mas cobro idêntica posturas das esquerdas. Revela Elio Gaspari, na sia tetralogia sobre a ditadura militar: em 1971, as esquerdas sofreram 30 baixas, sendo 15 mortos e 15 "desaparecidos". No mesmo ano as esquerdas provocaram 21 mortes. Não é o caso de cada lado bater no peito, confressar e pedir perdão? NENHUM CRIME SE JUSTIICA, SEJA À ESQUERDA SEJA À DIREITA.

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