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sábado, 30 de abril de 2016

Clonando Pensamento

“Há dois tipos de ditadura, a dos fuzis e a insidiosa, da propina, da busca do poder. É contra essa que estamos lutando.”
(Miguel Reale Jr. sobre o pedido de impeachment, no Senado)

Governo Dilma (PT) paga meio bilhão a empreiteiras do petrolão

No "Diário do Poder" - Claudio Humberto
A Lava Jato está na rua há dois anos, com a prisão de executivos de construtoras que se associaram a políticos ligados aos governos Lula e Dilma para roubar a Petrobras, mas as empreiteiras não têm muito o que reclamar: somente em 3 meses de 2016, oito delas já receberam R$ 512 milhões do governo Dilma. Somente a Odebrecht, com seu ex-presidente preso há mais de 10 meses, faturou R$ 278 milhões.** Queiroz Galvão, Mendes Junior, Camargo, Engevix, Andrade Gutierrez, OAS e UTC ratearam R$ 234 milhões do governo Dilma em 3 meses. ** Quase 90% de R$ 107 milhões embolsados pela Queiroz Galvão saíram do DNIT, que, alegando não ter dinheiro, vai paralisar 61 obras. ** A Mendes Junior faturou R$ 62 milhões este ano, antes de a CGU declará-la inidônea. A empresa não terá contratos por dois anos. ** Sob o nome de Constran, a UTC de Ricardo Pessoa, chefe do cartel de empreiteiras, levou R$ 52 milhões do governo Dilma só este ano.

Dunga divulga pré-lista para Copa América com o paraense Ganso

Com surpresas e ausências inesperadas, o técnico Dunga divulgou ontem a lista preliminar de convocados para a disputa da Copa América Centenário, que será realizada nos Estados Unidos, entre os dias 3 a 26 de junho. A relação de 40 jogadores será reduzida para 23 na quinta-feira da próxima semana.

Dunga pré-selecionou 13 jogadores que atuam no Brasil. A lista não conta com Neymar, vetado pelo Barcelona após longa negociação com a CBF. O atacante só poderá defender a seleção nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto, conforme ficou definido acordo entre a entidade e o clube catalão.

A lista com 40 nomes atende a uma exigência protocolar da Conmebol. Dentre os pré-convocados estão jogadores que vinham sendo pedidos pela torcida nos últimos dias, como o meia Paulo Henrique Ganso, destaque na goleada do São Paulo sobre o Toluca, na quinta, o lateral-direito Fagner, do Corinthians, e o atacante Gabriel, do Santos.
O atacante santista não é o único da lista com idade olímpica. Dunga deu atenção a estes atletas nesta pré-lista em razão da proximidade da Olimpíada. Ao todo, o treinador chamou 11 jogadores com idade para disputar a competição no Rio de Janeiro, como os atacantes Gabriel Jesus e Luan, do Grêmio.

Entre os estreantes na equipe principal estão o próprio Gabriel Jesus, o lateral Fágner, o goleiro Ederson, do Benfica, e o meia Alex Teixeira. Por outro lado chama a atenção os ausentes na lista, como o goleiro Jefferson e os zagueiros Thiago Silva e David Luiz. O primeiro defensor já vinha sendo preterido por Dunga, assim como o goleiro. Já a baixa de David Luiz surpreende porque esteve nas últimas listas do técnico. Outra ausência marcante é a de Marcelo. O lateral-esquerdo do Real Madrid se tornou alvo de polêmica na última convocação porque estaria machucado quando a comissão técnica sondava os possíveis convocados para rodada das Eliminatórias da Copa do Mundo. Dias após a divulgação da lista, membros da comissão técnica do Real Madrid vieram a público negar qualquer problema físico do jogador.

A relação de Dunga conta ainda com jogadores experientes, como Kaká e Ricardo Oliveira, que têm chances remotas de serem chamados para os Jogos do Rio. E também atletas que atual no futebol chinês, como Renato Augusto e Gil, ambos ex-jogadores do Corinthians.

Confira abaixo a lista preliminar de convocados de Dunga:

Goleiros: Alisson (Internacional), Diego Alves (Valencia), Ederson (Benfica) e Marcelo Grohe (Grêmio);
Laterais: Daniel Alves (Barcelona), Fabinho (Monaco), Fágner (Corinthians), Alex Sandro (Juventus), Douglas Santos (Atlético-MG), Filipe Luís (Atlético de Madri);
Zagueiros: Gabriel Paulista (Arsenal), Gil (Shandong Luneng), Jemerson (Monaco), Marquinhos (Paris Saint-Germain), Miranda (Inter de Milão), Rodrigo Caio (São Paulo);
Volantes: Casemiro (Real Madrid), Elias (Corinthians), Fernandinho (Manchester City), Luiz Gustavo (Wolfsburg), Rafinha Alcântara (Barcelona), Walace (Grêmio);
Meio-campistas: Felipe Anderson (Lazio), Kaká (Orlando City), Lucas Lima (Santos), Lucas (Paris Saint-Germain), Oscar (Chelsea), Paulo Henrique Ganso (São Paulo), Philippe Coutinho (Liverpool), Renato Augusto (Beijing Guoan), Willian (Chelsea), Alex Teixeira (Jiangsu Suning), Douglas Costa (Bayern de Munique);
Atacantes: Roberto Firmino (Liverpool), Gabriel (Santos), Gabriel Jesus (Palmeiras), Hulk (Zenit), Jonas (Benfica), Luan (Grêmio) e Ricardo Oliveira (Santos).

Em depoimento à PF, FHC nega remessas ilegais para ex-amante

Mirian, Tomás e FHC
Em depoimento prestado à Polícia Federal na tarde de ontem (29), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso negou que tenha usado a empresa Brasif, que explorava free shops de aeroportos, para remessas de dinheiro à jornalista Miriam Dutra e seu filho, Tomás Dutra Schmidt.

A Polícia Federal investiga suspeita de evasão de divisas desde que Miriam, ex-correspondente da Rede Globo na Europa, afirmou que os repasses eram feitos por meio de um contrato fictício de trabalho com a Brasif.

Os dois mantiveram um relacionamento durante os anos 1980 e 1990. O ex-presidente chegou a assumir a paternidade de Tomás mas diz que dois exames de DNA comprovaram que ele não é seu filho biológico.

De acordo com o advogado Sergio Bermudes, que acompanhou FHC no depoimento, o ex-presidente afirmou que nunca enviou dinheiro para Miriam Dutra.

Ele reconheceu que fez remessas regulares para Tomás mas defendeu que foram declaradas à Receita Federal. A maior delas, de 250 mil euros, foi feita com o objetivo de ajudar Tomás a comprar um apartamento em Barcelona. Ele disse que nunca usou a Brasif para remeter dinheiro ao exterior.

O ex-presidente, porém, não apresentou recibos das remessas. "Isso não é necessário. Os fatos podem ser comprovados pelo Banco Central", disse o advogado.

Fernando Henrique declarou ter duas contas no exterior, uma nos Estados Unidos e outra na França, abertas para receber os pagamentos por atividades profissionais prestadas fora do país. Segundo ele, as contas foram declaradas à Receita.

No depoimento, que durou cerca de 2h, o ex-presidente negou também que seja proprietário de um apartamento na Avenue Foch em Paris. Segundo Bermudes, ele disse que chegou a frequentar por dois meses um apartamento na mesma localidade que pertence a Maria do Carmo de Abreu Sodré, mulher do ex-governador de São Paulo Roberto de Abreu Sodré, morta em 2012.

De acordo com o advogado, o ex-presidente disse que não tem nenhum imóvel fora do país.

Mirian Dutra - No começo de abril, em depoimento de mais de cinco horas, Miriam confirmou à Polícia Federal que recebia cerca de US$ 3.000 mensais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para pagar pela educação de seu filho Tomás.

Segundo teria relatado à PF, a jornalista recebia os dólares em espécie. Nos anos 1990, quando FHC presidia o Brasil, o dinheiro era levado por um cunhado a Portugal, onde Mirian morava.

Ainda de acordo com esse relato, a jornalista recebia o dinheiro na forma de crédito em conta quando passou a viver na Espanha. Na ocasião, o ex-presidente lamentou, por meio de sua assessoria, "a exploração pública de uma questão pessoal"

Moro aceita denúncias contra João Santana e Odebrecht na Lava Jato

Casal João Santana e Mônica Moura
O juiz Sergio Moro aceitou ontem (29) duas denúncias do Ministério Público Federal que têm como principal alvo o publicitário João Santana, responsável pelas últimas três campanhas à Presidência do PT. Com a decisão, Santana e a mulher, Mônica Moura, se tornam réus em ações penais da Operação Lava Jato.

Eles são acusados de receber de maneira ilegal dinheiro desviado da Petrobras por meio de pagamentos da empreiteira Odebrecht e do lobista Zwi Skornicki, que representava no Brasil um estaleiro asiático com contratos com a estatal. O casal nega as acusações.

Uma das ações aborda um departamento da Odebrecht suspeito de concentrar repasses ilegais para políticos. Nesse processo, também se tornaram réus o ex-presidente da companhia Marcelo Odebrecht e mais nove pessoas, incluindo seis ex-executivos e funcionários da empreiteira.

Segundo o Ministério Público Federal, Santana e a mulher receberam da empreiteira em dinheiro vivo ao menos R$ 23,5 milhões no Brasil e mais US$ 3 milhões em pagamentos no exterior.

Para os procuradores, os pagamentos foram feitos a mando do PT - o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto também foi incluído no processo.

Nessa ação, a acusação é de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Uma peça-chave do caso é a funcionária da Odebrecht Maria Lúcia Tavares, que relatou o funcionamento da divisão da empreiteira que pagava políticos.

No despacho, Moro citou como justificativa para o recebimento da denúncia os depoimentos de Maria Lúcia e disse que "documentos suportam as afirmações".

Para o Ministério Público Federal, anotações no celular de Marcelo Odebrecht mostram que ele tinha conhecimento de repasses da construtora para "Feira" - termo considerado um apelido de Santana.

O Ministério Público Federal sustenta que o dinheiro foi desviado da Petrobras porque as contas da Odebrecht no exterior usadas para pagar o casal também foram utilizadas para repasses a agentes da estatal.

Essa é a terceira ação penal da Lava Jato contra Marcelo Odebrecht. Preso desde junho, ele foi condenado em um dos processos em março deste ano. Também em março, o grupo Odebrecht divulgou a intenção de firmar um acordo de colaboração com a Justiça, o que ainda não foi concretizado.

Lobista - Em outro despacho desta sexta, Moro aceitou denúncia em que Santana é acusado de receber dinheiro ilegal de Zwi Skornicki.

Nessa denúncia, o Ministério Público Federal afirma que foram feitos pagamentos ilícitos de US$ 4,5 milhões no exterior. A acusação é de lavagem e corrupção passiva.

O juiz federal escreveu que o marqueteiro e a mulher não são agentes públicos, mas, se "receberam conscientemente recursos provenientes de acertos de propinas entre dirigentes da Petrobras e empresas fornecedoras da estatal", também são passíveis de responsabilização por crime de corrupção.

Foram incluídos na ação também Skornicki, Vaccari e mais quatro ex-executivos da Petrobras e da Sete Brasil. O casal está detido desde fevereiro no Paraná.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

OBA!!!

... mas, beba com moderação e desfrute de um feliz fim de semana.

Não esqueçam: hoje (29) é o último dia para declarar Imposto de Renda


Chamado de 'bandido', Cunha fala que PT age como batedor de carteira

Alvo principal dos partidos de esquerda durante as votações no plenário da Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou ontem (28) que o PT age como punguista de praça, que bate a carteira e grita "pega ladrão" para desviar a atenção.

Desde que comandou o processo de impeachment de Dilma Rousseff, Cunha já foi chamado em plenário, por deputados, de "corrupto", "bandido", "gangster" e "sacripanta", entre outros termos.

"Não vou cair no golpe de responder com destempero aos destemperados", afirmou o peemedebista, em entrevista. Cunha não respondeu a nenhum dos ataques dos adversários em plenário e disse que irá apresentar queixas-crime e representações por quebra de decoro contra seus acusadores.

"Sou alvo de parlamentares membros de uma organização criminosa, que não têm moral e agem como o punguista [batedor de carteira] na praça, que bate a carteira e grita 'pega ladrão'", afirmou o presidente da Câmara, réu e alvo de inquéritos no Supremo Tribunal Federal sob a acusação de participar do petrolão.

Cunha voltou a dizer que o governo acabou e não existe na Câmara, o que, segundo ele, explica em parte o acirramento de ânimo das últimas sessões.

Ambientalistas contra PEC que apressa obras

Ambientalistas manifestam preocupação com a aprovação  quarta-feira (27) da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 65/2012, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado. A proposta impede o cancelamento ou suspensão de obras por órgãos de meio ambiente.

Para Carlos Bocuhy, presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), organização não governamental, a medida “denota profunda má-fé e uma tentativa de manipular a Constituição”.

Ao lado do Ministério Público Federal (MPF), o Proam tem combatido as tentativas de apressar o licenciamento no Brasil. Há dois outros projetos em comissões no Senado e na Câmara com os mesmos objetivos.

A PEC 65 é de autoria do senador Acir Gurgacz (PDT-RO) e relatada pelo senador Blairo Maggi (PR-MT). Estabelece que, a partir da simples apresentação de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) pelo empreendedor, nenhuma obra poderá ser mais suspensa ou cancelada.

Na prática, segundo o Proam, deixa de existir o processo de licenciamento ambiental, que analisa se uma obra é viável ou não, com base em estudos socioambientais. Segundo Bocuhy, a PEC fere o espírito da lei, que prevê outros dispositivos fundamentais, como a participação social e a avaliação prévia de impactos ambientais.

Para o ambientalista, se a PEC for aprovada no plenário do Senado, a medida tornaria a normativa ambiental brasileira conflitante e completamente contraditória. “É como se o protocolo para obter uma habilitação já permitisse sair dirigindo um caminhão”, afirma Bocyhy.

Os parlamentares que aprovaram a PEC informam, em documento de três páginas, que “a proposta inova o ordenamento jurídico”, por não permitir “a suspensão da obra ou seu cancelamento após a apresentação do estudo de impacto”.

Segundo eles, a medida visa garantir a celeridade e a economia de recursos em obras públicas. Para Bocuhy, a medida pula etapas importantes para a aprovação de empreendimento, como avaliação técnica e participação da sociedade civil em audiências públicas, os maiores afetados por essas obras.

Câmara aprova regime de urgência para tramitação de projeto de reajuste do Judiciário

O Plenário da Câmara aprovou, ontem, por 277 favoráveis e 4 contrários, o pedido de urgência do projeto que aumenta os salários dos servidores do Poder Judiciário (PL 2648/15). A proposta pode ser incluída na pauta a qualquer momento, mas não há previsão de votação.

Os deputados tentaram votar ainda a urgência para o aumento salarial dos servidores do Ministério Público da União (PL 6697/09), mas não houve quórum. A votação desta urgência será retomada na semana que vem.

Pelo texto aprovado na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, o reajuste dos servidores do Judiciário será de aproximadamente 41,47%. O aumento será dado, de forma escalonada, em oito parcelas, de janeiro de 2016 a julho de 2019.

A proposta tem impacto orçamentário para 2016 de R$ 1,160 bilhão. De acordo com o STF, houve negociação com o Executivo para garantir os recursos para o reajuste a partir de 2016, sendo que o impacto financeiro total ocorrerá apenas a partir de 2020.

A votação dividiu opiniões. O deputado Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS) criticou a votação da urgência do projeto. Para ele, não é hora de aumentar as despesas, especialmente depois de a Casa aprovar o afastamento da presidente Dilma Rousseff por questões fiscais. “Que urgência é essa em votar aumento para servidores do Judiciário? Esta Casa aqui acabou de cassar uma presidente da República porque durante todo o seu mandato ela quebrou o Brasil, gastou mais do que tinha”, afirmou. “Vamos deixar para o próximo presidente um buraco mais fundo? É essa a intenção?”, emendou.

O líder do PSD, deputado Rogério Rosso (DF), rebateu as críticas. Ele lembrou que o aumento contido na proposta foi autorizado pela Lei Orçamentária já aprovada pela Câmara e que os reajustes só terão efeito pleno em 2019. Rosso ressaltou ainda que a proposta em análise é uma resposta ao aumento vetado por Dilma. “Não é pauta-bomba, é uma pauta justa com lastro orçamentário, que vai fazer o Brasil cada vez mais constituir seus poderes constitucionais”, afirmou.

O líder do governo, deputado José Guimarães (CE), também lembrou que o aumento dos servidores está previsto no Orçamento. “Será que o arrocho que vem aí será tão grande que vai acabar com aumento de servidores previsto no Orçamento?”, questionou.

Ele afirmou que os deputados que agora são contra o reajuste deveriam ter se manifestado na hora de votar o Orçamento. “Não pode fazer demagogia, todo mundo aprovou esse aumento no ano passado e vem acusar o governo de farra fiscal”, disse Guimarães, em referência ao projeto vetado pela presidente Dilma Rousseff, que previa aumento de até 78,56% em parcelas até 2017. O veto foi mantido pelo Congresso Nacional.

Gran finale - Dilma acorrentada

Por Eliane Cantanhêde - Estadão
Virtualmente perdida a guerra do impeachment, Dilma Rousseff, Lula e o PT lutam com unhas e dentes para vencer a batalha pela narrativa política e para “infernizar” de véspera o virtual governo Michel Temer. Contam para isso com a mídia internacional, tanto quanto dependem de CUT, MST, UNE e MTST para agitar ruas e estradas.

Há um temor, na oposição, de que Dilma articule um “gran finale” para o processo de impeachment e para seus anos de governo. Algo como se acorrentar à mesa presidencial e forçar uma retirada à força do palácio. Algo teatral e dramático para ilustrar sua indignação, gerar imagens fortes e corroborar a narrativa do “golpe”.

São três os pontos centrais a serem martelados dia e noite, dentro e fora do País: o impeachment é um “golpe” dado “pela direita”, “pelos corruptos”, “pela mídia golpista”, tudo isso personificado no deputado Eduardo Cunha; com Temer e o PMDB, será o fim dos programas sociais, a começar do Bolsa Família; o novo governo vai intervir na Polícia Federal e enterrar a Lava Jato.

A narrativa é a mesma, mas por motivações diferentes. Dilma esperneia e se submete a terríveis constrangimentos – como as fotos reveladoras da “miss Bumbum” no Ministério do Turismo – tentando desesperadamente sair do governo e entrar para a história como “vítima da direita corrupta”, não como a presidente despreparada que, além das “pedaladas fiscais”, destruiu a economia, manchou a imagem do Brasil no exterior, conviveu com o esfarelamento da Petrobrás e explodiu a “maior base aliada do planeta”.

Lula, porque foi o presidente mais popular da história e, mal passados cinco anos, anda às voltas com Lava Jato, Zelotes, empreiteiras e filhos que, como a Coluna do Estadão publicou, saem por aí comprando cadeiras de R$ 15 mil. Não pega nada bem para quem mobiliza milhões de incautos com o discurso da defesa dos “pobres” e de uma “esquerda” que se limita hoje a uma expressão ao vento, um pretexto para defender o indefensável.

O PT, porque o partido é muito maior do que Dilma Rousseff – aliás, nem queria a candidatura dela – e precisa garantir a sua sobrevivência para além de Lula e Dilma ou, ao menos, a sobrevivência política de muitos petistas que não macularam suas biografias nem encheram as burras com mensalões, petrolões e relações perigosas com empresas sujas. Eles precisam de uma narrativa que vitimize Dilma e carimbe os líderes do impeachment como “golpistas”.

A estratégia tem legitimidade, mas Dilma, Lula, PT e movimentos não lucram nada, mas pioram ainda mais a imensa crise brasileira se decidem incendiar o País. Vetar a transição para o novo governo é o de menos, até porque os ministros de Dilma estão aos montes pró-impeachment, mas, ao tramar um aumento populista do salário mínimo no próximo domingo, ao programar uma atualização irreal da tabela do Imposto de Renda, eles não estão “infernizando” apenas a vida de Temer, mas a dos brasileiros, sobretudo dos que já estão no inferno do desemprego.

Ontem mesmo, mais uma leva de péssimas notícias: déficit fiscal de R$ 18 bilhões, o maior em 19 anos, e juros de 300% ao ano no cartão de crédito, um recorde mundial. Dilma, Lula e o PT querem aprofundar esse desastre para tentar colar os seus próprios cacos? Não parece justo.

Luta política, sim. Disputar a narrativa história, sim. Mas irresponsabilidade com a Nação, não. Enxovalhar a imagem do Brasil no exterior, incendiar pneus, fechar estradas e detonar de vez as contas públicas não vai melhorar a narrativa de ninguém. Ao contrário, só piora tudo para todo mundo, inclusive Dilma, Lula e PT.

Temer diz que não será candidato em 2018 e apoiará fim da reeleição

Em um aceno público ao PSDB, o vice-presidente Michel Temer afirmou que não será candidato à sucessão presidencial em 2018 e que apoiará proposta de fim da reeleição no país caso seja apresentada ao Congresso Nacional.

Em entrevista ao SBT Brasil, exibida na noite de ontem (28), o vice-presidente se comprometeu ainda a não interferir na Operação Lava Jato, condição também imposta pelo PSDB para apoiá-lo. "Nenhuma interferência por uma razão singela: pretendo reinstitucionalizar o país, porque perdemos um pouco a institucionalidade do país. Portanto, cada poder fará o seu papel e não haverá interferência de foma nenhuma", disse.

Injustificável - O peemedebista chamou ainda de "injustificável" a crítica da presidente de que ele é "conspirador" e "golpista", mas ressaltou que tem "muito apreço pessoal e respeito" pela petista e que a população brasileira deve respeitá-la pelo período em que ela tem atravessado.

"Eu tenho muito apreço pessoal pela senhora presidente, tenho muito respeito e acho que todo o povo brasileiro deve respeitá-la pelo período que ela está passando e não sei quanto tempo ficará na Presidência da República", disse. "Não tenho nenhum desapreço pela senhora presidente, por mais que ela possa fazer uma ou outra acusação a meu ver injustificável", acrescentou

Ele negou ainda que irá acabar com iniciativas do atual governo, como o Bolsa Família e o Pronatec, disse que tem sentido um "peso muito grande" neste momento e disse acreditar ter o apoio do Congresso Nacional para aprovar medidas de recuperação da economia. Segundo ele, sua prioridade é "colocar a economia nos trilhos" para retomar a geração de emprego e o crescimento econômico.

"Eu tenho certeza que as medidas que viermos a propor serão compreendidas pelo Congresso Nacional e, seguramente, serão acordadas previamente com setores que eventualmente venham a participar dessas negociações", disse. "Todo e qualquer plano econômico, seja meu ou de quem estiver no poder, deve buscar a abertura de vagas para emprego, essa é a primeira providência que deve ser tomada", acrescentou.

Ele disse ainda que a tese defendida por ministros e petista de antecipação da eleição presidencial "perdeu um pouco de substância nos últimos tempos" e disse não ficar impressionado com a ameaça de movimentos e entidades de esquerda de contestar nas ruas o eventual governo interino. "Se houver movimento de rua como se anuncia, é um direito democrático desde que não seja predador e embaraçador da atividade e do livre trânsito de pessoas. E não vou dar atenção a isso, mas aos problemas do país", acrescentou.

Pente-fino Em curto prazo, nos dois primeiros meses de gestão, o vice-presidente quer fixar um teto para as despesas governamentais e realizar um pente-fino em programas sociais, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. O objetivo é avaliar as demandas e impactos das iniciativas. Ela também deverá se estender para alugueis, fornecedores e pessoal.

Em relação ao limite de despesas, a ideia é que ele seja estabelecido por meio de lei e seja inferior ao crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).

No período, a proposta é também iniciar no Congresso Nacional uma discussão sobre a realização de reformas previdenciária e trabalhista, que deverão ser efetuadas, contudo, em um segundo momento da gestão interina.

O comando peemedebista defende a necessidade de fixação de uma idade mínima para aposentadoria, proposta que enfrenta resistência entre as centrais sindicais.

Para evitar um desgaste de partida, Temer defende que a questão seja melhor discutida antes do envio de uma proposta ao Congresso Nacional.

Lua de mel - Temer também pretende criar um programa de concessões e privatizações, que será gerido pelo ex-ministro Moreira Franco, que deverá ocupar cargo de assessor especial.

Nas palavras de um aliado do peemedebista, o vice-presidente precisará logo de cara mostrar que fará mudanças efetivas e que fará uma gestão superior a de Dilma. Além disso, ele terá de aproveitar uma espécie de "lua de mel" com o Congresso Nacional. Nos cálculos do grupo do peemedebista, nos primeiros 60 dias, será possível contar com uma base aliada de cerca de 400 deputados federais e 56 senadores, quantidade que poderá ser reduzida caso o governo não consiga estabilizar a economia.

Vale a pena ler: Bandoleiros primitivos

Por Reinaldo Azevedo - Folha de SP
O PT merece ser banido da política não só em razão dos seus crimes, mas também de sua determinação de não reconhecer a ordem que o instituiu. Há algum tempo, escrevi nesta coluna que é a democracia que legitima o PT; não é o PT que legitima a democracia, como parecem crer os companheiros. Seus protagonistas são uns farsantes; seus intelectuais, uns trapaceiros da teoria. E é fácil demonstrar.

Observem como os petistas e seus ditos pensadores fazem questão de ignorar os crimes cometidos pelo partido –inclusive o de responsabilidade, que traz as digitais de Dilma Rousseff– para tratar, em vez disso, de uma suposta luta que estaria sendo travada entre "conservadores e progressistas", "entre direitistas e esquerdistas"; "entre coxinhas e mortadelas".

De súbito, as forças, então, que perderam quatro eleições seguidas para o PT –fartamente financiado, por dentro e por fora, pela melhor e pela pior elite econômica– teriam adquirido uma inteligência superior, que oscila do maquiavélico ao macabro, e passa todas as horas do dia a conspirar para desfechar o tal "golpe".

Com que propósito? Bem, segundo, inclusive, alguns colunistas desta Folha, o objetivo seria marginalizar os pobres, os oprimidos, os deserdados. Por alguma razão que ainda não conseguiram explicar –e estou doido para debater com um deles na TV Folha–, os marginalizados seriam representados pelo partido que protagonizou o mensalão, o "aloprados 1 e 2" e o petrolão.

Queria revisitar com eles as correntes do marxismo para saber em que momento o crime comum, a safadeza e a roubalheira são capítulos da luta de classes, a defunta senhora. Stalin era um assassino em massa; ladrão não era. Quem chegou mais perto de teorizar a respeito foi Eric Hobsbawm em "Rebeldes Primitivos" –que, por óbvio, não eram financiados por empreiteiras nem se acoitavam nas dobras do Estado– esses são os bandoleiros primitivos de agora.

Leio o que escrevem um tanto constrangido. Como é que não se envergonham? Faça você mesmo, leitor: digite na área de busca do Google, sem aspas e sem vírgulas, as palavras "artistas, intelectuais, divulgam, manifesto, pró-Dilma". Os motivos para defender o voto na petista em 2014 são rigorosamente os mesmos esgrimidos agora contra o impeachment. É sempre Chapeuzinho Vermelho contra o Lobo Mau. O PT já havia recorrido a esse expediente em 2010 e 2006.

Tanto nos confrontos eleitorais como na batalha do impeachment, a vitória do adversário significaria não um contratempo, mas um retrocesso, uma derrota das forças do progresso e do desenvolvimento social, uma marcha involutiva da história. Os que hoje deslegitimam a posse constitucional de Michel Temer não hesitaram em deslegitimar as próprias urnas. Não é que tenham aceitado o resultado; eles aceitaram a vitória.

João Pedro Stédile e Guilherme Boulos, só para encerrar o texto com caricaturas emblemáticas, prometiam não deixar Aécio Neves em paz caso o tucano vencesse a eleição de 2014. Agora, prometem infernizar a vida de Temer.

Os petistas não aceitam mesmo é a democracia e o Estado de Direito, que, por sua vez, continuarão a abrigar o PT porque é de sua natureza –até o limite, claro!, em que o partido não busque solapá-los. E se isso acontecer? Ora, recorreremos aos instrumentos que o regime oferece para combater a subversão da ordem democrática. O PT vai ter de aprender a respeitar a lei, que também tem marra.

Jogada petista: Investigados pela PF, governador de MG garante foro privilegiado à mulher ao nomeá-la secretária

Pimentel e Carolina, sua mulher
O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), nomeou a mulher Carolina de Oliveira Pereira Pimentel para o cargo de secretária de estado de trabalho e desenvolvimento social.  A decisão saiu publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial do Estado. Pimentel e a mulher são investigados pela Operação Acrônimo que apura esquema de corrupção envolvendo o BNDES na época em que o petista comandou o ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio no governo Dilma. Com a nomeação da mulher, Pimentel garante a Carolina foro privilegiado. Antes, ela ocupava a presidência da da Servas, o serviço de assistência social de Minas Gerais, sem prerrogativa de foro.

Ex-homem forte do Bradesco comanda Audax vendo jogos de uma mureta

Mario Teixeira, homem forte do Audax, caminha no estádio José Liberatti
Sentado em uma mureta que fica ao lado do único bar do estádio José Liberatti, em Osasco, Seu Mario apreciava um copo de cerveja quando ouviu o silêncio das arquibancadas.

Sem ter a visão do gramado, os poucos gritos que ecoavam eram a confirmação: aos 26 minutos do primeiro tempo, 1 a 0 para o Audax, contra o São Paulo, pelas quartas de final do Campeonato Paulista, há duas semanas.

Com esse mesmo ritual, Seu Mario se deu conta dos outros quatro gols que saíram durante a partida: o placar de 4 a 1 eliminou o tricolor e classificou sua equipe para as semifinais do torneio.

Foi assim que ele viu (ou não viu) todo o Estadual e é quase sempre do mesmo jeito, inclusive em jogos de seus times do sub-11, sub-13, sub-15, sub-17, sub-20 e feminino. Ele não perde um. E, evidentemente, verá as duas partidas finais do Paulista, contra o Santos.

Seu Mario é conhecido ainda como Mario Ponte Preta, mas podem chamar também de Roman Abramovich de Osasco, referência ao bilionário russo dono do Chelsea, da Inglaterra.

É ele, torcedor fanático da Ponte, campineiro de coração, quem mantém o Audax vivo. Mario Teixeira, aos 70 anos, cuida também de mais três clubes: o Grêmio Osasco, o Osasco FC e o Audax do Rio.

A cartolagem é um grande hobby. Conselheiro do Bradesco até o final do ano passado e agora aposentado, ele chegou a liderar a área de mercado de capitais e de investimentos do banco, costurando negociações importantes feitas no período, como a aquisição da Vale.

Há quase dez anos na vida de dirigente, Seu Mario ainda não conseguiu tirar um centavo do futebol. Mas não chega a ser um problema: sua família jura que os times são só uma paixão e que o dinheiro nunca foi prioridade.

MURETA E HELICÓPTERO - Mario Teixeira prefere a mureta perto do bar porque diz que se sentar em cadeira é "coisa de bacana", segundo relato de Gilberto Pereira Vilela, o Tigrinho, funcionário do estádio José Liberatti há 40 anos. É do tipo de cartola que frequenta o vestiário e conversa com os atletas. Mas odeia dar entrevistas.

Se é reservado com a imprensa, com o elenco não tem silêncio. Após os jogos, costuma convidar todos para jantar, momento que conta também com a presença dos familiares dos atletas.

Na semana passada, um amigo do empresário fez um agrado ao elenco: levou todo mundo que queria para dar uma volta de helicóptero.

O bicho é sempre promessa cumprida: foram R$ 500 mil pela vitória contra o Corinthians, na semifinal. Se ganhar do Santos, o time vai levar R$ 1 milhão para casa.

Paixão pela Ponte - Fanático pela Ponte Preta, ele tentou por várias vezes se aproximar do clube. Quando criou seu primeiro time, aliás, sua intenção era colaborar para, enfim, ver a conquista de um título do time de Campinas. Montou o Osasco FC, que joga até hoje com a camisa listrada, igual a da Ponte. Pretendia revelar jogadores para mandar de graça para o time do coração e formar um elenco campeão. Nunca deu certo.

Como gesto de amor, Seu Mario construiu uma ponte sobre o lago de sua casa, em Alphaville, perto de São Paulo, e a pintou de preto. Mantém também até hoje camarote no Moisés Lucarelli para ver os jogos da Ponte.

Se, em geral, é tido como sereno, o empresário nem sempre consegue se segurar. Uma vez, nos anos 90, em jogo da Ponte contra o Juventus, entrou no vestiário a fim de encontrar o árbitro. Sua indignação com as decisões tomadas ao longo do jogo era tamanha que chegou a botar o dedo na cara do juiz.

Processo de impeachment é contra 'ditadura da propina', diz jurista

Um dos autores do pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, o jurista Miguel Reale Jr., disse em discurso à Comissão Especial do Impeachment no Senado ontem, 28, Reale, que o processo em curso é contra uma “ditadura da propina”.

Ao abrir o discurso, o jurista criticou a postura do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) na votação do impeachment na Câmara, no dia 17. “Lamento que este pedido de impeachment tenha servido de oportunidade para que se homenageasse um torturador”, afirmou, aproveitando para criticar o atual governo. “Este pedido de impeachment visa à liberdade. Porque há dois tipos de ditadura: a ditadura explícita dos fuzis e a ditadura insidiosa da propina ou da irresponsabilidade pelo gosto do poder. E é contra esta ditadura que nós estamos lutando.”

Aos senadores, Reale disse haver “muita clareza” na responsabilidade de Dilma na edição de decretos orçamentários.

"Nunca vi um crime com tanta impressão digital", afirmou. O jurista alegou que é evidente que não havia autorização para que a presidente editasse os decretos de créditos suplementares. "Pode haver autorização legislativa, e se houver, pode-se editar o decreto. Mas não houve. Por que não? Por que realizar decretos passando por cima da Casa Legislativa?", indagou.

Em defesa da presidente, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) argumentou que havia, sim, autorização para os decretos. "Fica autorizada a abertura de créditos suplementares, desde que sejam compatíveis com a meta fiscal. Tem um princípio da anualidade", argumentou.

Reale rebateu afirmando que a prova de que não havia autorização do legislativo é o fato de os créditos terem sido editados por decreto da presidente.

'Centralizadora'. Reale argumentou ainda que a presidente Dilma cometeu crime de responsabilidade porque centralizava em si todas as decisões da República. Reale participa da sessão dedicada a fala dos denunciantes na comissão.

"Sua personalidade centralizadora fazia com que ela tomasse sempre para si as responsabilidades. A presidente era considerada efetivamente a ministra da Fazenda. Qual o nome do ministro da Fazenda? Dilma. Qual o nome do ministro dos Transportes? Dilma. Estava tudo com ela", afirmou Reale Jr.

Ele defendeu, desta forma, que não é possível argumentar que exista falta de dolo ou qualquer dificuldade de direcionamento da responsabilidade do crime fiscal. "Atos dessa responsabilidade são sempre atribuição do chefe de executivo. Essa é a jurisprudência em casos já analisados, que são de prefeitos. Se atribui ao chefe do executivo essa responsabilidade", argumentou.

Reale também disse ainda que, em palestra, o próprio advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, já defendeu que a responsabilidade de crimes fiscais é do chefe do executivo.

Ao finalizar seu discurso, o jurista afirmou que apresentou os argumentos necessários para mostrar que o pedido de impeachment não era um pedido vazio, mas com base em um valor fundamental da República brasileira, que é a responsabilidade fiscal na administração pública.

'Há crime de sobra', dizem autores de denúncia contra Dilma ao Senado

Janaína Paschoal durante sua fala à comissão do impeachment no Senado
Convidados para serem ouvidos na comissão especial do impeachment do Senado, dois dos autores da denúncia contra a presidente Dilma Rousseff defenderam, ontem (28) que há crime "de sobra de responsabilidade" contra a petista.

Assim como fizera na Câmara, onde o prosseguimento do impeachment foi aprovado, o advogado Miguel Reale Jr. apontou argumentos acusando Dilma de crime de responsabilidade por editar créditos suplementares e usar dinheiro de bancos federais em programas do Tesouro, as chamadas "pedaladas fiscais". "Fruto de uma irresponsabilidade gravíssima na condução das finanças públicas, que estão em frangalhos", afirmou Reale.

Durante sua fala, a professora e advogada Janaína Paschoal defendeu que o Senado analise a denúncia original apresentada por eles, que inclui, além das pedaladas fiscais e dos decretos orçamentários, questões relacionadas à Lava Jato.

Ela reconheceu que, após os protestos de 2013, teve vontade de escrever uma carta para Dilma para que ela não ouvisse mais os marqueteiros e disse que se sensibilizou quando a presidente contou ter tido vontade de ser bailarina. "Ela é uma mulher firme, de alma sensível, mas a bailarina se perdeu."

A advogada chegou a se emocionar ao defender a Constituição. "Quero que as criancinhas, os brasileirinhos, que eles acreditem que vale a pena lutar por esse livro sagrado, que o PT não assinou. Por isso que eles falam em golpe. Eles nunca reconheceram a Constituição." 

Ao fim da sua fala, Janaína foi criticada por senadores governistas, que a acusaram de não ter explicado a denúncia propriamente. Para a senadora Fátima Bezerra (PT-RN), a advogada "viajou na maionese".

Diante de um placar de votos praticamente definido, senadores governistas e da oposição aproveitaram para trocar acusações e bater boca na sessão.

O governo tem apenas cinco votos dos 21 titulares da comissão, o que indica a aprovação no próximo dia 6 de um relatório a favor da abertura do processo de impeachment. A previsão é que o plenário se pronuncie no dia 11.

Já perto da meia-noite, o senador Romário (PSB-RJ) comparou a advogada Janaína com ele próprio quando era jogador de futebol. "Vossa Excelência me lembra muito um jogador de futebol que usava a camisa 11 da seleção brasileira no passado, que não se intimidava com o tamanhos de zagueiros, com cor, com beleza. Enfim, independente de jogar na sua casa ou na casa do adversário, esse então jogador sempre foi muito destemido e teve muito sucesso na sua carreira", disse.

Último a falar na sessão, o líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB), elogiou as posições defendidas pela advogada e aconselhou: "vai dormir, tenha o sono da mulher justa".

A sessão começou por volta das 16h25 e só acabou à 01h20 de sexta-feira (29). Antes de Janaína e do advogado Miguel Reale Jr., também autor do pedido de impeachment, falarem, os senadores protagonizaram uma série de troca de acusações entre governistas e oposição, o que chegou a ser classificado como um comportamento de "jardim de infância" pela senadora Rose de Freitas (PMDB-ES). A discussão acabou atrasando em mais de uma hora o início das exposições dos advogados.

Dilma lançará pacote de bondades antes de sai

Lula Marques/Agência PT: <p>Brasília- DF 28-04-2016 Presidenta Dilma reunida Jean Wyllys Deputado Federal. Foto Lula Marques/Agência PT</p> 
A presidente Dilma Rousseff prepara o anúncio do reajuste nos benefícios do programa Bolsa Família para este próximo domingo, 1º, Dia do Trabalho. Embora não esteja confirmado, interlocutores do Planalto afirmam que o índice será na faixa de 5%.

Além do reajuste no Bolsa Família, a presidente também devera anunciar um porcentual de correção da tabela do Imposto de Renda, para compensar a inflação acumulada.

As duas medidas integram o Programa Nacional de Emergência aprovado pela cúpula do PT, em fevereiro, e também são defendidas pela Frente Brasil Popular.

A intenção da presidente é antecipar o anúncio de benefícios que pode ser feito pelo vice-presidente Michel Temer, caso ele assuma o governo, na eventual aprovação da admissibilidade do processo de impeachment.

A presidente deve participar da comemoração do Dia do Trabalho organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, ao lado de seu padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva.

Presidente prorroga Mais Médicos sem exigir revalidação de diploma

Médicos cubanos ao desembarcarem em São Paulo, em 2013
A três meses do fim do prazo de participação dos primeiros profissionais selecionados para o programa Mais Médicos, o governo editará uma medida provisória para prorrogar os contratos com os estrangeiros. A medida deverá ser anunciada nesta sexta-feira (29) em evento no Palácio do Planalto. A ideia é estender a possibilidade de participação por mais três anos.

A decisão será facultada aos profissionais, em conjunto com prefeituras e a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), responsável pelo contrato com os médicos cubanos no país.

Até então, a lei do Mais Médicos previa que a renovação do prazo de participação dos médicos estrangeiros só poderia ocorrer após a revalidação do diploma, por meio de exame aplicado em universidades públicas.

Agora, os profissionais poderão permanecer mesmo sem ter o diploma revalidado. A Folha divulgou na quarta (27) que a medida já era planejada pela presidente Dilma Rousseff diante de um "afastamento inevitável". A prorrogação atende a reivindicações de associações de municípios, que temem "perder" ou ter que "trocar" os médicos às vésperas de eleições municipais.

Três organizações pediram ao Ministério da Saúde que os contratos sejam estendidos: Frente Nacional de Prefeitos, Associação Brasileira de Municípios e o Conselho Nacional de Saúde.

"Havia muita dificuldade em contratar médicos, principalmente em periferias e regiões mais afastadas dos centros", diz Eduardo Tadeu Pereira, presidente da ABM.

"Fui pessoalmente a municípios do interior do Amazonas. Quando perguntei a uma prefeita o que aconteceria se o programa acabasse, a resposta foi 'Deus me livre'."

O contrato dos primeiros médicos do programa vence em agosto. Um segundo grupo tem até outubro e outro, até janeiro de 2017 –eles representam 5.244 médicos, a maioria cubanos e estrangeiros.

Ao todo, 18.240 médicos atuam no Mais Médicos –destes, 11.429 são cubanos, 1.537 são formados no exterior e o restante, brasileiros.

A possibilidade de prorrogação já gera reações de associações médicas. O principal argumento é que não haveria falta de médicos, mas estímulos para a fixação desses profissionais no interior do país. "Passados três anos [do programa], a saúde ainda é progressivamente mal avaliada", afirma Florentino Cardoso, da Associação Médica Brasileira.

O Ministério da Saúde não comentou as novas medidas. Dentro da pasta, a avaliação é que, apesar dos editais recentes terem tido recorde de brasileiros, é alto o índice de desistência entre eles –daí a necessidade de prorrogar os contratos com estrangeiros. 40% dos brasileiros selecionados no programa desistem antes do prazo. Já entre cubanos, a média de desistência é de 8%. Para outros estrangeiros e brasileiros formados no exterior, 15%.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Contra o golpe, Frente Povo Sem Medo bloqueia mais de 30 rodovias

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Diversos protestos do MTST e da Frente Povo Sem Medo contra o golpe bloqueiam o acesso a estradas e avenidas em várias cidades do país nesta quinta-feira (28).

Em São Paulo, são 14 bloqueios organizados pelo MTST, que também coordena as ações no Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Fortaleza, Goiânia, Uberlândia e Brasilia. Em Belo Horizonte e no interior de Minas os atos são coordenados pelas Brigadas Populares e pelo MLB (Movimento de Luta nos Bairros e Favelas), que também compõem a Povo Sem Medo.

"Esse é um primeiro recado que a gente está mandando para o Temer e o Cunha", afirma Zelidio Barbosa Lima, coordenador do movimento.

No Congresso Nacional...


Futebol: Jogos de hoje

Libertadores e Copa do Brasil
Pela Libertadores, o São Paulo enfrenta o Toluca, do México, às 21h45 no Morumbi. Pela Copa do Brasil, às 21h30 o Santos recebe em casa seu homônimo do Amapá e o Botafogo pega o Coruripe, de Alagoas.

Dilma assinará MP que prorroga Mais Médicos por três anos

A presidente Dilma Rousseff vai prorrogar por mais três anos a permanência de profissionais estrangeiros no Mais Médicos. A mandatária assinará amanhã (29/4) uma medida provisória que dará continuidade à iniciativa. Por enquanto, está prevista uma solenidade na sexta pela manhã no Palácio do Planalto para a assinatura da MP. Hoje, atuam no programa 18,2 mil médicos, sendo 11.4 mil de Cuba.
Representantes dos médicos da ilha dos irmãos Castro participarão da solenidade, que servirá como mais uma oportunidade para Dilma obter apoio, enquanto o Senado analisa a admissibilidade do seu pedido de impeachment. Hoje, os profissionais do programa atuam em 4.058 municípios e 34 Distritos Indígenas (DSEIs). Segundo o Ministério da Saúde, 63 milhões de brasileiros são beneficiados. O ministro da Saúde, Marcelo Castro, entregará nesta tarde a carta de demissão à Dilma. Quem ficará no lugar do ministro será o secretário-executivo da pasta, Agenor Álvares, que participará da cerimônia na sexta.

A assinatura da MP faz parte de um esforço do governo para lançar uma série de medidas antes que o Senado finalize a análise da admissibilidade do processo de impeachment de Dilma. Hoje, foi instalado o Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI), em cerimônia no Ministério da Justiça. Dilma também participou da solenidade de abertura da Conferência Nacional de Direitos Humanos.

O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, participa de reuniões para definir de como forma as próximas iniciativas da presidente serão divulgadas, como o lançamento do Plano Safra e inauguração de domicílios do Minha Casa, Minha Vida.

Decência e competência

Editorial - Estadão
Tanto quanto a capacidade de recrutar colaboradores reconhecidamente competentes para as áreas vitais de um governo que precisa ser reconstruído de ponta a ponta, outro enorme desafio para Michel Temer, uma vez confirmado o afastamento de Dilma Rousseff, será o de não cair na armadilha de ceder ao puro fisiologismo, na tentativa de compor a base de sustentação política indispensável a qualquer governo e, de modo especial, a este que assumiria sob o signo da transitoriedade. Dilma está caindo por dois motivos principais: sua incompetência, que contaminou todo o aparelho estatal, e o fato de os brasileiros exigirem o fim da corrupção generalizada, consentida e praticada pelo lulopetismo há quase 14 anos como forma de consolidar seu projeto de poder. Parte considerável desta formidável corrupção se ancorou na distribuição fisiológica do governo e suas agências aos “aliados” da base parlamentar. Temer terá que dar rapidamente uma demonstração clara de que é capaz de escalar um Ministério à altura dos graves desafios do momento, mas também de que garantirá a intocabilidade da Operação Lava Jato e não permitirá que sua equipe de governo venha a fornecer motivos para novas investigações.

Na perspectiva de ter que se instalar no gabinete principal do Palácio do Planalto dentro de poucas semanas, é claro que Michel Temer está mergulhado, com a discrição que lhe é peculiar, em consultas para a composição de seu Ministério. Com o mesmo empenho, e não necessariamente com a mesma discrição, os partidos e grupos políticos que se consideram de alguma forma credores de Temer, ou dele esperam algum beneplácito, disputam espaço na fila postada no Palácio do Jaburu para apresentar listas de candidatos a uma boquinha – expressão fiel ao espírito da coisa – na Esplanada dos Ministérios. Quem acompanha o noticiário e as especulações sobre esse assunto fica com a clara impressão de que o processo em curso é parecido com as cenas de divisão de butim que se tornaram rotineiras no mundo político a partir de 2003. Mas os tempos são outros e exigem compostura e respeito.

Não basta que Michel Temer se comporte com discrição e se mantenha em obsequioso silêncio, em respeito ao rito do impeachment e, principalmente, ao povo que nele vê uma saída digna para o descalabro do governo Dilma. Cumpre-lhe, também, extirpar, pelos métodos cabíveis, as demonstrações exuberantes de políticos que acham ser este o momento de incrementar o toma lá dá cá geral e irrestrito irresponsavelmente levado ao paroxismo pelos petistas e associados. É claro que a política é a arte do possível, de aliar meios a fins. Ou seja: a variedade e a complexidade de interesses em jogo numa sociedade democrática exigem conciliação e concessões para harmonizar esses interesses e permitir a consecução de objetivos comuns. Há um claro limite, no entanto, às concessões necessárias ao entendimento político, além da lei: a decência. Do ponto de vista legal, policiais e procuradores federais e estaduais estão fazendo uma saneadora devassa na administração pública, em seus três níveis. O melhor exemplo dessa ação é a Operação Lava Jato.

Já no plano da decência as coisas são menos simples. Os partidos políticos, hoje mais de 30 representados no Congresso, constituem em sua grande parte ações entre amigos, uma escada para subir na vida à custa de um sistema de representação política deficiente que os políticos propõem reformar da boca para fora, mas o mantêm porque assim que lhes interessa. São partidos que ostentam siglas tão vazias quanto os discursos de seus dirigentes e militantes expostos ao espanto público nos programetes do horário político dito gratuito.

Não será Michel Temer – e, de resto, ninguém – que, sozinho, transformará a política brasileira. Mas o provável presidente dará um passo politicamente importante se tiver a coragem e o desprendimento de sinalizar desde logo aos brasileiros que anseiam por mudanças a firme determinação de acabar com o balcão de negócios em que Lula e o PT transformaram a relação do governo com os políticos – e com os empreiteiros. Michel Temer será compreendido e aplaudido se orientar a formação de seu governo por rígidos critérios éticos e morais, tendo o cuidado de associar competência técnica à honestidade de seus auxiliares diretos.

O estilo da mulher de Moro: clássica sim, careta não

Bailes de gala são sempre um desafio de estilo. É fácil errar para mais, exagerar nos brilhos e no penteado, e parecer fantasiada. E também leva um minuto para escolher um vestido aquém do evento, errar para menos, e sentir-se inadequada no meio da festa. A advogada Rosangela Wolff Moro, mulher do juiz Sergio Moro, no entanto, soube medir bem a dose de glamour. Ao lado do marido, ela participou na noite de terça, 26, do jantar de gala da revista Time, em Nova York, para o lançamento da edição que traz as 100 personalidades mais influentes do ano. Moro foi o único brasileiro da lista.
Ele usava um smoking elegante - opção sempre certeira para o homem que não inventa muita moda. Ela elegeu um vestido preto discreto e sofisticado. Clássico sim, careta não. Nas laterais, pequenas fendas transparentes deixavam um pouco de pele à mostra. A saia com aplicações e texturas tinha uma bossa diferente. “Rosangela tem um estilo clássico, porém com uma dose discreta de ousadia”, diz a consultora e editora de moda Carla Raimondi. “A maquiagem, com efeito brilhante e batom nude, e o penteado que ela usou, por exemplo, têm uma modernidade. Eu diria que ela é uma mulher de personalidade, que reserva pequenas surpresas no jeito de se vestir”.

Brincos com formato orgânico, que se encaixam nas orelhas e são uma tendência forte da joalheria, completaram bem o look. A advogada começou a atrair os holofotes no início do mês, quando criou uma página no Facebook em homenagem ao marido - a fanpage "Eu MORO com ele" faz um trocadilho com o sobrenome do magistrado. Na rede social também é possível conferir outros looks de estilo de Rosangela.

MEC reformula indicadores de avaliação do ensino superior

O MEC (Ministério da Educação) apresentou ontem (27) uma reformulação no sistema de avaliação da educação superior, com a criação de novos indicadores. O projeto apresentado deve substituir o modelo atual, vigente desde 2007.

Os indicadores de qualidade são usados para regulação de instituições de ensino superior públicas e particulares. Servem, por exemplo, para liberar o funcionamento de cursos e universidades e como critério para participação em programas como o Fies( financiamento estudantil).

No modelo apresentado, que deve ser discutido por um grupo de trabalho, os atuais CPC (Conceito Preliminar de Curso) e IGC (Índice Geral de Cursos) serão substituídos por novos indicadores.

No lugar do CPC será criado o IDC (Índice de Desempenho dos Cursos). Esse indicador levará em conta o Enade –prova feita pelos concluintes– e outros critérios inéditos, como um índice que vai medir taxas de conclusão e desistência dos alunos.

Já para substituir o IGC, surgirá o IDI (Índice Desempenho Institucional). Essa nova sigla terá o objetivo de indicar a avaliação do ensino, pesquisa e também da extensão –item praticamente ignorado no sistema atual.

Para o cálculo do IDI, serão levados em conta, além de um novo indicador da qualidade dos projetos de extensão, a comparação dos resultados dos estudantes no Enem, que avalia o ensino médio, e no Enade, que avalia os universitários. É uma forma de medir quanto o curso agregou de conhecimento ao aluno e já é prevista no modelo atual. Também entrará no cálculo do IDI a média ponderada do IDC.

Ainda não há informações sobre como esses novos indicadores serão adotados. Hoje, somente cursos com CPC 3 estão aptos a funcionar plenamente –em uma escala de 1 a 5. Abaixo disso, as instituições recebem vistoria presencial do MEC e podem ser impedidas de abrir novos vestibulares.

O Grupo de Trabalho de Avaliação do Desempenho da Educação Superior será composto por 15 entidades. Segundo o MEC, o grupo terá até 60 dias para apresentar os ajustes finais ao processo. O MEC ainda anunciou que todos os diplomas de graduação estarão disponíveis para consulta em um portal. O objetivo, segundo o ministro Aloizio Mercadante, é acabar com a fraude de diplomas. "Vamos ter o controle e acabar com a venda de diplomas no Brasil", disse o ministro. O portal deve entrar no ar no mês que vem. A plataforma pretende também oferecer um banco de dados sobre os egressos.

Dilma estuda reajustar o Bolsa Família antes de deixar gabinete presidencial

Folha de SP
Dilma Rousseff estuda reajustar o Bolsa Família antes de deixar o gabinete presidencial. A medida foi discutida na segunda (25) durante a reunião da petista com os movimentos sociais de apoio ao governo, que cobraram o anúncio. Para líderes dessas entidades, o aumento agradaria à base do PT e tiraria “o doce da boca de Michel Temer”, que promete elevar o valor do benefício ao assumir. Antes do impeachment, o governo programava o reajuste, mas só no segundo semestre.

No encontro com CUT, MST e MTST, Dilma não bateu o martelo, mas instruiu sua equipe a fazer cálculos e cenários para elevar o benefício. Entre os desenhos avaliados, está o reajuste “global” de R$ 1 bilhão.

Em auditoria no Bolsa Família, TCU aponta 1,2% de beneficiários indevidos
Fiscalização realizada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) no cadastro do Bolsa Família encontrou 163.173 beneficiários com renda acima do permitido para receber os recursos.
O número equivale a 1,2% do total de 13,2 milhões de famílias beneficiárias do programa. De acordo com o órgão, o valor pago a essas famílias indevidamente poderia resultar uma economia de R$ 195 milhões ao ano, o que equivale a cerca de 0,7% dos gastos anuais com o pagamento do benefício.

De acordo com o TCU, o trabalho cruzou dados do cadastro único de maio de 2015 com dois outros bancos de dados do governo, o do INSS e o da RAIS (empregados registrados). Pelo regulamento do programa, pode receber Bolsa Família quem tem renda per capita entre R$ 77 e R$ 154 e ao menos um filho com até 17 anos.

O órgão aponta que o número de famílias desenquadradas encontradas é pequeno diante da dimensão do programa, mas aponta que o Ministério do Desenvolvimento Social pode fazer o cruzamento com mais bancos de dados para identificar os cadastros irregulares. Anualmente, o ministério faz levantamentos para retirar do cadastro famílias que já não mais se enquadram no programa.

Em 2014, perto das eleições, TCU e governo travaram uma disputa em torno do programa quando o órgão de controle apontou que o valor da linha de pobreza para fazer o enquadramento do programa deveria ser modificado e o governo criticou os ministros.

Equipe de Dilma propõe que ela viaje o mundo para dizer que sofre um 'golpe'
A equipe de Dilma Rousseff já discute com ela a possibilidade de a presidente viajar pelo mundo para dizer que está sendo vítima de um "golpe". Ela começaria o périplo depois que o Senado votasse a admissibilidade do impeachment, em maio –o que a obrigará a deixar o cargo à espera do julgamento final da Casa. No roteiro imaginado por ministros entrariam países da América Latina comandados por governos de centro-esquerda, como Chile e Uruguai, além de França, Itália e Espanha, onde Dilma visitaria representantes de partidos de esquerda.

Temer defende redução do risco de invasões a propriedades rurais

O vice-presidente Michel Temer concordou ontem (27) que, caso assuma interinamente a Presidência da República, o Ministério da Agricultura seja comandado por um nome do setor agropecuário que tenha boa interlocução com entidades da área.

Em encontro com a bancada ruralista e com associações do setor, o peemedebista avaliou, segundo relatos de presentes, que a pasta deverá ter maior independência e protagonismo na gestão federal e considerou a necessidade da criação de mecanismos para diminuir o risco de invasão de propriedades privadas.

"Ele terminou a reunião dizendo que na bandeira brasileira a ordem está na frente do progresso. Primeiro vem a ordem e depois vem o progresso", disse o líder da bancada rural, Marcos Montes (PSD-MG).

Segundo o deputado federal, o peemedebista, no entanto, não detalhou que iniciativas poderiam ser adotadas ou que nomes têm avaliado para o posto. Ás vésperas da votação do impeachment na Câmara dos Deputados, o grupo do vice-presidente chegou a acenar a possibilidade acenou a pasta para o PRB.

"Queremos que o ministro seja aderente à classe. Não adianta colocar um nome que não agrade o senhor", disse o presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), João Martins. Para ele, o vice-presidente terá de mostrar em um prazo de dois meses, caso assuma interinamente o cargo, que fará uma mudança profunda no país.

Temer propõe bônus por mérito para professores em plano para área social

O documento que será apresentado como o plano de governo do vice-presidente Michel Temer para a área social sugere mudanças profundas no sistema educacional brasileiro, como o pagamento de bônus a professores que melhorarem sua qualificação profissional e o desempenho de seus alunos.

Batizado de "Travessia Social", o plano de Temer também prevê uma "reforma completa" no ensino médio, com uma reestruturação curricular que permita ao aluno se dedicar, já nessa fase, ao ensino profissionalizante.

As medidas estão detalhadas em trecho do documento ao qual a Folha teve acesso. O texto, com um total de seis capítulos, também aborda temas como a manutenção de programas sociais e o combate à corrupção.

O trecho intitulado "A regeneração do Estado" funcionará como o principal antídoto de Temer às acusações de que pretende interferir no curso da Operação Lava Jato ou fazer um governo leniente com a corrupção. Nele, há a promessa expressa de que o PMDB vai apoiar a continuidade das investigações.

O documento foi formulado pela Fundação Ulysses Guimarães, centro de estudos do PMDB chefiado pelo ex-ministro Moreira Franco, um dos braços direitos do vice. O documento contou com colaborações de vários nomes cotados para o ministério de Temer, como o economista Ricardo Paes de Barros e o senador José Serra (PSDB-SP).

No capítulo que trata de educação, a "Travessia Social" prega uma "maior presença do governo federal no ensino básico", e diz que a "prioridade deve ser a melhoria nas séries iniciais".

Hoje, o ensino fundamental é de competência das prefeituras e o ensino médio dos Estados. O documento diz que o governo federal precisa ter "um protagonismo muito maior do que tem tido até hoje para assegurar que, na diversidade do país, as crianças tenham as mesmas oportunidades de educação e de conhecimento".

"Estamos nos referindo a orientações, à supervisão, mas também a recursos", diz o texto. O documento prega expressamente que seja paga uma bonificação a educadores que aderirem a um "programa de certificação".

"O grande motor de ascensão social é a educação básica. Entendemos que o caminho é investir na melhoria e qualificação dos professores. É preciso ampliar certificações e cursos e beneficiar o professor que aderir. O caminho é instaurar a meritocracia", diz Moreira Franco.

O sistema de bonificação de professores já funciona em alguns Estados, como São Paulo e Piauí. O tema é controverso entre especialistas, que dizem não haver comprovação de vínculo entre o pagamento de bônus e a melhoria da qualidade do ensino.

Sindicatos ligados à categoria dizem condenar ainda o que entendem como adicional esporádico à remuneração e não o investimento permanente em melhorar os salários da carreira.

Corrupção
- A "Travessia" também vai marcar a promessa pública do PMDB de não interferência na Lava Jato e uma tentativa de aproximar o vice-presidente de entidades que fiscalizam o poder, como o Ministério Público Federal.

No texto, o PMDB prega expressamente o apoio à continuidade da Operação Lava Jato e promete bancar nova legislação de combate à corrupção "chamando para este diálogo o Poder Judiciário, o Legislativo e o MPF".

Nesse sentido, aliados de Temer defendem que o governo deve apoiar publicamente a aprovação de "dez medidas contra a corrupção" elencadas por procuradores que atuam na Lava Jato.

Gesso trabalhista

Editorial - Folha de SP
Na expectativa de assumir o governo em breve, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) intensificou sua agenda com empresários e sindicalistas. Pretende convencer tais segmentos de que buscará consensos entre eles, equilibrando a necessidade de ajustar as contas públicas com a de preservar programas sociais.

A julgar pelas propostas levadas a Temer por integrantes de centrais sindicais em encontro na terça-feira (26), não será nada fácil –mesmo para um governo sem ligações estreitas com o setor.

Tome-se a Previdência. Permanece o discurso de sempre, refratário à adoção de idade mínima para a aposentadoria compatível com a expectativa de vida. Os sindicalistas rechaçam, na prática, qualquer medida de ajuste das contas, hoje a caminho da insolvência.

São inequívocos os estudos que apontam explosivo aumento do deficit na ausência de reformas. Dados do economista David Beker, publicados pelo jornal "Valor Econômico", indicam que a manutenção do status quo ampliará o buraco no sistema previdenciário de 1,5% do PIB, em 2015, para 13% do PIB em 2060 –o custo total nesse período chegaria a 23% do PIB.

Em vez de lutar contra essa realidade, os sindicatos deveriam pugnar por regras de transição que equilibrem direitos adquiridos com direitos das novas gerações. Só dizer que reformas contrariam o interesse dos trabalhadores e da coletividade não passa de populismo.

Do mesmo modo, as centrais se opõem a iniciativas de modernização das leis trabalhistas e sindicais. Foi-se o tempo em que a CUT defendia a liberdade sindical e a prevalência da negociação coletiva sobre as amarras da CLT –um debate, aliás, que precisa ser retomado.

A resistência a mudanças por parte das centrais foi reforçada pelo acesso ao maná do imposto sindical, oferecido pelo governo Lula em uma virada de 180° em suas convicções históricas sobre o tema.

Aninhadas no Estado e sem obrigações de prestar contas do que fazem com o dinheiro do imposto sindical, as centrais não parecem ter interesse em lidar com os desafios das relações de trabalho contemporâneas, que são cada vez mais fluidas e flexíveis.

A esse respeito, também é incompreensível a repulsa a tentativas de regulamentar a terceirização. Essa modalidade de contrato já é uma realidade para milhões de trabalhadores, que ficam numa situação de fragilidade, como se fossem cidadãos de segunda classe em relação aos que são protegidos por sindicatos fortes.

Uma agenda de entendimento nacional demanda respeito a direitos e preservação de ganhos sociais. Mas é preciso abertura para uma visão moderna e condizente com a realidade atual, o que ainda não se vislumbra em grande parte das lideranças sindicais.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Não esqueça, leitor(a), de parabenizar a sua sogra.


Parabéns, queridas empregadas doméstgicas.


Morre aos 75 anos Umberto Magnani, o padre Romão de 'Velho Chico'

Um dia após passar mal enquanto esperava para gravar a novela "Velho Chico" (Globo), o ator Umberto Magnani morreu nesta quarta-feira (27), aos 75 anos, no Rio.

Magnani interpretava o padre Romão na atual trama global das 21h e teve um acidente vascular encefálico (AVE) na manhã desta terça (26), nos estúdios da emissora.

Ele estava internado no hospital Vitória, zona oeste da capital fluminense. Segundo a unidade, a morte foi causada pelo quadro de AVE hemorrágico.

O ator tinha mais de 30 anos de carreira na TV. Na Globo, atuou ainda em "Laços de Família" (2000), "Mulheres Apaixonadas" (2003), "Cabocla" (2004), "Alma Gêmea" (2005), "Páginas da Vida" (2006), entre outros folhetins.

Em 2006, Magnani saiu da Globo para participar de novelas no SBT e Record, incluindo "Chamas da Vida" (2008), que está no ar em reprise.

Voltou para a Globo 10 anos depois para integrar o elenco de "Velho Chico", mas ficou pouco mais de um mês na trama. Seu personagem será substituído por um novo padre, interpretado por Carlos Vereza.

Em fevereiro, em um encontro de divulgação da novela promovido no galpão do diretor Luiz Fernando Carvalho dentro dos Estúdios Globo, Magnani disse que seu personagem na trama era bem difícil de fazer. "Ele é cheio de silêncios", falou. E contou que estava sendo uma "grande experiência" trabalhar com Carvalho, a quem chamou de "danado". O ator também afirmou que o folhetim de Benedito Ruy Barbosa, que tem uma forte crítica social e trata de problemas do rio São Francisco, era "uma causa".

Dilma admite a aliados que afastamento se tornou 'inevitável'

A presidente Dilma Rousseff admitiu a aliados que seu afastamento temporário da Presidência se tornou "inevitável" e decidiu traçar uma agenda para "defender seu mandato" e impedir que o vice Michel Temer "se aproprie" de projetos e medidas de seu governo.

Chancelada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a estratégia tem o objetivo de manter a mobilização da base social do PT e reproduzir o discurso de que Dilma é "vitima de um golpe" e que um eventual governo Michel Temer é "ilegítimo".

A presidente pediu à sua equipe para "apressar" tudo que estiver "pronto ou perto de ficar pronto" para ser anunciado antes de o Senado aprovar a admissibilidade do processo de seu impeachment, em votação prevista para o dia 11 de maio, o que vai resultar no seu afastamento do cargo por até 180 dias.

Segundo um assessor direto, Dilma não quer deixar para Temer ações e medidas elaboradas durante seu governo. Nesta lista, estão as licitações de mais quatro aeroportos (Porto Alegre, Fortaleza, Florianópolis e Salvador), concessões de portos e medidas tributárias como mudanças no Supersimples.

A ordem, de acordo com um auxiliar, "é limpar as gavetas" e promover um ritual de saída do governo. A petista determinou ainda resolver tudo o que for possível nestes próximos dias para evitar críticas da equipe de Temer de que assumiu um governo "desorganizado".

Neste ritmo de reta final, Dilma vai também instalar o CNPI (Conselho Nacional de Política Indigenista), anunciará a prorrogação da permanência de médicos estrangeiros no programa Mais Médicos, participará de Conferência Conjunta dos Direitos Humanos e deve entregar no Pará novas unidades do Minha Casa, Minha Vida.

Para a próxima semana, está prevista a cerimônia da tocha olímpica, com forte claque petista no Palácio do Planalto, e o lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2016/2017.

Auxiliares da presidente defendem a ideia de que ela precisa sair do "imobilismo" e tentar mostrar que ainda tem algum apoio social. Dilma estuda ainda ir a São Paulo para evento das centrais sindicais em celebração ao 1º de Maio, Dia do Trabalho.

Fator Lula - Na noite de segunda-feira (25), por exemplo, Lula visitou rapidamente o terceiro andar do Planalto para cumprimentar os integrantes da Frente Brasil Popular, que teriam uma reunião com Dilma.

Segundo aliados, a aparição do ex-presidente, que durou cerca de dez minutos, foi um gesto para mostrar que o petista "está ali" e que é preciso "resistir até o fim".

No encontro, os movimentos de esquerda disseram a Dilma que se Michel Temer assumir, eles "não darão sossego" e farão protestos e paralisações nacionais.

Interlocutores de Lula e Dilma reconhecem que o governo não conseguirá impedir a admissibilidade do processo de impeachment pela comissão especial do Senado, mas ponderam que a mobilização social será fundamental nesse período.

A presidente acredita que pode ser inocentada ao fim do julgamento pelo Senado, podendo, assim, retomar seu mandato. Parlamentares do PT e o próprio ex-presidente Lula, porém, acreditam que, após o afastamento de Dilma, o quadro vai ficar "muito difícil" e, mesmo que ganhe no julgamento, ficará sem condições de governabilidade.

Isso porque, afirmam, Temer já articula o novo governo, inclusive com o anúncio informal de ministros em postos estratégicos, como Henrique Meirelles na Fazenda.

Diante do governo peemedebista, a ordem de Lula e da cúpula do PT é "infernizar" Temer e não colaborar "de maneira nenhuma".

Flexa Ribeiro homenageia vencedora de concurso de redação

Em pronunciamento ontem (26), o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) apresentou voto de congratulação à estudante paraense Larissa da Silva Pinto (foto), de 15 anos, que acaba de conquistar a etapa nacional do Concurso Internacional de Redação de Cartas, promovido pela União Postal Universal (UPU) e realizada pelos Correios.

Larissa (é de Oriximiná) foi campeã da 45ª edição do concurso, que teve como tema “Escreva uma carta a você mesmo aos 45 anos”. Na redação, disse Flexa Ribeiro, Larissa discorreu sobre a expectativa de melhor convivência entre os cidadãos no mundo, com respeito às religiões, ao meio ambiente e às artes. A UPU congrega as atividades postais de 191 países. O concurso contou com a participação de 2.600 escolas públicas e particulares em todo o Brasil.

Flexa explicou que o concurso conta com quatro etapas, em que as escolas escolhem até duas redações para participar da etapa estadual. Os primeiros colocados concorrem na fase nacional, em que é escolhido quem irá representar o Brasil na etapa internacional, a ser realizada em Berna, na Suíça.

Líderes da Câmara acertam votação de reajuste do Judiciário

Reunidos na noite de ontem com o presidente do STF, Ricardo Lewandowisk, 12 líderes partidários acertaram a votação, em regime de urgência, de dois projetos de interesse do Judiciário: o reajuste e elevação de subsídios dos ministros do Supremo e demais magistrados. No total, o impacto será superior a R$1,4 bilhão. Segundo os líderes, o valor já está previsto no Orçamento de 2016. Os dois projetos devem ser votados e aprovados possivelmente ainda nesta semana.

De olho na final do Carioca, Vasco poupa time principal contra o Remo

Jornal O Dia/RJ
O clima de descontração tomou conta de São Januário, ontem (26), véspera do jogo decisivo contra o Remo, pela Copa do Brasil. Enquanto o meia Nenê pilotava o seu drone, que voou por cima do campo, o sisudo xerifão Rodrigo se derretia brincando com o filho, em clima total de playground. E quando a bola rolou para valer no coletivo, Jorginho montou o time com apenas dois titulares sinalizando que o Vasco deve ir de mistão no jogo desta quarta-feira, às 21h45, em São Januário.

Apesar da vantagem de jogar por um empate para passar de fase, pois venceu o jogo de ida por 1 a 0, o volante Marcelo Mattos garante que a concentração é total e ninguém está para brincadeira.

“Temos que nos concentrar. Não adianta nada estar na final do Carioca, esquecer a Copa do Brasil e chegar aqui e tomar de 2 a 0. Ficar fora, tomar uma vaia e chegar no domingo sem confiança nenhuma para enfrentar o Botafogo. Hoje, o mais importante para gente é o Remo”, argumentou o volante, que volta ao time após ter ficado fora da semifinal contra o Flamengo por cumprir suspensão.

A imprensa só teve acesso à parte final da atividade e o técnico Jorginho não conversou com os jornalistas. Pelo menos no coletivo, o time titular, que teve dez jogadores, foi formado por oito reservas. Na defesa, Yago Pikachu entrou no lugar de Madson. Na zaga, Jomar e Rafael Vaz fizeram dupla no lugar de Luan e Rodrigo, com Henrique na lateral esquerda. Já no meio-campo, Marcelo Mattos teve a companhia de Bruno Gallo e dos garotos da base Andrey e Matheus Índio. Eder Luis completou o time. Resta saber se Jorginho vai bancar tantos reservas em um jogo decisivo ou manterá ao menos cinco titulares.

Dilma, a realidade e a fantasia

Editorial - Estadão
Decerto aconselhada pelo diabo, aquele a quem ela recorreu em suas campanhas eleitorais, a presidente Dilma Rousseff decidiu adotar de vez a mentira como essência de seu discurso contra os adversários. A petista tem recorrido com desenvoltura e frequência ao engodo e cada vez mais parece acreditar nas fantasias que cria e conta.

Não contente em tentar enganar a opinião pública nacional, especialmente no que diz respeito à legalidade do processo de impeachment, por ela qualificado de “golpe”, Dilma dedica-se agora a espalhar sua farsa mundo afora, conforme se verifica na impressionante entrevista que concedeu à imprensa estrangeira há uma semana. O aspecto mais importante dessa entrevista não foi a reiteração da denúncia do tal “golpe”, algo que já era esperado. O mais importante foi a constatação de que Dilma está perdendo contato com a realidade, especialmente quando resolveu comentar a profunda crise econômica que ela tão cuidadosamente produziu para o Brasil.

Num dos momentos mais extravagantes da entrevista, Dilma declarou: “Nós não temos uma perda de 10 milhões de empregos, como alguns congressistas disseram. Nós não temos. Nós temos, infelizmente, uma perda de empregos, mas ela não tem esse montante, não monta a mais de 2,6 milhões de cargos. O que é uma lástima, o que é terrível”.

Menos mal que a presidente tenha qualificado de “terrível” a perda de empregos, mas sua tentativa de minimizar a escalada do desemprego, apelando a um truque mambembe de contabilidade, soa como chacota para os milhões de brasileiros que perderam sua ocupação nos últimos tempos graças às lambanças do governo petista. Dois dias depois dessa entrevista, o IBGE informou que a desocupação havia chegado a 10,2% da força de trabalho no período entre dezembro e fevereiro, conforme a Pnad Contínua. Ou seja, 10,37 milhões de brasileiros estavam em busca de vagas naquele período, quase 3 milhões a mais do que no ano anterior. Para Dilma, esse aumento é o número que representa o fechamento de vagas – como se os outros 7 milhões de desempregados não existissem, o que obviamente é uma ofensa à inteligência.

Dilma também recorreu à fabulação quando explicou que não tinha nenhuma responsabilidade sobre a crise. “Muitos atribuem a mim a única responsabilidade, como se eu fosse responsável pelo fim do superciclo das commodities, como se eu fosse responsável pela brutal crise que afetou, a partir de 2009, os países desenvolvidos”, disse a petista, incapaz de reconhecer seus erros, tão evidentes que a maioria absoluta dos brasileiros considera seu governo horroroso.

Mas Dilma foi além. Ela disse que a crise foi ampliada pela suposta inconsequência da oposição, que “se expressou nas pautas-bomba”. Tentando ser didática para os jornalistas estrangeiros, a presidente explicou que pautas-bomba eram “a aceitação de medidas populistas que inviabilizavam, na prática, a rigidez fiscal, a responsabilidade fiscal, a robustez fiscal do País”. Ou seja, na versão de Dilma, seu governo, que criou um rombo inédito nas contas públicas, era um exemplo de equilíbrio e responsabilidade e só sucumbiu porque foi vítima da sabotagem da oposição.

Mas a maior das fantasias de Dilma diz respeito à sua alegada probidade, reiterada, orgulhosamente, na entrevista. A presidente que reivindica uma medalha por idoneidade é a mesma sob cujo nariz bandidos rapinaram os cofres do Estado como nunca antes na história deste país e que teve sua própria campanha eleitoral financiada com o produto desse roubo, segundo evidências levantadas pela Lava Jato; é a mesma que se elegeu e se reelegeu fazendo uso de mentiras descaradas a respeito de si mesma e dos adversários; e é a mesma que continua a mentir a respeito do desastre de seu governo, a respeito das intenções da oposição e a respeito dela própria, apresentando-se como heroína da democracia desde os tempos da ditadura – época em que, todos sabem, ela defendia outra ditadura no lugar daquela. Mas o País, como provam os milhões que foram às ruas contra a desfaçatez de Dilma e do PT, já não se deixa mais enganar. Afinal, mentiras, mesmo aquelas contadas com muita convicção, têm pernas curtas.

STF mantém Marcelo Odebrecht preso

BRA02 CURITIBA (BRASIL), 01/09/2015.- El presidente de Odebrecht, Marcelo Bahia, y otros cuatro exdirectivos de la constructora se atuvieron a su derecho a permanecer en silencio frente a un grupo de diputados que investiga las corruptelas detectadas en la estatal brasileña Petrobras, hoy martes 1 de septiembre de 2015, en Curitiba, Brasil. El presidente del grupo, Marcelo Odebrecht, y los otros cuatro exejecutivos de la constructora están detenidos en esa ciudad en el sur del país, hasta donde se desplazaron los diputados en un vano intento por obtener información sobre la supuesta participación de la firma en el escándalo que se investiga en la petrolera. EFE/ Paulo Lisboa ORG XMIT: BRA02 
O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu ontem (26) manter a prisão de Marcelo Odebrecht, ex-presidente e herdeiro do grupo Odebrecht. Ele está preso  há mais de dez meses por determinação da Justiça do Paraná diante da ligação com esquema de corrupção.

Por 3 votos a 2, os ministros entenderam que a liberdade de Marcelo Odebrecht ainda oferece risco para as investigações, uma vez que ele pode interferir, por exemplo, na coleta de provas.

Isso porque há elementos de que o empreiteiro tentou perturbar a Lava Jato, colaborando e direcionando a defesa de aliados e eliminando registros, além de tentar exercer influência sobre autoridades que poderiam interferir em seu caso.

A manutenção da prisão foi defendida pelo relator da Lava Jato, Teori Zavascki, que foi seguida pelos colegas Cármen Lúcia e Celso de Mello.

"Os elementos apresentados pelo juiz (Sérgio Moro), digo eu, permitem de fato constatar a presença de indícios de que o paciente [Marcelo] estaria agindo, com perspectiva de êxito ou não, o que é irrelevante para essa análise, no sentido de perturbar a investigação, seja por meio da orientação de seus subordinados para que destruíssem provas, seja por meio de tentativa de apoio político ou de corrupção de servidores da Polícia Federal", afirmou Teori.

O ministro citou como indícios anotações que continuam orientações para executivos apagarem dados de seus celulares, evitar movimentação em contas bancárias e ainda "vazar doação de campanha".

Gilmar Mendes e Dias Toffoli avaliaram que não há justificativa para manter o empreiteiro detido e defenderam medidas alternativas, como prisão domiciliar e uso de tornozeleira. Gilmar criticou excessos de prisões preventivas.

A defesa de Odebrecht avalia se vai apresentar recurso a própria turma questionando a decisão. No julgamento, o advogado Nabor Bulhões afirmou que houve irregularidade nas sucessivas decretações de prisão do empreiteiro e que havia interesse de Moro em manter o empresário preso a qualquer custo. Bulhões disse ainda que a prisão era insustentável e defendeu que os tribunais não podem usar prisão como "injusto" instrumento de antecipação de punição.

Ex-presidente da maior empreiteira do país, Marcelo já foi condenado pelo juiz Sergio Moro a 19 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e por integrar organização criminosa. Ele teria atuado para obtenção de contratos que somam R$ 12,6 bilhões de parte das obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio), da refinaria Abreu e Lima (Rnest, PE) e da refinaria Getúlio Vargas (Repar, PR). Ele ainda responde a outra ação penal. A prisão, no entanto, é motivada pela tentativa de obstruir as investigações.