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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Da zika à chikungunya

Editorial - Folha de SP
Com o verão vêm as chuvas, e portanto os mosquitos. Entre eles, o Aedes aegypti, vetor para o trio de doenças que intranquiliza o Brasil.

A primeira dessas viroses transmitidas pelo inseto é a dengue. O vírus chegou ao país no século 19, mas deixou de circular quando se erradicou o aedes, nos anos 1950.

A dengue retornou na década de 1980, com a reintrodução do mosquito. Após epidemias no Rio de Janeiro e no Nordeste, a doença se mantém de forma continuada no território nacional e, pela circulação de vários subtipos do vírus, passou a manifestar a versão hemorrágica, que pode matar.

Provavelmente em 2013 ou 2014 uma nova moléstia viral apareceu: a zika. Considerada benigna na África, onde foi identificada, essa infecção aportou no Brasil em sua versão asiática, mais danosa.

Logo se descobriu que a presença do vírus em mulheres grávidas podia produzir efeitos devastadores. Bebês começaram a nascer com graves malformações, em especial no sistema nervoso, como microcefalia (diminuição do crânio associada com o desenvolvimento anormal do cérebro).

Não bastassem os dois flagelos, que se abatem com maior crueldade sobre populações pobres, emerge um terceiro: a chikungunya. Esse vírus também é inoculado em seres humanos na picada da fêmea do aedes (que precisa dos nutrientes do sangue para seus óvulos).

No momento presente, a chikungunya é a virose que mais preocupa o setor de saúde pública. Em primeiro lugar, porque o vírus tende a se espalhar rapidamente numa população urbana numerosa que nunca teve contato com ele, portanto sem anticorpos para combater a infecção —como ocorreu com a zika dois ou três anos atrás.

Por essa razão, espera-se que os surtos de zika arrefeçam no Nordeste neste verão, uma vez que ali número crescente de pessoas já possuem defesas contra ela, mas recrudesçam no Sudeste, em especial no Rio e em São Paulo.

A chikungunya preocupa também porque ocasiona sintomas e sequelas graves nos infectados, como dores agudas nas articulações, que chegam a durar semanas ou meses. E pode ser fatal —registraram-se 156 mortes em 2016.

É espantoso que todo esse sofrimento vá causado por um mosquito que o Brasil já erradicou no passado. Especialistas dizem que é difícil repetir a façanha, hoje em dia.

Porém, um ano depois de estabelecido o nexo entre zika e microcefalia, nem repelentes para grávidas o sistema de saúde conseguiu distribuir de modo eficiente. Um fracasso repulsivo, por desumano.

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