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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Redação do Enem 2016

Andrea Ramal, colunista do G1, escreveu texto baseado no tema - "Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil" - do Enem 2016, que dá indicações de como o assunto poderia ser abordado. Confira:
"A FORÇA MAIS SUTIL
Num recente pronunciamento, o Papa Francisco vaticinou que a série de conflitos ligados a intolerância religiosa já corresponde a uma terceira guerra mundial. De fato, enfrentamentos dessa ordem proliferam nos diversos cantos do mundo, desde a Europa até a África, passando pelo continente americano. Embora logo venham à mente os atentados ligados a radicais muçulmanos, a intolerância tem muitas faces e nuances. No Brasil, por exemplo, país de raiz mestiça que abriga um rico sincretismo cultural, ainda persistem a discriminação e os ataques a religiões de ancestralidade africana e indígena.

O fenômeno não é de hoje. Já na Antiguidade, os primeiros cristãos foram duramente perseguidos por judeus e pagãos. Os judeus sofreram o massacre mais cruel durante o século XX, imposto pelos nazistas. No Brasil, seja de forma explícita ou velada, ocorrem os mais variados tipos de desrespeito à liberdade de expressão religiosa. Os principais ataques envolvem os neopentecostais e avançam sobretudo contra religiões de matriz africana. As atitudes fundamentalistas impactam outras áreas, como a dos direitos sexuais, acabando por intensificar a violência e, em muitos casos, chegando à barbárie.

Para mudar essa realidade no contexto brasileiro, há que entender as suas origens. A intolerância religiosa nunca é um fato isolado e deve ser interpretada a partir dos contextos geopolíticos. Em geral, está circunscrita em conflitos econômicos, sociais e políticos, e se liga com a relação de poder e dominação dirigida às minorias.

O passo mais imediato para superar esse desafio é a informação. Já nas escolas as crianças devem ter acesso a um ensino, mais do que confessional, inter-religioso, marcado pelo respeito, sem interferências ideológicas. Além disso, há que exigir o cumprimento das leis que protegem as vítimas de intolerância e objetivam garantir a igualdade de direitos de todos os cidadãos, membros de um Estado laico. Essas ações podem ser fortalecidas, ainda, com políticas públicas e real comprometimento do Estado para aplicá-las – por exemplo, fortalecendo os movimentos sociais de combate à intolerância e incentivando a participação da sociedade civil. Um exemplo é o Conselho de Diversidade Religiosa, implementado com bastante sucesso no Rio Grande do Sul.

Por fim, haverá que ir até os pontos mais críticos do problema, que estão nas raízes de preconceito e dominação que marcam a nossa história. Superar essa idiossincrasia irá requerer uma mudança de atitude e de mentalidade dos indivíduos e da sociedade. Como disse Mahatma Gandhi, “o amor é a força mais sutil do mundo”. É esse amor, que está na base de todas as religiões e que deveríamos ter mais presente em nossas relações, que pode levar à convivência entre os diferentes e à disposição de dialogar e aprender uns com os outros." 

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