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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Trump será mais moderado como presidente do que como candidato

Por Sérgio D'Ávila - Folha de SP
O tom moderado e conciliador adotado pelo presidente eleito, Donald John Trump, 70, no discurso de vitória na manhã de quarta-feira (9) pode ser considerado seu primeiro ato de governo.

Ao ler as 1.641 palavras de um teleprompter, com poucas frases de improviso, ele enterrou de vez uma das campanhas mais agressivas da história recente da política norte-americana e fez nascer o 45º presidente dos EUA.

Um presidente que, a julgar pelo discurso inicial, deve caminhar para o centro vindo da direita, não tão rápido para não alienar a base que o elegeu, nem tão devagar para não dividir ainda mais um país rachado ao meio.

"Agora é hora de os Estados Unidos curarem as feridas da divisão, de promover a união. A todos os republicanos, democratas e independentes de todo o país, digo que é hora de nos unirmos como um só povo", disse.

"Para aqueles que optaram por não me apoiar no passado, e existem algumas pessoas nessa categoria [risos], estou solicitando sua orientação e sua ajuda para que possamos trabalhar juntos e unificar nosso grande país."

Prova eloquente dessa desunião são os números e porcentagens do pleito popular, vencido por Hillary Clinton.

Até a conclusão desta edição, a democrata contava com 59.680.035 votos (47,7%), ante 59.479.278 do republicano (47,5%), ou uma diferença de pouco mais de 200 mil votos.

Na complicada matemática da corrida à Casa Branca, vence quem tiver mais votos no Colégio Eleitoral, e aí Trump batia Hillary por 306 a 232.

Ainda assim, a discrepância entre os colegiados e o vitorioso nas urnas não ocorria desde que Al Gore perdeu para George W. Bush, em 2000, na corrida até então considerada a mais polarizada do país.

Isso mostra que governar para a maioria é questão de sobrevivência para Trump, ainda que não de gosto. Sendo o pragmático -ou negociador, como queira- que é, o republicano não deverá ter dificuldade para se ajustar ao figurino.

Se tiver, enfrentará as barreiras de um dos sistemas mais eficientes de freios e contrapesos, que é a democracia norte-americana, em atividade há 240 anos. É graças a ele que, em termos absolutos, não é grande o poder do chefe do Executivo do país mais poderoso do mundo.

A começar pelo Legislativo. É certo que Trump terá a seu favor um Congresso com maioria republicana na Câmara e no Senado. Mas são maiorias apertadas e provisórias, já que boa parte é renovada em eleições que ocorrem de dois em dois anos.

E nem todo republicano é trumpista, como mostra o atual presidente da Câmara, Paul Ryan, que, durante a campanha, foi um dos críticos mais contundentes de seu colega de partido.
O Congresso pode, por exemplo, derrubar as ordens executivas do presidente, o equivalente às medidas provisórias brasileiras, mas o presidente não pode vetar parcialmente leis passadas pelos deputados, diferentemente do que acontece no Brasil.

Também o Judiciário é atuante, como mostra a invertida que a política imigratória liberal imaginada por Obama sofreu nas cortes americanas. Trump enfrentará ainda uma sociedade civil organizada e atuante e uma poderosa indústria do lobby, no país em que foi inventada a prática legalizada de influenciar políticas públicas.

Mesmo o aspecto mais caricatural do poder exercido pelo presidente dos EUA –o acesso aos códigos das ogivas nucleares e a capacidade de detoná-las– é relativo. O processo todo envolve dezenas de pessoas, do secretário da Defesa a militares graduados, e basta que um deles se recuse a continuar a cadeia de ações para que a coisa toda pare.

Além disso, Trump será muito mais próximo do líder da segunda principal potência nuclear do mundo, o russo Vladimir Putin, do que Hillary jamais seria e Obama jamais foi. Poucas horas depois de a vitória do republicano ser oficializada, o presidente disse que seu país "está pronto para restaurar relações plenas com os EUA."

Por fim, o cenário de fim de mundo econômico que analistas têm pintado desde a manhã de quarta-feira não leva em conta a resiliência da economia norte-americana, a maior do mundo. Se sobreviveu ao 11 de Setembro de 2001 e ao derretimento do sistema financeiro de 2008, deve sobreviver a um empresário bilionário que gosta de ganhar dinheiro.
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