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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Lava-Jato: Mais de 900 depoimentos serão enviados hoje ao STF

Cerca de 900 depoimentos em delação premiada de donos, executivos e ex-funcionários da Odebrecht, que fechou acordo de leniência com investigadores da Lava-Jato, devem chegar nesta segunda-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF), último dia de trabalho antes do recesso forense. As oitivas — gravadas em vídeo — são acompanhadas de anexos informativos, documentos, mensagens de e-mail, números de telefone e tudo o mais o que 77 delatores vinculados à empreiteira trouxeram para embasar confissões de crimes e denúncias contra outros participantes em irregularidades nos últimos anos.

Do que se viu até agora, não foram alvos só o PMDB e o PT, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também legendas como PSDB, PTB, DEM e PP. A amplitude dos temas — e das contribuições financeiras que a Odebrecht fez ao longo de sua história recente — amedronta políticos e também empresários que podem ser descobertos na “parceria”. Governos no exterior, na África e na América Latina também devem ser denunciados.
 
O ministro-relator da Lava-Jato no Supremo, Teori Zavascki (foto), que deve passar as festas de fim de ano no Rio Grande do Sul, conta com uma equipe de assessores e dois juízes instrutores para analisar o material vindo da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Se precisar de espaço físico e mais pessoal, poderá pedir à presidente do STF, Cármen Lúcia, que se colocou à disposição. Os auxiliares de Teori devem trabalhar durante o mês de janeiro, apesar do recesso no tribunal. Como ocorreu algumas vezes, é possível que o ministro homologue as colaborações premiadas antes de fevereiro, quando o STF volta à ativa. Essa antecipação tem um obstáculo. Interlocutores do magistrado ouvidos pelo Correio contam que ele tem reclamado de cansaço e da necessidade de tirar férias.

Pelo acordo fechado, a Odebrecht confessa crimes, presta informações, paga uma multa de R$ 6,8 bilhões em 20 anos para os governos do Brasil, EUA e Suíça, e obtém penas reduzidas para seus funcionários e sócios e a possibilidade de manter contratos com o poder público. Os executivos ainda pagarão multas individuais.

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