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quinta-feira, 6 de abril de 2017

Por que Temer não ‘peita’ Renan?

Por Vera Magalhães - Estadão
Em uma Presidência marcada por recuos e um certo medo de comprar brigas, Michel Temer assiste calado há semanas a uma escalada retórica e intimidatória do ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL).

Como tudo que faz, Renan não prima nessa ofensiva de agora pela sutileza. Sob uma pretensa preocupação com o teor das reformas, pratica à luz do dia chantagem contra o presidente da República em busca de mais espaço no governo, diante das evidências de que enfrentará, juntamente com o filho governador, dificuldades nas eleições de 2018.

O jogo de Renan é primário e fácil de entender. Mais: não tem o mínimo respaldo na sociedade e tem alcance limitado mesmo no Senado, onde o ex-todo-poderoso agora divide poder e espaço com outros peemedebistas como Eunício Oliveira e Romero Jucá — outra explicação para sua súbita preocupação com os rumos da reforma.

O que é difícil de decifrar é o acanhamento de Temer diante de um “aliado” que desafia sua autoridade e lhe coloca a faca no pescoço dia sim, outro também.

Para um presidente extremamente impopular, marcar a diferença e estar em campo oposto ao de Renan Calheiros é uma rara chance de fazer algum ponto com a sociedade.

Além disso, não demorará até que Renan enfrente agruras semelhantes a outro ex-bicho-papão tido como raposa política: Eduardo Cunha. As investigações contra ele na Lava Jato são múltiplas e ganharão reforço quando for conhecido o teor da lista do Janot.

É verdade que também Temer e seus ministros próximos sofrerão desgaste na Lava Jato, mas só isso não justifica a submissão a Renan, ou o receito de explicitar para a opinião pública o que está por trás da fúria retórica do peemedebista.

A tibieza na resposta a ataques diários ajuda a piorar a imagem de Temer, ao passar ao público a impressão de que o presidente tem algo a Temer caso o correligionário resolva mesmo cumprir sua bravata oposicionista.

Renan é conhecido por acossar aliados quando é contrariado. Foi assim com Collor, com Dilma — quando chegou a devolver uma medida provisória — e não seria diferente com Temer.

Outro padrão que não muda é uma espécie de temor reverencial dos presidentes a um político que só conserva a aura de sobrevivente porque, para sobreviver, conta paradoxalmente com o beneplácito daqueles a quem intimida.

Uma prática que os últimos acontecimentos já deveriam ter banido da vida política brasileira.

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