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sexta-feira, 9 de junho de 2017

Ainda existem sogras

Por Eduardo Simbalista, jornalista.
Um amigo da feira pôs à venda a sogra. Além de bananas, quer passar adiante a sogra como se fazia nos antigos mercados persas. Corre o risco de ser preso por questões de gênero ou por crime contra o consumidor, vendendo gato por lebre.

Diz-me ele a guisa de convencimento: está nova, tem boa pele e conserva todos os dentes. E ainda carrega celular também novo, com zapzap. Não seria melhor abrir mão da mulher? A sogra iria embora junto...

A mulher já se foi com outro. Ficou a sogra. Em bom estado; como na canção portuguesa, boa de língua e boa de motor. E ele sólitário, para o dia dos Namorados.

Já não se fazem sogras como antigamente: as de hoje têm a idade da filha, se vestem como as noras e já vão para o terceiro ou quarto casamento, desde que em casas separadas. Temem revelar a terceira idade logo ao acordar.

Quem faz agora o papel da megera insuportável é o sogro, que perde todo o tempo a discutir política e futebol ou a apostar algum dinheiro nos cavalos, à espera de que a família, afinal, o meta num asilo, como paciente impaciente, ou num manicômio, onde o doce destino dos parvos levá-lo-á a se apaixonar pela enfermeira.

As noras também se casam mais experientes em armadilhas e artimanhas. Os genros que, no período de noivado, já perceberam a má escolha, persistem no erro pela preguiça de não dar a mais perder os anos já perdidos e os caros preparativos das bodas.

Afinal, é hora de formar uma família. O pessimista sueco August Strindberg via a família como um conjunto de pessoas que se detestam: “Sede felizes, o inferno é aqui”, advertia. Poderia citar Rubem Braga (embora não garanta que a citação fosse mesmo do rabugento Rubem), segundo o qual parentes são como peixe; estragam depois do terceiro dia de tolerada convivência.

Ao contrário da dissolução das famílias, em que alianças são partidas, vai crescente o futricotar entre as outrora competitivas noras e sogras. Sobrevivendo aos casamentos, as velhas inimigas cordiais passaram a ser cúmplices ardilosas de uma convivência amável e em boa coisa isso não deve dar.

Não se sabe quanto tempo essa moda vai durar; ainda que temporária, a anistia entre sogras e noras pode ser sinal dos tempos de que não vale a pena lutar pela atenção de filhos marmanjos e maridos tolos. Afinal, eles andarão sempre mais interessados nos jogos de futebol e nos baldes de chope gelado do bar da esquina.

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