Fale com este blog

E-mail: ercio.remista@hotmail.com
Celular: (91) 8136-7941
Para ler postagens mais antigas, escolha e clique em um dos marcadores relacionados ao lado direito desta página. Exemplo: clique em Santarém e aparecerão todas as postagens referentes à terra querida. Para fazer comentários, eis o modo mais fácil: no rodapé da postagem clique em "comentários". Na caixinha "Comentar como" escolha uma das opções. Escreva o seu comentário e clique em "Postar comentário".

quinta-feira, 29 de junho de 2017

No confronto, Janot ficou encurralado

Por Jorge Oliveira - Diário do Poder
O Temer jogou água no chope do Janot. Apesar de ter apresentado um rosário de indícios que conduzem ao envolvimento do presidente ao crime de corrupção passiva, o procurador-geral da República saiu chamuscado do confronto. Ele agora terá que esclarecer que realmente não está envolvido com o ex-procurador Marcelo Miller, homem de sua confiança, que deixou o cargo para fazer os acordos de leniência da JBS do Joesley Batista que, segundo o Temer, teria embolsado milhões de reais. É a primeira vez que Janot é acusado frontalmente de favorecimento a Joesley que, depois de confessar inúmeros crimes, saiu pela porta da frente da procuradoria com o salvo conduto da impunidade.

O embate entre o presidente e a procuradoria só favoreceu o Temer. Se não vejamos: Janot distribuiu seu parecer que envolve o presidente em corrupção passiva, papeis frios que chegaram à imprensa numa coletiva. Temer usou a televisão ao vivo para soltar um míssil contra Janot que vai destroçar a sua reputação e de seus procuradores caso ele não esclareça melhor que não tem nenhum envolvimento com Marcelo Miller, o procurador que deixou o cargo para trabalhar a soldo de Joesley e ajudar a aprovar os acordos de leniência que favoreceram o grupo bilionário dos Batista.

A pergunta que fica no ar é a seguinte: como um procurador que chegou ao cargo por concurso público deixa o emprego vitalício tão bem remunerado para se engajar na causa dos Batista, levando com ele todos os segredos das investigações? É no mínimo esquisito, não acha? Pois é, foi por achar estranho que os assessores de Temer foram investigar o afastamento do procurador e descobriram que ele não cumpriu nem a quarentena determinada por lei para exercer outra função na iniciativa privada. E o seu envolvimento com o Joesley, coincidentemente, aconteceu no momento em que ele fazia a delação premiada que resultou em todo esse fuzuê.

O lamaçal é geral. Tudo indica que dessa esculhambação generalizada não se salva ninguém. Janot, no afã de denunciar o presidente antes de deixar o cargo, não se preocupou com a retaguarda e agora deixa o órgão na UTI. Esqueceu-se que o Temer também é do ramo jurídico, como advogado e professor constitucionalista, e foi para o confronto sem as devidas precauções de zelar pela entidade que dirige até então a mais respeitada do país. Temer evidentemente, ao partir para o ataque, não estava sozinho quando traçou a sua estratégia de encurralar Janot. Contou com alguns simpatizantes dele dentro da Justiça que fazem oposição ao trabalho do procurador, agora de saia justa.

No seu parecer Janot parece ter vacilado, mesmo apresentando um rastro de documentação que comprometeria o presidente. Não conseguiu juntar provas de que o dinheiro da mala do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, assessor do Temer, teria chegado às mãos do presidente. Usou a palavra “ilação” para apoiar as suas denúncias. Temer aproveitou-se para fazer também uma ilação entre Janot e o procurador afastado e acusá-lo de se envolver com os milhões de reais que chegaram aos bolsos do seu ex-braço direito pelo trabalho de leniência que favoreceu as empresas de Joesley. As palavras de Temer, proferidas didaticamente, como um treinado professor, ao vivo e a cores para o Brasil, chegaram como um tiro certeiro aos ouvidos de Janot que se assustou com o petardo.

Na réplica, Janot não foi convincente. Em nota oficial, detalhou a trajetória de seu ex-assessor na procuradoria, mas só serviu para se afundar mais ainda quando confirmou que realmente ele trabalhou nas investigações da Lava Jato até deixar o cargo e se engajar na defesa de Joesley. A situação se agrava ainda mais, quando se sabe que existe outro procurador preso por ter sido flagrado como “homem” de informação de Joesley dentro do órgão. Ou seja: o empresário contaminou todo mundo. Comprou o Executivo, o Parlamento e a Justiça. Ninguém escapa das garras afiadas de Joesley que se revela um dos mafiosos mais estratégicos do mundo. Ele compra os poderes com o mesmo dinheiro que sai dos cofres desses poderes com a conivência de quem dirige esses poderes. Que coisa genial, hein!? É de deixar os sicilianos nova-iorquinos com água na boca.

Os crimes de Joesley ainda não estão perfeitos para um belo roteiro de filme porque os Batista ainda não entraram no mundo das drogas, da prostituição, das jogatinas e dos assassinatos por encomendas. Mas quem viver, verá.

Um comentário:

  1. Falo como ouvinte e leitor dos meios de comunicação.
    Se não estou enganado, ainda, ontem, ou ante ontem, num programa de televisão, foi comentado, como algo surpreendente, o marasmo da população em relação ao Governo Temer. O “fora Temer” estaria “arquivado” pela população, exceção feita àqueles 30% que votam no Lula, seja sob que circunstâncias forem.
    Por que estaria acontecendo isso ?
    Parece-me que a população, em meio ao bombardeio “arrasa quarteirão” promovido por certa rede da mídia em relação ao Governo Temer, não esquece um detalhe que até hoje, surpreendentemente, não foi levado em consideração, inclusive por nenhum dos nichos de defesa do atual Governo.
    A carta que, em 2015, foi dirigida por ele à então Presidente Dilma, verberando a forma como estava sendo por ela tratada a Vice Presidência do seu governo.
    Disse Temer, por exemplo: “Tenho mantido a unidade do PMDB apoiando seu governo usando o prestígio político que tenho advindo da credibilidade e do respeito que granjeei no partido. Isso tudo não gerou confiança em mim. Gera desconfiança e menosprezo do governo”.
    E prosseguiu: “Passei os quatro primeiros anos de governo como vice decorativo. A Senhora sabe disso”.
    Mais: “Jamais eu ou o PMDB fomos chamados para discutir formulações econômicas ou políticas do país; éramos meros acessórios, secundários, subsidiários”.
    Ainda: “ ... sou Presidente do PMDB e a senhora resolveu ignorar-me chamando o líder Picciani e seu pai para fazer um acordo sem nenhuma comunicação ao seu Vice e Presidente do Partido”.
    Outra: “Finalmente, sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB, hoje, e não terá amanhã”.

    E aí ? Dilma caiu e Temer, como seu vice Presidente, assumiu, de acordo com o estabelecido na Constituição.
    Agora está sendo criticado porque, atendendo a um dos seus “fiéis” escudeiros, concordou em ouvir, fora do “horário de trabalho”, um brasileiro que, de acordo com o que nos dizem as notícias, seria dono da empresa que lidera, no mundo, o manejo das carnes.
    Só lhe foi omitido um detalhe, por esse escudeiro “de confiança”: O seu interlocutor nesse “horário especial”, estava lhe armando uma armadilha, posteriormente aceita pela Procuradoria da República, com o aval de membro do Supremo Tribunal Federal.
    É que, sob a promessa de que estaria perdoado pelo Estado de todas as falcatruas que cometeu, o interlocutor concordou em entregar a esse Estado uma fita gravada contendo um “tete a tete” com o Presidente, engendrado com a finalidade exclusiva de “enrolá-lo”
    Nesse encontro, o seu interlocutor, munido de um gravador que, em nosso entender, jamais seria utilizado por qualquer “conesseur”, o procurou e , através de frases de efeito, obteve respostas difusas.
    Agora veja-se a situação do atual Presidente: O seu “assessor de confiança” o convence de receber em sua própria casa um “brasileiro ilustre”, ou seja o maior manuseador de carnes do mundo, num horário especial, como especial seria a posição desse brasileiro no mercado mundial.
    Conversa pra cá, conversa pra lá, e o interlocutor introduz no dialogo as frases que haviam sido adredemente treinadas para comprometer o Presidente.
    Como se o mundo político fosse um mundo “da perfeição”, quer-se agora exigir que o Presidente deveria ter verberado o procedimento do seu interlocutor.
    Perguntamos nós: Por onde começar a distinguir essa tal honestidade de propósitos: Pela “compra” do interlocutor para entregar ao Estado uma armadilha engendrada para o Presidente, a troco do perdão de todas as falcatruas praticadas por esse mesmo interlocutor ?
    É curioso. Não é ?

    ResponderExcluir