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sábado, 3 de junho de 2017

Vale a pena ler: Essa tal felicidade

Por Priscila de Paula - Estadão
Todo mundo quer ser feliz. Mas o tempo todo somos bombardeados com um ideal de perfeição e de sucesso que está distante de nós. De alguma forma, isso mexe com a gente.

Quem já sofreu por não ter algo que gostaria? O corpo, o talento, a carreira, a casa, o carro, o namorado, o marido, a mulher, os filhos…

Em tempos de redes sociais, essas frustrações se multiplicam porque esses padrões quase inatingíveis invadem a nossa vida. Lidar com a falta e com o vazio que nos ocupa é perturbador.

Sem perceber, a gente fica dependente dessas ferramentas e, quando se dá conta, está acompanhando a vida bem sucedida e de luxo, os corpos sarados, as comidas incríveis, as viagens espetaculares, os casais perfeitos, os filhos mais belos, bem vestidos e felizes do planeta! Multiplicado por milhares de seguidores. Nesse mundo virtual, você até duvida que a perfeição não exista. As imagens perfeitas fazem brotar uma série de sentimentos ruins porque você gostaria de estar na mesma posição de outras pessoas, mas, provavelmente, nunca estará. Isso exige de nós um auto controle e um auto conhecimento excepcional para não sermos hipnotizados pelos padrões. Sem querer você se pega questionando: “Por que eu não consegui isso?” É cruel!

Se os efeitos dessa sociedade de consumo são cruéis entre adultos, imagine entre crianças e adolescentes, que se conectam para tentar fazer parte desse novo mundo.

Uma pesquisa do Reino Unido, divulgada em maio, mostrou que o Instagram foi considerada a rede social que teve o pior impacto sobre a saúde mental dos jovens. Também, pudera. É um bombardeio de imagens que te fazem se sentir fracassado, já no começo da vida. Ou no começo do dia!

Tem sido cada vez mais desafiador se contentar com quem a gente é e com o que temos. Como mãe e mulher, arrisco dizer que esse trabalho interior de auto valorização tem sido mais desafiador porque vai contra os princípios desse capitalismo exacerbado de hoje em dia, que faz a gente querer consumir mais e mais, o tempo todo.

Cada um de nós tem de encontrar um caminho único para ser feliz como o que temos. Com quem a gente é. Do jeitinho que somos, IMPERFEITOS e, muitas vezes, impotentes diante da vida.

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