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domingo, 2 de julho de 2017

‘Enquanto houver bambu, lá vai flecha’, diz Janot, sobre fim de mandato

Rodrigo Janot participa de evento em São Paulo
Estadão
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou ontem, 1.º, que vai continuar no “mesmo ritmo” até o dia 17 de setembro, quando então passará a chefia do Ministério Público Federal (MPF) para a sua sucessora, Raquel Dodge. “Enquanto houver bambu, lá vai flecha. Até 17 de setembro, a caneta está na minha mão. No dia 18 não está mais. Ainda bem. Vou continuar nesse ritmo que estou”, disse Janot, em palestra no 12.º Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em São Paulo.

Janot apresentou segunda-feira, 26, denúncia no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva – a ação já chegou à Câmara, que precisa analisar a petição e autorizar ou não a análise na Corte. No dia seguinte, o presidente classificou a denúncia de “ficção” em meio a uma “guerra” e, nesta quarta-feira, 28, nomeou uma rival de Janot para a PGR.

Questionado sobre se há prova cabal contra Temer, Janot respondeu: “Há 20, 25 anos, a gente comentava: ‘Não é possível que para pegar picareta tenha que tirar fotografia do sujeito tirando a carteira do bolso do outro’. Ninguém vai passar recibo. Esse tipo de prova é satânica, é quase impossível”, disse Janot.

De acordo com a denúncia, o presidente apontou seu ex-assessor e ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) como interlocutor dos interesses da JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. As delações do Grupo J&F, da família Batista, embasam a acusação contra Temer e Loures, que foi filmado após receber uma mala com R$ 500 mil de um executivo do grupo. Temer ainda é investigado por obstrução da Justiça e organização criminosa.

O procurador-geral afirmou também que não se sente confortável ao propor uma ação penal contra o presidente. “Não gostei de apresentar denúncia. Ninguém tem esse prazer louco”, disse. “Quando me dirijo a um determinado político, não é por ser político, mas por ter cometido crime”, afirmou.

Criticado por ter concedido benefícios aos Batista, como imunidade, Janot defendeu o acordo de delação da J&F. “Escolha de Sofia: não fazer o acordo e fingir que não vi? Deixar que continue porque imunidade é alta ou baixa? Foi a escolha de Sofia. Foi a escolha que eu tive. Sem imunidade não teria acordo. E mais malas teriam toda semana”, afirmou. Segundo ele, há “um zilhão de hipóteses de rompimento do acordo”.

Sucessora. Segundo Janot, a escolha do nome de Raquel como sua substituta foi legítima e representa um avanço institucional, apesar de seu favorito ser Nicolau Dino, o mais votado. “Participei de dois processos e integrei a lista em primeiro lugar. Nas minhas campanhas, eu disse que o primeiro nome da lista não é obrigatório. O importante é consolidar a lista. Isso ele (Temer) fez. É um avanço constitucional enorme. A lista é tríplice. A escolha para mim foi legítima”, disse ele.

Questionado sobre a rivalidade com Raquel, Janot afirmou que não a persegue. “Dizem que persigo ela. Que sou inimigo. Não tenho nada contra a doutora Raquel. Temos diferença de entendimento. Tenho de ter flexibilidade para fazer acordo de delação”, disse Janot. O mais votado da lista da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) foi Dino, com 621 votos. Raquel recebeu 587 votos e Mario Bonsaglia ficou com 564.

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