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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Lula é o chefe

Por Ruy Fabiano, jornalista - Jornal O Globo
O perigo do “Fora, Temer” é ofuscar o protagonismo do PT no maior processo de rapina já perpetrado ao Estado brasileiro – aliás, a qualquer Estado. A corrupção como método de governo.

O PMDB, partido que Temer presidiu por longo tempo, e cuja parceria com o PT o levou à vice-presidência de Dilma Rousseff, praticou a corrupção clássica, que, embora obviamente criminosa, cuidava de não matar a galinha dos ovos de ouro.

A do PT, não. Não se conformava em enriquecer os seus agentes. Queria mais: saquear o Estado para financiar um projeto revolucionário de perpetuação no poder. Daí a escala inédita, mesmo em termos planetários. Só no BNDES, o TCU examina contratos suspeitos de financiamentos, que incluem países bolivarianos e ditaduras africanas, na escala de R$ 1,3 trilhão. Nada menos.

Poucos países têm tal PIB. A Petrobras, que era uma das maiores empresas do mundo, desapareceu do ranking mundial. Deve mais do que vale. O PT banalizou o milhão – e mesmo o bilhão.

As delações da Odebrecht e da JBS, entre outras de proporções equivalentes (Queiroz Galvão, OAS, Andrade Gutierrez, UTC etc.) mostram quem estava no comando: Lula e o PT. Os demais beneficiários estão sempre vários degraus abaixo. Eram parceiros – e, portanto, cúmplices -, mas sem comando.

Por essa razão, soou como piada de mau gosto – ou um escárnio à inteligência nacional – a afirmação de Joesley Batista de que Temer era o chefe da maior quadrilha do erário. A ação implacável do procurador-geral Rodrigo Janot procurou reforçar aquela afirmação, que obviamente não se sustenta.

Os irmãos Batista, no governo Lula – e graças a ele -, ascenderam da condição de donos de um frigorífico em Goiás à de proprietários da maior empresa de produção de proteína animal do mundo, com filiais em diversos países. Tudo isso em meses.

O segredo? A abertura dos cofres do BNDES, de onde receberam algo em torno de R$ 45 bilhões. Tal como Eike Baptista, são invenções da Era PT. Temer nada tem a ver com isso, ainda que tenha sido – e está provado que foi – beneficiário do esquema.

Mas chefe jamais. Temer e o PMDB são a corrupção clássica, igualmente criminosa, mas em proporções artesanais. É grave e deve ser investigada e punida. Mas enquanto a rapina peemedebista cabe em malas, a do PT exige a criação de um banco, como a Odebrecht acabou providenciando no Panamá para melhor atendê-lo.

É, portanto, estranho que, diante de evidências gritantes como as que Rodrigo Janot dispunha sobre Lula, não tenha se indignado na medida que o fez em relação a Temer e Aécio, cujas respectivas prisões pediu. Jamais denunciou Lula ou Dilma.

Muito pelo contrário. Até hoje não explicou porque destruiu uma delação premiada do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, que comprometia Lula. Não o sensibilizaram tampouco as delações do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura, que, inclusive, revelaram um esquema de financiamento de campanhas em países bolivarianos com dinheiro roubado da Petrobras.

E o casal deixou claro a quem obedecia: Lula e Dilma, fornecendo detalhes sórdidos do esquema: entre outras aberrações, uma conta fria de e-mail pela qual Mônica trocava informações com Dilma, com o objetivo declarado de obstrução de justiça.

E o caso do ex-ministro Aloizio Mercadante, que tentou silenciar Delcídio Amaral, que se preparava para uma delação premiada? Ofereceu-lhe dinheiro e intermediações no STF para soltá-lo. O que Janot fez com aquela fita, cuja nitidez dispensou perícias técnicas? Mercadante continuou ministro até a saída de Dilma. E o que Janot falou a respeito? Suas indignações, de fato, têm sido seletivas, dando ensejo justificado a suspeitas de engajamento.

Temer está em maus lençóis pelo que fez – e deve ser investigado. Ele, Aécio e quem mais tenha delinquido. Mas não se deve perder de vista o senso das proporções. Lula é o chefe.

3 comentários:

  1. Poxa ! Até que enfim alguma coisa foi dita que faz sentido !
    Por que o Procurador Geral da Republica “perdoou” todas as mazelas do Joesley ?
    Por que ?
    O que seria mais importante do que todo aquele amontoado de irregularidades praticadas por Joesley e apuradas pela operação lava jato, que valesse o tal perdão ? O comprometimento do Vice Presidente de ontem e Presidente de hoje em um eventual esquema fraudulento ?

    Preliminarmente:
    Como teria sido flagrado esse “comprometimento” ? Através de uma escuta telefônica autorizada pela justiça ? Através de uma filmagem permitida pelos órgãos legais habilitados em permitir tal iniciativa ? Através de documentos fruto de incursões permitidas por esses mesmos órgãos legais ?
    Surpreendentemente, não !
    Esse eventual “comprometimento” teria sido obtido através de uma escuta clandestina, durante uma conversa informal entre o Presidente e o Joesley, na própria residência daquele, encontro esse durante o qual Joesley falou aquilo que engendrara com a finalidade de “envolver” o Presidente.
    Essa a prova admitida pelos órgãos legais. Aqueles mesmos órgãos legais que condenam sistematicamente escutas e gravações que não sejam por eles permitidas adredemente.

    Mas, o que se tem de concreto, ainda hoje ?
    Tem-se como concreto o fato de que um dos homens “de confiança” do Presidente teria aquiescido em convencer o seu chefe a encontrar-se, em horário fora do expediente e em sua própria residência, com o brasileiro que é reconhecido como dono da maior empresa manuseadora de carnes do mundo.
    Outra concretude é o fato de esse “homem de confiança” haver sido, dias depois, flagrado pela polícia, -- a partir de denúncia de autoria do próprio “homem das carnes”, -- às carreiras, sobraçando uma mala que recebera deste e que estaria “abastecida” com 500 mil reais.
    Mais um fato concreto: Esse “homem de confiança” teria, poucos dias depois, devolvido à polícia a mala cheia de dinheiro que transportava, mas a importância propalada já estava incompleta.
    Agora, acusa-se o Presidente de ser o verdadeiro “receptador” do dinheiro contido na mala, que representaria apenas a primeira parcela de um número infindável de outras de igual monta, que lhe seriam destinadas ao longo de cada um dos meses, durante muitos anos.

    Perguntamos nós: Se o transportador da mala era homem “de confiança” do Presidente, seu chefe, por que em curto espaço de tempo já se apropriaria de parte do dinheiro nela contido, antes de entrega-la ao eventual “destinatário” ?
    Será que essa dinheirama, diante desse “pequeno” detalhe, não se ajustaria mais a título de pagamento pelo esforço empreendido pelo homem “de confiança” no arranjo da conversa desejada por Joesley ?

    Por que não começarmos a averiguar por aí ?

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  2. Corrupção clássica ! Que piada de mau gosto. Certo poeta e escritor afirmava "Todos são iguais perante a lei, mas alguns são superiores a ela." Será isso que o jornalista está querendo dizer, ao separar os delinquentes por classe? Felizmente, com é empregado do sistema Globo fica difícil acreditar no que escreve.

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  3. Poxa ! Até que enfim alguma coisa foi dita que faz sentido !
    Por que o Procurador Geral da Republica “perdoou” todas as mazelas do Joesley ?
    Por que ?
    O que seria mais importante do que todo aquele amontoado de irregularidades praticadas pela firma do Joesley e apuradas pela operação lava jato, que valesse o tal perdão ? O comprometimento do Vice Presidente de ontem e Presidente de hoje em um eventual esquema fraudulento ?

    Preliminarmente:
    Como teria sido flagrado esse “comprometimento” ? Através de uma escuta telefônica autorizada pela justiça ? Através de uma filmagem permitida pelos órgãos legais habilitados em permitir tal iniciativa ? Através de documentos fruto de incursões permitidas por esses mesmos órgãos legais ?
    Surpreendentemente, não !
    Esse eventual “comprometimento” teria sido obtido através de uma escuta clandestina, durante uma conversa social entre o Presidente e o Joesley, na própria residência daquele, encontro esse durante o qual Joesley falou aquilo que engendrara com a finalidade de “envolver” o Presidente, para utilizá-lo posteriormente, na salvação da própria pele.
    Essa a prova admitida pelos órgãos legais. Aqueles mesmos órgãos legais que condenam sistematicamente escutas e gravações que não sejam por eles permitidas adredemente e autorizadas a órgãos legalmente capazes de realizá-lo.

    Mas, ainda assim, o que se tem de concreto, ainda hoje ?
    Tem-se como concreto o fato de que um dos homens “de confiança” do Presidente teria aquiescido em convencer o seu chefe a encontrar-se, em horário fora do expediente e em sua própria residência, com o brasileiro que é reconhecido como dono da maior empresa manuseadora de carnes do mundo.
    Outra concretude é o fato de esse “homem de confiança” haver sido, dias depois, flagrado pela polícia, -- a partir de denúncia de autoria do próprio “homem das carnes”, -- às carreiras, sobraçando uma mala que recebera deste e que estaria “abastecida” com 500 mil reais.
    Mais um fato concreto: Esse “homem de confiança” teria, poucos dias depois, devolvido à polícia a mala cheia de dinheiro que transportava, mas a importância propalada já estava incompleta.
    Agora, acusa-se o Presidente de ser o verdadeiro “receptador” do dinheiro contido na mala, que representaria apenas a primeira parcela de um número infindável de outras de igual monta, que lhe seriam destinadas ao longo de cada um dos meses, durante muitos anos.

    Perguntamos nós: Se o transportador da mala era homem “de confiança” do Presidente, seu chefe, por que em curto espaço de tempo já se apropriaria de parte do dinheiro nela contido, antes de entrega-la ao eventual “destinatário” ?
    Será que essa dinheirama, diante desse “pequeno” detalhe, não se ajustaria mais a título de pagamento pelo esforço empreendido pelo homem “de confiança” no arranjo da conversa desejada por Joesley ?

    Por que não começarmos a averiguar por aí ?

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