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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Modernidade: No jogo do bicho, o 'vale o escrito' não vale mais

Por Alvaro Costa e Silva, jornalista - Estadão
Um leitor estranha que no Rio ainda haja bicheiros, e que estes comandem a Liga Independente das Escolas de Samba. Não só aqui, meu caro, mas em todo o Brasil o jogo do bicho, criado em 1892, continua poderoso. E tão visível que ninguém mais repara, por corriqueiro. Em cada esquina tem um ponto. Já faz parte da paisagem.

Em sua "História do Brasil pelo Método Confuso", publicada em 1920, Mendes Fradique escreve que ele foi "convertido em uma instituição nacional permanente, sob a guarda das autoridades civis e militares". As apostas, feitas em papeluchos, sempre honradas: quem ganhava recebia em dinheiro vivo. O bicho tinha até sua "Constituição", em parágrafo único: "Vale o escrito".

Outro dia sonhei que havia um jacaré debaixo da cama. Resolvi tentar a sorte. No ponto, encontrei uma mocinha segurando uma maquineta, semelhante às de pagamento com cartão de crédito. O "bicho eletrônico" possui software, sistema operacional, chips e rede de intranet. O escrito não vale mais. Vale o impresso. 

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