No jornal Amazônia
Para tentar reverter as condições que renderam às escolas públicas do Pará as colocações mais baixas no ranking nacional do Ministério da Educação (MEC), a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) planeja investimentos massivos para os próximos dois anos. O governo, por meio da Seduc, informou ontem que o Pará deve contar com o financiamento de US$ 300 mil do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para realizar ações voltadas para a melhoria da educação no Estado, fortalecendo programas existentes e iniciando novos projetos. Os detalhes serão apresentados durante uma coletiva de imprensa na manhã de hoje.
Os números do Ideb 2011 (o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) colocam o Pará entre as piores unidades da Federação. O Estado só cumpriu a meta estabelecida pelo Ministério da Educação (MEC) nas séries iniciais do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano. Apesar de ter superado a projeção do MEC em 0,7 pontos, com nota de 4,2 (em uma escala de zero a dez), o Pará registrou a sexta pior nota entre todos os Estados. A situação é ainda mais preocupante nas séries finais do ensino fundamental, cuja média foi de 3,1, e, sobretudo, no ensino médio, onde a nota de 2,8, foi a pior de todo o País.
Para a Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc), vale observar a progressão das notas nas turmas iniciais do ensino fundamental. Desde 2007, as notas têm aumentado, saltando de 2,8 para 4,2 no último Ideb, superando, inclusive, a projeção do MEC para 2015. Já em relação aos grupos de 6ª a 9ª séries e de ensino médio, que não alcançaram a meta estipulada e registraram notas inferiores ao Ideb de 2009, a Seduc destacou que não são casos isolados do Pará, uma vez que o mesmo ocorre na maioria dos outros Estados.
A Seduc informou ainda que, para sair da última posição no ranking, conquistada no Ideb passado, um plano de capacitação para educadores do ensino fundamental foi adotado, com a realização de simulados para melhorar a nota do Ideb. Segundo a secretaria, isto causou uma evolução nos resultados do ensino fundamental, que em 2011 conseguiu ter média igual a do restante da região Norte, se considerarmos as séries iniciais.
MUNICÍPIOS DA REGIÃO SUDESTE OBTIVERAM AS MELHORES MÉDIAS
De acordo com os dados do Ideb, somente três municípios paraenses tiveram notas superiores a 5 nos anos iniciais do ensino fundamental. E todos são da região sudeste do Estado. São os casos das redes públicas e municipais de Dom Eliseu e de Ourilândia do Norte, que alcançaram, individualmente, a média de 5,2. Em seguida aparece Ulianópolis, com nota 5,1. Completam o rol das dez melhores notas do Pará: Parauapebas (4,9), Altamira (4,8), Paragominas (4,7), Santarém (4,7), Novo Progresso (4,6), Tomé-Açú (4,6) e Ananindeua (4,6).
Belém surge na 17ª posição, com indicador de 4,4. Já outros trinta municípios não tiveram nota divulgada, porque 50% dos alunos da rede municipal não compareceram na Prova Brasil - base dos dados do Ideb.
A melhor escola nesse primeiro ciclo do ensino fundamental, com nota 6,5, também é do sudeste paraense. Trata-se do Colégio Municipal Sistema Objetivo de Uruará - 13ª melhor Ideb (4,5) no ranking estadual. A segunda melhor é a Escola Municipal de Ensino Fundamental Presbiteriana Francisco Soares Emerique de Dom Eliseu, com média de 6,4. Altamira tem a terceira escola melhor conceituada do Estado, o Centro Educacional Batista Independente, com 6,2. Já as duas posições seguintes são de representantes da capital: Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará (6,1) e Escola Estadual de Ensino Infantil e Fundamental Tenente Rego Barros (6,1).
Entre o grupo de 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, Bannach apresentou a maior nota do Estado (4,7), seguido por Ananindeua (4,5), Altamira (4,4) e Parauapebas (4,4). O destaque entre as escolas foi a belenense Tenente Rego Barros, com nota 5,6. Nas posições posteriores surgem a Escola Municipal de Ensino Fundamental José Maria Morais e Silva, de Ananindeua, com 5,4; o Colégio Sistema Objetivo de Ensino, de Uruará, com 5,4, e a Escola Municipal de Educação Infantil Professora Maria do Carmo Barbosa Monteiro, também de Ananindeua, com avaliação no Ideb de 5,3.
No geral, 63 municípios não tiveram as notas divulgadas, inclusive Belém, pela elevada ausência de alunos nas provas.
BOAS NOTAS COM POUCOS RECURSOS - Municípios cujas escolas se saíram bem na Prova Brasil e que aparecem com destaque no ranking nacional do MEC.
Dom Eliseu 5,2
Ourilândia do Norte 5,2
Ulianópolis 5,1
Paraupebas 4,9
Altamira 4,8
Paragominas 4,7
Santarém 4,7
Novo Progresso 4,6
Tome-Açu 4,6
Ananindeua 4,6