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quinta-feira, 28 de junho de 2018

Nova norma de planos prevê que paciente pague até 40% do valor dos atendimentos

As operadoras de planos de saúde poderão cobrar dos clientes até 40% do valor de cada procedimento realizado, conforme norma editada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e publicada nesta quinta-feira, 28, no Diário Oficial da União. A resolução define regras para duas modalidades de convênios médicos que vêm crescendo no mercado: a coparticipação (quando o cliente arca com uma parte dos custos do atendimento toda vez que usa o plano de saúde) e a franquia (similar à de veículos).

Ambos os formatos já estavam previstos em resolução do setor de 1998, mas ela não tinha sido regulamentada. Não havia, por exemplo, a definição de um porcentual máximo para a coparticipação em cada atendimento, mas a diretoria de fiscalização da ANS orientava as operadoras a não praticarem valores superiores a 30% - na prática, portanto, a nova regra amplia o valor máximo que as operadoras podem cobrar dos usuários.

O texto da nova resolução, à qual o Estado teve acesso, prevê, porém, que todas as cobranças com franquia e coparticipação estejam sujeitas a um valor máximo por ano. Como adiantado pela reportagem em abril, a parte a ser paga pelo beneficiário no somatório de 12 meses terá como teto o mesmo valor que ele paga de mensalidade no acumulado do ano. Ou seja, se o valor total pago em 12 meses for de R$ 6 mil (mensalidade de R$ 500), este será o limite para os gastos extras do cliente com franquia e coparticipação (diluídos ao longo dos meses).

Esse limite poderá ser aumentado em 50% no caso de planos coletivos empresariais (que representam 67% do mercado de convênios médicos), caso isso seja acordado em convenção coletiva. No exemplo dado acima, portanto, o limite a ser pago pelo contratante em pagamentos de franquia e coparticipação poderia chegar a R$ 9 mil por ano.

Esse mesmo teto também deverá ser respeitado para os planos com franquia, mas a cobrança nesse caso será diferente. A franquia poderá ser aplicada de duas formas: 1) dedutível acumulada: a operadora não se responsabiliza pela cobertura das despesas até que seja atingido o valor previsto no contrato como franquia; 2) limitada por acesso: será estipulado um valor de franquia por procedimento e não por ano.

As regras só valem para contratos novos. As operadoras poderão continuar vendendo planos sem franquia ou coparticipação, mas os produtos com esses formatos deverão ser 20% a 30% mais baratos. Publicada nesta quinta, a norma entra em vigor em seis meses, prazo dado para que as operadores se adaptem às novas normas.

Presidente da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), Reinaldo Scheibe diz que o mercado de planos com coparticipação e franquia deve se expandir e, como esses produtos são mais baratos, mais pessoas terão acesso ao convênio médico. “As empresas terão condições de colocar mais pessoas nos planos, por exemplo”, opina.

Críticas. O porcentual de 40% de coparticipação e o limite de gastos previsto para o cliente são dois pontos polêmicos que opõem ANS e entidades de defesa do consumidor. Para a agência, as regras trazem “maior previsibilidade” aos consumidores, que, ao contratar um plano com coparticipação e franquia a partir de agora, saberão qual é o valor máximo que pagarão ao final do mês e ano.

“Os avanços dessa norma são garantir que o consumidor não seja surpreendido com um custo muito alto e definir procedimentos isentos da cobrança de coparticipação e franquia”, afirma Rodrigo Rodrigues de Aguiar, diretor de desenvolvimento setorial da ANS.Já para o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a norma preocupa pela possibilidade de endividamento dos beneficiários e pela ampliação do porcentual de coparticipação para 40%. “A regulamentação dessas modalidades de plano é importante, mas parece que nenhuma das sugestões das entidades de proteção do consumidor foi ouvida”, diz Ana Carolina Navarrete, pesquisadora do Idec.

As regras de franquia e coparticipação não poderão ser aplicadas a alguns tipos de procedimentos definidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na resolução publicada nesta quinta no Diário Oficial da União. Fazem parte da lista consultas e exames considerados preventivos e tratamentos de doenças crônicas.

Entre as consultas, estarão isentos quatro atendimentos com médicos generalistas (clínico-geral, médico da família, pediatra, ginecologista e geriatra) por ano. Entre os exames preventivos que não terão cobrança extra estão mamografia para mulheres de 40 a 69 anos (um exame a cada dois anos), papanicolau para pacientes de 21 a 65 anos, glicemia de jejum para maiores de 50 anos e teste de HIV, entre outros.Entre os tratamentos crônicos cobertos integralmente em qualquer circunstância estão sessões de hemodiálise e tratamentos oncológicos de radioterapia e quimioterapia. Também ficarão isentos de cobrança extra os exames solicitados durante o pré-natal, dez consultas com obstetra e os testes feitos nos recém-nascidos, como o do pezinho.

Pronto-socorro. Terão ainda regra diferente os atendimentos feitos em pronto-socorro. Nesses casos, não incidirá o valor porcentual de 40% de coparticipação por procedimento realizado, mas, sim, um valor fixo e único a cada atendimento.

Esse valor ficará limitado à metade do valor da mensalidade do beneficiário e não poderá ser superior ao valor pago pela operadora de plano de saúde ao hospital ou clínica. Outra determinação da resolução é que o beneficiário tenha acesso, no site da operadora, a um extrato de utilização do serviço, com os valores acumulados a serem pagos como franquia ou coparticipação. “É uma forma de dar transparência ao processo e de o cliente acompanhar se as cobranças são devidas”, diz Rodrigo Rodrigues de Aguiar, diretor de desenvolvimento setorial da ANS.

ENTENDA AS DIFERENÇAS
Plano regular
Hoje, cerca de metade dos contratos de planos de saúde (48%) não tem os chamados fatores de moderação, como a coparticipação. Nesses contratos, o beneficiário paga uma mensalidade fixa e não arca com nenhuma cobrança extra de acordo com a utilização da rede referenciada. Na maioria das vezes, o convênio é mais caro.

Coparticipação

Nessa modalidade, além da mensalidade, o cliente paga uma parte do custo de cada procedimento que realiza. Pela norma publicada nesta quinta pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o beneficiário poderá arcar com até 40% de cada atendimento. Esse valor, porém, não pode ultrapassar o valor máximo previsto por ano pela agência.

Franquia
Nesse formato, o beneficiário paga todas as despesas assistenciais até atingir o valor da franquia no ano. A partir daí, a operadora arca com os custos dos procedimentos integralmente. A franquia também pode ser estipulada por procedimento, e não por período. Planos com franquia e coparticipação costumam ser 20% a 30% mais baratos.

Governo autoriza reajuste de até 10% em planos de saúde individuais.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicou no Diário Oficial da União de ontem, 27, resolução autorizando um aumento de até 10% os planos de saúde individuais. Foi a 15ª vez em que o reajuste ficou acima da inflação do ano anterior – 2,95% em 2017.

Neste ano, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) conseguiu uma liminar que restringia o aumento a 5,72%. Mas a decisão durou pouco tempo. A ANS recorreu, e o Tribunal Regional Federal de São Paulo suspendeu a liminar favorável ao Idec.


Segundo a ANS, o porcentual máximo de 10% atinge 8,1 milhões de beneficiários, o que representa 17% do total de 47,3 milhões de consumidores de planos de assistência médica no Brasil. São aqueles que contrataram planos de saúde a partir de janeiro de 1999 ou que tiveram os contratos adaptados à Lei nº 9.656/98.

“Os consumidores têm o poder escolha. Caso entendam que seu plano de saúde não está lhes atendendo adequadamente, podem optar pela portabilidade para outra operadora”, afirma a ANS.

domingo, 17 de junho de 2018

Projeto quer impedir processos por imprudência, imperícia e negligência de médicos

Projeto em análise na Câmara pode acabar com a responsabilidade de profissionais de saúde por erros que envolvam negligência, imperícia e imprudência, quaisquer que sejam, em atendimentos de emergência. O projeto, na prática, blinda de processos os profissionais de saúde. Foi rejeitado na Comissão de Seguridade Social e Família, mas, passando pela Comissão de Constituição e Justiça, será levado ao plenário. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

O relator, deputado Mandetta (DEM-MS), disse que a proposta não beneficia bons médicos, que não são responsabilizados em ações emergenciais.

“Maus profissionais, que agem sem cautela, em total descompasso com as normas éticas, poderão escapar da punição”, diz Mandetta.

Se aprovado, o texto vai blindar aqueles que “esquecem” objetos no corpo dos pacientes ou os prejudicam por imperícia ou negligência.

Estudo da Universidade Federal de MG revela que erros médicos, direta ou indiretamente, provocaram 300 mil mortes no País, em 2016.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Salve vidas

Dia Mundial do Doador de Sangue é celebrado nesta quinta-feira (14), segundo a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS). De acordo com o órgão, as doações voluntárias na América Latina e no Caribe ainda estão abaixo da meta estabelecida pela OMS.
DÚVIDAS E MITOS

A doação de sangue engrossa o afina o sangue?
"Tem uma crença que acham que engrossa o sangue, isso não é verdade, a doação não interfere. O que acontece é que o organismo leva um tempo para recuperar os componentes sanguíneos", afirma Araci Sakashita.

É preciso estar em jejum para doar?
"Isso é um mito. A recomendação para o voluntário é que tenha feito uma alimentação mais leve nas últimas três horas pelo menos", afirma a hematologista.

Tenho direito a folga todas as vezes que doar sangue? "O voluntário tem direito a uma única folga por ano independentemente do número de doações que ele fizer", afirma Araci Sakashita. A folga está prevista no artigo 473 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e prevê que o funcionário apresente comprovação para a falta.

Período menstrual afeta a doação?
"A menstruação não impede a doação. O que determina a possibilidade ou não de doar, é o teste de anemia feito em todos os doadores na triagem", conclui a hematologista.

Requesitos para ser um doador:
Ter idade mínima de 16 anos e máxima de 69 anos
Pesar no mínimo 50kg
Ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas
Não ingerir bebidas alcoólicas nas 24 horas que antecedem a doação
Estar bem de saúde, sem gripe, resfriado ou febre há, no mínimo, 7 dias
Não estar em período de gravidez ou amamentação
Não ter feito tatuagem ou piercing nos últimos 6 meses (piercing na boca ou na genitália impedem definitivamente a doação)
Não ter feito uso de drogas injetáveis
Não ter visitado regiões onde há surto de febre amarela nas últimas quatro semanas.
Não ter tido relação sexual em que tivesse risco de doenças sexualmente transmissíveis nos últimos 12 meses


Orientações após a doação
Repouso de 15 minutos para evitar mal estar
Beber bastante líquido
Evitar esforço físico exagerado por 12 horas, especialmente com o braço utilizado na doação
Se tiver febre, diarréia ou outro sintoma de doença infecciosa até sete dias após a doação, comunicar imediatamente o Banco de Sangue
Frequência de doações:
Homens a cada 02 meses e no máximo 04 por ano.
Mulheres a cada 03 meses e no máximo 03 por ano.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Campanha de vacinação contra a gripe é prorrogada até 15 de junho.

O Ministério da Saúde (MS) anunciou ontem (29) a prorrogação da Campanha Nacional de Vacinação Contra a Gripe até o dia 15 de junho.

A decisão foi motivada pelos efeitos da paralisação dos caminhoneiros no atendimento em saúde. Inicialmente, o fim da campanha estava previsto para a próxima sexta-feira, 1° de junho.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Cuide-se!

Hoje é o Dia Mundial da Hipertensão que atinge 25% da população adulta no mundo – e a maioria não sabe que tem. Mais 45% das doenças cardíacas estão relacionadas à hipertensão e 51% das mortes por derrame são provocadas por essa doença. Olho vivo: vá à farmácia medir sua pressão.

sábado, 12 de maio de 2018

HOJE (12) É O DIA “D” DA VACINAÇÃO CONTRA A GRIPE.


Postos de saúde em todo o país funcionam hoje (12) para o chamado Dia D de mobilização contra a gripe. Devem ser imunizados idosos a partir de 60 anos, crianças de 6 meses a 5 anos incompletos, trabalhadores da saúde, professores das redes pública e privada, povos indígenas, gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), pessoas privadas de liberdade e funcionários do sistema prisional.

Pessoas com doenças crônicas e outras condições clínicas especiais também devem ser imunizadas. Neste caso, é preciso apresentar uma prescrição médica no ato da vacinação. Pacientes cadastrados em programas de controle de doenças crônicas do Sistema Único de Saúde (SUS) devem procurar os postos em que estão registrados para receber a dose, sem necessidade de prescrição médica.

A imunização começou no dia 23 de abril e vai até 1º de junho. A expectativa do Ministério da Saúde é vacinar 54,4 milhões de pessoas que integram os grupos prioritários. Durante a campanha, serão distribuídas cerca de 60 milhões de doses que, este ano, protegem contra três vírus do tipo influenza, incluindo o H1N1 e o H3N2.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Veja 6 mitos e verdades sobre a gripe; vacinação começa nesta segunda-feira

A campanha de vacinação contra a gripe iniciou nesta segunda-feira, 23, e é normal surgirem dúvidas. Como parte da campanha, o Ministério listou seis mitos e verdades sobre a doença. 

MITOS
1. É possível pegar gripe pela vacina?
Isso não é possível. A vacina contra a gripe é feita com o vírus morto. Portanto, é 100% segura e incapaz de provocar a doença nas pessoas que são vacinadas.
2. Em gestantes, a vacina faz mal para o bebê?
Pelo contrário. É muito importante a vacinação das grávidas, pois quando a mãe é vacinada o bebê também fica protegido. 
3. A única forma de prevenir a gripe é tomando a vacina?
A vacina contra a gripe é a melhor e mais segura forma de se proteger contra a doença, porém, existem outras medidas importantes que ajudam na prevenção: 
- Lavar e higienizar as mãos com frequência. 
- Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talher, copo e garrafa. 
- Evitar tocar mucosas do olho, nariz e boca. 
- Ter boa alimentação e beber bastante líquido. 
- Evitar contato com pessoas que estejam com sintomas da gripe. 
- Manter a sua casa bem arejada.

VERDADES
4. É preciso tomar a vacina todos os anos? 
Sim. Isso acontece por dois motivos. Primeiro, porque a imunidade da vacina se mantém por um período de aproximadamente 12 meses. Segundo, porque a cada ano temos vírus diferentes, que causam diferentes tipos de gripe, e a vacina é produzida a partir dos vírus que estão mais propensos a aparecer durante o período de vacinação.
5. A gripe pode matar?
Se não for tratada a tempo, a gripe pode causar complicações graves e levar à morte, principalmente nos grupos de alto risco como, pessoas com mais de 60 anos, crianças menores de cinco anos, gestantes e doentes crônicos.
6. Gripe e resfriado são doenças diferentes?
Embora os sintomas sejam muito parecidos, os vírus que causam a gripe e o resfriado são diferentes. A gripe é uma doença mais grave, que causa febre alta, dores musculares, dor de cabeça, dor de garganta e exige mais cuidados para não evoluir para uma pneumonia. Já o resfriado é mais brando e dura menos tempo.

CAMPANHA
A mobilização nacional termina no dia 1º de junho e não haverá prorrogação. Poderá tomar a vacina quem pertence ao grupo prioritário, considerado pelo Ministério da Saúde mais suscetível ao agravamento de doenças respiratórios. A meta do governo federal é imunizar 54 milhões pessoas do grupo prioritário.
Podem se vacinar pessoas acima de 60 anos, crianças com idade entre seis meses e cinco anos, trabalhadores de saúde, professores das redes pública e privada, povos indígenas, gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), pessoas privadas de liberdade – entre eles, adolescentes de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas - e funcionários do sistema prisional.
De acordo com o Ministério da Saúde, também estão aptos a se imunizar os portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais. Este público deve apresentar uma prescrição médica no ato da vacinação. 
Os pacientes cadastrados em programas de controle das doenças crônicas do Sistema Único de Saúde (SUS) também poderão se dirigir aos postos de saúde em que estão registrados para receber a vacina, sem a necessidade de prescrição médica.
Por determinação da Organização Mundial da Saúde, a vacina protege contra três subtipos do vírus da gripe que mais circularam em 2017 no Hemisfério Sul: A/H1N1; A/H3N2 e influenza B. O governo federal adquiriu 60 milhões de doses da imunização que estão sendo entregues em etapas aos estados. 

Dia D
O Ministério confirmou ainda que no dia 12 de maio ocorrerá o Dia D, uma mobilização nacional pela imunização. Na data, estarão abertos os 65 mil postos de vacinação. 
Segudo o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, a meta é vacinar 100% da população. “É importante reforçar que adquirimos vacina disponível para todas as pessoas que fazem parte do público-alvo. No ano passado não faltou vacina e, neste ano, também não faltará", disse. 

sexta-feira, 6 de abril de 2018

MEC suspende criação de cursos de medicina por 5 anos

A criação de novos cursos de medicina no país está suspensa por cinco anos, de acordo com portaria assinada ontem (5) durante reunião do presidente Michel Temer com o ministro da Educação, Mendonça Filho. A medida vale para instituições públicas federais, estaduais e municipais e privadas. A ampliação de vagas em cursos de medicina já existentes em instituições federais também fica suspensa pelo mesmo período.

De acordo com Mendonça Filho, a medida se justifica pela necessidade de fazer uma avaliação e adequação da formação médica no Brasil. Segundo ele, foi grande o número de cursos abertos no país nos últimos anos e agora é preciso zelar pela qualidade.

“Teremos moratória de cinco anos para que possamos reavaliar todo o quadro de formação médica no Brasil. Isso se faz necessário até porque as metas traçadas com relação à ampliação de médicos no Brasil já foram atingidas. Mais que dobramos o número total de faculdades de formação de medicina nos últimos anos, o que significa dizer que há uma presença de formação médica em todas as regiões do Brasil”, afirmou o ministro.

Mendonça Filho explicou que duas portarias serão publicadas no Diário Oficial da União de amanhã (6). Uma estabelece a suspensão da criação de novos cursos de medicina por cinco anos e a outra orienta os sistemais estaduais e municipais a cumprirem a norma.

“Nos casos das estaduais, a regulação é feita pelos Conselhos Estaduais de Educação. Elas têm autonomia, de acordo com a Constituição Federal, assim como as municipais. Mas todas essas regras estão subordinadas ao comando-geral definido a partir de uma portaria adicional que foi assinada hoje por mim”, explicou o ministro.

domingo, 18 de março de 2018

Vale a pena ler: Imposição pelas mãos

 
Por Drauzio Varella, médico - Folha de SP
Faltam ao Brasil políticas públicas de saúde dignas desse nome.

A principal barreira para implementá-las vem da rapidez com que são trocados ministros e secretários estaduais e municipais, que controlam milhares de cargos de confiança pelo país afora.

As escolhas não obedecem a critérios técnicos, mas a interesses político-partidários.

A criação do SUS foi a maior revolução da história da medicina brasileira. Nenhum país com mais de cem milhões de habitantes ousou oferecer assistência médica gratuita para todos.

Antes de 1988, se a pessoa doente trabalhava com carteira assinada, tinha direito ao atendimento pelo antigo INPS, caso contrário, era considerada indigente, portanto dependente da caridade pública.

Apesar de ser um sistema com apenas 30 anos de idade, demos passos enormes.

Entre outros, desenvolvemos os maiores e mais abrangentes programas gratuitos de vacinações e de transplantes de órgãos do mundo; o programa nacional da Aids revolucionou o tratamento e reduziu a velocidade de disseminação da epidemia mundial. As equipes de saúde da família são citadas pela OMS como exemplo a ser seguido.

O cidadão acidentado que telefona para o resgate não sabe que está recorrendo ao SUS. Os que recebem transfusão nos hospitais mais caros de São Paulo não fazem ideia de que a qualidade do sangue é atestada nos hemocentros do SUS.

O trabalho realizado pelos agentes de saúde nos pontos mais remotos do interior e nas periferias inseguras das cidades é ignorado por todos.

A despeito desses avanços e de ser um sistema jovem ainda em construção, para a sociedade desinformada o SUS faz o papel da Geni, do Chico Buarque.

No imaginário popular, o SUS é o pronto-socorro com gente pobre nas macas de corredores superlotados, é a fila de doentes à espera de consulta na porta do hospital.

Longe de mim negar essa realidade humilhante, mas posso assegurar que parte se deve ao desafio de universalizar o atendimento sem dispor de recursos suficientes, e parte à escassez de gestores comprometidos com a saúde pública.

Nesta semana o ministro da Saúde anunciou que o SUS passará a oferecer terapias que atendem por nomes estranhos: imposição de mãos, aromaterapia, cromoterapia, florais, ozonoterapia, apiterapia, arteterapia, bioenergética, hipnoterapia, geoterapia, constelação familiar.

Segundo o ministro: "Essas práticas são uma prevenção para que pessoas não fiquem doentes, não precisem de internação ou cirurgia, o que custa muito para o SUS. Vamos retomar nossas origens e dar valor à medicina tradicional milenar".

Nunca defendi que o Ministério da Saúde fosse entregue a médicos, já tivemos bons ministros que não o eram, mas devo reconhecer que um médico pelo menos teria vergonha de pregar o retorno à medicina de mil anos atrás.

Não tenho nada contra a aromaterapia, nem contra as constelações familiares ou a arteterapia.

Sentir um perfume agradável, refletir sobre as relações com os parentes ou ter aula de arte faz bem para qualquer mortal. Mas dizer que assim evitaremos doenças, internações e cirurgias é desonestidade intelectual, é abusar da credulidade humana.

Nenhuma dessas terapias demonstrou eficácia clínica em estudos científicos. Oferecê-las pelo sistema público significa contratar novos profissionais, arranjar-lhes espaço físico e organizar a burocracia para que possam trabalhar.

Ou seja, vamos desviar os minguados recursos da Saúde para estratégias que nada contribuem para enfrentarmos os problemas de uma população que envelhece sedentária, obesa, hipertensa, com diabetes e doenças reumatológicas.

Faltam ao SUS enfermeiras, fisioterapeutas, fonoaudiólogas, auxiliares de enfermagem, assistentes sociais e médicos, sem os quais não há como prestar a assistência que os brasileiros necessitam.

Se há recursos para contratar terapeutas que transmitem energia com as mãos, aplicam argila em feridas e pontos dolorosos e receitam gotinhas de florais, por que não aplicá-los na ampliação das equipes de saúde da família, de modo a permitir que cheguem aos lares de todos os brasileiros?

De uns tempos para cá parece que só andamos para trás.

terça-feira, 6 de março de 2018

Editorial - Folha de SP: Genética para todos

Por mais que os alarmistas de plantão se alvorocem, não existe razão plausível para temer o plano do governo federal de disseminar o aconselhamento genético. Ao contrário, se há motivo para preocupação, ele desponta com a dúvida quanto à capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS) de oferecê-lo a toda a população.

O debate bioético começou antes mesmo de o Ministério da Saúde publicar detalhes de seu plano para implantar varreduras nos genes dos pais para estimar a probabilidade de que gerem filhos com doenças genéticas raras. Tal exame é recomendado a todo casal com histórico de alguma dessas síndromes na família.

O temor suscitado se refere a um possível componente eugênico no programa. Ou seja, que o aconselhamento genético implique um aumento da discriminação contra portadores de deficiências como a surdez, que pode ter origem em mutações de DNA.

Ou, no limite, até abortos para eliminação de fetos “defeituosos” —é o fantasma da eugenia nazista que se insinua nessa visão.

O aconselhamento genético corretamente ministrado nada tem a ver com isso. Ele se destina a casais que planejam ter filhos, não a mulheres que já estejam grávidas. E, mesmo que se verifique um problema grave no feto em gestação, cabe lembrar que a interrupção da gravidez nesse caso seria criminosa, pela lei brasileira.

Pode-se argumentar, como defende esta Folha, que se devem ampliar as condições legais para realizar abortamentos e submeter a norma modificada a um referendo popular. Mas isso é coisa diversa de democratizar o acesso ao aconselhamento.

Para casais com alta probabilidade de gerar um filho com limitações, sempre haverá a alternativa da adoção. Ou de recorrer à fertilização in vitro, que permite diagnosticar embriões e implantar no útero da mãe só aqueles sem os genes para síndromes conhecidas.

Tais “bebês de proveta”, como ficaram conhecidos, são corriqueiros em clínicas particulares. Trata-se, contudo, de um serviço caro.

Se o direito à saúde reprodutiva for tomado a sério, há que apoiar o plano de estender a oferta de aconselhamento a todas as partes do país. Para isso, entretanto, parece também necessário rever a reserva de mercado hoje existente para médicos geneticistas, pois não faltam biólogos capacitados para orientar mães e pais sob risco.

O aconselhamento genético é uma realidade. Sobram razões para torná-lo acessível na rede pública a quem dele precisa.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Susto!

Através de e-mail, leitor deste blog relata o seguinte: “semana passada, uma conhecida e muito querida empresária santarena, passageira de um voo internacional no trecho Miami/São Paulo, sofreu, na aeronave, um infarto. Ao chegar em SP foi imediatamente levada a um hospital para receber assistência médica e, após colocação de estentes, passa bem. Brevemente retornará para Santarém.”

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Vitaminas e suplementos: Nenhum medicamento da medicina tem o poder milagroso de prevenir gripes, resfriados e infartos

Por Drauzio Varella, Médico cancerologista
O mercado mundial de vitaminas e suplementos alimentares é bilionário. Só nos Estados Unidos, movimenta US$ 30 bilhões anuais, com mais de 90 mil produtos vendidos pela internet ou expostos em lojas que mais parecem hipermercados.

Inquérito recente revelou que 52% dos americanos adultos consomem um ou mais desses produtos, enquanto 10% fazem uso de pelo menos quatro. Vitaminas e sais minerais (micronutrientes) lideram as vendas.

O consumo está baseado na crença religiosa de que, dessa forma, o usuário mantém a saúde e evita doenças. Digo religiosa, porque nenhum estudo científico até hoje realizado foi capaz de demonstrar qualquer benefício dessa prática em pessoas bem nutridas.

Pelo contrário, a ingestão de certos micronutrientes em doses diárias mais altas do que as recomendadas (betacaroteno, ácido fólico, vitamina E, vitamina A e selênio, por exemplo) pode aumentar a mortalidade geral e o número de óbitos por câncer e acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos.

Em desacordo com a crendice popular, o ideal é que a fonte de vitaminas e sais minerais seja a alimentação. Uma dieta rica em vegetais e proteínas oferece os micronutrientes em proporções biologicamente equilibradas, enquanto a administração de um deles, em doses altas, corre risco de afetar o equilíbrio fisiológico do organismo.

Isso quer dizer que a prescrição de vitaminas deve ser abandonada? Não, mas é preciso critério para receitá-las apenas nas condições em que existem evidências científicas dos benefícios.

1) Gravidez: no primeiro trimestre, toda mulher deve tomar ácido fólico para prevenir malformações do tubo neural do feto. É um dos raros micronutrientes biodisponíveis mesmo na forma de suplementos ou alimentos fortificados. As grávidas devem ser aconselhadas a adotar dietas ricas em ferro e a fazer reposição se tiverem níveis baixos de hemoglobina. As vantagens da vitamina D e do cálcio não estão comprovadas.

2) Bebês e crianças: bebês amamentados exclusivamente com leite materno devem tomar 400 unidades diárias de vitamina D desde o nascimento, até começar a receber leite fortificado com esse micronutriente. A partir dos 4 meses, é preciso suplementar ferro até a adoção de dietas contendo esse mineral (geralmente depois dos seis meses).

3) Adultos mais velhos: depois dos 50 anos, algumas mulheres e homens podem ter dificuldade de absorver vitamina B12. Nesses casos, estão indicados alimentos fortificados ou suplementos. Vitamina D deve ser receitada para aqueles que não se expõem adequadamente à luz solar.

Quanto à reposição de cálcio (muito popular no passado), vários estudos levantaram a suspeita de que possa aumentar o risco de cálculos renais e doenças cardiovasculares.

Em virtude dessas preocupações, a indicação deve ficar restrita aos que não consomem quantidades suficientes de leite, laticínios e vegetais escuros. Nessas situações, é mais prudente que a dose não ultrapasse 500 mg/dia.

Existem outras condições que exigem suplementação: cirurgia bariátrica (complexo B, ferro, cálcio, zinco, cobre e multivitaminas), anemia perniciosa (vitamina B12), doença de Crohn e outras doenças inflamatórias intestinais (ferro, vitamina D, zinco, magnésio e multivitaminas), osteoporose (vitamina D, cálcio e magnésio).

Considerar reposição, ainda, quando houver uso prolongado de medicações como os inibidores de bomba de prótons omeprazol, esomeprazol, pantoprazol (vitamina B12, cálcio e magnésio), metformina para diabetes (vitamina B12) e dietas restritivas ou pobres em micronutrientes (multivitaminas, B12, cálcio, vitamina D e magnésio).

Caríssimo leitor, se você é daquelas pessoas bem alimentadas que não se enquadra nas situações descritas, mas tem fé nas vitaminas e suplementos industrializados para ajudá-lo a preservar a saúde e a prevenir gripes, resfriados, infartos e outras enfermidades, tira o cavalo da chuva. Nenhum medicamento da medicina do século 21 tem esse poder milagroso.

Sem contar com a ajuda da farmacologia, só resta uma alternativa: menos excessos alimentares e mais atividade física. Não dá para passar o dia sentado comendo tudo o que está por perto.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Continuemos rezando pela saúde de Gumercindo Rebelo

Recebi, há pouco, esta informação do Lairton Sena:
"[1/2 09:51] Ontem de manhã o Gumercindo chegou a ir para o centro cirúrgico, mas a pressão alta impediu o procedimento. Está prevista para hoje a cirurgia do rim."

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Lei de planos de saúde burla proibição de aumento

Os planos de saúde adoram o projeto de lei proposto na Câmara para alterar regras do setor. Após faturarem R$ 178,4 bilhões em 2016 no Brasil, as empresas fazem um lobby no Congresso para aprovar o projeto que é um primor de mau-caratismo. Se aprovada, a nova lei continuaria a permitir que planos aumentem o custo de segurados de 59 anos, em razão da proibição de fazê-lo a partir dos 60 anos. A novidade é que o aumento abusivo poderá ser “diluído” em cinco anos. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

De maneira criminosa, o projeto da nova lei dos planos revoga artigo do Estatuto do Idoso que proíbe aumento do seu valor após os 60 anos.

Para burlar o Estatuto do Idoso, planos de saúde aumentam valores aos 59 anos do cliente, autorizados pela “agência reguladora” ANS.

O cliente passa a vida pagando plano de saúde quase sem utilizá-lo, mas aos 59 anos os preços são aumentados para empurrá-lo ao SUS.

Há deputados que defendem a ideia de que o idoso é problema do SUS. Para eles, planos são para os jovens, que pagam sem utilizá-lo.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Revoltante!

 
Este ano, o desembolso da Caixa Econômica (leia-se, Governo federal) com patrocínios a 26 clubes de futebol que estampam sua logomarca nas camisas foi de R$ 145 milhões. Mas, não gastou nenhum tostão para ajudar, por exemplo, a assistência médica e compra de medicamentos para os brasileiros e as brasileiras que lotam os hospitais públicos para aliviar seus sofrimentos. 

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Após polêmica, relator desiste de reajuste de plano de saúde para idoso

Após pressão de operadoras e entidades de defesa do consumidor, o deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), relator na Comissão Especial da Câmara do projeto que modifica a Lei dos Planos de Saúde, retirou ontem o artigo que permitia reajuste de mensalidade depois dos 60 anos. Atualmente, esse tipo aumento não é permitido na legislação, de 1998. Hoje, após o usuário completar 60 anos, não são mais permitidos os reajustes por mudança de faixa etária - só o reajuste anual por variação de custos. Marinho havia proposto que o reajuste para idosos fosse escalonado em cinco parcelas quinquenais a partir dos 60 anos. O texto estabelecia que o valor da última faixa de aumento por idade fosse, no máximo, seis vezes maior do que a mensalidade paga pela faixa etária mais jovem.

A proposta tinha apoio do ministro da Saúde, Ricardo Barros, mas foi criticada pelo setor. Para entidades de defesa do consumidor, seria uma flexibilização do Estatuto do Idoso, de 2004. Já as operadoras alegavam que perderiam receita imediata. Defensores da mudança diziam que, na prática, a medida não fazia sentido: havia um aumento de mensalidade grande aos 59 anos, última faixa possível para o reajuste pelo critério etário, para compensar a proibição posterior.

Com a retirada desse item do texto, o relator adiou, pela segunda vez, a apresentação do documento à comissão especial que trata do tema. A reunião, que estava marcada para hoje na Câmara, foi transferida para o dia 13 de dezembro.

No início da semana, Marinho já havia desistido de outra medida que desagradava a associações médicas - a que desobrigava empresas a pagar cirurgias para corrigir complicações ou sequelas comprovadamente provocadas por erro médico. Isso acabaria levando usuários a ingressar com ações contra o profissional de saúde. Tal isenção foi retirada e a garantia de cobertura da cirurgia para usuários, mantida.

Outros pontos considerados prejudiciais aos usuários, como a brecha de contratos de menor cobertura (a segmentação) e regras que dificultam a incorporação de técnicas e cirurgias mais modernas à lista de procedimentos obrigatórios ( rol mínimo), continuam no texto.

A lista de procedimentos mínimos é atualizada a cada dois anos. Ela é formulada com base em uma consulta a vários setores e votada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), com o objetivo de oferecer aos usuários técnicas mais seguras e modernas.

Segundo a assessoria do relator, Marinho ainda pode rever outros pontos da proposta. Nas próximas duas semanas, ele continuará negociando com os parlamentares da comissão possíveis alterações. O relatório tramita em regime de urgência.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Planos de Saúde: Projeto mantém valores abusivos para quem tem 59 anos ou mais



O projeto da nova Lei dos Planos e Saúde não mexe em mensalidades abusivas, cobradas de quem tem mais de 59 anos de idade. Tanto a Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS) quanto os autores do projeto afirmam que não podem limitar preços, abrindo caminho à exploração ilimitada: os planos individuais ainda existentes cobram a partir de R$9.800 mensais para cada idoso. Ou paga ou não tem plano. Por isso, cerca de 3 milhões de brasileiros foram ejetados dos planos. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

O projeto da nova lei obriga as empresas a oferecerem planos individuais, mas as autoriza a cobrarem a mensalidade que quiserem.

A ANS só limita o reajuste dos planos individuais, e libera a exploração nos coletivos. Por isso planos individuais praticamente foram extintos.

Os planos burlam a proibição do Estatuto do Idoso de cobrar mais de quem passa dos 60 anos: cobram mais de quem chega aos 59.

A nova Lei dos Planos de Saúde revoga o artigo do Estatuto do Idoso, a pretexto de “parcelar” o reajuste que supera os 100%, aos 59 anos.

sábado, 11 de novembro de 2017

Secretária de Temer critica proposta de reajuste a plano de saúde de idoso

Primeira a ocupar o cargo de secretária nacional de promoção e defesa dos direitos da pessoa idosa, a médica Maria Socorro Medeiros de Morais afirmou à Folha que a proposta que prevê reajuste dos planos de saúde após os 60 anos de idade pode "rasgar" o Estatuto do Idoso.

Um relatório com essa e outras medidas que visam mudar a lei dos planos de saúde está previsto para ser votado em comissão especial na Câmara dos Deputados até o final deste mês. "No dia em que assumi a secretaria, jurei fidelidade ao Estatuto do Idoso. Me parece que, com essa reforma, começamos a rasgar esse estatuto, e isso é sério, porque ele é a maior outorga de direitos da pessoa idosa no Brasil", afirmou Maria Socorro, que assumiu a secretaria criada em outubro dentro do Ministério dos Direitos Humanos.

Atualmente, há dois tipos de reajuste de planos de saúde: um anual, que ocorre pela variação nos custos do período, e outro por faixa etária. O Estatuto do Idoso, porém, veta desde 2004 esta última elevação (relacionada à idade dos usuários) a partir dos 60 anos -há 6,2 milhões de clientes de planos acima dessa idade no país.

O documento afirma que "é vedada a discriminação do idoso nos planos de saúde pela cobrança de valores diferenciados em razão da idade".
 
REAJUSTE APLICADO
No entanto, proposta do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), relator do caso na Câmara, prevê que seja acrescentado ao trecho a permissão à "aplicação parcelada do reajuste da última faixa etária após os sessenta anos".

Assim, o reajuste aplicado aos 59 anos poderia ser estendido para os anos seguintes. Para especialistas, porém, a medida representa novo aval ao aumento para o idoso. Questionada, a secretária hesitou inicialmente em comentar a proposta. "Tenho opinião como médica, mas aqui sou governo", disse à Folha.

Para ela, no entanto, a posição de várias entidades contra a medida mostra que a alteração pode representar "realmente um engodo". "Entidades que representam as pessoas idosas e Procons são contra. Algo está fora de ordem", completa a secretária nacional, que pesquisa a área de envelhecimento há 12 anos.  
ASSISTÊNCIA
Para ela, o ideal seria investir em melhorias de assistência ao idoso na rede de saúde, com incentivo à promoção do envelhecimento saudável, o que ajudaria a reduzir custos do sistema. Planos de saúde também devem criar políticas próprias nesse sentido, diz.

"A maioria das pessoas idosas têm comorbidades, e isso sobrecarrega a renda, em um momento em que já passam a ganhar menos. É preciso se pensar numa política pública que garanta essa assistência dentro do escopo da atenção básica e que os planos de saúde encontrem um caminho. Que saúde é um produto caro, isso não resta dúvida. Mas precisamos investir em tecnologias e na atenção básica", diz.

Ela cita estudos que mostram que o percentual de usuários com planos de saúde tende a cair de forma expressiva após os 60 anos. "Isso é um sintoma de que não estão conseguindo pagar", afirma.

A declaração sobre os riscos ao Estatuto do Idoso difere do ministro da Saúde, Ricardo Barros, para o qual os planos assumem "um risco muito antecipado para uma coisa incerta" ao não poderem reajustar a mensalidade dos usuários após os 60 anos.

"É um tema que deve ser enfrentado", afirmou em entrevista à Folha publicada na última quarta-feira (8). "Se queremos que o setor de saúde suplementar continue cooperando com o SUS e atendendo vidas que se autofinanciam no atendimento de saúde, é preciso que esse sistema se sustente", disse o ministro.
REAJUSTE DA MENSALIDADE
COMO É HOJE
Há dois tipos: um anual, por variação de custos, e um por faixa etária –o Estatuto do Idoso, porém, veta reajuste para quem tem 60 anos ou mais*
COMO FICARIA
Estatuto do Idoso seria alterado e permitiria aplicação de reajuste após os 60 anos. Aumento que hoje é aplicado aos 59 anos seria parcelado e estendido para os anos seguintes

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Reajuste de plano de idosos é tema a ser enfrentado, diz ministro da Saúde

Ministro da Saúde, Ricardo Barros, divulga boletim sobre casos de febre amarela, em Brasília 
O ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirma que os planos de saúde "assumem um risco antecipado por uma coisa incerta" ao não poderem reajustar a mensalidade de usuários após os 60 anos. Um projeto que permite esse reajuste deve ser votado em comissão especial da Câmara nesta quarta-feira (8).

Em entrevista à Folha, Barros afirma que esse assunto, que é criticado por usuários e por entidades de defesa do consumidor, "tem que ser enfrentado". "O equilíbrio econômico do plano de saúde tem que ser mantido", diz.

Hoje, há dois tipos de reajuste de planos de saúde: um anual, que ocorre pela variação nos custos do período, e outro por faixa etária. O Estatuto do Idoso, porém, veta desde 2004 esta última elevação (relacionada à idade dos usuários) a partir dos 60 anos -há 6,2 milhões de clientes de planos acima dessa idade.

Pelo projeto em discussão na Câmara, esse aumento seria permitido. A justificativa é que, pelo modelo atual, há um único reajuste abusivo quando os usuários atingem 59 anos -e que ele poderia ser diluído em fases posteriores.

O ministro diz ainda que deve rever protocolos de alguns tratamentos para evitar que internações sejam prolongadas "sem necessidade".
Leia aqui >Entrevista do ministro Ricardo Barros