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sábado, 2 de abril de 2016

Temer diz que pedido de impeachment contra ele é 'plano orquestrado'

BRASILIA, DF, BRASIL, 01/04/2016, O ex-governador do Ceará e ex-ministro da Educação Cid Gomes protocolou nesta sexta-feira (1º) na Câmara dos Deputados um pedido de impeachment do vice-presidente da República, Michel Temer.. (Foto: Renato Costa/Folhapress, PODER) 
O ex-governador do Ceará Cid Gomes protocola pedido de impeachment do vice-presidente Michel Teme
Em tom bem mais duro que o usual, o vice-presidente Michel Temer respondeu, por meio de sua assessoria, ao pedido de impeachment contra ele protocolado nesta sexta-feira (1o) na Câmara pelo ex-governador do Ceará Cid Gomes.

Segundo Temer, o pedido é "um plano orquestrado" para desconstruir sua imagem, protagonizado por um "agente terceirizado escalado para atingir reputação alheia de forma vil e rasteira".

De acordo com a nota, Gomes encenou um "espetáculo deprimente" nesta sexta na Câmara, apresentando um pedido de impeachment que "traz uma série de citações já esclarecidas à imprensa".

"Notícias velhas sem sustentação, citações equivocadas e interpretações de pessoas mal informadas são a base da justificativa do senhor Cid Gomes, cuja coleção volumosa de fotografias ao lado do delator Paulo Roberto Costa [ex-diretor da Petrobras condenado na Lava Jato] ilustram bem a biografia e retratam de forma definitiva sua verdadeira prática política", diz o texto.

A menção a Paulo Roberto Costa se deve ao fato de o pedido apresentado por Gomes trazer "delações, depoimentos, citações recolhidas de documentos, de equipamentos celulares de diversos investigados na operação Lava Jato que fazem referência explícita" a Temer.

A assessoria do vice-presidente diz que Temer defende a Operação Lava Jato, "que grandes e relevantes serviços vem prestando ao Brasil".

Entre as "condutas tipificadas como crimes de responsabilidade" no pedido entregue por Gomes estão indicação de Jorge Zelada para a Diretoria Internacional da Petrobras e o "escândalo de aquisição de etanol na BR Distribuidora" –denúncias presentes na delação do senador Delcídio do Amaral.

O pedido também cita a delação do doleiro Alberto Youssef, na qual "pode-se observar a presença de menções à sigla partidária [PMDB] e seus operadores".

Segundo o jornal Folha de SP apurou, a apresentação do pedido de impeachment de Temer foi uma ação articulada com o Palácio do Planalto.

Ao protocolar o documento, o ex-governador Gomes disse que decidiu entrar com as denúncias neste momento porque a rápida tramitação do processo de Dilma Rousseff o "apavora". - "Vocês já pensaram o que vai ser o dia seguinte [ao possível impeachment de Dilma]? É isso que estou pensando. (...) Ele tramita muito rapidamente nessa comissão e isso me apavora", afirmou.

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada por Michel Temer.

O pedido de impeachment protocolado hoje na Câmara traz uma série de citações já esclarecidas à imprensa.

Notícias velhas sem sustentação, citações equivocadas e interpretações de pessoas mal informadas são a base da justificativa do senhor Cid Gomes, cuja coleção volumosa de fotografias ao lado do delator Paulo Roberto Costa ilustram bem a biografia e retratam de forma definitiva sua verdadeira prática política.

O vice-presidente Michel Temer defende a operação Lava Jato, que grandes e relevantes serviços vem prestando ao Brasil. E tem a convicção de que os trabalhos baseados em Curitiba significam o início de uma reforma nos hábitos políticos brasileiros, necessários para melhorar e aprimorar nosso sistema de representação.

Só com um processo de evolução de nossos costumes deixaremos de assistir ao espetáculo deprimente representado hoje pelo senhor Cid Gomes, agente terceirizado escalado para atingir reputação alheia de forma vil e rasteira.

Tudo isso nada mais é que um plano orquestrado cujo objetivo é desconstruir a imagem do vice-presidente da República.  a) Assessoria de Imprensa da Vice-Presidência

ANTAQ? O que é?

Leitor deste blog, indaga: qual a finalidade da ANTAQ, que será comandada pelo ex-deputado e ex-senador paraense, Luiz Otávio Campos (Pepeca)?

Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) é uma autarquia especial, com autonomia administrativa e funcional, vinculada à Secretaria de Portos da Presidência da República do Brasil, cujo titular é Helder Barbalho, do PMDB-PA. Ela é responsável pela regulamentação, controle tarifário, estudo e desenvolvimento do transporte aquaviário no Brasil.

Constituem esfera de atuação da ANTAQ:
- a navegação fluvial, lacustre e de travessia
- a navegação de apoio marítimo, de apoio portuário, de cabotagem e de longo curso
- os portos organizados e as instalações portuárias neles localizadas
- os terminais de uso privado
- as estações de transbordo de carga
- as instalações portuárias públicas de pequeno porte, e
- as instalações portuárias de turismo. 

Para obter o diploma de médico, o formando agora dependerá de aprovação em exame nacional

Quem tiver baixa performance na prova ficará impedido de receber o diploma de médico. (Foto: Reprodução)
A primeira edição de um exame criado para avaliar os futuros médicos do Brasil será aplicada em agosto deste ano, anunciou ontem o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. De forma geral, a Avaliação Nacional Seriada dos Estudantes de Medicina vai medir o desempenho de todos os alunos do 2°, 4° e 6° anos da graduação. Na última etapa, quem tiver baixa performance na prova ficará impedido de receber o diploma e, portanto, de exercer a profissão. Mas poderá repetir o teste, previsto para ser ofertado diversas vezes ao ano, até conseguir aprovação, frisou Mercadante.

Nesta primeira edição, no entanto, somente alunos do 2° ano serão avaliados, estimados em cerca de 20 mil no país pelo MEC. Isto porque a lei que criou o exame determinou que ele começasse em 2015. Então, apenas estudantes que entraram na faculdade a partir do ano passado ficam obrigados a fazer o novo teste, segundo a lógica de que a legislação não pode retroagir para prejudicar o cidadão, explicou Mercadante. É essa turma de alunos que, em 2020, quando estarão cursando o 6° ano, passará pela fase mais complexa da avaliação, em que uma reprovação pode significar adiar o sonho de pegar o diploma. 

De acordo com Mercadante, o exame tem como objetivo aumentar o rigor na formação de médicos no Brasil: — É um exame bastante amplo para que a gente não apenas forme mais médicos no Brasil, mas que a gente forme bons médicos. (O teste) no 2° e no 4° anos será uma grande indicador para as instituições e para o aluno, até chegar ao 6° ano, quando ele fará mais uma vez o exame.

A nota de corte da Avaliação Nacional Seriada dos Estudantes de Medicina será calculada a cada edição, dentro de uma metodologia internacional de verificação de desempenho, explicou Henry Campos, reitor da Universidade Federal do Ceará e representante da Subcomissão do Revalida, o exame que certifica médicos formados no exterior que queiram atuar no Brasil. A nova avaliação para os estudantes brasileiros seguirá o modelo do Revalida, no formato e conteúdo. Para alunos do 2° e 4° anos, serão provas escritas. No 6°, haverá avaliações práticas.

A periodicidade da avaliação ainda não está definida. Segundo Campos, a ideia é que haja várias edições ao ano, que poderão ser feitas de forma integrada ao Revalida. No entanto, os detalhes ficarão a cargo da Comissão Gestora de Avaliação em Educação Médica, formada por membros do governo, de associações médicas e de estudantes, que vão trabalhar na forma de aplicação do novo exame.

Um balanço com os resultados do último Revalida, exame para validar diplomas de Medicina obtidos no exterior, mostra que cerca de 58% dos participantes reprovaram na seleção de 2015. O percentual de insucesso era ainda pior nos últimos anos: 67,4% (2014), 93,1% (2013), 90,1% (2012) e 87,8% (2011). Entre os 1.683 aprovados no ano passado, 921 são brasileiros, o que representa 54,7% do total.

Mercadante atribui a diminuição da taxa de reprovação, apesar de ainda elevada, e o número significativo de brasileiros na lista dos aprovados do Revalida, à influência do programa Mais Médicos, embora não saiba dizer quantos profissionais que passaram no exame de reconhecimento do diploma participaram ou participam do projeto do governo: — Acreditamos que, com o Mais Médicos, eles puderam exercer a Medicina na atenção primária, com supervisão e formação, e isso seguramente contribuiu para que aprimorassem sua formação originária e melhorassem o seu depemenho — disse o ministro.

Referindo-se aos 1.683 aprovados no Revalida, Mercadante comemorou: — Tivemos o equivalente a 35 turmas de medicina, profissionais formados no exterior que vão agora exercer plenamente a Medicina no Brasil.

Ele lembrou que a meta do governo é aumentar a taxa de médicos, em 10 anos, do atual 1,8 para 2,7 por mil habitantes. Segundo Mercadante, o atual índice é o mais mais baixo entre vizinhos comparáveis ao Brasil, como Argentina.

'Eduardo Cunha é o bandido que eu mais gosto'

Roberto Jefferson falou com exclusividade ao 'Estado'
Condenado a sete anos e 14 dias de prisão no processo do mensalão, o ex-deputado Roberto Jefferson obteve perdão da pena no último dia 22 e se prepara para reassumir em 14 de abril, a presidência do PTB, atualmente ocupada por sua filha, a deputada Cristiane Brasil. Quer voltar ao comando partidário ainda durante o processo do impeachment da presidente Dilma Rousseff, do qual é favorável.

Em entrevista ao jornal O Estado de SP (Estadão), Jefferson, de 62 anos, dispara que Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o presidente da Câmara, é o "bandido" que ele diz mais gostar, pois "foi o adversário mais à altura do Lula", que "nunca esperou encontrar um bandido da mesma qualidade moral, intelectual que ele". Afirma que sua "preocupação" hoje é com a prisão da mulher e filha de Cunha. "São mulheres bonitas, cheirosas", que vão ser assediadas por companheiras de cela, "vão apanhar na cara".
O sr. tinha conhecimento do esquema de corrupção na Petrobrás?
Não soube dessas coisas da Petrobrás na época. Sempre foi a empresa elite dos partidos mais poderosos. As estatais no Brasil são o braço financeiro das corporações sindicais e partidos. Quem financia partido são as estatais. Se queremos país moderno, vamos ter que fazer privatização, porque não vai permitir a concentração da corrupção. A estatal é a semente da corrupção no Brasil. Partidos disputam cargos nas estatais para seu financiamento. O que vão assaltar nos seis meses enquanto durar o processo de impeachment é uma loucura. Vai todo mundo querer fazer caixa, porque ela cai em seis meses. 'Cobra 100% de comissão aí!'.
O PTB pleiteou alguma diretoria ou gerência importante na Petrobrás?
Nunca, éramos muito pequenos. O PTB teve a presidência da Eletronorte, a diretoria do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil) e aquela diretoria dos Correios.
E Furnas?
Uma diretoria nos foi oferecida pelo Lula, para compensar a não transferência dos recursos nas eleições em que PT fechou acordo com o PTB. O PTB fechou uma grande aliança com o PT nas capitais, a Marta (Suplicy) foi eleita com apoio do PTB em São Paulo. Eles ofereceram R$ 20 milhões para financiamento do PTB e deram R$ 4 milhões. Foram os R$ 4 milhões que o Marcos Valério (empresário do mercado publicitário preso após julgamento do mensalão) levou. Como não cumpriram os R$ 16 milhões e no PTB ficamos com uma grave dívida e uma crise interna, Lula tentou montar para o PTB um caminho de financiamento para suprir esse gasto, a diretoria de Furnas onde estava o Dimas Toledo (ex-diretor de Engenharia de Furnas nomeado no governo FHC). Mas não se concretizou.
O que aconteceu? Havia um esquema anterior?
Havia. Soube disso quando indicamos Francisco Spirandel para o lugar do Dimas. Recebi contato do Zé Dirceu para que fosse conversar com ele na Casa Civil. Ele disse: 'em vez de trocar o Dimas, por que a gente não faz um acordo, você mantém o Dimas e ele passa a ajudar o PTB?'. Eu disse: 'da minha parte, sem problema'. Dimas foi à minha casa conversar. Dimas disse: 'minha diretoria rende de apoio R$ 3 milhões por mês, mas tenho comprometidos R$ 1 milhão com o PT de Minas, R$ 1 milhão com o PT nacional, dou R$ 600 mil a 12 deputados do PSDB, R$ 50 mil a cada um, eles apoiam de vez em quando o governo federal. E R$ 400 mil para a diretoria.
O sr. foi indiciado pela polícia do Rio por corrupção e lavagem de dinheiro relacionado a Furnas. Como responderá?
Pedi ao Ministério Público para me ouvir. Uma delegada pediu meu indiciamento indireto sem me ouvir. Não me furto a nada. Ela disse que confessei. Nós não recebemos. Pensei que a lei punisse só fato consumado. Nunca vi a lei punir intenção. O PTB nunca recebeu nenhum recurso de Furnas, do Dimas Toledo, ele não chegou a ajudar o PTB. Vou esclarecer. Faz parte da vida. Tive que me eviscerar para dar essa partida, para tirar a máscara da face do PT, botar o rei nu.
Como a Operação Lava Jato e mensalão se conectavam?
Quando o PT encontra resistência em uma direção partidária, dissolve aquele partido, pega um grupo, faz outro partido. Quem se manteve firme e não se fragmentou foi o PMDB. Quando o PMDB viu que o PT estava tentando esfacelar o partido, criando esse PSD com o ex-prefeito de São Paulo (Gilberto Kassab), começou ali a reação. Eduardo Cunha vem reagindo a partir dali. Essa janela que abriram agora (para troca de partido) é mensalão de novo. Os caras que se aproximavam para conversar pediam luvas de R$ 1 milhão, R$ 600 mil e mensalão de R$ 30 mil, R$ 40 mil, R$ 50 mil por mês. É a mesma coisa do mensalão. Aconteceu tem dez dias. O PTB foi assediado.
Por quem?
Teve gente que me procurou. "Preciso de R$ 1 milhão". Eu disse: 'aqui no PTB não se paga mensalão para ninguém'. Eram deputados de outra legenda que vinham com essa conversa para passar para o PTB. Perdemos alguns deputados e sei que cantaram na orelha deles.
Por que o PTB não tinha espaço na Petrobrás?
O PTB nunca esteve em direção de qualquer empresa desse porte. Não sou santo nem quero fingir que sou. Mas sempre tive limites, nunca passei da linha amarela. Quando sentava um empreiteiro na minha frente, eu dizia: 'leve em consideração três coisas para ajudar do PTB: primeiro, o interesse da empresa estatal; segundo, o interesse da sua empresa; terceiro, o que você puder dar'. Ele perguntava: 'como o senhor quer receber?'. Dizia: 'como você quiser dar ao PTB, por dentro, por fora'.
Acredita que haverá condenações e prisões na Lava Jato como houve no mensalão?
Penso que Lula não vai escapar. O mensalão parou na antessala dele, na Casa Civil. Mas o petrolão entrou dentro do Palácio (do Planalto). Ou esse (Marcelo) Odebrecht fala ou vai levar 30 anos na cadeia. Marcos Valério levou uma martelada de 40 anos. O processo do petrolão é diferente do mensalão. O mensalão surgiu do embate político, da denúncia que fiz. No petrolão não tem nem voz da oposição. A oposição está em silêncio porque muito dos seus estão comprometidos, tem muita gente da oposição enroscada nas empreiteiras.
Eduardo Cunha tem legitimidade para presidir a Câmara no momento em que está em curso o processo de impeachment?
Tem. Ele responde a vários inquéritos, tem que ter cuidado. Minha preocupação é que a prisão humilha muito. Para ele a situação vai complicar. Vai levantar de manhã cedo, chinelo de dedo, bermuda azul, camiseta branca. Está lá no coletivo dos presos, aquele cheiro de gente doente, com tuberculose, com Aids. Banheiro com cheiro terrível, banho frio. De manhã cedo, todo mundo em fila. 'Senhor Roberto Jefferson!'. 'Presente, senhor'. Cabeça baixa, mão para trás. De noite, o 'confere', aquela averiguação que se faz. É duro. Dinheiro contadinho, R$ 100 por semana para comprar na cantina. E quem tem R$ 100 tem que comprar para todo mundo. Se furar a bola, tem que dar uma bola nova. Tem que aturar isso. Limpar privada, varrer o chão. O que me preocupa são as filhas e a esposa, mulheres bonitas, cheirosas, entram lá naquele meio, vão ser assediadas. Vão acordar com aquelas mulheres deitadas na cama, vão apanhar na cara, vão denunciar, vão apanhar de novo. O cara vai ter que aturar isso. O ambiente prisional é muito duro, muito triste, muito pesado. O cara não pode expor a esposa, a filha. Não ataca a Justiça, não ataca o Ministério Público. Respeita. O cara tem 20 contas no exterior, nunca declarou. Gastos milionários em cartão de crédito. Traz para si, tira a esposa e a filha. Ele não pode permitir a filha e a esposa passarem por isso. É a preocupação que tenho.
É possível Cunha responder aos inquéritos e continuar no comando da Câmara?
Ele foi o adversário mais à altura do Lula, que nunca esperou encontrar um bandido da mesma qualidade moral, intelectual que ele. O bandido pelo qual eu mais torço é o Eduardo Cunha. Vai puxar a barba do Rasputin (Grigori, místico russo amigo do czar Nicolas II, morto em 1916). Gelado, frio, equilibrado. O Lula, o PT e esse Fórum de São Paulo (conferência de partidos de esquerda latino-americanos) são bandidos da laia do Cunha, topam tudo. Como Deus faz as coisas. Botou um cara ali que qualquer jogo ele joga, qualquer parada ele topa e sabe onde aperta o calo do outro bandido. Pega o outro bandido na esquina. Dudu é o bandido que eu mais gosto, o vilão que eu torço por ele, o vilão da minha novela. E estou doido para ele puxar a barba do Rasputin.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Lava Jato prende ex-secretário do PT e empresário ligado ao partido

A PF cumpre mandado de condução coercitiva contra o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares  
A PF cumpre mandado de condução coercitiva contra o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (1º) mais uma etapa da Operação Lava Jato. A 27ª fase, denominada de "Carbono 14", investiga crimes de extorsão, falsidade ideológica, fraude, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Ao todo, a PF cumpre 12 ordens judiciais, sendo oito mandados de busca e apreensão, dois de prisão temporária e dois de condução coercitiva. As prisões temporárias são do empresário e dono do "Diário do Grande ABC" Ronan Maria Pinto e do ex-secretário-nacional do Partido dos Trabalhadores Silvio Pereira. As conduções coercitivas são do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e do jornalista e diretor editorial do site "Opera Mundi" Breno Altman.

As medidas estão sendo cumpridas nos municípios paulistas de São Paulo, Carapicuíba, Osasco e Santo André.

Segundo o Ministério Público Federal, a operação investiga um suposto esquema de lavagem de capitais de cerca de R$ 6 milhões provenientes de gestão fraudulenta no Banco Schahin, cujo rombo foi coberto depois pela Petrobras.

"Constatou-se que José Carlos Bumlai [empresário amigo do ex-presidente Lula] contraiu um empréstimo fraudulento junto ao Banco Schahin em outubro de 2004 no montante de R$ 12 milhões. O mútuo, na realidade, tinha por finalidade a 'quitação' de dívidas do Partido dos Trabalhadores (PT) e foi pago por intermédio da contratação fraudulenta da Schahin como operadora do navio-sonda Vitória 10.000, pela Petrobras, em 2009, ao custo de US$ 1,6 bilhão", informou a Procuradoria.

Clonando Pensamento

:
“Eu vim aqui dar um abraço nas pessoas das mais variadas tribos, das mais variadas convicções políticas. Gente que votou no PT, gente que não gosta do PT, gente que foi do PT, que se desiludiu com o partido, gente que votou na Dilma, mas sobretudo, gente que não pode por em dúvida a integridade da presidente Dilma Rousseff. Eu vejo gente aqui na praça, da minha geração, que viveu o 31 de março de 1964. Mas vejo sobretudo a imensa juventude que não era então nem nascida, mas que conhece a história do Brasil. Eu quero aqui agradecer a vocês que me animam a acreditar que não, de novo não, não vai ter golpe”.
(Chico Buarque de Holanda, ontem, na manifestação contra o impeachment de Dilma)

De José Simão - Folha de SP

É hoje! Primeiro de Abril! Dia da Mentira! E as grandes frases de 1º de Abril!:
1) "Sou a pessoa mais honesta do mundo", Lula.
2) "Não tenho conta na Suíça", Cunha. Que roubou a frase do Maluf. O Cunha conseguiu roubar o Maluf, é uma façanha inédita!
3) "Nunca recebi propina de Furnas", Aécio Neves.
4) "A inflação está sob controle e a economia está bem", Granda Chefa Toura Sentada Dilma.
5) "Eu não sou Deus", Galvão Bueno! É sim! Ele deve pensar assim: "Eu não sou Deus, sou muito melhor". .
6) E a maior mentira de todos os séculos: "Vou por só a cabecinha".

A Hora da Xepa! É o toma lá dá cá da Dilma!

A Dilma trocou o apelido de Granda Chefa Toura Sentada por Granda XEPA Toura Sentada! Ela mandou o Jaques Wagner ficar gritando na porta do Planalto: "Queima total de estoques! A presidenta enlouqueceu! Queima total de cargos!".

O Brasil só tem réu. Réus e reincidentes. Réu-incidentes. É só ver o impeachment no Congresso: os corruptos contra a corrupção! 

FGTS/PIS: Consultas facilitadas

A Caixa Econômica Federal lançou ontem o aplicativo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que os trabalhadores possam consultar seu extrato no fundo. O lançamento foi feito durante a reunião do conselho curador do FGTS no Ministério do Trabalho e Previdência Social.
 
Para acessar a ferramenta é necessário fazer um cadastro onde o trabalhador deve criar uma senha de acesso e informar o Número de Identificação Social (NIS). Esse número pode ser encontrado nos extratos do FGTS, carteira de trabalho, com o empregador ou nas agências da Caixa.

Trabalhador - Também foi apresentado ontem o aplicativo Caixa Trabalhador que traz informações sobre o PIS, o abono salarial e o seguro-desemprego. Por meio dele, o trabalhador se informa sobre as condições para receber os benefícios, como requisitos, documentação e prazos.

As duas ferramentas estão disponíveis para downloads gratuito para os sistemas Android, IOS e WindowsPhone. Os aplicativos possuem um recurso de geolocalização que mostra a agência da Caixa e sala de autoatendimento.

Manifestação contra o impeachment de Dilma levou milhares de pessoas às ruas de belém

Jornal Amazônia
Milhares de pessoas saíram às ruas de Belém, ontem à noite, em um ato em defesa da democracia e contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Segundo os organizadores, foram 30 mil manifestantes. Para a Polícia Militar, cinco mil. A chuva atrasou o início da manifestação, marcada para as 16 horas, mas que só começou às 19 horas. A mobilização terminou 1h40 depois, na Aldeia Amazônica David Miguel, no bairro da Pedreira. Conforme a Polícia Militar, o ato público, cuja concentração ocorreu na praça da Leitura, em São Brás, foi tranquilo.

Em Belém, o ato reuniu representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), União Nacional dos Estudantes (UNE), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Central de Movimentos Populares (CMP) e mais de 60 outras entidades dos movimentos populares, da juventude e partidos políticos que formam as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Os militantes, sindicalistas e líderes dos movimentos sociais, além de representantes de partidos políticos e de toda a sociedade que preservam as regras democráticas foram às ruas denunciar o que classificam como golpe de estado em curso no Brasil neste momento. Eles disseram que a presidente Dilma foi reeleita democraticamente, com mais de 54 milhões de votos.

Secretária de Comunicação do PT no Pará, Regiane Nascimento disse que a manifestação reuniu pessoas de Belém e do interior do Estado. “Isso mostra a diversidade do povo paraense, que diz não ao golpe e a favor da democracia”, afirmou.

As pessoas carregavam bandeiras do Brasil e, também, cartazes destacando os programas federais, que permitiram a inclusão social de milhões de pessoas. “Nós construímos a democracia. É muito importante que o povo retorne às ruas nesse momento em que o País corre um sério risco de perder as políticas públicas que conquistamos e avançamos. O povo tem que dizer para que respeitem seu voto, que foi democrático e soberano. Por isso é importante que as pessoas venham para a rua dizer: não vai ter golpe”, disse Silvina Macedo, conselheira estadual de saúde. Ela segurava um cartaz informando que o programa Bolsa Família beneficiou 48 milhões de brasileiros.

Segundo o coronel Dilson Júnior, comandante do Policiamento da Capital (CPC), 150 policiais militares acompanharam a manifestação. Ele calculou o público em cinco mil pessoas. Quinze agentes da Superintendência de Mobilidade Urbana (Semob) orientaram o fluxo de veículos durante o percurso do ato público. Saindo da praça da Leitura, os manifestantes seguiram pelas avenidas José Bonifácio e Duque de Caxias, entraram na travessa Mauriti e continuaram na avenida Pedro Miranda, até chegar, por volta das 20h40, na Aldeia Amazônica David Miguel, onde foi realizado um ato cultural.

Dilma lidera ranking da "Fortune" dos líderes que mais decepcionaram em 2015

A "Fortune" (revista americana dobre negócios), que na semana passada escolheu Sérgio Moro, como 13º mais importante líder global, acaba de editar outro ranking — e, agora, tem espaço para Dilma Rousseff na liderança.

Desta vez, o site da revista está convidando seus leitores a escolherem “os líderes globais mais decepcionantes” de 2015. A votação começou anteontem.

Até o momento, Dilma aparece em primeiro lugar, “pelos escândalos de corrupção no Brasil”; seguida pelo governador de Michigan, Rick Snyder. Joseph Blatter e Michel Platini, aparecem empatados em quarto lugar. Em sétimo, o ex-presidente da Volkswagen, Martin Winterkorn, que esteve no centro da fraude dos dados deemissões de poluentes nos EUA. A lista é composta até agora de dezenove nomes, entre políticos, executivos e dirigentes esportivos.

Perder ou perder

Por Nelson Motta - O Globo
Só o desespero pode chamar de “golpe judiciário-parlamentar-midiático” se a maioria do Legislativo, com aprovação do Judiciário, a imprensa livre, a OAB, a Fiesp e 69% da população apoiam o processo legal de impeachment da presidente por crimes de responsabilidade fiscal que quebraram o país. Mas se é judicial-legislativo-midiático-empresarial-jurídico-popular... que golpe de araque é esse? Só faltaram o Exército, a Igreja e a CIA... rsrs.

No sufoco, o senador Humberto Costa até cunhou o oximoro “golpe constitucional”, porque, se é constitucional, não pode ser golpe, e vice-versa. O STF, com a maioria de seus ministros nomeados por governos petistas, aprovou um rito para o processo de impeachment, em que a presidente terá ampla defesa e poderá, como Bill Clinton, perder na Câmara e ser absolvida no Senado. Mas se for condenada, será golpe? Ou nem pode ser julgada?

Sou contra qualquer forma de golpe, mas também não acredito que um impeachment, mesmo cumprindo todos os processos legais, seja a melhor solução. Pior do que está, não fica, mas temo um governo Temer apoiado pela bandidagem do PMDB e por partidos com mais de cem parlamentares loucos para melar a Lava-Jato em nome de uma conciliação nacional que também pouparia Renan, Cunha e os petistas. Mas como? Ah, eles são muitos, andam em bandos, se alimentam de verbas públicas e se unem quando ameaçados.

Talvez o melhor, ou menos pior para o país, seja a chapa Dilma-Temer ser impugnada pelo TSE, com irrefutáveis provas de doações ilegais, e convocadas novas eleições. Ou Dilma propor ao Congresso: eu renuncio, mas vocês também. E o Congresso, movido por espírito público... rsrs... renuncie e seja completamente renovado nas eleições. Seria uma chance de nascer um novo Brasil zero bala.

Mas, cuidado com seus desejos, eles podem se realizar. No caso, com duas ameaças sinistras: o ódio aos políticos eleger um presidente messiânico e populista, desastroso para o país como Collor e Jânio. E a máxima de Ulysses Guimarães, confirmada pela História: cada novo Congresso é sempre pior do que o anterior. É perder ou perder.

‘Meu Deus do céu! Essa é a nossa alternativa de poder’, diz Barroso sobre PMDB

Em meio à crise política e às discussões sobre o impeachment, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), lamentou ontem (31)a a falta de alternativa para comandar o país – e citou como exemplo foto publicada pelos jornais quarta-feira (30) em que caciques do PMDB anunciaram a debandada do governo. A declaração foi dada a alunos da Fundação Lemann, que foram recebidos em audiência por Barroso no tribunal.

A conversa com os estudantes ocorreu no plenário da Primeira Turma do STF. O ministro não sabia, mas o sistema interno de TV do tribunal transmitiu a primeira parte do encontro. Quando, anteontem, o jornal exibia que o PMDB desembarcou do governo e mostrava as pessoas que erguiam as mãos, eu olhei e: Meu Deus do céu! Essa é a nossa alternativa de poder. Eu não vou fulanizar, mas quem viu a foto sabe do que estou falando — disse Barroso.

A foto à qual o ministro se referia estampava figuras notórias do partido – em especial, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ), o senador Romero Jucá (RR) e o ex-ministro da Aviação Eliseu Padilha.

— O problema da política neste momento eu diria é a falta de alternativa. Não tem para onde correr. Isso é um desastre. Porque, numa sociedade democrática, a política é um gênero de primeira necessidade. A política morreu. Talvez eu tenha exagerado, mas ela está gravemente enferma. É preciso mudar — concluiu.

Quando soube que estava sendo televisionado, Barroso ficou contrariado. — Pede pra desgravar. Tá transmitindo, paciência, mas para não ter uma fita — declarou — Mas quem é que está assistindo isso? Podia ter avisado mais rápido, né?

Antes de saber da transmissão de sua fala, o ministro criticou o sistema político brasileiro de forma geral. — Nós nos perdemos em muitos caminhos diferentes. A política morreu. Nós temos um sistema político que não tem o mínimo de legitimidade democrática, deu uma centralidade imensa ao dinheiro e à necessidade de financiamento e se tornou um espaço de corrupção generalizada — afirmou, e ressaltou: — Estou falando aqui em um ambiente acadêmico, como se eu estivesse falando com os meus alunos.

Ainda durante a conversa, Barroso disse que o modelo político “é um desastre” – particularmente, a forma de eleição para a Câmara dos Deputados, feita em eleição por voto proporcional em lista aberta. Segundo o ministro, esse modelo é caro, porque precisa haver campanhas em todos os estados, e também porque as vagas são ocupadas pelos mais votados dos partidos.

— Menos de 10% dos candidatos são eleitos com votação própria. Nesse sistema, o eleitor não sabe quem ele elegeu, porque 90% dos eleitos não foram eleitos com voto próprio. E o eleito não sabe quem o elegeu pela mesma razão. É um sistema em que o eleitor não tem de quem cobrar e o eleito não tem a quem prestar contas, não pode funcionar — criticou.

PMDB: Renan Calheiros diz que reunião que decretou rompimento foi 'precipitada'

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL)
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou ontem, 31, ter considerado "precipitada" a reunião da Executiva Nacional do PMDB que determinou o rompimento formal do partido com o governo. Segundo ele, havia um acordo firmado na reunião da convenção do partido, que no dia 12 reelegeu o vice-presidente Michel Temer para mais um mandato à frente da legenda, de não se votar na ocasião moções.

Contudo, Renan disse que aquele ato "surpreendeu" pois se votou a moção que dava inicialmente 30 dias de prazo para decidir se mantinha o apoio ao governo. A apreciação dessa moção foi antecipada pela Executiva Nacional para a terça-feira (29), ocasião em que a direção partidária aprovou um texto que determinava a "entrega imediata" dos cargos na gestão Dilma Rousseff.

"É evidente que isso (a decisão do rompimento) precipitou reações em todas as órbitas: no PMDB, no governo, nos partidos da sustentação, nos partidos da oposição, o que significa em outras palavras, em bom português, não foi um bom movimento, um movimento inteligente", criticou Renan, em entrevista após participar de uma solenidade no plenário do Senado sobre a participação feminina na política.

O presidente do Senado fez questão de destacar que, quando o PMDB reelegeu Temer como presidente na chapa única, o partido demonstrou uma "férrea unidade", mostrando que pode estar unido mesmo na adversidade. Ele disse que a avaliação de que a reunião que levou ao rompimento foi um movimento "pouco calculado" é feita independentemente do que vai ocorrer em relação aos ministros do partido que ainda não deixaram os cargos.

Renan repetiu que não tem acompanhado a discussão em torno da ocupação do PMDB na Esplanada a fim de resguardar a independência e isenção da instituição que preside. Ele disse que, mesmo tendo encontrado com três ministros do partido, após o encontro da Executiva na terça-feira, não sabia naquela ocasião nem sabe hoje qual decisão cada um vai tomar. Ele se reuniu com Eduardo Braga (Minas e Energia), Kátia Abreu (Agricultura) e Helder Barbalho (Portos).

O peemedebista preferiu não comentar se há uma "pressa" da parte do PMDB em sentar na cadeira de presidente da República.

Oposição. O presidente do Senado disse que, embora não fale pelo partido, não acredita que o PMDB vá para a oposição caso o impeachment de Dilma não seja aprovado pelo Congresso. Ele afirmou que não vê, em qualquer cenário, que a legenda vá liderar uma corrente antigoverno no Parlamento. Para ele, a maioria parlamentar já está tão difícil de se formar e será mais ainda se o PMDB se ausentar.

"Eu acho que não (o PMDB ir para a guerrilha) porque, na medida em que você permite a radicalização das posições, você deixa de defender o interesse nacional e quando você abre os olhos apenas para a disputa de poder e fecha os olhos para a defesa de valores como a democracia, a liberdade, a governabilidade, você sem dúvida inverte os papéis", avaliou.

Num mato sem cachorro

Por Eliane Cantanhêde - Estadão
Se Dilma já deu o Ministério da Saúde para o deputado Marcelo Castro enfrentar zika, chikungunya, dengue e H1N1 quando o PMDB ainda era oficialmente governo, o que ela não dá agora para tentar amarrar o PP, o PR, o PSD e outros ao pé claudicante de seu governo? É um festival de ministérios, estatais e cargos de segundo e terceiro escalão, não mais pelo natimorto ajuste fiscal, mas para tentar evitar o impeachment.

Imagine-se como Dilma delegou para Leonardo Picciani um dos cargos mais sensíveis da República. “Querido, quem você tem aí para a Saúde?”. Ele, rastreando a bancada do PMDB: “Olha, presidenta, tem lá um tal de Mauro de Castro, ou Marcelo, não sei direito. Parece que tem diploma de médico”. E ela: “Feito!”.

O Aedes aegypti adorou, mas nem por isso Dilma garantiu o apoio do PMDB do Rio, que votou alegremente pelo rompimento com o governo. E quem anunciou a traição foi o pai do Piccianinho, Jorge Picciani. Agora, o constrangimento: Marcelo de Castro não serviu nem para matar mosquito nem para assegurar o PMDB do Rio, mas se agarra ao cargo como jabuticaba no pé, até que surja alguém de mais serventia.

Parece ficção, mas tem muito de realidade e vai se repetir dezenas de vezes no Planalto, transformado ora em feira, ora em bunker, ou num hotel não muito longe dali, onde funciona o feirão de cargos do ex-presidente Lula. O fato é que o PP, o PR e os partidos menores, mas tão gulosos, estão em alta em Brasília. Aliás, o voto é que está em viés em alta.

Quanto mais o dólar cai, sob a perspectiva de impeachment, mais o preço dos deputados e senadores do “centrão” e do “centrinho” dispara. É a lei do mercado: a oferta de votos contra o afastamento de Dilma está menor do que a demanda do Planalto. Logo, o negócio está o olho da cara. Ou é falta de vergonha na cara?

O risco é Dilma conseguir barrar o impeachment, mas arrastar um governo de xepa, com centenas de oportunistas, um ministro qualquer na Saúde para evitar mortes por dengue e microcefalia por zika, outro no Esporte passando ao largo da Olimpíada, um terceiro no Turismo quando milhões de estrangeiros desembarcarem para o maior evento esportivo da face da Terra. E com um bilhão de telespectadores no mundo mirando os jogos e o Brasil.

A prioridade de Dilma não é governar, é manter o governo a qualquer custo. O foco não é restaurar a economia aos cacos, corrigir as contas públicas, combater as doenças, cuidar de saúde, educação, turismo... Toda a energia está voltada para um único fim: salvar o mandato, com o bordão do “golpe”.

Apesar de todas essas evidências, claras como um dia de verão, há ainda muitas nuvens pairando sobre a sociedade brasileira e o Congresso, responsável constitucional para decidir se Dilma sai e Michel Temer entra, ou se tudo fica como está. O PMDB não ajuda muito a dirimir as dúvidas. Não bastasse um Eduardo Cunha réu no Supremo e um Renan Calheiros enfrentando sete inquéritos, há o fantasma da divisão interna que assombra o maior partido do país desde sempre.

Após o rompimento por aclamação (o voto a voto iria materializar a dissidência), veio o vexame e a humilhação, com Renan respaldando e os ministros do partido implorando para manter suas boquinhas. Kátia Abreu à parte – está na Agricultura menos pelo PMDB e mais por Dilma e pela representatividade no setor –, os outros cinco tremem até Dilma decidir: uni duni tê, quem fica é... você!

Se Dilma está nas mãos dos mais fisiológicos entre os fisiológicos, Temer foi solapado por Renan, o que só aumenta a dramaticidade da novela: se não une nem mesmo o PMDB, como o vice pode acenar com um “pacto nacional” em torno da transição e do enfrentamento da crise? A cachorrada se dá bem, mas o País está num mato sem cachorro.

Os vendilhões do Planalto

Editorial - Estadão
A aprovação ou a rejeição do impeachment de Dilma Rousseff vai depender, exclusivamente, de que os vendilhões do Planalto consigam negociar em número suficiente a mercadoria no momento mais valorizada no cenário político: os votos a serem registrados na sessão plenária que vai decidir a sorte da presidente da República. Pode-se dizer, alternativamente, que o mandato de Dilma vai depender de que parlamentares venais fiquem satisfeitos com o que os traficantes de consciência, tendo à frente Luiz Inácio Lula da Silva, têm a lhes oferecer em troca do voto. E o mais vergonhoso é que essa estratégia de cooptação baseada na corrupção dos valores morais que deveriam prevalecer na gestão da coisa pública – estratégia definida esta semana pelo ministro Jaques Wagner como uma “repactuação” das alianças – foi concebida e é coordenada a partir dos gabinetes do poder e está sendo abertamente discutida nos círculos políticos. Definitivamente, o lulopetismo perdeu de vez a vergonha.

Há porta-vozes de Lula, como o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que até se permitem gabar-se do “sucesso” de suas artimanhas: “Diziam que após o rompimento do PMDB haveria uma debandada e o que estamos vendo hoje é um movimento inverso, vários partidos voltando para a base. O PMDB facilitou o jogo para o governo, que terá agora condições de construir uma maioria (sic) de 200 votos. Não haverá impeachment”.

De qualquer modo, a “repactuação” pela “maioria” de 200 votos vai dar trabalho a Lula e sua tropa de choque, a começar pelos seis Ministérios ocupados pelo PMDB que, pela lógica, já deveriam estar disponíveis para serem negociados por votos na Câmara dos Deputados. Henrique Eduardo Alves, do Turismo, já se demitiu. Até dois dias atrás era dado como certo que três ministros peemedebistas desejavam permanecer nos cargos: Kátia Abreu, da Agricultura, da cota pessoal de Dilma; Marcelo Castro, da Saúde; e Celso Pansera, de Ciência e Tecnologia. Outros três estariam dispostos a renunciar tão logo ultimassem questões pendentes em seus gabinetes.

Ontem, o panorama já era diferente: a despeito da decisão do Diretório Nacional de determinar a “imediata saída”, todos os seis peemedebistas passaram a demonstrar que gostariam de continuar ministros. Ocorre que o Ministério da Saúde, por exemplo, já está sendo negociado com outros partidos, para profunda frustração do controvertido ministro Marcelo Castro. Corre o mesmo risco outro que está agarrado ao cargo com unhas e dentes: Celso Pansera. De qualquer modo, a composição final do Ministério “repactuado” dependerá do que cada aspirante a ascender ou permanecer no cargo poderá oferecer em termos de votos contra o impeachment.

Enquanto isso, na linha da falta de compostura a que o desespero a está levando, Dilma Rousseff voltou, quarta-feira e ontem, a privatizar o espaço público da sede do governo de todos os brasileiros para promover comícios partidários em defesa de seu mandato. E não desperdiçou as oportunidades para elevar o tom na escalada “antigolpe” a que se entregou de corpo e alma. Como a palavra de ordem “impeachment é golpe” ficou desmoralizada pela evidência de que o afastamento é preceito constitucional inquestionável, Dilma foi forçada a fazer uma adaptação no mantra: “impeachment sem crime é golpe”, conforme berrou, com voz cada vez mais esganiçada, sob aplausos delirantes das claques.

Mais uma vez, Dilma age de má-fé e fala bobagem. O impeachment precisa, é claro, ter justificativa legal. Mas a existência ou não dos crimes alegados no pedido de impeachment é uma questão que cabe aos congressistas julgar. A presidente da República tem o direito de se defender, mas não o direito de se antecipar a uma decisão soberana do Congresso Nacional e decretar que o pedido de impeachment, já em tramitação na Câmara, não tem fundamento. Muito menos lhe cabe incendiar o País em benefício próprio. Se tivesse um mínimo de compostura, a desesperada chefe do governo preservaria a dignidade de seu mandato deixando a cargo de seus advogados e correligionários a tarefa de expor, nos foros adequados e com linguagem pertinente, os argumentos de sua defesa.

Mas Dilma só faz o que sabe. Formada na escola do “centralismo democrático”, com aperfeiçoamento no populismo lulopetista, ela acredita que o governante pode tudo, inclusive colocar-se acima da lei.

STF confirma ordem de Teori para que Moro envie à Corte investigações sobre Lula

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por oito votos a dois, confirmar ontema, 31, a liminar do ministro Teori Zavascki ordenando que o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, remeta ao STF as interceptações telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e todas as investigações correlatas.  
 
Nos áudios interceptados, Lula aparece conversando com vários interlocutores que só podem ser investigados pelo Supremo, como a presidente Dilma Rousseff. Zavascki reiterou que, quando há envolvimento de autoridade com foro privilegiado em investigação conduzida por uma instância inferior, os autos devem ser enviados à Suprema Corte. "Quem tem que decidir isso é o Supremo. Não se pode tirar do Supremo essa competência. É o Supremo que tem que fazer esse juízo", afirmou Zavascki. 
 
No julgamento desta quinta, o STF não entrou no debate sobre qual parte das investigações de Lula deve ficar com Moro e quais trechos são de competência do STF. Isso será feito em momento posterior. Agora, os ministros apenas confirmam a liminar de Teori para manter, por enquanto, as investigações no Tribunal até que a Corte delibere sobre o desmembramento. O STF ainda tem de decidir, nas próximas semanas, se é válida a posse do ex-presidente Lula como ministro-chefe da Casa Civil. 
 
Acompanharam Teori os ministros Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Dias Toffoli, Carmen Lúcia, Celso de Mello e Ricardo Lewandowski. O ministro Gilmar Mendes não estava presente no julgamento. Apenas os ministros Luiz Fux e Marco Aurélio Mello discordaram parcialmente da decisão de referendar a liminar.
Ambos defenderam que, como Lula não tem foro privilegiado, as investigações contra ele deveriam ser mantidas em Curitiba, e Moro deveria enviar a Brasília apenas as partes que envolvam Dilma e outras autoridades com prerrogativa de serem investigadas pelo Supremo. Fux e Mello concordaram, no entanto, que Moro não poderia ter divulgado os áudios. 
"Não há justificativa plausível para uma divulgação como a que ocorreu nesse processo, divulgação que a meu ver colocou mais lenha em uma fogueira cuja chama já estava muito alta em prejuízo da nacionalidade, da paz social, da segurança jurídica", disse Mello sobre o caso. 
Fux defendeu a atuação de Moro no caso e sustentou que Dilma não estava sendo investigada. No entanto, ele admitiu que, caso a presidente tenha sido interceptada sem autorização do Supremo, a gravação deve ser anulada. "É evidente é que se houvesse algum procedimento, essa interceptação em relação à presidente da República teria que ser nulificada, porque não foi obtida com autorização do Supremo Tribunal Federal", disse. 
  
Violações. Em defesa da presidente Dilma, o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, disse que apesar da atuação "abnegada" de Moro, a decisão do juiz de manter os grampos viola a Constituição. "Na medida em que alvos interceptados se comunicaram com Dilma, Moro deveria ter encaminhado os autos ao STF, e não o fez", alegou. O ministro defendeu que violações não precisam ser feitas para que crimes sejam combatidos. 
 
Embora este não seja o assunto do julgamento desta quarta, Zavascki adiantou que será difícil confirmar a validade da gravação da conversa entre Lula e Dilma como prova. "Uma das mais importantes conversas tornadas públicas foi gravada depois de ter sido suspensa a ordem de interceptação, de modo que será muito difícil convalidar a validade desta prova", disse. 
 
O ministro defendeu que a coleta de provas na Lava Jato seja feita sem violação da Constituição para evitar nulidade nos processos. "Eventuais excessos que se possam cometer com a melhor das intervenções de se apressar o desfecho das investigações, nós já vimos esse filme e isso pode reverter justamente no resultado contrário. Não será a primeira vez. Por força de cometimento de ilegalidades no curso das investigações, o judiciário já anulou outros procedimentos", afirmou. 
 
"É importantíssimo que nós nesse momento de grave situação que o País passa, da comoção social que essa situação promove, é importante que o Judiciário controle isso, que o MP se empenhe e as autoridades se empenhem no sentido de investigar e punir quem for culpado independentemente do cargo que ocupe e do partido a que pertence", completou.
 
Teori Zavascki confirmou já ter recebido de Moro os autos que estavam em Curitiba sobre o ex-presidente, e agora vai dar vista dos documentos à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação. A Corte autorizou que o envio seja feito mesmo antes da publicação do resumo do julgamento desta quinta-feira.

Michel Temer se torna alvo de Lula e de atos pró-Dilma pelo país

Manifestantes contrários ao impeachment da presidente Dilma Rousseff voltaram às ruas ontem (31) nas 27 capitais. O maior ato ocorreu em Brasília, onde a Secretaria de Segurança Pública calculou os participantes em 40 mil –para a organização, foram mais de 200 mil.

Em São Paulo, na praça da Sé, havia 40 mil pessoas, segundo o Datafolha. Para a PM, foram 18 mil e para os organizadores, 60 mil. O ato foi menor do que o do último dia 18 na avenida Paulista, que reuniu 95 mil pessoas, segundo o Datafolha.
Ao todo, os atos nas 27 capitais reuniram 755 mil, segundo os organizadores, ou ao menos 140,8 mil, conforme as PMs -em sete capitais a polícia não divulgou número.

O presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o juiz Sergio Moro e a TV Globo, principais alvos das manifestações favoráveis à permanência de Dilma, tiveram desta vez a companhia do vice-presidente Michel Temer.

Dois dias após o partido presidido por ele abandonar oficialmente o governo, Temer chegou a ser o alvo preferencial dos manifestantes em algumas capitais, como o Rio. A deputada estadual Inês Pandeló (PT) chamou o peemedebista de "traidor" e "golpista" e puxou uma vaia contra ele.

Em Brasília, o presidente da CUT, Vagner Freitas, disse que "a proposta de Temer é tirar direitos dos trabalhadores, tirar a carteira assinada, as férias". Freitas encerrou sua fala com um trocadilho com o sobrenome do vice: "Lutar sempre, Temer nunca".

No Rio, o ato no largo da Carioca, no centro, reuniu 50 mil manifestantes por volta das 19h, segundo a organização. A PM do Rio não faz estimativas de público.

Chico no Rio
- O ato com artistas, políticos e sindicalistas teve a participação do cantor Chico Buarque (foto abaixo), que subiu ao palco aos gritos de "Chico, guerreiro do povo brasileiro". O compositor classificou o impeachment como golpe e fez um paralelo entre o atual momento e o dia 31 de março de 1964, quando começou o golpe militar daquele ano. "Estamos unidos pela defesa intransigente da democracia. Estou vendo pessoas aqui que viveram como eu aquele 31 de março de 64. E não podemos deixar que isso se repita. Não. De novo não. Não vai ter golpe", disse Chico.

Em sintonia com os manifestantes, o ex-presidente Lula afirmou, em vídeo divulgado nas redes sociais nesta quinta, que "não há poder legítimo se a fonte não for o voto popular", em um aparente recado a Temer. "O Brasil sabe que não existe solução fora da democracia, que não se conserta um país andando para trás, que não há poder legítimo se a fonte não for o voto popular", disse Lula.

Afirmando que Dilma não cometeu crime de responsabilidade, o ex-presidente voltou a dizer que o país está dividido entre os que "querem atropelar a democracia, aprovando um impeachment sem base legal" e os que "acreditam na democracia e a defende de corpo e alma".

Lula, que no sábado (2) participará de um ato em defesa da democracia em Fortaleza, exaltou as manifestações contra o impeachment desta quinta. "Quero saudar esse movimento extraordinário que cresce a cada dia e está tomando conta do nosso Brasil. É um movimento de paz, de amor ao país e de fé na democracia e no diálogo", afirmou o ex-presidente.

Cadáver - O ministro Edinho Silva (Comunicação) criticou o clima de intolerância no país e defendeu que as forças políticas sentem para conversar. Do contrário, disse, haveria o risco de aparecer um "cadáver". "Vamos baixar o tom ou vamos esperar o primeiro cadáver?", questionou o ministro, em conversa com jornalistas após ato de Dilma com artistas.

No "Painel" da Folha de SP

Igreja e Estado Em busca de votos contra o impeachment, o Planalto passou a recorrer até a denominações religiosas com influência na Câmara. Na semana passada, Dilma Rousseff telefonou a Edir Macedo, líder da Igreja Universal, pedindo ajuda com a bancada do PRB, que rompera com o governo. O bispo não embarcou na ideia, mas prometeu “orar por ela e pelo país”. Nesta quinta, Gilberto Carvalho foi acionado para interceder junto a parlamentares ligados à Igreja Católica.
Vai faltar cargo O PMDB, sob um eventual governo Temer, reduzirá o número de ministérios. Há uma proposta de um importante aliado do vice-presidente de enxugar a estrutura da Esplanada em mais de dez pastas.
Lista da Dilma O governo degola mais um homem de Michel Temer. Roberto Derziê, vice-presidente da Caixa tido como da cota do vice, deve ser exonerado do cargo nesta sexta-feira (1º).
Ninguém tem A oposição ainda não atingiu os 342 deputados necessários para derrubar a presidente da República.
Última hora Políticos experientes fazem o seguinte prognóstico: o destino de Dilma Rousseff deve ser decidido apenas nos dias imediatamente anteriores à votação.
Gato escaldado O governo conseguiu respirar nas últimas 48 horas. A semana terminará com saldo positivo se o mundo da Lava Jato seguir em calma relativa. Quem acompanha a crise lembra que as operações costumam ocorrer às sextas.
Abaixo da cintura O PMDB ameaça deputados do PP dizendo que, se a sigla deixar o impeachment, haverá representação no Conselho de Ética ou na Corregedoria contra os citados na Lava Jato.
Calma, cocada Apesar das recomendações de pressa, o Planalto não deve fechar o novo ministério até sexta. Primeiro porque seis ministros do PMDB ainda não saíram. Segundo porque não dá para cobrir um santo e descobrir outro. “Não podemos errar agora”, diz um palaciano.
Olho grande O PP pediu e pode levar o Ministério da Saúde ou da Agricultura, ambos com o PMDB. Helder Barbalho, titular de Portos, estaria garantido no cargo. Nas contas do Planalto, ele tem votos para entregar.
Pisando em ovos Lula preferiu não ir à manifestação em Brasília. Não queria estar na rua no momento do julgamento do STF. Temia que o gesto fosse encarado como afronta.
Pausa Dilma vai dar um tempo nos atos políticos no Planalto. Quer mostrar que o governo está governando e se concentrar nos votos do Congresso.

Liquidação no Planalto


Editorial - Folha de SP
O grau de abjeção em que se projetou a Presidência da República pode ser mensurado pelo que Dilma Rousseff (PT) tem feito com o Ministério da Saúde.

O país, como todos sabem, enfrenta graves epidemias virais: zika, dengue, chikungunya, gripe H1N1. Apesar disso, a pasta chave, com seu orçamento de R$ 118 bilhões, está em oferta como prenda na quermesse política de Brasília.

Não que o ministro atual, guindado à posição no surto anterior de negociações imorais (ainda na ilusão de afastar o PMDB das tentações do impeachment), se notabilizasse por eficiência ou sabedoria. As declarações impróprias de Marcelo Castro (PMDB-PI) têm produzido estupefação e manchetes.

Pois bem, ele agora corre o risco de enfim ser exonerado. Não, porém, por incompetência e omissão, nem por lotear o segundo escalão entre asseclas. Castro sairia para abrir espaço ao Partido Progressista, de Paulo Maluf.

Os desesperados operadores de Dilma não parecem incomodar-se com o fato de, na quarta (30), a Procuradoria-Geral da República ter denunciado, de uma só tacada, sete políticos do PP sob a acusação de corrupção e ocultação de bens.

Na balança fraudulenta do Planalto, pesa pouco que a agremiação seja a campeã em membros investigados na Lava Jato. Importa mais que prometa arrebanhar 49 votos na Câmara contra o impedimento da presidente.

A traficância de gabinetes na Esplanada traria outros 40 sufrágios do Partido da República e mais 31 do Partido Social Democrático -que não se percam pelos nomes. E 27 votos, pela mesma via espúria, de uma penca de agremiações nanicas (PTN, Pros, PHS, PT do B, PSL), mais que nunca merecedoras do diminutivo.

Tal a base de lama renovada em que tenta firmar os pés uma presidente cuja capacidade de indignar-se com falcatruas se mostra a cada dia mais seletiva. Não se tem notícia da mandatária que estreou prometendo faxinas ministeriais -que sirva de lição a quem acreditou em mais essa ficção marqueteira.

O governo federal trabalha hoje apenas para sobreviver, e não para tentar dar fôlego a um país afundado em grave recessão. O Planalto se transformou num bunker devotado a maquinar táticas fracassadas no nascimento.

Dilma Rousseff só abre as portas do Palácio do Planalto para transformá-lo em palanque. Despiu-se dos escrúpulos remanescentes para converter a Presidência da República em aríete contra o derradeiro moinho de vento petista, vociferando a palavra de ordem "não vai ter golpe" sob aplausos da claque restante.

Sem o menor pudor, Dilma Rousseff rifa o que lhe restou de governo para salvar a própria pele. A única coisa que comanda no presente é a liquidação do Planalto.

Divisão interna no PMDB freia distribuição de cargos no governo

Diante de divergências internas do PMDB, explicitadas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, o governo Dilma deve deixar para a próxima semana a "repactuação" do ministério, com a distribuição de mais pastas para aliados como PP e PR.

O adiamento foi sugerido pelo ex-presidente Lula, que tem defendido que o Palácio do Planalto avalie melhor as mudanças ministeriais para tentar segurar pelo menos uma parcela do PMDB.

O projeto original do governo era fechar nesta sexta (1o) a nova composição ministerial, com a demissão dos peemedebistas. Agora, o Planalto já admite manter pelo menos dois dos sete ministros que o partido tinha antes de romper com o governo.

Ontem (31), dois dias depois do rompimento, o presidente do Senado classificou de "precipitada" a reunião do diretório que decidiu pelo desembarque e afirmou que a decisão não representou um "movimento consistente".

Segundo interlocutores de Renan, ele não pretende fazer uma defesa pessoal da presidente, mas continua contrário ao impeachment. Na noite desta quinta, Renan se reuniu com Dilma e fez um apelo pela permanência de ministros do PMDB no governo.

Na véspera, a presidente havia concluído que não haveria espaço para manter os seis ministros peemedebistas que pretendem continuar na Esplanada. Pelo desenho esboçado no jantar, seriam mantidos apenas Hélder Barbalho (Portos) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia).

Segundo relatos, o próprio ex-presidente havia avaliado que a manutenção de Kátia Abreu (Agricultura) e Marcelo Castro (Saúde) não traria apoio relevante para arquivar o processo de afastamento da petista. Além deles, sairiam também Eduardo Braga (Minas e Energia) e Mauro Lopes (Aviação Civil).

Os ministros peemedebistas, no entanto, procuraram Lula para que ele intercedesse junto à presidente pela manutenção de Castro e Kátia. O apelo levou o petista a defender, segundo um assessor, a necessidade de "equilibrar melhor" a questão.

Dentro do Planalto, uma ala defende que a presidente decida nesta sexta quem vai deixar os cargos e publique até segunda as exonerações.

Segundo um auxiliar presidencial, o governo não pode ficar "imobilizado" pela crise interna do PMDB, o que pode inviabilizar o plano de fortalecer siglas como PP, PR e PSD na Esplanada dos Ministérios em busca dos 171 votos para barrar o impeachment na Câmara.

Os três partidos planejam aderir ou recusar à ofensiva do governo em bloco. A cúpula do PP, por exemplo, vem adiando o momento de dar uma resposta ao governo para poder avaliar como o quadro vai se desenrolar nos próximos dias. Ao partido foi ofertada a pasta da Saúde.

O PR recebeu a proposta de ocupar o Ministério de Minas e Energia, mas fez a contrapartida de ficar com a Agricultura, o que levou a atual ministra Kátia Abreu a articular migrar do PMDB para esta legenda. A cúpula do PR, porém, resiste a essa mudança.

Nesta quinta foram demitidos peemedebistas em órgãos como Departamento Nacional de Obras contra a Seca e Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). A expectativa é de que novas demissões sejam publicadas. Réu no processo do petrolão e um dos principais adversários do governo, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), chamou nesta quinta a oferta de cargos pelo governo para tentar barrar o impeachment de "feirão do petrolão".