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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Leitorado


De Anselmo Lima, bairro Coqueiro/Belém
“Desejo que a vitória do Bolsonaro, domingo, seja por uma diferença bem pequena, 2 ou 3%, porque eu quero que grande quantidade de derrotados(as) sofra, chore, arranque seus cabelos, fique com cara de éguas”.

Bolsonaro é 13. Milhões a mais

Não vai ser de goleada

Por Eliane Cantanhêde, no Estadão
O PT espanca Fernando Henrique Cardoso há quase 20 anos, fez uma campanha canalha contra Marina Silva em 2014 e atacou a candidatura Ciro Gomes em todos os flancos em 2018, mas os petistas estão indignados, ou irados, porque FH, Marina e Ciro têm enorme dificuldade em apoiar Fernando Haddad antes do domingo. Engraçado, não é?

Aliás, se fosse o PSDB, a Rede ou o PDT contra Jair Bolsonaro, o PT iria manifestar apoio a eles? Ou faria como sempre, em cima do muro, vendo o circo (e o País) pegar fogo para depois lucrar ao apagar o incêndio?

Bolsonaro é franco favorito para a Presidência, mas a diferença entre ele e Haddad vem caindo e isso mexe com os nervos das duas campanhas. Bolsonaro ameniza o tom e acena com um governo de coalizão. O PT aumenta a pressão e o constrangimento para que outras forças políticas se manifestem pró-Haddad, contra o “autoritarismo”.

Ciro teve 12% dos votos, mas o tucano Alckmin nem chegou a 5% e Marina despencou do segundo lugar até um raso 1%. FH nem voto tem. Mas, para o PT, um sinal deles a favor de Haddad poderia tirar do muro milhões de eleitores que oscilam entre votar nulo ou em Haddad. Seria um empurrão.

Assediado pela mídia, por telefone, pela internet e ao vivo, Fernando Henrique reclama que “intimidação é inaceitável”. Parece se deliciar com a insistência e com a própria resistência a apoiar automaticamente o PT, que nunca apoiou automaticamente ninguém. Muito pelo contrário.

Marina e o PDT anunciaram um “apoio crítico” a Haddad, enquanto Ciro Gomes viajava com a família para a Europa e seu irmão Cid fazia a papagaiada no evento do PT – “Vocês vão perder! Vocês vão perder!”. Depois, anunciou apoio a Haddad, mas simplesmente ignorou os eventos de campanha do PT no Ceará.

É muito provável que FH, Marina, Ciro e Cid venham a votar em Haddad no domingo, mesmo que não anunciem publicamente o apoio. Mas não pelo PT, nem mesmo pelo próprio Haddad, mas contra Bolsonaro e o que ele representa. Assim como há antipetismo, há um forte antibolsonarismo.

As intenções de voto em Bolsonaro recuam tanto como as de Haddad sobem, mostrando que o sentimento contra Bolsonaro está crescendo, depois do vídeo do deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro dizendo que “bastam um soldado e um cabo para fechar o Supremo” e da acusação dos petistas de que empresários foram pagos por Bolsonaro para disseminar fake news contra Haddad.

Além disso, a diferença entre os dois candidatos diminuiu por causa dos programas do PT com Bolsonaro defendendo a tortura e um torturador, contra direitos das empregadas domésticas e ao lado do presidente Temer e do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, um dos presos mais famosos da Lava Jato. Como pano de fundo, a massificação da ideia de que, eleito, Bolsonaro será uma ameaça à democracia, às minorias e aos pobres.

De outro lado, Haddad também andou fazendo besteiras. A principal delas foi usar uma sabatina para acusar o vice de Bolsonaro, general Hamilton Mourão, de ter sido torturador na ditadura militar. O general tinha 16 anos na época e a declaração de Haddad não foi apenas irresponsável como voltou como bumerangue na testa dele. Na reta final, o fundamental é não errar.

Compras no Ver-o-Peso


Como faço há vários anos às quintas-feiras, ontem, bem cedinho, fui ao Ver-o-Peso comprar peixes. Tambaqui, tucunaré, pirapitanga e pirarucu vindos do Baixo Amazonas, conforme o anúncio dos vendedores, estavam com bons preços, ao contrário do camarão regional, vendido por 40 reais o quilo. Aproveitei pra levar pra casa o jambú (50 centavos cada maço parrudo), couve, cheiro-verde, tudo baratinho. Frutas de todos os tipos se encontra facilmente. Enfim, vale a pena dar uma chegada, semanalmente, ao Veroca. Ah! Não deixe de dar uma parada na venda de mingau da Socorro, o melhor da feira, com vários sabores: milho, buriti, açaí, banana, etc.

A sua opinião é importante


Assistiu ao debate entre Hélder Barbalho e Márcio Miranda, ontem, na TV Liberal? Caso positivo, pergunta-se: o que achou dos assuntos abordados, das propostas apresentadas e do desempenho dos dois candidatos? O debate contribuiu para você manter ou mudar o seu voto do primeiro turno?

Grata lembrança

Eu e Juarez Araújo, amizade que rola desde os tempos da nossa juventude e permanece firme até hoje.

Se eleito Bolsonaro deverá recriar o Ministério do Interior


Jair Bolsonaro, pretende recriar o antigo Ministério do Interior, com o objetivo de coordenar as iniciativas de desenvolvimento. O Ministério do Interior fazia obras contra as secas, cuidava de índios, habitação popular, saneamento, zona franca de Manaus, enfrentava calamidade pública e chefiava autarquias fortes (Sudene, Sudeco, Sudesul, Sudam etc). A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Bolsonaro não dá pistas de quem seria o ministro do Interior em seu eventual governo, mas o escolhido será politicamente muito forte.

Sempre fortes, ministros do Interior chegaram a presidente da República, como os marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto.

Ao ser extinto, em 1990, o Ministério do Interior era tão forte que tinha dois bancos de fomento (Basa e BNB) e um de habitação, o BNH.

O ex-governador sergipano João Alves Filho foi o último ministro do Interior, no governo José Sarney. A pasta foi extinta em 1990.

Bolsonaro sugere fechar escolas do MST: 'fábrica de guerrilheiros'

No Estadão:
Jair Bolsonaro, disse em entrevista exibida na noite desta quinta-feira, 25, na TV Aparecida, que é necessário o fechamento de escolas em assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A declaração se deu após Bolsonaro explanar a ideia de propor educação a distância para crianças em áreas rurais.

"Queremos por um ponto final nas escolinhas do MST. A bandeira que eles hasteiam não é a verde e amarela, é a vermelha com uma foice e um martelo. Lá eles não aprendem o Hino Nacional, eles aprendem a Internacional Socialista. Eles estão formando uma fábrica de guerrilheiros no Brasil", afirmou.

O candidato criticou mais uma vez os esquerdistas. "São malandros que nunca trabalharam na vida, sempre viveram às custas dos outros. Isso tem de acabar no Brasil e vai acabar na forma da lei, se eu for presidente da República", afirmou.

Bolsonaro acusou ainda o PT de ser corrupto e que o partido vai ser afastado do poder com notícias verdadeiras. "Não precisa de fake news para derrotar o PT, é só dizer a verdade", disse.

O capitão da reserva disse ainda que lamenta "casos de violência isolados". "Eu tenho dito para a minha militância... Começou uma discussão sobre política numa mesa, vai embora, vai para outro lugar", disse.

Em relação à reforma da Previdência, o candidato revelou que a equipe econômica que o assessora já tem um rascunho. "Se eu for eleito, a gente apresenta no ano que vem", afirmou. O político não deu detalhes sobre as mudanças que pretende apresentar, mas sinalizou que as regras podem ser distintas para cada grupo social. "Não pode colocar todo mundo no mesmo saco. Eu acho, por exemplo, que tem de mexer na idade, mas não de 60 para 65 como quer (o presidente Michel) Temer. Nós vamos cortar privilégios", disse.

Bolsonaro voltou a defender também que membros das Forças Armadas e de segurança pública se mantenham com critérios distintos, a não ser que eles tenham direito a greve, entre outros. "Eu já disse isso à minha equipe econômica. Eu topo (uma reforma da Previdência), mas vamos dar todos os direitos a eles, inclusive de greve. Tem de fazer que eles, ao longo de sua vida laborativa, tenham os mesmos direitos que um trabalhador comum", disse.

O candidato também negou o rótulo de xenófobo, acusando a esquerda de querer o associar a ele. O presidenciável citou que tentam impor nele tal marca porque propõe que "a entrada de venezuelanos seja regularizada".

Especificamente sobre a crise da Venezuela, o candidato do PSL afirmou que o governo tem de procurar a ONU para criar "campos de refugiados". Também houve críticas à Lei de Migração brasileira. "Nós somos um País que não pode ser de fronteiras abertas", afirmou

Ricardo Lewandowski liberou milhares de traficantes presas

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu conceder prisão domiciliar a todas as presas por tráfico de drogas, inclusive as condenadas em 2ª instância, que estiverem grávidas ou tenham filhos de até 12 anos. Segundo o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), há 14.750 presas que se enquadram nessas condicionantes.

A decisão teve como base ação envolvendo uma mulher condenada em segunda instância por tráfico de drogas e outras nove presas pelo mesmo motivo, mas o ministro decidiu estender o benefício a todas as traficantes do sistema prisional.

Projeto prevê que vítima de violência doméstica seja notificada pessoalmente de saída de agressor da prisão.

Lewandowski usou o entendimento da Segunda Turma do STF, que assegurou a possibilidade de prisão domiciliar a presas provisórias que preenchessem os requisitos. Segundo o ministro, o Supremo permitiu a prisão após condenação em 2ª instância, mas não versou sobre a provisoriedade dessas prisões.

Lewandowski ainda afirmou que a prática do tráfico de drogas não encontra “amparo legal” para negar às mães o benefício da prisão domiciliar. “A concepção de que a mãe trafica põe sua prole em risco e, por este motivo, não é digna da prisão domiciliar, não encontra amparo legal e é dissonante do ideal encampado quando da concessão do habeas corpus coletivo”, disse.

Lewandowski avança sobre as condições dessas mães de criarem os filhos afirmando que “não há razões para suspeitar que a mãe que trafica é indiferente ou irresponsável para a guarda dos filhos”, disse

Clube do Remo: Ostracismo, sumiço

 
 
 
Ex-presidentes, viveram momentos de fama, alguns até foram carregados nos ombros da galera azulina, eram vistos diariamente na mídia (jornal, rádio, televisão e redes sociais). Hoje, pouco ou nada se fala sobre eles e, quando isto acontece, é para criticá-los, como é o caso do Zeca Pirão, considerado o “coveiro do Baenão”.
Neste time de abandonados e esquecidos estão: Carlos Levy, Pedro Minowa, Sérgio Cabeça e outros. Todos eles certamente sentem falta da fama e dos holofotes.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Bolsonaro continua na liderança

Pesquisa Datafolha para presidente, votos válidos: Bolsonaro, 56%; Haddad, 44%
Nos votos totais, Jair Bolsonaro, do PSL, tem 48%, e Haddad, 38%. Pesquisa ouviu 9.173 eleitores na quarta-feira (24) e na quinta-feira (25).
Equipe de Jair Bolsonaro pretende tirar todos os indicados do PT

Jair Bolsonaro (PSL), já prepara uma mexida considerável na Esplanada dos Ministérios, caso vença a eleição para presidente da República no próximo domingo (28), cenário mais provável de acordo com as pesquisas de intenção de voto.

O primeiro alvo são os cargos de primeiro e segundo escalão. A ideia é remover dessas posições todas as pessoas que foram indicadas nas gestões petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff - e isso não deve se limitar a filiados ao PT, e que vieram para Brasília apenas para ocupar cargos no governo.
Toffoli anuncia criação de comitê para discutir obras paralisadas

No Estadão:
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Dias Toffoli, anunciou nesta quinta-feira, 25, a criação de um comitê para tentar destravar obras paralisadas em todo o País, tendo como foco as áreas de infraestrutura, educação, saúde e segurança pública. De acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU), atualmente 14.403 obras financiadas com recursos federais estão paralisadas no Brasil.

“Criamos um comitê que vai ser composto pelo CNJ, TCU (Tribunal de Contas da União) e pela Atricon (Associação os Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) para coordenar, iniciando com um diagnóstico no prazo de 30 dias e depois formatarmos para assinar no final de novembro um termo de cooperação entre todas essas instituições”, disse Toffoli.

De acordo com Toffoli, o objetivo é fazer uma integração do Judiciário com os tribunais de contas “na análise de projetos e obras que estão paralisadas, que prejudicam ao fim e ao cabo a população que é a destinatária dessas obras”.

Toffoli comandou no STF uma reunião de duas horas com presidentes de tribunais de contas estaduais e com ministros do TCU para fazer um diagnóstico de obras paradas.

Após fazer o diagnóstico da situação atual, o objetivo de Toffoli é envolver na discussão posteriormente outros órgãos e instituições, como Ministério Público, poderes Executivo e Legislativo e as advocacias públicas da União e dos Estados tendo como foco destravar esses projetos.

Segundo mapeamento feito pelo TCU em uma amostragem de 39 mil obras, há atualmente 14.403 obras financiadas com recursos federais que estão paralisadas no País - elas representam um investimento de R$ 144 bilhões.

Dessas obras, 2.292 são do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que totalizam R$ 127 bilhões. Os números ainda estão sendo avaliados pelo TCU e sujeitos à alteração.
O EGO DE LULA

Editorial do Estadão
Por mais que o PT tenha se esforçado para fingir que seu candidato à Presidência, Fernando Haddad, não é um mero preposto de Lula da Silva, há algo que nenhum truque de marketing será capaz de mudar: o PT sempre foi e continuará a ser infinitas vezes menor do que o ego de Lula. Na reta final da campanha eleitoral, justamente no momento em que Haddad mais se empenha para buscar apoio fora da seita lulopetista, o demiurgo de Garanhuns, decerto inquieto na cela em que cumpre pena por corrupção, resolveu divulgar uma carta para exigir - a palavra adequada é essa - que todos reconheçam a inigualável grandeza de seu legado como governante e que votem no seu fantoche se estiverem realmente interessados em salvar a democracia brasileira, supostamente ameaçada pelos “fascistas”.

O tom da mensagem é o exato oposto do que seria recomendável para quem se diz interessado em angariar a simpatia daqueles que, embora não tenham a menor inclinação para votar em Jair Bolsonaro (PSL) para presidente, tampouco gostariam de ver o PT voltar ao poder. Para esses eleitores, somente se o PT reconhecesse, de maneira honesta e sem adversativas, seu papel preponderante na ruína econômica, política e moral do Brasil nos últimos anos, cujos frutos mais amargos foram o empobrecimento do País e a desmoralização da política, talvez houvesse alguma chance de mudar de ideia. Mas isso é impossível, em se tratando de Lula da Silva, que se considera o mais importante brasileiro vivo e o maior líder que este país jamais terá.

Na carta em que diz que “é o momento de unir o povo, os democratas, todos e todas em torno da candidatura de Fernando Haddad, para retomar o projeto de desenvolvimento com inclusão social e defender a opção do Brasil pela democracia”, Lula não reserva uma única vírgula ao desastre econômico do governo de Dilma Rousseff, outra de suas inesquecíveis criações. Ao contrário: afirma que Dilma sofreu impeachment em razão de uma imensa conspiração de “interesses poderosos dentro e fora do País”, incluindo “todas as forças da imprensa” e “setores parciais do Judiciário”, para “associar o PT à corrupção” - omitindo escandalosamente o fato de que Dilma foi cassada exclusivamente por ter fraudado as contas públicas com truques contábeis e pedaladas. O petrolão, embora tenha sido motivo mais que suficiente para que o PT fosse defenestrado do poder para nunca mais voltar, não foi levado em conta no processo.

Como jamais teve compromisso real com a democracia - que pressupõe respeito a quem tem opinião divergente, para que seja possível o consenso - e também nunca reconheceu a legitimidade de nenhum governo que não fosse o seu ou de seus títeres, Lula não consegue soar democrático nem quando isso poderia favorecer o campo petista. A carta, ao contrário, é uma reafirmação de todas as mistificações que fazem de Lula um dos demagogos mais perniciosos da história nacional.

Lá estão as patranhas que tanto colaboraram para fazer do antipetismo um movimento tão sólido e vibrante, conforme atestam as pesquisas de opinião. Lula, sempre no plural majestático, diz que “fizemos o melhor para o Brasil e para o nosso povo” e por isso “tentam destruir nossa imagem, reescrever a história, apagar a memória do povo”. O sujeito desse complô, claro, é indeterminado, mas unido no que Lula chamou de “ódio contra o PT”. Tudo porque, diz Lula, “tiramos 36 milhões de pessoas da miséria”, porque “promovemos o maior ciclo de desenvolvimento econômico com inclusão social”, porque “fizemos uma revolução silenciosa no Nordeste” e porque “abrimos as portas do Palácio do Planalto aos pobres, aos negros, às mulheres, ao povo LGBTI, aos sem-teto, aos sem-terra, aos hansenianos, aos quilombolas, a todos e todas que foram discriminados e esquecidos ao longo de séculos”. Nada mais, nada menos.

Esse panegírico só serve para mostrar que Lula é mesmo incorrigível - e que seu arrogante apelo para “votar em Fernando Haddad” e assim “defender o estado democrático de direito” contra a “ameaça fascista que paira sobre o Brasil” não vale o papel em que está escrito.

Discurso para governar

Por William Waack, no jornal O Estado de S.Paulo  
Tem um discurso para ganhar eleição e tem um discurso para governar. Dizem que a frase é de Tancredo Neves.

Diante de uma eleição que as pesquisas de intenção de voto apontam como decidida já desde o primeiro turno, resta saber que outro discurso Jair Bolsonaro está disposto a empregar. O de ganhar a eleição deu certo.

Talvez alguns gestos de quem – se as pesquisas estão certas – vai ser o novo presidente brasileiro permitam vislumbrar que ele sabe a diferença entre realidade e retórica. A intenção por ele manifestada de preservar alguns quadros da atual equipe econômica, por exemplo. Faz supor que reconhece a existência de funcionários públicos que servem ao Estado e não ao governo da vez.

Ou a articulação de um apoio amplo para eleger um presidente da Camara dos Deputados saído não necessariamente das hostes do chefe do executivo, o que sugere o alguma ideia de que o Legislativo precisa de independência e não de controle pelo Planalto.

Tome-se também a manifestada disposição de rever a pretendida fusão do Meio Ambiente com Agricultura — aliás, o moderno setor agropecuário brasileiro compete internacionalmente dentro de reconhecidos padrões de sustentabilidade. Ou a de voltar atrás no anúncio de subordinar o Ministério da Indústria e Comércio à super pasta da Fazenda – países modernos e avançados separam finanças e economia.

Note-se, porém, que esses são mecanismos para governar, mas ainda não indicam em que eixos se dará a atuação do governo. Da mesma maneira, permanecem nebulosas as declarações de que a política externa será desvinculada de apegos ideológicos.

Nesse sentido, tenho chamado a atenção para o fato de que a imagem no exterior do provável novo presidente brasileiro é muito ruim, e não adianta dizer que é culpa de esquerdismo da “mídia internacional” – embora as esquerdas brasileiras tivessem mobilizado que laços existissem lá fora com o mundo diplomático, acadêmico, dos partidos e instituições internacionais pintando o Brasil como uma masmorra do apartheid social (e, agora, fascista). O fato é que a imagem ruim existe.

Mandatários de vários países formam opiniões sobre colegas de outros países também a partir do que recebem da própria mídia local. Parte substancial desses órgãos de imprensa (e, reitero, nada a ver com “esquerdistas”) considera Bolsonaro um risco à democracia ignorando as evidências de que a escolha que está sendo feita pelo eleitorado brasileiro é antes de mais nada a manifestação de profunda desconfiança e descrédito nas instituições existentes (como STF, partidos, imprensa) – “clima” do qual Bolsonaro é consequência e não causa.

O assalto às instituições começou muito antes dele. A corrupção é entendida pelos eleitores como a mais evidente e palpável expressão de degradação do funcionamento de todo o arcabouço jurídico-normativo-político. No fundo não deveria causar surpresa alguma a maneira como o pêndulo oscilou agora contra as forças políticas (não só o PT, evidentemente) que se apoiaram sobretudo na mentira, roubalheira e populismo fiscal irresponsável. Antes de surgir um Bolsonaro, já existia um enorme cansaço de “tudo isto aí”.

A ideia propagada por Bolsonaro de que ele é capaz de limpar o jogo sujo, e enfrentar tudo o que está corrompido (começando pela restauração de valores tradicionais), acabou sendo um grande triunfo eleitoral. Mas apenas esse discurso, diria Tancredo, não lhe permitirá governar.

Ministro do STF autoriza senador preso a exercer o mandato durante o dia

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou nesta quarta-feira (24) que o senador Acir Gurgacz (PDT-RO), definitivamente preso desde 16 de outubro, a exercer o mandato no Senado durante o dia. Condenado pelo STF em fevereiro a quatro anos e seis meses, em regime semiaberto, por crimes contra o sistema financeiro, ele deve se recolher ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, no período noturno.

Para acatar o pedido da defesa, o ministro se baseou na legislação que permite a presos em regime semiaberto trabalhar durante o dia, desde que a atividade seja comprovada. "Dessa forma, não vejo óbice para que o sentenciado possa realizar os seus trabalhos na Casa Legislativa a que pertence, desde que observados os requisitos que deverão ser previamente estabelecidos pelo Juízo das Execuções, ao qual deleguei a condução da presente execução penal", anotou Alexandre de Moraes em seu despacho.

"Fica, portanto, assegurado o trabalho externo ao sentenciado, a ser exercido no Senado Federal, mediante o cumprimento das condições e horários a serem estabelecidos e fiscalizados pelo Juízo da Execução", acrescentou o magistrado.

Acir foi acusado de obter, por meio de fraude, financiamento junto ao Banco da Amazônia (Basa) para renovar a frota de ônibus de uma empresa de transporte pertencente à sua família. Segundo a acusação do Ministério Público Federal (MPF), o senador solicitou financiamento de R$ 1,5 milhão ao Basa, em 2002, quando era diretor de uma empresa de ônibus. Durante a operação, diz o MPF, houve uso irregular da verba destinada à compra de combustível, além de fraude na própria contratação do empréstimo.

O político foi internado na última quarta-feira (10), em hospital pertencente à sua família. Durante a internação do senador, como este site mostrou em 15 de outubro, médicos do hospital familiar impediram a Polícia Federal de transferi-lo para Brasília para que se desse início ao cumprimento de pena. A defesa solicitou o adiamento da prisão durante a internação, mas o próprio Alexandre de Moraes rejeitou o pedido.

Caberá ao Senado decidir se cassa ou não o mandato do parlamentar. Presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE) disse terça-feira (23) ter acionado o departamento jurídico da Casa sobre a pertinência de convocação do plenário para deliberar sobre a prisão do senador.

Novela judicial

No último dia 9, o presidente do STF, Dias Toffoli, negou um pedido do Senado para suspender a ordem de prisão contra o senador. Em outra decisão, o próprio Alexandre de Moraes negou recurso da defesa de Acir para impedir o início do cumprimento da pena, determinado em 25 de setembro pela Primeira Turma da Corte.

O senador não foi preso na ocasião por ser candidato ao governo de Rondônia. A legislação eleitoral proíbe a prisão de candidatos a 15 dias da eleição, realizada em 7 de outubro no pleito de 2018.

Em 4 de outubro, a três dias do primeiro turno das eleições, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou recurso de Gurgacz, que teve o registro de candidatura rejeitado, e determinou a interrupção imediata da campanha do senador. Mas outra regra da lei eleitoral impediu o cumprimento da prisão de Acir – nenhum eleitor poderia ser preso entre o primeiro minuto de 2 de outubro até as 17h do último dia 9, exceto em casos de flagrante delito.

Grata lembrança


Quando visito Santarém é infalível uma “chegada” à Garapeira Ypiranga, onde sempre sou recebido com cordialidade e alegria pelo proprietário Cacheado, sua esposa Ninita e filha Dalila. Peço logo um pastel e garapa, especialidades da casa.

Do "Baú da Saudade" do Edinaldo Mota, em sua página no Facebook.

"Lembrei-me de um show que apresentávamos (Ércio e Eu) na Feira da Cultura Popular no antigo Estádio Elinaldo Barbosa, quando subiu ao palco um caboclo, dizendo-se poeta, para disputar o troféu "Poesia do Interior”. Foi recebido pelo Ércio com a seguinte admoestação: "Só conta ponto poema, quadrinha, versos rimados, qualquer coisa, que seja de própria autoria do concorrente...O "caboco" interrompeu - "Seu Ércio os meus versos são feitos na hora". O "Tremendão" quis testar o candidato: "Então faz um verso pra mim! Agora! No ato!" O - poeta do interior - encarando o irmão que eu não tive, arrepiou: CABEÇA DE MACÁCU PRÉGU/ ZÓLHU DE MAPINGUARI/ NUNCA VI HOME TÃO FEIO/ CÚMU O ÉLCIO BERMIGUY. Não deu para avaliar o que ecoou mais retumbante: a vaia ou os aplausos (?) na geral e na arquibancada literalmente lotadas.
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Eu (Ercio), afirmo que o fato aconteceu, mesmo, na forma narrada por esse meu amigo-irmão muito querido.

Caetano escreve no NYT que 'tempos sombrios se avizinham'

O jornal New York Times publicou em sua versão online na noite de ontem (24) um artigo de opinião do compositor e cantor Caetano Veloso intitulado "Tempos sombrios se aproximam de meu país", no qual ele liga a provável eleição de Jair Bolsonaro (PSL) com uma onda de "medo e ódio".

O artigo, no qual ele assina também como ativista político e que ganhou versão em espanhol além do inglês, associa a ascensão de presidenciável do PSL à eleição de outros políticos populistas de direita.

"Como outros países, o Brasil enfrenta uma ameaça da extrema direita, uma tempestade de conservadorismo populsta", afirma, citando o americano Donald Trump e o filipino Rodrigo Duterte, conhecido por ter liberalizado o assassinato de narcotraficantes e usuários de drogas.

Caetano faz também uma retrospectiva da ditadura militar (1964-85), da abertura e das eleições de Fernando Henrique Cardoso (1994) e Luiz Inácio Lula da Silva (2002), algo que descreve como impensável nos anos 80.

O artigo lamenta, também, o anti-intelectualismo, a caça às bruxas na cultura e a detração de políticas progressistas ou de inclusão social como tentativas de tornar o país um "pesadelo à Venezuela".

E lembra dos meses que ele e Gilberto Gil passaram presos, na ditadura, e dos anos de exílio.

"Muitos aqui dizem que planejam deixar o país se o capitão vender. Eu nunca quis viver em nenhum país que não fosse o Brasil. Tampouco quero agora. Fui forçado a me exilar uma vez. Não acontecerá de novo", escreve o musico.

João sempre brilha

João Otaviano Matos, além de ser um excelente médico cardiologista, é um cantor que, quando se apresenta, os aplausos são muitos, desde o começo de sua carreira no palco da Casa Cristo Rei, como atração do programa E-29 Show.
Foto: João, na década de 60, apresentado por mim, recebe prêmio de Melhor Cantor, das mãos do tenente Gadelha, representante do prefeito Elmano Melo.