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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Casamento precisa de férias

Por Mariliz Pereira Borges - Folha de SP
Você chega em casa, larga a bolsa em qualquer lugar, abre a geladeira e toma água direto da garrafa, pede pizza de um só sabor, descobre que o papel higiênico acabou, deita atravessada na cama para ver sua série favorita, come pizza fria no café da manhã. Para alguns isso é liberdade, outros reclamam de solidão. Para mim são férias do marido.

Eu sei que a gente jura "na alegria e na tristeza, na saúde e na doença", mesmo que seja só na intenção, sem padre nem igreja para fiscalizar, mas não tem nada lá escrito que devemos fazer tudo junto o tempo todo. Então estou me valendo dessa jurisprudência para admitir publicamente que adoro quando tenho alguns dias só para mim. E tenho certeza que ele sente o mesmo.

Foi assim quando tirei uma semana para viajar com amigas para Cartagena, na Colômbia, dias em que tomamos muitas pinas coladas, usamos óleo bronzeador para fritar ao sol, fizemos compras desnecessárias e rimos de coisas que só amigas de longa data acham graça. Sem nenhum marido para reclamar dos vendedores ambulantes, do calor infernal, da demora para se arrumar, do excesso de bagagem e da amiga que exagerou no sol e na pina colada.

Está sendo assim, esta semana, em que ele viajou a trabalho e eu vou sobrevivendo à base de delivery, lembrando a época de solteira, da qual fui salva por esse moço que mantém a geladeira sempre abastecida, a cama quentinha, meu coração preenchido, meus sonhos realizados. Eu sinto saudade dele, mas ela não dói, o que é inédito mas bem-vindo num relacionamento pleno e maduro.

Não sei de onde tiramos a ideia de que a partir do momento que passamos a ser um casal o sujeito "nós" deve ser conjugado ad aeternum. Nós vamos à festa. Nós vamos ao show. Nós vamos viajar. Nós vamos à academia. Nós não vamos fazer nada.

Até "nada" passamos a fazer juntos. É um dos nossos (lá vamos nós) programas favoritos, é verdade, mas leva tempo sentir-se confortável no desconforto dos silêncios e do zapear descompromissado do controle remoto.

Já fui dessas moças que começaram a conjugar "nós" como se esse status plural fosse garantia de felicidade. Fazíamos tudo juntos. Nunca me senti tão sozinha e tão infeliz. Acomodamos com jeitinho nossas vontades, preferências e programações dentro de uma agenda que fica bastante apertada quando multiplicada por dois. A conta não fecha porque a gente abre mão demais do "eu" para se tornar "nós". A mais harmoniosa convivência sufoca.

Férias do casamento não significam pausa para libertinagem. Fico feliz em casa, flertando com as estantes de livros, que nunca consigo ler, brincando com as maquiagens que nunca tenho tempo de usar. Abro um vinho, coloco jazz, que ele nem é muito fã, peço minha pizza favorita, que não é a dele, provo todas as roupas do guarda-roupa, uso cremes fedidos, para dormir, que acabam com rugas e casamentos.

Encontro amigos que não tenho tempo para cafés desapressados e jantares sem hora para acabar. Fico mais tempo na academia. Passo horas na farmácia escolhendo um esmalte de unha ou um creme para celulite. Não tem pressa, não tem ninguém esperando na porta. Sento num bar, tomo um chopp, penso na vida, sinto uma saudade gostosa dele.

O flerte é comigo mesma, com essa moça que sempre fui, antes dele, com quem me divirto, aprendo, sofro, tropeço, caio, levanto, sonho, faço planos, debocho, admiro. Essa moça com quem, além dele, quero continuar casada para sempre.

Um comentário:

  1. Com o passar dos anos estou cada vez mais apaixonada por mim, pela vida que tenho (não pensem que nao gosto dos homens, adoro e so me interesso por homens) mas, ca pra nos, não tem nada melhor do que fazer so o que estou a fim e na hora que quero fazer. Admiro a mulher que se arruma pra si, gosta da sua propria companhia, não acredita nas mentiras que os homens contam pra atrair, enfim, ser independente não é so se sustentar financeiramente mas...ser independente EMOCIONALMENTE e ter capacidade de discernir o que lhe faz bem e abandonar o que não lhe faz feliz. Não vejo demérito em querer encontrar alguem mas tem gente que parece colocar no curriculo a importancia da quantidade de maridos com quem ja casou. Haja paciencia! Regina Silva, santarena.

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