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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Clonando Pensamento

"Sergio Moro, o magistrado que veste à Justiça com uma nova toga, a da dignidade".  (Jorge Oliveira) 
Charge (Foto: Do Blog do Amarildo em 24 de fevereiro de 2016) 
Do Blog do Amarildo

'Fanatismo é empobrecedor', diz jornalista do Pará ameaçado de morte

Lúcio Flavio Pinto, durante o Encontro Folha de Jornalismo, em São Paulo  
 Lúcio Flavio Pinto, durante o Encontro Folha de Jornalismo, em São Paulo
Folha de SP
Políticos, empresários, madeireiros, grileiros e narcotraficantes. A lista dos que enxergam o jornalista Lúcio Flávio Pinto, 66, e seu "Jornal Pessoal" como oposição —ou até como inimigo— é longa e bem variada.

Criador do quinzenário sobre a região amazônica, que circula desde 1987 em Belém (PA), Pinto é o único jornalista brasileiro na lista dos profissionais mais importantes do mundo da ONG Repórteres Sem Fronteiras e coleciona prêmios internacionais.

Dos 33 processos que sofreu no Brasil pós-ditadura, 19 foram movidos pelos donos do grupo de comunicação O Liberal, para o qual já trabalhou. "Tive de me tornar meu próprio advogado. Queriam extinguir o 'Jornal Pessoal' por meio da minha exaustão", afirma.

Leia trechos da entrevista.
Folha – Qual é a importância do jornalismo profissional?
Lúcio Flávio Pinto Nada resiste a uma boa investigação. Não existe mistério. Se há um fato, você chega a ele. É uma competência.
Por que criou o "Jornal Pessoal?"
Criei o jornal sozinho porque não podia pagar ninguém. Decepcionado com a grande imprensa, criei uma linha editorial que torna meu jornal único: não aceita publicidade.
Como ele se financia?
Com assinaturas e venda. Se o leitor não comprar, acaba. É quinzenal e custa R$ 5, ou seja, é mais caro que os outros jornais. É quase artesanal. Não tem fotos, não tem cor. O jornal é denso e publica coisas que outros não publicam.
Dê um exemplo.
A maior empresa privada do Brasil é a Vale. Ela tem 30 clientes. Por que anuncia como uma varejista? Para conseguir, no mínimo, a simpatia da imprensa. Em 2005, a Vale foi a empresa que mais distribuiu dividendos no mundo. Ninguém deu isso. Estava no balanço da empresa. Era preciso saber ler um balanço. Fiz a primeira série de reportagens sobre a chegada do narcotráfico internacional ao Pará. Fui o primeiro jornalista que registrou a penetração da China na Amazônia, em 2001.
Essas reportagens não saem em outros lugares por falta de profissionais qualificados ou de compromisso dos veículos?
Há três coisas. Primeiro, a ideia de que a região amazônica é exótica e deve ser tratada como tal. Segundo, o comprometimento dos veículos de Belém, que nunca publicam nada sobre a Vale, por exemplo. Em terceiro lugar está a covardia do jornalista. Há um abastardamento da profissão.
A partir do momento em que o jornalista, que era empregado, passa a ser empresário, ele pensa dez vezes antes de pôr em risco a relação entre sua empresa e a empresa jornalística que o contrata. O compromisso passa a ser com essa relação.
A mídia dita alternativa cunhou a sigla PIG, Partido da Imprensa Golpista. Por que discorda do termo e de seu uso?
Primeiro porque leio a grande imprensa e porque as informações mais importantes estão ali, e não na internet, no Twitter e nos blogs.
Uma coisa que os donos de jornal aprenderam é que não vale a pena participar de conspirações, porque elas liquidam com a credibilidade da empresa. É algo que eu investigo: tem dono de empresa jornalística articulado? Não tem.
Agora, eles não gostam do Lula, não gostam da Dilma. Embarcam em teses como o impeachment, que eu acho uma besteira. Mas não se trata de imprensa golpista. Golpista é uma palavra grave.
Qual o problema desse discurso?
Ele cria uma teoria conspirativa. O que não é o cânone da esquerda e do PT vira golpista.
Os blogueiros me homenagearam várias vezes, então eles não podem me atacar porque eu sou oposição. Reclamam que falo muito do PT. Mas o PT está no governo!
Não adianta centrar fogo no PSDB, eles não estão no poder. Nós temos que centrar fogo no poder porque o poder não é democrático. O fanatismo é empobrecedor.
Você já enfrentou ameaças de morte. Como lidou com elas?
Meus inimigos, aqueles que gostariam de me calar, sabem que eu posso ter informações dessa intenção deles. Quando a ameaça tem consistência, vou atrás e faço o cara saber que eu sei.

Após um ano afastado, Anderson Silva retorna aos octógonos neste sábado

Spider Luta Bonnar
Depois de um ano longe dos octógonos, Anderson Silva faz seu grande retorno aos octógonos amanhã (27) para fazer a luta principal do UFC Fight Night 84 contra o inglês Michael Bisping. O confronto será em Londres, mas a torcida será em grande estilo por aqui, tudo armado pelo UFC e o Canal Combate.

A expectativa para o regresso de Anderson é grande, já que o atleta é considerado um dos maiores lutadores da história do MMA.

Na programação, os lutadores Thomas Almeida e Rogério Minotouro ainda participam de uma mesa-redonda ao lado de Paula Sack, apresentadora do Combate, debatendo os melhores momentos da carreira de Anderson, que em 2016 completa 10 anos no UFC. O evento tem início às 14h45min e o card principal começa às 18h. Go, Spider! 

Caça continua: PF cumpre mandados em desdobramento da Lava Jato

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A Polícia Federal lançou operação nesta sexta-feira contra construtoras para investigar o suposto pagamento de propina nas obras das ferrovias Norte-Sul e Integração Leste-Oeste, informou a polícia em comunicado.

Segundo a PF, serão cumpridos sete mandados de condução coercitiva e 44 mandados de busca nos Estados do Paraná, Maranhão, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Goiás, além do Distrito Federal.

Policiais federais cumprem mandados de busca e apreensão em um prédio da Odebrecht no Rio de Janeiro e, em São Paulo, foram à sede da Constran e à casa de um ex-funcionário da Serveng, segundo reportagens.

Acrônimo, Zelotes e Lava Jato em ofensiva conjunta

Por Tereza Cruvinel 
Na esteira da prisão do publicitário João Santana pela Lava Jato, a Operação Zelotes entrou em cena determinando o depoimento coercitivo de André Gerdau no inquérito que apura a compra de sentenças no CARF para driblar a Receita. Como Santana, ele também já havia se colocado à disposição das autoridades, que não viram muita graça nisso. Não pode faltar cobertura e espetáculo. Não foi mera coincidência. Daqui até o fim de maio, as operações Lava Jato, Zelotes e Acrônimo planejam intensificar suas ações, criando condições para o desejado “golpe final”. A PF avalia que depois as atenções da mídia estarão voltadas para as Olímpiadas e as operações perderão espaço na ribalta.
 

Segundo fonte da PF, o que se planeja é uma “blietzkrieg”, uma série planejada de operações-surpresa com alvo certo e repercussão garantida. O termo surgiu na Alemanha, a partir da invasão da Polônia, em 1939, para designar ofensivas contra os inimigos baseadas em pelo menos quatro elementos: efeito-surpresa, manobras rápidas, brutalidade no ataque e desmoralização do adversário. De “blitzkrieg” deriva a expressão “blitz” em referência às ações policiais ou de trânsito.

A Lava Jato dispensa apresentações. A Zelotes começou investigando grandes empresas que subornaram conselheiros do CARF/Receita Federal mas mudou de foco e passou a investigar suposta compra de medidas provisórias nos governos Lula e Dilma, colocando no alvo o ex-presidente e um de seus filhos. A Acrônimo tem como alvo mais brilhante o governador de Minas, Fernando Pimentel e outros políticos mineiros, além do empresário brasiliense Benedito Rodrigues.

Todas elas buscam produzir elementos que atendam à estratégia política da oposição: viabilizar o impeachment de Dilma pelo Congresso, com a posse do vice Michel Temer, ou a cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE, o que levaria à realização de novas eleições se isso acontecer antes de outubro, além de alguma forma de condenação e desmoralização do ex-presidente Lula, tirando-o da disputa eleitoral de 2018.

Além das Olímpiadas, a partir de julho, pelo calendário eleitoral, os candidatos registrados às eleições municipais de outubro não poderão ser presos, o que também pode limitar o raio de ação das operações. Então, vem por aí muita turbulência.

O desprestígio de Lula

Editorial - Estadão
Nunca antes na história deste país o prestígio popular de Luiz Inácio Lula da Silva esteve tão baixo, o que dá razão a Abrahão Lincoln quando afirmava que é impossível enganar a todos por todo o tempo. Mais de 13 anos depois de um operário de origem humílima ter feito a proeza de se eleger presidente da República, 61% dos brasileiros – praticamente dois em cada três – garantem que não dariam de jeito nenhum seu voto para recolocar Lula no Palácio do Planalto. É o que revela pesquisa do Ibope divulgada com exclusividade pelo colunista José Roberto Toledo neste jornal.

Essa rejeição sem precedentes àquele que já foi o maior líder popular brasileiro sinaliza o fim do ciclo do populismo petista que, depois de ter atingido seu fastígio no segundo mandato de Lula, feneceu quando os desacertos do governo Dilma Rousseff – que, na verdade, eram continuação do governo que o antecedeu – mergulharam o País em profunda crise política, econômica e moral.

A rejeição crescente a Lula, que de outubro para cá aumentou seis pontos, certamente se explica em boa parte pela conjuntura econômica adversa que o País enfrenta. Mas a responsabilidade maior por esse desastre cabe, obviamente, ao desgoverno do poste inventado por Lula. E os brasileiros sabem disso, tanto que a popularidade de Dilma é muito mais baixa do que a de seu criador e apenas 1 em cada 10 brasileiros aprova sua administração. A decadência do prestígio popular de Lula, portanto, deve-se não apenas à percepção da responsabilidade que lhe cabe pelo desastre político e econômico – com reflexos graves no campo social –, mas também pela falência moral que resultou da propagação de seus métodos de ação por toda a máquina pública. Foi ele, afinal, o responsável pela corrupção generalizada que desmoraliza o País e corrói a economia nacional – e da qual ele é beneficiário, a julgar pelas evidências relacionadas a mal explicadas transações.

Em português claro: a polícia está nos calcanhares do clã Da Silva e até agora não se ouviram explicações convincentes para o desprendimento com que empreiteiras envolvidas até o pescoço na corrupção investiram somas consideráveis em imóveis que Lula garante que não lhe pertencem. São naturais e inevitáveis, portanto, as especulações de que, em sua obstinada luta contra a pobreza, o chefão do PT se tenha permitido o direito de colher os benefícios generosos, mas de maneira nenhuma desinteressados, colocados à sua disposição por bons amigos. Que mal há nisso, como têm candidamente argumentado os petistas?

O fato é que a distinção entre o público e o privado – que o clã Da Silva tem certa dificuldade em perceber – acaba se impondo à percepção até dos mais desatentos. E, assim, comprova-se falsa a firme convicção de Lula de que o brasileiro é idiota e acredita em tudo que ele queira fazer crer.

Hoje, só 1 em cada 5 brasileiros, 19%, se mantém fiel a Lula e votaria nele “com certeza”. Eram 23% há quatro meses e 33% há menos de dois anos. Mas embora Lula seja o campeão da rejeição, com 61%, outros cinco presidenciáveis têm índices altos de desaprovação: José Serra, 52%; Geraldo Alckmin, 47%; Ciro Gomes, 45%; Aécio Neves, 44%; e Marina Silva, 42%. O que leva à conclusão óbvia de que, se está insatisfeito com Lula e o PT em particular, o brasileiro também não bota muita fé nos políticos em geral.

Nesse quadro, e partindo do princípio de que tudo é muito relativo em política, muitos dos seguidores de Lula ainda confiam em sua capacidade e carisma para tirar-se e ao PT do buraco. Afinal, o apoio firme de um quinto do eleitorado é cacife respeitável. Argumentam os petistas que em 2006, como decorrência do mensalão, Lula havia perdido popularidade, mas conseguiu se reeleger. O fato, porém, é que naquele ano o País se beneficiava com indicadores econômicos e sociais amplamente positivos. Hoje, a recuperação eleitoral de Lula passa, necessariamente, pela recuperação da economia, algo extremamente improvável de acontecer em tempo hábil para impedir, em 2018, o fim de um ciclo. Pois foi a esses tempos de vacas magras que o lulopetismo, afinal, nos condenou.

Janot recomenda perdão da pena de oito "mensaleiros" corruptos

O procurador-geral da República Rodrigo Janot
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, recomendou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o perdão da pena de oito condenados do mensalão do PT, mas disse que só vai se pronunciar sobre a concessão de indulto natalino ao ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, quando a Suprema Corte decidir se ele deve ou não voltar a cumprir a condenação em regime fechado.

Os pareceres de Janot, com base no decreto do indulto de Natal, assinado pela presidente Dilma Rousseff no fim do ano passado, beneficiam Delúbio Soares, Romeu Queiroz, Valdemar Costa Neto, Bispo Rodrigues, Vinícius Samarane, Rogério Lanza, João Paulo Cunha e Pedro Henry. Caberá ao ministro Luís Roberto Barroso, relator dos processos, decidir sobre a concessão do perdão aos oito condenados.

Embora também tenha pedido o indulto, Dirceu, no entanto, voltou a ser preso preventivamente em agosto do ano passado por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. Por causa disso, ele precisará esperar o Supremo decidir sobre um pedido da PGR para que o ex-ministro volte a cumprir o restante da pena do mensalão na cadeia.

Para a defesa de Dirceu, ele tem direito ao indulto porque foi condenado à pena menor que 8 anos, já cumpriu mais de 26 meses da condenação e, além disso, não é reincidente. Esses são pré-requisitos para que um condenado tenha o perdão da pena, segundo o decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff no fim do ano passado.

Mea Culpa

Por Fernanda Torres - atriz e escritora
Venho aqui pedir desculpas pelo artigo Mulher que publiquei no Blog Agora É Que São Elas, da Folha de SP. Jamais pensei que ele seria uma afronta tão profunda a nós mulheres. Não o teria escrito se achasse que era esse o caso.

As críticas procedem, quando dizem que eu escrevi do ponto de vista de uma mulher branca de classe média. É o que sou.

Minha mãe sempre trabalhou, teve um casamento que nunca cerceou o seu direito profissional, eu cresci num ambiente de extrema liberdade, conquistada, diga-se, com a ajuda de movimentos feministas anteriores a mim. Era uma época de um machismo muito arraigado, do qual guardo heranças, mas que, lamentavelmente, ainda à época não estava identificado de forma direta com o estupro e a violência.

Entendi com as respostas ao meu artigo que, hoje, os movimentos feministas lutam para que essa associação seja clara. Inclusive no que se refere ao direito de ir e vir sem assédio.

Esperava-se de uma voz feminina que tem um espaço para se posicionar, uma opinião menos alienada e classista diante da luta pelo fim de tanta desigualdade e sofrimento que as mulheres enfrentaram e enfrentam pelos séculos.

Refleti durante toda semana e o que me cabe são profundas desculpas. Procurarei estar atenta e comprometida com essas reinvindicações.

Entendi que existe uma discussão maior, que vai da cidadania ao direito ao próprio corpo, e, acima de tudo, uma luta pela erradicação da violência contra a mulher num país já tão violento, discussão essa que não comporta meios termos.

Sou contra o estupro, a violência, o baixo salário, o racismo, e reafirmo a importância dos movimentos que lutam pela melhoria das condições de vida da mulher e das minorias no Brasil.

Sou mulher e não gostaria de ser vista como inimiga desses movimentos, e nem de vê-los como tal, porque isso não corresponde à realidade do meu sentir.

Toda vontade de mudança parte do indivíduo, é o que estou fazendo aqui. Sem a coletividade é impossível avançar.

Prometo estar atenta. Perdão por ter abordado o assunto a partir da minha experiência pessoal que, de certo, é de exceção. Mea culpa.