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terça-feira, 17 de outubro de 2017

"Galeria de Amigas": GRAÇA GONÇALVES

Pra mim, o perfil desta minha querida amiga é este: "mulher corajosa, profissional dedicada, que caminha pela vida com muita dignidade, lutando pela realização dos seus projetos, dos seus seus sonhos, carregando dentro de si a delicadeza de uma menina e o sorriso de um anjo."

Governo autoriza Força Nacional a remover índios de obra de hidrelétrica construída entre o Pará e Mato Grosso

Índios na aldeia Kururuzinho, na terra indígena Kaiabi, na divisa entre o Mato Grosso e o Pará 
Índios na aldeia Kururuzinho, na terra indígena Kaiabi, na divisa entre o Mato Grosso e o Pará
O governo federal autorizou o uso da Força Nacional de Segurança Publica para garantir a continuidade das obras da hidrelétrica de São Manoel, que está sendo construída entre o Pará e o Mato Grosso por um grupo de empresas que inclui a portuguesa EDP Energias do Brasil, a chinesa Three Gorges e Furnas, da Eletrobras.

O aval ao uso das tropas vem meses após uma invasão em julho de índios ao canteiro da usina, que chegou a paralisar a construção por alguns dias.

Em portaria no Diário Oficial da União desta terça-feira (17), o Ministério da Justiça disse que o emprego da Força Nacional foi requerido pelo Ministério de Minas e Energia "no intuito de prevenir quaisquer ocorrências que possam por em risco a segurança dos envolvidos, a ordem pública ou a continuidade das obras."

O apoio na região entre Pará e Mato Grosso deverá ser realizado "em caráter episódico e planejado, até 31 de dezembro de 2017", segundo o texto, podendo o prazo ser prorrogado.

A usina de São Manoel, orçada em cerca de 3 bilhões de reais, terá 700 MW em capacidade. As obras estão em fase final, com expectativa das empresas de iniciar a geração de energia ainda neste trimestre. Na época da invasão ao canteiro de obras em julho, os indígenas reclamaram de exigências relacionadas ao licenciamento ambiental da usina que segundo eles não estariam sendo cumpridos, além de terem se queixado de danos causados pelo empreendimento a áreas consideradas sagradas por eles.

Com todos contra todos, a profusão de ‘torpezas e vilezas’ é generalizada

Por Eliane Cantanhêde - Estadão
O confronto entre o presidente Michel Temer e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, virou uma guerra desde que o PMDB sabotou as articulações do DEM para atrair deputados do PSB e Maia aderiu ao vale-tudo. Não só jantou com os piores inimigos de Temer no PMDB, como Renan Calheiros e Kátia Abreu, como agora é acusado de postar no site oficial da Câmara as acusações frontais do “operador” Lúcio Funaro contra o presidente da República.

O menor problema de Temer é a oposição do PT, PC do B e PSOL, porque ele está mesmo é às voltas com os aliados e com o potencial deletério de Maia sobre a tramitação da segunda denúncia da PGR e das futuras medidas de interesse do governo na Câmara. Bater de frente com a oposição é natural, com os próprios aliados é um risco imenso.

Para falar direto com sua base, sem mediação do presidente da Câmara, Temer enviou carta para deputados reagindo às “torpezas e vilezas” contra ele, inclusive a delação de Funaro, que Maia potencializou pela internet. Para o Planalto, Maia fez propaganda a favor de Funaro e contra Temer.

Para piorar, à delação de Funaro vêm se somar a do ex-deputado do PP Pedro Corrêa e a operação da PF no gabinete e nas casas do deputado Lúcio Vieira Lima. Corrêa relata a partilha nojenta de dinheiro público para o PMDB. E Lúcio é famoso por ser irmão do ex-ministro Geddel, que foi parar na Papuda após a polícia estourar seu bunker com R$ 51 milhões.

A operação contra o deputado ocorre por determinação da procuradora-geral Raquel Dodge e ocorreu (por acaso?) na véspera do julgamento de Aécio Neves no plenário do Senado, que opõe o Legislativo ao Judiciário. A tendência é de os senadores dizerem não à Primeira Turma do STF e ao afastamento de Aécio do mandato.

E, apesar de ainda estar em meio a um confronto com o Legislativo, o STF já se meteu numa nova confusão, agora com o Executivo. Temer e os ministros Aloysio Nunes Ferreira (Itamaraty) e Torquato Jardim (Justiça) já decidiram virtualmente extraditar o italiano Cesare Battisti, mantido no Brasil pelo presidente Lula no seu último dia de mandato. Mas a Primeira Turma do STF vai decidir, no dia 24, terça-feira que vem, sobre um habeas corpus apresentado pela defesa dele.

Vem mais divisão por aí! Primeiro, entre os próprios ministros da turma, que podem chegar a 4 x 4, já que o quinto voto seria de Luís Roberto Barroso, ex-advogado do italiano e, portanto, passível de se declarar impedido. Se assim for, o caso vai para o plenário, ainda de ressaca pelo julgamento sobre medidas cautelares para parlamentares. O risco é entrar zonzo e confuso no novo embate.

Então, temos Temer versus Maia, PMDB versus DEM, STF contra Legislativo, agora STF contra Executivo e as delações correndo soltas: Lúcio Funaro contra o PMDB, Pedro Corrêa contra o PMDB, Geddel Vieira Lima é considerado 100% pronto para delatar... o PMDB.

No centro de tudo está Temer, porque, quando se fala de PMDB, Eduardo Cunha, Geddel e Lúcio Vieira Lima, o delator Funaro, a divisão no Supremo, a insubordinação de Rodrigo Maia, o destino imediato de Aécio Neves e até a extradição ou não de Cesare Battisti, a pergunta automática é: como isso afeta o presidente da República?

Não só porque o regime é presidencialista, mas também porque Temer é campeão de impopularidade, alvo de algo inédito, a segunda denúncia da PGR, e presidiu durante anos o PMDB, partido que está “em todas”. As previsões de crescimento da economia são revistas para cima, o mercado está animado, as pessoas voltam a comprar. Mas, se a economia descolou da política, Temer não se colou na economia.

Em que ponto você está na curva da felicidade?

As mulheres brasileiras que estão entre 40 e 50 anos são as que mais sofrem com o envelhecimento, como uma atriz de 45 anos, que diz: "A minha maior crise foi aos 40. Entrei em pânico por estar ficando velha. Não sei se faço plástica, coloco botox, se posso usar minissaia, biquíni, cabelo comprido. É a fase do 'será que eu posso?'. Sou uma mulher invisível, uma 'nem, nem': nem jovem, nem velha."

Mas tudo melhora depois dos 50 anos e a curva da felicidade começa a subir, como mostra uma médica de 62 anos: "As perdas, os sofrimentos e os problemas são inevitáveis, mas aprendi a lidar com eles com mais maturidade, equilíbrio e bom humor. Dou muito valor ao meu tempo e não o desperdiço com bobagens e com pessoas que não merecem. Mais jovem, eu me preocupava com a opinião dos outros, e precisava cuidar de todo mundo. Aprendi que eu preciso cuidar em primeiro lugar de mim mesma e buscar um significado maior para a minha vida. Tenho novos projetos: estou estudando filosofia, escrevendo minhas memórias e publicando um livro de poesias."

Ela disse mais: "Não consigo compreender porque demorei tanto tempo para descobrir uma coisa tão simples: a melhor rima para felicidade é liberdade. A minha receita para uma vida feliz é muito simples: ter projetos de vida, ser eu mesma, não me comparar com outras mulheres, dizer não para tudo o que não quero na minha vida. Dar muitas risadas e, principalmente, rir de mim mesma, tem sido o meu melhor remédio". 
Será que precisamos esperar os 60 anos para descobrir que liberdade é a melhor rima para felicidade? 
(Por Mirian Goldenberg - Folha de SP)

Devoção aos santos

Não há duvidas de que a devoção permanece forte, tampouco se pode negar que os santos atraem menos fiéis. Pesquisa realizada pelo Datafolha mostra que apenas 38% dos brasileiros cultuam essas figuras sacras do catolicismo, ante 49% há uma década. Da quase totalidade da população até pouco tempo atrás, os católicos somam atualmente 52% dos brasileiros, perdendo espaço para evangélicos (32%) —que não reconhecem santos— e aqueles que se declaram sem religião (8%).

ENEM: Paraenses nota mil na redação dão dicas e contam seus segredos

Estudante hoje cursa Arquitetura na UFPA após aprovação no Enem em 2014 (Foto: Camila Teixeira)
Camila
A menos de 20 dias da prova mais aguardada pelos estudantes concluintes do Ensino Médio e por pessoas que buscam uma vaga nas universidades e faculdades do país, muita gente se pergunta o que fazer para escrever uma boa redação, garantir boas pontuações no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e consequentemente, a aprovação no vestibular.

O G1 foi buscar então, dois exemplos de sucesso. Dois paraenses de Belém que conseguiram a pontuação máxima na produção de texto: Camila Teixeira e Yuri Gehad. A dupla fez mil pontos na redação e entrou para uma importante estatística, ser um dos poucos estudantes que conseguiram “fechar a prova” de redação.

Exercitar é tudo
Camila Teixeira, hoje estudante do curso de Arquitetura da Universidade Federal do Pará (UFPA), fez o Enem duas vezes (2013 e 2014). No primeiro ano como teste, enquanto ainda estava no segundo ano do Ensino Médio, obteve 650 pontos na redação. Já na segunda, ao fim do terceiro ano, garantiu os 1000 pontos e a vaga na universidade pública mais almejada do Estado.

Ela conta que sempre gostou de ler e escrever, mas que ter sucesso na redação não é conquista de um ano só e sim um aprendizado progressivo e um eterno exercício.

Outro elemento que ajudou a estudante foram as aulas no curso extra de redação, que iniciou no mês de fevereiro de 2014 e começou a escrever com mais frequência, fazendo uma média de três redações por semana. Foi neste curso, inclusive, que dias antes da prova, Camila escreveu um texto sobre a mesma temática do Enem. “Minha professora foi iluminada. Em um dos últimos finais de semana antes da prova, ela mandou três temas para escolhermos e fazermos um texto em casa; um deles era o da publicidade infantil e foi o que eu escolhi para fazer. Na semana seguinte ela corrigiu - inclusive me deu nota 600 (risos) - e comentou sobre o que eu precisava melhorar. Disse que os argumentos estavam bons, mas que eu precisava lapidar mais meu texto, e foi o que fiz na prova. Quando vi o tema festejei demais e só fiz mesmo organizar melhor as ideias e escrever”, detalhou.

Hoje, Camila acredita que o principal para se escrever um bom texto é ter a prática da escrita, dominando a técnica e ter conteúdo para informar. “Se você não tiver esses subsídios, vai falar sobre o quê? Eu, por exemplo, lia muitas revistas, assistia noticiários, filmes. Em resumo, tudo que eu via, lia ou assistia, tentava extrair o máximo de informação porque sabia que qualquer conteúdo daquele poderia me servir na hora de escrever. Outra dica é sempre retomar o assunto que você escreveu na introdução na conclusão, isso mostrar para o corretor que você sabe o que está fazendo e está ligado”, destacou.
Yuri Geha conquistou nota máxima mas voltará a fazer o Exame (Foto: Yuri Geha) 
Yuri 
Tempo garantido para o lazer
Com o pensamento e as táticas parecidas com as de Camila, Yuri Geha, que conquistou a nota máxima na última edição do Exame (ano em que apenas 77 estudantes, dos mais de oito milhões de inscritos, tiraram notam mil), conta que não é preciso ser um gênio da literatura ou um escritor nato para conquistar uma excelente nota na redação. Apesar do resultado excepcional na redação, Yuri voltará a fazer o Enem este ano. Sua meta é uma vaga no curso de Medicina, o que não foi possível no ano passado. “Esse vai ser o terceiro ano que faço Enem, no primeiro resolvi fazer Direito, mas ao longo do curso vi que não era o que queria. Então, ano passado voltei a fazer, tive esse resultado expressivo, mas faltou um pouco mais na área de exatas para que eu pudesse garantir a vaga. Continuo estudando em ritmo forte e acredito que agora vou conseguir”, contou. Com apoio dos pais, familiares e amigos, Yuri conta que uma das mudanças que fez durante esse ano foi separar os dias para o descanso e o lazer. “O tempo é sempre o maior inimigo de um estudante de vestibular e uma grande dificuldade, mas hoje me sinto mais a vontade deixando o fim de semana para dar uma relaxada, para ficar com família. Ano passado o psicológico me afetou bastante, me dediquei exclusivamente aos estudos. A gente estuda de segunda a sábado em cursinho e o tempo destinado para o lazer é deixado de lado. Hoje trabalho estipulando metas por semana e quando cumpro fico tranquilo para aproveitar e me divertir indo ao cinema, jogando uma bola, tocando violão, lendo coisas agradáveis ou fazendo outras coisas que me ajudam a relaxar”.

Dicas
Uma das coisas que fez com que o estudante conquistasse a pontuação foi aprender a não começar o texto antes de entender de fato o que o comando pede e trazer todo o seu repertório sócio cultural para a elaboração desse conteúdo. “Continuo fazendo curso de redação esse ano, pois não existe inteligência pronta, sempre aprendemos mais. Acredito que este ano estou fazendo ainda mais redações do que fiz no ano passado, afinal, aumentou a minha responsabilidade depois da nota mil. Também estou revendo as que fiz ano passado, elaborando outras estratégias e escrevendo-as de outra maneira, vai que algum tema vem na deste ano”, comenta.

Na reta final para mais uma prova de Enem, Yuri aproveita para dar umas dicas aos seus “concorrentes”. Primeiro, não desista do que você quer. Se você não passou no curso que queria, não desista. Segundo, não é mais hora de revisar conteúdo. Quer ter uma boa redação? Escreva, exercite, fique atento as notícias e seja bem informado. O que prejudica a nota de muita gente é o entendimento do comando; tem que prestar atenção, entender bem o texto de apoio e usar todo o seu conteúdo para convencer o corretor que você sabe o que está falando”, finalizou o aluno com redação nota mil.

Alexandre de Moraes determina votação aberta sobre Aécio no Senado

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, concedeu uma liminar nesta manhã de terça-feira, 17, pelo voto aberto sobre as medidas cautelares impostas pela Primeira Turma do STF ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente licenciado do PSDB nacional. A votação no Senado está prevista para ocorrer nesta terça-feira, 17, mas há possibilidade de adiamento. Pelo menos 11 senadores devem se ausentar da votação desta terça, o que dificulta um resultado favorável ao parlamentar mineiro. O recurso foi impetrado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

O ministro foi sorteado na segunda-feira, 16, para ser o relator do mandado de segurança de Randolfe. Ao recorrer ao STF, Randolfe menciona reportagem do Estado, publicada na semana passada, que mostra a articulação de senadores para que seja secreta a votação sobre o afastamento de Aécio das funções parlamentares. Para Randolfe, os desdobramentos do caso Aécio “parecem estar longe de apontar para uma solução nos trilhos do combalido Estado Democrático de Direito pátrio”.

"Decreto a NÃO RECEPÇÃO do artigo 291, I, “c”, da Resolução do Senado Federal 93, de 1970, e, LIMINARMENTE, determino ao Presidente do Senado Federal a integral aplicação do § 2º, do artigo 53 da Constituição da República Federativa do Brasil, com a realização de votação aberta, ostensiva e nominal em relação as medidas cautelares aplicadas pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal ao Senador da República Aécio Neves", escreveu o ministro na liminar.

Aécio está afastado das funções parlamentares desde 26 de setembro, quando também passou a ser obrigado a se recolher em seu domicílio no período noturno. O senador precisa de 41 votos dos 81 senadores para derrubar a decisão da Corte e retomar o mandato. Para atingir esse número, aliados de Aécio consideram que seriam necessários pelo menos 70 senadores no plenário, número que não deve ser alcançado nesta terça-feira.

Para a votação, além de ao menos 11 ausentes, também não podem ser contabilizados o próprio Aécio, que está impedido de participar de qualquer atividade parlamentar, e o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), que só registra voto em caso de empate. Isso reduz para 68 o número de senadores que poderiam votar.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Absurdo! Conexão em Brasília para chegada em Santarém.

Sou santareno residente em Belém e, pretendendo passar um fim de semana na minha terra querida, consultei a TAM para saber disponibilidades de voos e preços de passagens. Fiquei decepcionado e revoltado com esta realidade: a referida empresa há muito tempo cancelou voos diretos para Santarém, partindo de Belém. Só há com conexão em Brasília/DF. E eu pergunto? Cadê o prefeito da cidade, os vereadores, os deputados federais, os senadores, o governador do Estado e a tal Secretaria de Turismo do Pará (Setur) que não fazem nada para tentar reverter essa situação absurda, que prejudica bastante a economia de Santarém, notadamente o setor de turismo?  Com certeza, nas eleições do ano que vem, vão citar esse problema como constante de seus programas de atuação parlamentar e de governo, para resolvê-lo. E o povo acreditará e votará novamente nesses enganadores. E uma pergunta que não quer calar: por que durante todos os governos do PSDB, tanto Almir como Jatene, não tiram do comando da Setur o Adenauer Goes, que só faz promover reuniões e seminários para pagar diárias e comes e bebes aos participantes?
Abraço, Ercio. Sou leitor do seu ótimo blog.
Mauro Evangelista Corrêa, bairro Nazaré.

Com sequência de espetáculos, começa-se a nada esperar do STF

Por Janio de Freitas - Folha de SP
A "última do Supremo" é a mais antidemocrática e intolerável de suas deliberações desde o fim da ditadura. Tanto por seus múltiplos sentidos, como pela maneira de construí-los até os consagrar por um voto. A rigor, não um voto, mas uma confusão de sub-ideias e palavras titubeadas pela própria presidente do tribunal, no papel de política.

Ao Supremo cabe ser, no conjunto dos Poderes, o repositório da racionalidade e do bom senso. Uma pergunta singela denuncia, porém, a falta desse atributo no mais recente e importante julgamento. Nele ficou reconhecida a competência desse tribunal, nos casos de parlamentares denunciados, para sujeitá-los a "medidas cautelares", ou preventivas. Como o afastamento de Aécio Neves. Mas estabeleceu, também, que tais medidas sejam submetidas à aceitação ou recusa da Câmara e ao Senado, como queria parte dos congressistas. Foi dado aos congressistas, portanto, o poder de revogar as medidas do Supremo. Logo, quem dá a decisão, a palavra que vale, é só o Congresso.

O bom senso indaga: afinal de contas, esses processos ocuparão o Supremo para quê? Nada. Ou nada mais do que fingimento, a encerrar-se, no máximo, com votos reduzidos a meros palpites, sem validade. Melhor farão os magistrados com o nosso dinheirinho, não o queimando com inutilidades e usando-o para os julgamentos e decisões, tão atrasados, a que ainda não se furtam.

Com o editorial sobre a "última do Supremo", disse a Folha (13.9): "Decisão do Supremo recoloca nas mãos do Legislativo a tarefa de não compactuar com o corporativismo e a desfaçatez de seus membros". No Senado, por exemplo, 33 dos seus integrantes, ou o equivalente a 40% dos 81, têm problemas na Justiça. É isso, então: os parlamentares portadores de desfaçatez e corporativismo foram incumbidos, pelo Supremo, de julgar os parlamentares portadores de desfaçatez, corporativismo, acusações de corrupção e falcatruas sortidas.

A presidente Cármen Lúcia sabia, no entanto, do que se tratava: "A importância desse julgamento é dar clareza às regras e segurança jurídica". Resultou no oposto. Os ministros Luís Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux, Edson Fachin e Celso de Mello deram votos firmes e bem fundamentados, entendendo que ceder ao Congresso seria dar ainda mais imunidades aos congressistas, violar a separação dos Poderes e de suas respectivas atribuições e, com isso, negar o Estado de Direito Democrático. Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello, por diferentes vias, apoiaram a revisão pelos congressistas das decisões do Supremo sobre parlamentares. Com o poder de rejeitá-las. Cinco a cinco.

O voto da presidente para fazer o desempate foi patético. Até um dos seus prazeres de sempre – o cuidado com a expressão verbal – foi desprezado. "Considerando (...) considero" serviu só de amostra. Assim foi, no dizer de muitos, porque a causa interessava ao afastado Aécio Neves. Ou seria por uma pretendida conciliação com o Congresso, negociada com senadores, mas à custa do Supremo. Não faz muita diferença.

O nervoso e confuso desempenho de Cármen Lúcia fez um momento triste. Apesar disso, ou por isso, muito próprio para o que impôs. Hoje, centena e meia de deputados, mais 33 senadores, e amanhã nem se imagina quantos, estão e estarão protegidos pelas combinações políticas e interesses pessoais em comum. Só deixarão de escapar, por mais sobrecarregados de denúncias que estejam, quando entregá-los convier à salvação de outros.

Esperava-se da presidência de Cármen Lúcia o que ela não é. Com a sequência de espetáculos e decisões oferecidos nos últimos tempos, começa-se a nada esperar do Supremo. Quem espera sempre cansa.

Vergonha, vergonha, vergonha!

Há poucos dias foi lançada a edição de 2017 do Índice Global de Competitividade, um estudo amplo e profundo realizado pelo Fórum Econômico Mundial. Ao longo de 393 páginas foram analisados os principais indicadores econômicos e sociais de cada país. Dentre eles, evidentemente, os índices de corrupção - afinal, quem investiria de forma séria em um país corrupto?

Estabeleceu-se, pois, a relação dos dez países mais afetados por esta praga. Em 10º lugar situou-se o México. Em 9º, o Iêmen. Na 8ª colocação, El Salvador. Na 7ª, a Nigéria. Seguiu-lhe o Haiti, na 6ª posição. E eis que surge, então, logo abaixo, o Brasil! Sim, somos o 5º país mais corrupto do planeta!

Após superarmos os países acima listados, verifica-se que que apenas fomos derrotados neste pouco honroso embate para o Chade, a República Dominicana, o Paraguai e a Venezuela. Que vergonha, Brasil!

Planos de saúde repetem o truque das companhias aéreas

O fim da obrigatoriedade do rol mínimo de procedimentos, nos planos de saúde, prevista na proposta da nova Lei dos Planos de Saúde, faz lembrar a enganação da franquia de bagagem, nas companhias aéreas. A Agencia Nacional de Aviação Civil (Anac) prometeu que os valores das passagens cairiam, mas aumentaram em quase 36%. Os planos de saúde buscam só reduzir custos e aumentar seus lucros.

A mudança criará vários tipos de cobertura, mais ou menos complexas, enganando a clientela, com o fim do rol de procedimentos mínimos. O projeto da nova lei dos planos de saúde prevê, entre outros recuos, o fim da proibição de aumentar as mensalidades depois dos 60 anos.

Antes da proibição do aumento, as operadoras tripudiavam sobre faixas etárias mais velhas, aumentando as mensalidades sem qualquer limite. A maldade contra os mais velhos faz parecer que os planos de saúde e seus aliados não têm pais ou avós, ou devem odiá-los.

IR 2017: Receita Federal paga 5º lote

Receita Federal paga nesta segunda-feira (16) as consultas ao quinto lote do Imposto de Renda de Pessoas Físicas de 2017. Este lote também inclui restituições residuais de 2008 a 2016.

'Hoje vivemos uma época em que tudo se polemiza', diz Gloria Perez

Gloria Perez
Bibi e Rubinho vão pagar pelos crimes que cometeram? Ruy e Zeca vão fazer as pazes? Em entrevista ao Estado, a autora Gloria Perez não quis, claro, revelar os principais desfechos de sua novela das 9, A Força do Querer, que chega ao final na sexta, 20. Mas saiu em defesa de sua Bibi Poderosa (Juliana Paes), inspirada numa personagem real, e rebateu as críticas à interpretação de Fiuk: “Todo mundo começou inexperiente, vamos dar um crédito a ele”. Gloria entregou os últimos capítulos há mais de dez dias – as gravações devem se estender até quinta, 19. Com A Força do Querer, a autora voltou a elevar a audiência na faixa das 9, com uma trama impactante – algo que talvez não era visto desde Avenida Brasil –, temas polêmicos e um grande elenco feminino, de protagonistas a coadjuvantes, que roubaram a cena.
Personagens femininas são sempre importantes na sua obra, mas houve, em 'A Força do Querer', um rol grande de mulheres em destaque. Foi intencional?
Essa novela foi pensada para ter três protagonistas (Bibi, Jeiza e Ritinha), então elas tinham de ser muito fortes. 
E o restante do elenco feminino foi crescendo pela interpretação das atrizes ou as personagens foram se desenvolvendo?
Com certeza. Quero dizer que a trama gira em torno de três personagens. E a Ritinha (Isis Valverde) é o eixo da história, é em torno dela que todas as outras histórias se formam. Quando começa a trama, tudo o que se desenrola é porque ela provoca essa cisão entre o Ruy (Fiuk) e o Zeca (Marco Pigossi). Geralmente, minhas novelas são protagonizadas por mulheres, é uma coisa minha mesmo. 
Você usa muito Twitter. A audiência ainda é fator fundamental como termômetro, mas como a rede social mostra para você a reação do público? E isso interferiu em algum caminho a seguir? 
Continuo achando que a repercussão das ruas é mais verdadeira, mais real. Na rede social, o Twitter especialmente, você tem muita panfletagem e campanha, então ali você precisa ter muito filtro, para saber o que deve ouvir e levar em conta e o que não deve levar. A gente sempre escuta o público, mas não é para mudar a história. Se o público não está entendendo o que você está querendo dizer, você diz diferente, mas para chegar no mesmo lugar que estava planejado. Se você for seguir a imaginação do público... Leio cada coisa no Twitter. Claro que, em todas as redes, você pode ouvir várias coisas interessantes, até críticas bem fundamentadas. 
E, dessas críticas, o que lembra ter levado em consideração?
Por exemplo, percebi num determinado momento que pessoas mais jovens estavam antipatizando com Joyce (Maria Fernanda Cândido), não estavam compreendendo o que ela estava passando. Quem é filho se põe na posição do filho. Percebi que uma determinada faixa estava não antipatizando com a personagem nem desvalorizando a personagem ou a atriz, mas antipatizando com as atitudes da personagem em relação à filha, a não aceitação (de ela ser trans). Então, você vê isso e diz: chegou o momento de fazer a Joyce explicar melhor o que ela está sentindo, quando você sente que isso não vem de uma pessoa só. Fiz isso, e esse mesmo grupo de garotada que estava com raiva da Joyce está morta de pena dela. É nesse sentido que o público interfere: não de mudar a história, mas de construir, de desviar o olhar para onde você quer. 
Ao tratar de um personagem transgênero como Ivana/Ivan (Carol Duarte), a ideia era promover o debate. Como você viu a reação do público em geral?
O resultado final foi surpreendente e maravilhoso, porque as pessoas realmente acolheram Ivana/Ivan. Óbvio que era uma personagem muito cuidadosa. Não só eu construir muito bem a história, como uma atriz que contasse para o público essa história, com uma direção, um figurino, uma caracterização. Exigiu muito de todos nós que isso fosse passado com verdade. E o segredo foi criar primeiro uma empatia dela com o público. Não é que ela chegou e disse ‘sou trans, mamãe, sou um menino’. Não, busquei um ponto de partida que fosse comum a todas as pessoas, algo que todo mundo já tenha vivido em algum momento da vida. Alguma coisa a ver com a identidade. Nem que seja na adolescência, as pessoas se perguntaram ‘quem eu sou’, ‘como é que eu sou’, ou ‘estou insatisfeito com minha aparência’. Parti de um sentimento, de uma sensação mais universal para começar a criar essa empatia, para depois mostrar qual era o problema particular da Ivana. Daí o público já tinha criado com ela uma empatia. Até pessoas muito conservadoras já estavam tão angustiadas com o sofrimento dela que queriam que ela fosse feliz do jeito que fosse. 
Aliás, como chegar a esse tipo de público mais conservador? 
É criando essa empatia. Estive em Belém e um garoto veio falar comigo. Ele era gay e disse que o avô era militar e não falava com ele, tinha rejeição. Depois, ele recebeu um telefonema do avô dizendo que estava vendo a novela e que gostaria de conversar com ele. São coisas que mudam uma vida, que chegam a tocar a existência real das pessoas. 
Houve quem reclamasse que a personagem Bibi coloca em evidência uma ex-mulher de traficante que existiu na vida real.
Comprei o livro dela, queria fazer uma minissérie com esse livro. Não acho que seja dar cartaz a uma pessoa, até porque é um livro de uma pessoa que faz uma autocrítica. Achei interessante mostrar esse ponto de vista, que ainda não tinha sido mostrado. O deslumbramento que o tráfico, que esse universo exerce sobre pessoas, existem milhares de Bibis. Então, isso não me incomoda em nada, acho uma maneira pequena de enxergar as coisas. E acho que tem um pouco de machismo embutido nisso, porque vejo que as mesmas pessoas que querem a guilhotina para a Bibi me escrevem também pedindo para soltar o Sabiá (Jonathan Azevedo). O Sabiá é o chefe do tráfico, a Bibi não matou ninguém. É uma mulher que está deslumbrada, apaixonada. E todos querem o Sabiá na rua e a Bibi presa?
Os temas são também parte importante de sua obra. Existe ainda algum tema tabu quando se pensa em novela?
Lógico que existem temas que são complicados para colocar numa novela, porque, quando você fala numa TV aberta, tem que pegar a média do grande público. Se você quer falar para todo mundo, para as pessoas dos mais diferentes credos religiosos, das mais diferentes vertentes, tem que encontrar uma média. Você pode tratar de todos os temas, mas tem de encontrar o tom certo de tratá-los. 
Então, não existe assunto que não pode ser tratado, mas como ele vai ser tratado.
Acredito que sim, mas hoje estamos vivendo uma época em que tudo se polemiza. Você vê que até essa história da Bibi é polemizada. Amanhã, se você for fazer Lampião e Maria Bonita, vai aparecer quem diga que está fazendo elogio do cangaço. As pessoas têm o microfone na mão e precisam dizer qualquer coisa, querem ter opinião. A gente vive essa época, todo mundo tem uma opinião e quer impor a opinião. Então, vão tentar criar polêmicas sempre.

Editorial - Estadão: Políticos togados

A Associação dos Juízes Federais (Ajufe) divulgou um vídeo destinado, segundo suas palavras, a servir de “manifesto em defesa da Justiça Federal e do Poder Judiciário”. Nele, diz-se que “a Justiça Federal batalha por todos”, isto é, “por todos aqueles que sentem hoje o gosto de pizza da impunidade, que sentem o desprezo, o cansaço de ver tanta injustiça, por todos que ainda não desistiram de acreditar que as coisas ainda vão melhorar, por todos os que se esforçam em gritar pela mudança”.

No tom e no conteúdo da mensagem, está claro que se trata de uma iniciativa de cunho político, que vai além de simples reação às críticas em relação aos exageros de magistrados e procuradores que lidam com casos de corrupção. Essas críticas foram apenas pretexto para a afirmação explícita de uma plataforma partidária, como se juízes precisassem arregimentar apoio popular para continuar seu trabalho.

Nem é preciso lembrar que a Constituição diz que aos juízes é vedado “dedicar-se à atividade político-partidária”, conforme se lê no artigo 95, parágrafo único, inciso III. Isso significa tanto que os magistrados não podem se filiar a partidos como é desejável também que se mantenham o mais longe possível das controvérsias políticas, pois espera-se que sejam imparciais, sem se deixar levar pelas paixões naturalmente suscitadas nesses casos. Sem muito esforço, entretanto, é possível identificar uma forte pretensão de militância política na mensagem da Ajufe, que, assim como suas congêneres, já se notabiliza por controvertida atuação sindical.

O vídeo diz que a Justiça Federal trabalha “pelo verde, pelo amarelo, pelo vermelho, pelo azul”, isto é, “ela não enxerga cores, mas vê, na lágrima contida de cada um, a chance de se fazer justiça”. Trocando em miúdos, a Ajufe parece sugerir que o partido da Justiça Federal só aceita entre seus filiados aqueles magistrados que se dispõem a “fazer justiça”, pois é isso o que supostamente esperam seus “eleitores”. Entende-se daí que os magistrados devem se empenhar para punir os acusados de corrupção, pois, do contrário, frustrarão aqueles que, desencantados da política, depositam suas esperanças na Justiça. Tal empenho pode, muito facilmente, transformar-se em arbítrio. É por isso que, nas repúblicas consolidadas, juiz não faz justiça; aplica a lei.

O presidente da Ajufe, Roberto Veloso, justificou a iniciativa dizendo que a independência do Judiciário “é um dos pilares do combate à corrupção” e que “seu enfraquecimento interessa somente aos que tramam contra os interesses da democracia”. Explica-se, assim, o tom de desafio da mensagem, endereçada a todos aqueles que, na visão da associação e de diversos setores do Judiciário, se empenham em minar os esforços da luta contra a corrupção – entre os quais, segundo esses militantes, se encontram não só aqueles que supostamente querem aprovar leis para minar a Lava Jato, mas também aqueles que ousam fazer reparos ao açodamento de procuradores da República e à extravagância de algumas decisões judiciais.

Assim, o vídeo informa que a Justiça Federal “enxerga aqueles que sempre se julgaram superiores a ela, aqueles que tentam tapar seus ouvidos, calar sua voz, amarrar seus braços, aqueles que mentem, distorcem a realidade, aqueles que não acreditam do que ela é capaz”.

O tom ameaçador não é próprio de quem tem por função julgar de maneira serena e imparcial. Ao dizer que a Justiça Federal “é cega, mas não foge à luta”, a associação de magistrados entende que é papel dos juízes confrontar, como numa guerra, quem chegue às barras dos tribunais. Ora, se é assim, para que juízes? Bastariam os promotores para determinar quem é culpado ou não.

Para uma parte do Judiciário, portanto, os políticos – pois é claro que é a eles que o vídeo se dirige especialmente – são todos culpados por definição, restando aos juízes apenas estabelecer a pena. E, segundo a mensagem, “todos devemos apoio” à Justiça Federal – ou seja, quem disso discordar é o inimigo.

Gleisi e Paulo Bernardo são vaiados em museu na Rússia

GLEISI HOFFMANN E PAULO BERNARDO NO MUSEU HERMITAGE
A senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, e o ex-ministro Paulo Bernardo foram vaiados neste domingo durante visita ao Museu Hermitage, na cidade russa de São Petersburgo (foto).

Ambos réus na Lava Jato, o casal foi verbalmente hostilizado por grupo de brasileiros que também visitava o local. Preso dia 23 de junho de 2016, na Operação Custo Brasil, Paulo Bernardo foi libertado uma semana depois, por decisão do ministro do STF Dias Toffoli.Um dos maiores museus do mundo, o Hermitage é considerado uma das grandes atrações de arte e cultura da cidade.

domingo, 15 de outubro de 2017

A morte da jararaca ainda não é fava contada.

Por Elio Gaspari - Folha de SP
Em julho passado, Lula foi condenado a nove anos de prisão pelo juiz Sergio Moro. Para que ele fique inelegível, a sentença precisa ser confirmada pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal 4, de Porto Alegre, composta por três desembargadores. Se Lula for condenado por unanimidade, ficará inelegível, com poucas chances de ser salvo nos tribunais superiores.

Se o resultado ficar num 2x1, a inelegibilidade estará adiada, dependendo de confirmação pela Seção Criminal do TRF-4, composta por seis desembargadores federais, três dos quais da 8ª Câmara.

Cabeça de juiz não permite prognósticos seguros, mas quem conhece o TRF-4 levanta duas dúvidas. Na primeira, a condenação pode ser anulada. Na segunda, a confirmação da sentença pode demorar, permitindo o registro da candidatura. Portanto, a morte da jararaca ainda não é fava contada.

Parem de brigar e julguem!

Por Eliane Cantanhêde - Estadão
Todo esse dramalhão envolvendo Supremo, Senado, Câmara, PSDB, PT, PMDB e redes sociais em torno do senador Aécio Neves tem uma origem clara: a demora do STF em julgar o tucano, alvo de nove investigações e uma denúncia, agravados pelas gravações entre ele e Joesley Batista e pela bolada que, ato contínuo, foi parar com o primo dele.

Se o Supremo tivesse pego esse touro a unha há tempos, não precisaríamos assistir a esse show de empurra-empurra. Aécio teria sido inocentado ou condenado e as instituições não estariam expondo suas vísceras ao vivo para escapar do problema, com o STF tentando até aplicar penas a quem nunca foi condenado!

A PF, a PGR e a Justiça não dão conta de tantos inquéritos (como no caso também de Renan Calheiros) e o fantasma fica pairando sobre Brasília. Como não se pune pela Constituição, a Primeira Turma do STF buscou aplicar o Código do Processo Penal, com o afastamento das funções e o tal recolhimento noturno – ambas soluções, digamos, heterodoxas. O plenário interveio, lembrando que não se afasta parlamentar sem aval dos plenários do Congresso e o problema voltou para o Senado. Se no Supremo não há solução, imagine-se no Senado, um dos templos do corporativismo na República.

A expectativa para a próxima terça-feira é que os senadores não deem aval para as medidas contra Aécio, mas o resultado vai ficar mais apertado a cada dia que passa. No plenário do STF, foram cinco a cinco, que viraram seis a cinco com o voto confuso da presidente Cármen Lúcia. No do Senado, caminha para um racha equivalente a partir da ameaça do PT de rever sua posição.

Na primeira sessão, os petistas foram contra a Primeira Turma e, portanto, a favor de Aécio. Mas estão mudando de ideia, daí porque os aliados do presidente afastado do PSDB tentaram um outro jeitinho brasileiro: o voto secreto, não previsto no artigo 53 da Constituição e derrubado, por exemplo, na sessão que autorizou a prisão do então senador Delcídio do Amaral.

Aécio, portanto, escapou do Supremo e tende a escapar do plenário do Senado, com seus pares fazendo a mise-em-scène de enviar o caso para o Conselho de Ética. E daí? Criado em 1993, o conselho só cassou um senador até hoje, Luiz Estêvão, que, aliás, foi parar na Papuda após o STF aprovar a prisão de condenados em segunda instância. Seu presidente pela sexta vez, senador João Alberto (PMDB-MA), é sempre posto ali pelo padrinho José Sarney justamente para garantir a impunidade de todos os seus pares.

Por falar nisso, Aécio Neves está por trás da escolha dos relatores na CCJ da Câmara para a primeira e a segunda denúncia da PGR contra o presidente Michel Temer, Paulo Abi-Ackel e Bonifácio de Andrada, ambos, não por coincidência, do PSDB de Minas. A equação é simples: Aécio articulou a salvação de Temer, Temer articula a salvação de Aécio, enquanto o lobo não vem e o STF não julga de fato.

O fato é que, enquanto o Supremo não começar a fazer sua parte na Lava Jato, condenando quem tem de condenar e inocentando quem merece, as assombrações vão continuar soltas por aí. Ninguém vai ter sossego, nem réus, nem julgadores, e o script vai se repetir, com o STF tentando aplicar penas a não-condenados, a Câmara e o Senado salvando os seus e a opinião pública querendo explodir as instituições. Meretíssimos, parem de brigar e julguem!

PS 1: Cármen Lúcia deixou de ler seu voto de mais de 30 páginas porque três ministros tinham voos para Miami. Ai, se arrependimento matasse!

PS 2: Depois da crise com o Legislativo, vem aí a crise do Judiciário com o Executivo. Planalto e Ministério da Justiça querem extraditar o italiano Cesare Batisti, mas STF está... dividido.

E quem paga somos nós, brasileiros e brasileiras

Podemos torrar
O ex-Partido Trabalhista Nacional, atual “Podemos”, tem cerca de 160 mil filiados, segundo dados do TSE. É o 12º menor partido do país, mas já levou do fundo partidário R$3,9 milhões de janeiro a setembro.

Vale a pena ler: “Resta aos juízes prender ladrão de galinha”

O texto abaixo foi enviado a amigos pelo juiz federal Roberto Wanderley Nogueira, do Recife:

"Magistrado há 35 longos e bem vividos anos, forjado na dor de uma experiência profissional sem nódoas ou grandes desacertos, temente a Deus Todo Poderoso, reconhecido comumente pelos pequeninos, minha jurisprudência sempre foi preferencialmente aquela que eu mesmo produzo à luz da Constituição Federal e das leis.

Jamais me deixei impressionar pela jurisprudência de Tribunais constituídos politicamente, na alcova da vida de tanta gente que simplesmente não presta. Há exceções, é claro, mas elas não chegam a sequer perturbar o sistema de injustiças e desigualdades prevalecentes entre nós.

No entanto, o Supremo Tribunal Federal, para cujo acesso basta a boa vontade da autoridade de plantão no Palácio do Planalto e uma sabatina pró-forma no Senado Federal, é a cúpula do sistema do qual fazemos parte, todos nós, magistrados. Isso é trágico, porque muito frequentemente temos de dar lição aos nossos superiores por meio de nossos veredictos, simplesmente apontando as contradições desse sistema que eles encabeçam, não raro sem mérito e/ou competência algumas, conquanto eleitos pelas conveniências da política de momento, também frequentemente associadas ao clientelismo de Estado.

É o que devemos fazer, esperando as bordoadas próprias da espécie de um ambiente concorrencial e emulativo que opõe colegas contra colegas no pano de fundo das nossas próprias carreiras.

O carreirismo, aliás, é um fenômeno estimulado pelo sistema político para nos fazer definhar como categoria social. Quem for independente não sobe. Quem abrir mão de sua própria vocação na verticalidade da estrutura funcional da Organização Judiciária a que pertence, outros nem isso, caso dos incluídos no sistema pelo “quinto constitucional” e das composições do próprio STF, ficam disponíveis para evoluir, menos neste último caso, pois as investiduras são para cargos isolados (sem perspectiva de progressão).

Eis o dilema histórico, existencial e corporativo da magistratura nacional, sobre o qual a iniqüidade faz a festa, sentindo-se segura em face da atmosfera de impunidade que sobrepaira aos poderosos. Mas, sobra implacabilidade aos “ladrões de galinha”, cujo aprisionamento é praticamente o único poder que resta de fato aos juízes do Brasil. E viva o carnaval!"

Passagens aérea aumentaram 36%, apesar das promessas da Anac

O aumento de 35,9% nos preços das passagens aéreas desde o início da cobrança pelas malas, constatado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), comprova um estelionato que merece investigação. Para justificar a medida, que criou mais um negócio milionário para as empresas aéreas, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciou que “a tendência” seria diminuir o preço da passagem. Não era verdade, claro. 

Há suspeitas de conluio da Anac com as empresas aéreas, para a adoção da medida. E com o aval da Câmara dos Deputados.

O Senado aprovou resolução anulando decisão da Anac para cobrar pelas malas, mas era necessário o aval da Câmara dos Deputados.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, jamais colocou em votação a decisão do Senado suspendendo a resolução da Anac. Com o mercado de aviação civil reservado a empresas “nacionais”, as passagens aéreas no Brasil estão entre as mais caras do mundo.