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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

No Senegal, Lula defende revolta no Egito

Sem a cautela inerente ao cargo que deixou de ocupar em janeiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poupou, nesta segunda-feira, críticas a ONU, Europa e Estados Unidos durante sua participação no Fórum Social Mundial no Senegal. Lula chegou a dizer que os EUA seriam, "possivelmente", os causadores da discórdia no Oriente Médio.

- Há muito tempo todo mundo sabia que era preciso que voltasse a democracia no Egito. As pessoas se incomodam com Cuba, com o Chávez, e as pessoas deixaram de ver que (Hosni) Mubarak estava lá fazia 32 anos (sic). As pessoas não enxergam. Então, as grandes potências que dão sustentação a essas políticas de repente ficam surpresas quando acontece uma movimentação da sociedade, disse o ex-presidente brasileiro.

Lula usou um ditado popular para explicar a crise: - O que está acontecendo no Egito é muito simples. "Água mole em pedra dura tanto bate até que fura"- disse ele, que alinhavou: - A sociedade se manifesta porque quer respirar. E ainda as pessoas falam: fulano não vai ser candidato, mas vai indicar o filho, o neto, o bisneto. O povo, chega uma hora, fala "eu existo, também quero participar, governar". É importante.

Questionado se a situação do Egito não era a mesma que a do Irã, governada por seu amigo Mahmoud Ahmadinejad, Lula respondeu: - É diferente. É que no Irã tem eleição- disse ele, rebatendo ainda a comparação com as eleições egípcias:- Só que com a eleição, os presidentes do Irã mudam e no Egito não mudou em 32 anos (sic).

Lula também classificou como "importante" a participação do Brasil no processo de paz do Oriente Médio. - Se foi a ONU que criou o Estado de Israel, porque não coloca a paz? Por que ficam os Estados Unidos querendo ser os donos da paz lá? Se possivelmente eles são o causador da discórdia?

Sobre a ONU, disse que "não representa em 2010, 2011, 2015, aquilo que ela representou em 1948". - O mundo está mal representado. A geografia mudou - disse ele, reiterando que o Brasil deveria ter um assento permanente no Conselho de Segurança. (Em O Globo)

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