Seis pessoas foram presas acusadas de envolvimento em uma tentativa de fraude às agências do Banco do Brasil. As prisões foram efetuadas ontem de manhã em Belém, São Paulo e Brasília. Os envolvidos são acusados de integrar uma quadrilha de fraudadores que tentava sacar mais de dois bilhões de reais do Banco do Brasil. Eles atuavam falsificando documentos e boletos bancários e ingressavam com ações na Justiça pedindo o ressarcimento dos valores ao banco. O grupo agia no Pará, Distrito Federal, em São Paulo e Santa Catarina. As investigações foram comandadas pela Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe), com o apoio do Grupo Especial de Prevenção e Repressão às Organizações Criminosas (Geproc) do Ministério Público Estadual.
Em Belém foram presos Antonio Valinoto Neto e Joarez Correa dos Anjos, que se apresentaram como empresários, e Antonio Carvalho Lobo, que informou ser advogado. Todos foram encaminhados à Dioe. Francisco Nunes Pereira, apontado como o líder do esquema fraudulento, foi preso na cidade paulista de Tatuí. Além dele, também foi preso em São Paulo Luís Roberto de Bastos, que teria sido o segundo homem a ingressar com o pedido de ressarcimento junto ao banco, após a desistência de Antonio Carvalho. Em Brasília a polícia prendeu o empresário Flamarion Alves Souza, que também estaria envolvido no esquema.
De acordo com a Polícia Civil do Pará, responsável pelas investigações, o grupo alterava os extratos bancários para efetuar a fraude e depois tentava receber esse valor, por meio de ações judiciais. Francisco teria apresentado documentos falsos alegando que tinha direito aos recursos por usucapião. Ele sustentou que a quantia bilionária fora depositada em sua conta por um desconhecido e que lá teria permanecido por mais de cinco anos. Mas, na verdade, esses recursos nunca existiram. Joarez Correa tinha uma procuração de Francisco para retirar o dinheiro.
A juíza da 5ª Vara Cível de Belém, Vera Araújo de Souza, determinou o bloqueio de R$ 2,3 bilhões no Banco do Brasil. A desembargadora Marneide Merabet manteve o bloqueio. Antes de recorrer ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Banco do Brasil recorreu ao Tribunal de Justiça do Pará, que manteve o bloqueio. O banco, então, recorreu ao CNJ, que suspendeu a decisão da 5ª Vara Cível. A suspeita de irregularidade se deu porque o mesmo pedido já havia sido feito, há cerca de dois anos, à Justiça do Distrito Federal, que arquivou o processo.
"Era uma forma de induzir a Justiça ao erro, pois, com base em documentos falsificados, a quadrilha conseguiu que o Judiciário do Pará bloqueasse esses R$ 2,3 bilhões da instituição financeira. O próximo passo seria o depósito da soma bilionária em conta, mas o esquema não chegou a ser concretizado. Agora o CNJ vai investigar a possibilidade de participação de magistrados na suposta fraude", declarou o promotor Milton Menezes, do Geproc.
A polícia ainda não sabe há quanto tempo a quadrilha agia, mas afirma que nenhum valor solicitado foi pago aos fraudadores. "A transação bancária não chegou a ser efetuada, pois foi comprovada a fraude na documentação, já que o banco jamais liberaria uma quantia tão alta como esta sem antes verificar a documentação. Agora os envolvidos vão aguardar decisão da Justiça", comentou a delegada Virgínia Nascimento, da Dioe. (No Amazônia)
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