Em sua primeira sessão oficial como presidente do Conselho Nacional
de Justiça, o ministro Carlos Ayres Britto retomou o discurso feito ao
tomar posse da Presidência do Supremo Tribunal Federal. "O Judiciário é o
Poder que não governa, mas evita o desgoverno. E quem evita o
desgoverno não pode se desgovernar por definição", afirmou.
Ele
disse que o sistema de Justiça no país se aperfeiçoa a olhos vistos,
motivo pelo qual tem sido imprescindível a presença do CNJ. O novo
presidente recebeu homenagem dos conselheiros, do procurador-geral da
República e de advogados.
“Inicio a presidência honrado e feliz.
Conheço de perto os eminentes conselheiros, tenho por todos a maior
admiração, sei que passaremos a conversar com urbanidade e irmandade
nesse propósito de viabilizar a Constituição brasileira que em boa hora
criou o CNJ. O Conselho Nacional de Justiça veio para aperfeiçoar o
sistema de Justiça, suprir omissões e enfrentar com destemor e
proficiência os déficits históricos. O Poder Judiciário brasileiro é
modelar, não tem faltado à sociedade, mas precisava do CNJ, que se
insere no âmbito do controle eminentemente democrático que marca a
trajetória de evolução político-cultural dos povos ocidentais”,
discursou o ministro.
Segundo ele, o CNJ faz parte “das
positividades constitucionais num ambiente de mudança de paradigmas no
imaginário social”. Ayres Britto citou como exemplo dessas mudanças leis
e decisões que ajudaram a Justiça a dar um salto de qualidade. São
elas: a Lei da Ficha Limpa, a Lei Maria da Penha, o Código de Defesa do
Consumidor, o Estatuto da Criança e do Adolescente, a decisão do STF que
equiparou a relação de casais homoafetivos à união estável e a decisão
sobre as atribuições do CNJ durante a votação da Resolução 135 — que
dispõe sobre a uniformização de normas de procedimento administrativo
disciplinar aplicável aos magistrados —, matérias que, segundo afirmou,
“levaram a uma transformação da sociedade”.
A corregedora-nacional
de Justiça, ministra Eliana Calmon, afirmou que Ayres Britto chega à
Presidência num momento em que o órgão está pacificado em relação às
suas atribuições, após a avaliação pelo STF da Resolução 135, no início
do ano, e com os conselheiros “mais amadurecidos e mais afeitos às
questões de julgamento desta corte”. “Estamos todos felizes com a sua
presença, com sua finura de trato, a verve que lhe é peculiar e também o
aspecto de encontrar tudo nos seus devidos lugares. Temos a certeza de
que o CNJ se firma ainda mais com sua presidência”, declarou a ministra.
O
procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que o ministro é
“das pessoas talhadas para momentos ao mesmo tempo promissores e
complexos” e lembrou que as instituições de Justiça vivem esse momento.
“O tempo é de união e coesão entre Ministério Público, magistrados, CNJ e
Conselho Nacional do Ministério Público. E a contribuição que o CNJ tem
dado à população tem sido imensa, apesar da sua curta existência”,
afirmou.
O novo presidente do CNJ também foi homenageado pelo
presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, e pelo
advogado Eduardo Alkmin. (Conjur)
Nenhum comentário:
Postar um comentário