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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Vale a pena ler: ALEGRIA, ALEGRIA

Por Joyce Pascowitch, jornalista.
O calor gritando nessa primavera e só se fala em Tufão. Ah, também em Adauto, Ivana, Muricy. E em Max e Carminha, Olenka, Monalisa. Como é bom viver na ficção, principalmente numa como essa, onde as frescuras nossas de cada dia caem por terra cedendo espaço para as graças do subúrbio. Às vezes eu canso de quiche. De orgânicos. De tudo certinho, bem comportado, metido a besta. Desse cotidiano cheio de regras e condutas que muita gente –inclusive eu- escolheu para viver. Daí que mergulhar na periferia, mesmo que não na vida real, traz uma alegria nova, uma sensação de simples, sem frescura mas com alegria. Sempre achei que quem precisa correr atrás de sustento tem menos angústia, menos depressão: tem uma meta na vida e corre atrás dela. O resto é uma cervejinha gelada, delícia, um churrasco na laje, um forró ou mesmo um  baile Charme. Muita diversão -e assim estamos combinados. Claro que essa novela e esse mundo têm algo a nos ensinar. Agora é tratar de descobrir e aprender. Essa história de ficar perseguindo felicidade, dinheiro e até confundir os dois acaba deixando todo mundo muito frustrado –basta olhar em volta. Eu, do meu lado, tenho tentado perceber o que realmente me deixa feliz. Posso até arriscar dizer que estou começando a perceber: uma mensagem de texto de meu filho dizendo que me ama; uma aparição inesperada de Ryuichi Sakamoto ao piano em uma festa sofisticada. Um amigo de sempre que telefona depois de um tempo propondo um drink na hora do por do sol. Sair para dançar com as amigas, num desses bailes onde ninguém conhece ninguém, amo. As férias de verão chegando e por aí vai… Claro que deve ser mais fácil olhar de longe esse mundo tão diferente e achar tudo bacana –não estou propondo que a gente se mude pra lá. Apenas colocando um pouco de luz sobre esse universo que parece bem mais divertido que o nosso.

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