Por Joyce Pascowitch, jornalista.
O calor gritando nessa primavera e só se fala em Tufão. Ah, também em
Adauto, Ivana, Muricy. E em Max e Carminha, Olenka, Monalisa. Como é bom
viver na ficção, principalmente numa como essa, onde as frescuras
nossas de cada dia caem por terra cedendo espaço para as graças do
subúrbio. Às vezes eu canso de quiche. De orgânicos. De tudo certinho,
bem comportado, metido a besta. Desse cotidiano cheio de regras e
condutas que muita gente –inclusive eu- escolheu para viver. Daí que
mergulhar na periferia, mesmo que não na vida real, traz uma alegria
nova, uma sensação de simples, sem frescura mas com alegria. Sempre
achei que quem precisa correr atrás de sustento tem menos angústia,
menos depressão: tem uma meta na vida e corre atrás dela. O resto é uma
cervejinha gelada, delícia, um churrasco na laje, um forró ou mesmo um
baile Charme. Muita diversão -e assim estamos combinados. Claro que essa
novela e esse mundo têm algo a nos ensinar. Agora é tratar de descobrir
e aprender. Essa história de ficar perseguindo felicidade, dinheiro e
até confundir os dois acaba deixando todo mundo muito frustrado –basta
olhar em volta. Eu, do meu lado, tenho tentado perceber o que realmente
me deixa feliz. Posso até arriscar dizer que estou começando a perceber:
uma mensagem de texto de meu filho dizendo que me ama; uma aparição
inesperada de Ryuichi Sakamoto ao piano em uma festa sofisticada. Um
amigo de sempre que telefona depois de um tempo propondo um drink na
hora do por do sol. Sair para dançar com as amigas, num desses bailes
onde ninguém conhece ninguém, amo. As férias de verão chegando e por aí
vai… Claro que deve ser mais fácil olhar de longe esse mundo tão
diferente e achar tudo bacana –não estou propondo que a gente se mude
pra lá. Apenas colocando um pouco de luz sobre esse universo que parece
bem mais divertido que o nosso.
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