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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

PARCEIRO CONSTANTE

Por José Wilson Malheiros:

Meu primeiro contato com Emir Bemerguy aconteceu em seu consultório dentário, quando ainda era naquele sobrado bonito, em frente ao Bar Mascote.

Entre anestesias, obturações e o boticão começamos uma amizade verdadeira. Comecei como paciente e continuei como fã do grande poeta. Ele foi um dos seres humanos mais iluminados que já conheci na vida.

Não vou falar aqui dos seus belos poemas, de seus escritos inspirados, de sua fé católica. Vou contar um fato que bem pode ilustrar a bondade e os corações (sim, no plural, mesmo) tanto do Emir como da sua esposa, Dra. Berenice.

Eu tinha mais ou menos 21 ou 22 anos e cantava no Coral da Catedral de Santarém, sob a direção de meu Tio Dó (Wilde) e de meu pai. Nessa noite, o coral ia cantar especialmente para o Arcebispo Dom Alberto Ramos, lá na Casa Cristo Rei, de gloriosas memórias e tradições. Pois bem, cheguei em casa às seis da tarde com uma tremenda dor de dente. Preferia mil vezes aqueles chutes na canela, quando jogava pelada de praia ali perto do velho Trapiche, do que aquela dor de dente sem-vergonha.

Experimentei todos os remédios possíveis e impossiveis que minha mãe me receitou, e nada do suplício passar. Para frustração minha não deu para ir cantar para o Arcebispo. Fiquei em casa. Na agonia e desesperado, achei uma garrafa de conhaque na petisqueira (antigamente chamavam assim...). Meu pai nunca bebeu. Não sei como essa bebida foi parar ali. Sozinho em casa, na esperança de ficar logo livre da tortura, comecei a tomar alguns goles... mas a dor não passou! Fiquei quase porre e... ainda com aquele dente desgraçado doendo.

Lá pelas dez da noite disse a meu pai que iria procurar o nosso ilustre vizinho, mas ele disse que aquela não era hora de incomodar dentistas... Deixei todo mundo dormir e lá pelas duas da madrugada, abri a porta e saí de mansinho, pelas ruas escuras (faltava luz na cidade). Bati na porta do poeta, gritando, desesperado. Ele e Dra. Berenice me atenderam espantados. Ao verem o meu calvário, pegaram uma lanterna, fizeram com que eu sentasse na cadeira, aplicaram anestesia (tudo com uma simples lanterna, vejam bem!!!) e arrancaram o dito cujo do dente que estava me azucrinando.

Quando o serviço terminou, Emir falou, sorrindo: - Taí o dente. Leva e joga pra cima do telhado da tua casa, que é pra nascer outro. Nunca me cobraram nada.

O título destes escritos é "um parceiro constante". Sim, agora meu pai - Wilson Fonseca (Isoca) - tem no céu, outra vez como vizinho, seu "parceiro constante".

7 comentários:

  1. Amigo Ércio,

    Que acontecimento, são esses depoimentos que nos mostram a grandeza e a riquesa espiritual das Amizades - na minha compreenssão as amizades são os verdadiros tesouros que possuímos, porque depois do adeus tudo que é da terra fica na terra; só levamos o bem que fizemos, a omissão ou o mal que fizemos, e prestaremos contas a Deus - Que merecimento do Dr. Vicente Fonseca tenho um grande apreço por ele pela Amizade e respeito que ele tem pelo meu Pai Prof. Nicolino Campos; Filho de Peixe peixinho é; minha história também com o Poeta Dr. Emyr se dá através do seu filho Emirzinho e do Toninho Vidal, meus amigos meu desde os idos da década de 70, juntamente com a irmã do Dr. Vicente Fonseca que carinhosamente a chamamos de Zuzu. Nesse encontro que tive com meu Amigo Paulo Bemerguy, falei-lhe Paulo Eu não fui nenhuma vez pro quadro de honra do CDA porque voces não desocupavam o lugar(Emirzinho, Paulo Bemerguy e Zuzu Fonseca). Tantas histórias momentos felizes de relembrar e rir e comemorar a Vida, as Amizades e a Felicidade de desfrutá-las nessa Caminhada em busca da Vitória e da Glória Eterna de chegar e se unir ao nosso Pai Deus.

    Abraços ao Dr. Vicente Fonseca, a voce meu irmão Ércio que demostrou força espiritual e amor ao seu irmão Dr. Emir.

    Sinceramente,

    Sérgio Campos

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  2. A excelente crônica do José Wilson é fiel quando mostra o caráter do casal Emir e sua Berenice.
    Parabéns por sua homenagem.

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  3. Este relato é uma foto real desse grande homem. José Wilson fala com seu costumeiro talento. Doutor Emir já está na galeria dos grandes santarenos.
    Paulo Sérgio, from Rio de Janeiro

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  4. Poeta sabe falar de poeta. Salve, meu amigo Pimpus, José Wilson. Adorei sua crônica, como sempre saborosa. Dr. Emir Bemerguy é um dos ícones eternos de nossa terrinha e tem que ser louvado.

    Diniz, colega de Dom Amando, no Recife.

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  5. Acabo de saber, por este meio de comunicação do passamento do dr. Emir.
    É uma felicidade que se escreva sobre ele, como é agora a oportuna crônica do dr. José Wilson Malheiros, que nos mostra mais uma vez, com rara sensibilidade, quem era o pranteado.

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  6. ze wilson, o tempo passa mas as maravilhosas lembranças não passam; os amigos, a familia, colegas do BB, as dificuldades e facilidades comuns a todos, independentemente de classe social. voce e sua familia, eu e minha familia, todos e suas familias, tem muito a contar pois souberam viver bem e enfrentar as dificuldades quando se apresentavam. um abraço a todos, nesses dias tão festivos e, ao mesmo tempo, também com parcelas de tristeza pela perda de nossos amigos emir e eros bemerguy. regina silva, santarena

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  7. Regina, um abração pra você. Muito, ainda, tem que ser escrito sobre o inesquecível Laudelino e seu cavaquinho mágico, o seu respeitável pai, ponta esquerda nas horas vagas, das peladas de praia que curtíamos na gostosa santarém que não volta mais.
    Um abraço,
    zéwilson

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