Ezequiel Fagundes, O Globo
Empossados no
último 1º de janeiro, os vereadores do Rio e de Belo Horizonte são os
únicos de capitais do país que ainda embolsam a título de “ajuda de
custo” o auxílio-paletó — ou 14º e 15º salários, como também é conhecido
o benefício.
Só neste ano, os Legislativos de
Rio e Belo Horizonte destinarão cerca de R$ 2,5 milhões para custear a
verba extra dos parlamentares, sendo R$ 1,5 milhão para os políticos
cariocas e R$ 984 mil para os belo-horizontinos.
O benefício é
pago em duas parcelas, uma em janeiro e outra em dezembro, sendo que
cada uma delas equivale a um salário integral. Os vereadores do Rio
ganham R$ 15 mil, e os mineiros embolsam R$ 12 mil por mês. E com os
reajustes aprovados no ano passado, a conta do auxílio-paletó ficou mais
salgada.
Parlamentares reeleitos receberam nos contracheques de
dezembro e janeiro o equivalente a cinco salários, considerando-se o 13º
(benefício natalino), acrescido do 14º e do 15º. No Rio, os 30
parlamentares reeleitos, de um total de 51, ganharam R$ 63 mil da
Câmara. Em Belo Horizonte, 19 de 41 vereadores embolsaram R$ 51 mil em
dois meses.
Teoricamente, a verba serviria para a compra de terno e
gravata. Mas diferentemente de outras remunerações, como a verba
indenizatória, não é necessário prestar contas dos gastos com o
auxílio-paletó. E, neste caso, o vereador gasta o dinheiro público como
bem entender.
Essa parcela
adicional de janeiro entra no mês em que os parlamentares sequer estão
trabalhando. Pelo cronograma das duas Casas, os trabalhos em plenário e
nas comissões temáticas só vão começar a partir do dia 1º de fevereiro.
Além
dos vencimentos, as duas câmaras oferecem aos parlamentares um pacotão
de bondades. Os cariocas ganham mil litros por mês de combustível, o
auxílio-gasolina; recurso para custear o salário de 20 funcionários
comissionados; e 4 mil selos de correspondências por mês. Já os
vereadores da capital mineira ganham R$ 15 mil de verba indenizatória;
R$ 800 de franquia de telefone; e outros R$ 42 mil para contratar até 15
assessores comissionados.
O jurista Fábio Medina Osório, doutor em Direito
Administrativo pela Universidad Complutense de Madrid, avalia que os
benefícios extras são uma forma para ocultar a realidade dos vencimentos
da classe política. - O sistema de subsídio, de pagamento único,
baniu esse tipo de verba. Na minha avaliação, verba paletó é
inconstitucional. Vejo como um auxílio redundante e abusivo. Comprar
roupas ou não faz parte do planejamento pessoal de cada um - avaliou
Osório.
Para o cientista político Fábio Wanderley Reis, da
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), trata-se de um abuso da
atividade parlamentar. - É uma distorção histórica político
receber 13º, 14º, 15º e outras benesses, enquanto o trabalhador comum
sua a camisa para ganhar seu salário - ressaltou Wanderley.
Em
Manaus, os 41 vereadores da cidade ganham uma parcela de auxílio-paletó
de R$ 15 mil, além de salário e décimo terceiro. Lá, porém, nem o
Imposto de Renda é descontado. - Constituiu um privilégio imoral. O
13º salário está na lei trabalhista. Como não sou malandro, sou
trabalhador, tenho direito de receber 13º no fim do ano. Agora o 14º não
está previsto na Constituição - admitiu o vereador Mário Frota (PSDB).
Nenhum comentário:
Postar um comentário