Por João
Carlos Pereira - Jornal
“O Liberal”, Caderno Magazine, edição de 02.09.2013.
Vem de Santarém um novo sonho de felicidade. Nada pontual, localizável nesta ou naquela esquina; ou diante do rio. Mas uma ideia, dessas que surgem de repente – como se fosse um jeito de Deus se manifestar, fazendo de conta que nada tem a ver com isso – e acaba criando forma, lançando raízes e, um dia, quem sabe, se transformando em chão. Pois foi lá, naquela cidade encantadora e encantada, que acabei descobrindo não uma saída para as angústias desta vida , mas uma imensa possibilidade de ser feliz, quando não mais precisar mais vestir paletó ou ter horários de trabalho.
Eu estava em Santarém, numa viagem do tipo bate-revira-e-volta, quando a proposta começou a ganhar forma. Era noite, a orla estava vazia, sem a muvuca de gente embarcando nos navios ou simplesmente voltando para casa. Sentada numa calçada, uma família observava a noite. Eu também olhava o céu, esse hábito que cultivo há tempos, sempre em busca da minha amada constelação do Cruzeiro do Sul, quando eis que uma luz acendeu meu coração. Era num lugar como aquele, numa cidade como aquela, no baixo Amazonas, ou no interior da França, que eu gostaria de viver.
Verdade que adoro o conforto dos grandes centros, onde as coisas estão sempre à mão, mas confesso que não suportaria viver em São Paulo ou Nova Iorque, por exemplo, porque só de pensar no corre-corre das gentes de lá me sinto estressado. Antigamente, se dizia que Belém era o ambiente ideal para se morar, porque reunia as delícias da modernidade, num cenário de cidade pequena. Pobre ilusão. Belém não chega a ser uma cidade tão miúda, mas traz no DNA a dimensão da província. Aqui, todo mundo se preocupa com a vida de todo mundo e há uma verdadeira obsessão pelo que as pessoas fazem ou deixam de fazer; com o dinheiro que possuem ou com as aparências. São esses traços que nos “provincializam” de uma forma absurda.
Não tenho ingenuidade de pensar que, em Santarém, o quadro seria outro, mas lá não existe a híbrida (e falsa) consciência de tradição x progresso. Santarém, cresce, sim – e graça as Deus cresce – mas sabe preservar-se. Ela é o que é e paciência. Está ali, às margens do Tapajós, para ser amada do jeitinho doce que lhe é próprio. E como eu amo aquele lugar.... Depois de Belém, da qual reclamado e xingo, mas para onde sempre retorno – por causa dos laços da família, do trabalho, do Círio e dos amigos - Santarém é cidade paraense de que mais gosto.
Sou encantado pela orla de lá (não poderiam batizá-la de “Dica Frazão”?), que deixa a de Belém morta de inveja, pela comida, pela maneira simples de ser de uma cidade, cujo calor sufoca, mas que oferece as chuvas mais sedutoras desta vida; o pôr-do-sol mais bonito que já vi nestas minhas pernadas pelo mundo (isso inclui – e como me custa dizer, mas digo, o de Paris) e o rio, o rio azul, o meu querido Tapajós. Acho que foi de lá, do Tapajós, que veio a brisa inspiradora de uma bela ideia, que tem tudo para se transformar num projeto de vida.
Eu estava em Santarém, numa viagem do tipo bate-revira-e-volta, quando a proposta começou a ganhar forma. Era noite, a orla estava vazia, sem a muvuca de gente embarcando nos navios ou simplesmente voltando para casa. Sentada numa calçada, uma família observava a noite. Eu também olhava o céu, esse hábito que cultivo há tempos, sempre em busca da minha amada constelação do Cruzeiro do Sul, quando eis que uma luz acendeu meu coração. Era num lugar como aquele, numa cidade como aquela, no baixo Amazonas, ou no interior da França, que eu gostaria de viver.
Verdade que adoro o conforto dos grandes centros, onde as coisas estão sempre à mão, mas confesso que não suportaria viver em São Paulo ou Nova Iorque, por exemplo, porque só de pensar no corre-corre das gentes de lá me sinto estressado. Antigamente, se dizia que Belém era o ambiente ideal para se morar, porque reunia as delícias da modernidade, num cenário de cidade pequena. Pobre ilusão. Belém não chega a ser uma cidade tão miúda, mas traz no DNA a dimensão da província. Aqui, todo mundo se preocupa com a vida de todo mundo e há uma verdadeira obsessão pelo que as pessoas fazem ou deixam de fazer; com o dinheiro que possuem ou com as aparências. São esses traços que nos “provincializam” de uma forma absurda.
Não tenho ingenuidade de pensar que, em Santarém, o quadro seria outro, mas lá não existe a híbrida (e falsa) consciência de tradição x progresso. Santarém, cresce, sim – e graça as Deus cresce – mas sabe preservar-se. Ela é o que é e paciência. Está ali, às margens do Tapajós, para ser amada do jeitinho doce que lhe é próprio. E como eu amo aquele lugar.... Depois de Belém, da qual reclamado e xingo, mas para onde sempre retorno – por causa dos laços da família, do trabalho, do Círio e dos amigos - Santarém é cidade paraense de que mais gosto.
Sou encantado pela orla de lá (não poderiam batizá-la de “Dica Frazão”?), que deixa a de Belém morta de inveja, pela comida, pela maneira simples de ser de uma cidade, cujo calor sufoca, mas que oferece as chuvas mais sedutoras desta vida; o pôr-do-sol mais bonito que já vi nestas minhas pernadas pelo mundo (isso inclui – e como me custa dizer, mas digo, o de Paris) e o rio, o rio azul, o meu querido Tapajós. Acho que foi de lá, do Tapajós, que veio a brisa inspiradora de uma bela ideia, que tem tudo para se transformar num projeto de vida.
Por se tratar apenas de uma ideia, não acho justo ocupar o leitor com arquitetura construída nas nuvens – ou de nuvens. Digo, porém, que volto do baixo Amazonas encantado, novamente, e mais uma vez, e sempre, com a paisagem feita de dois rios, das aves, de um céu lindamente nublado e de possibilidades. A geografia humana da cidade, tecida por Dicas, Laurimares, Isocas, Emires, Ruys e Cléos se fez contorno em mim e desço em Belém envolvido por saudades. Longe de ser apenas uma fotografia na parede, Santarém está para sempre acomodada no meu coração.
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