O
Papa Francisco foi eleito nesta quarta-feira personalidade do ano pela
revista “Time”. O Pontífice argentino, escolhido pelo conclave de
cardeais em 13 de março, tem se destacado pela simplicidade,
espontaneidade e por promover reformas consideradas revolucionárias na
Igreja, se diferenciando de seu antecessor, o Papa Emérito Bento XVI.
Em
seu primeiro ano na liderança da Igreja Católica, o Papa foi
selecionado pela prestigiosa publicação americana como a pessoa que
exerceu mais impacto sobre o mundo, para o bem ou para o mal, durante
2013. O editor-chefe da revista Nancy Gibbs destacou que Francisco mudou
o tom, a percepção e o foco de uma das maiores instituições do mundo de
uma forma extraordinária.
“O que torna este
Papa tão importante é a velocidade com que ele tem capturado a
imaginação de milhões de pessoas que tinham desistido de ter esperança
na Igreja”, afirmou a revista em seu site.
Em
um comunicado, o porta-voz do Vaticano, o padre Federico Lombardi, disse
que Francisco “não procura se tornar famoso ou receber honras”. “Mas
se a escolha da personalidade do ano ajuda a espalhar a mensagem do
evangelho - uma mensagem do amor de Deus por todos - ele certamente vai
ficar feliz com isso”, acrescentou Lombardi.
A
publicação recorda a época em que Jorge Bergoglio, então arcebispo de
Buenos Aires, se deslocava a pé e de metrô para visitar lugares pobres e
violentos na capital. E que o argentino pedia a fiéis que rezassem por
ele, da mesma forma como pediu ao mundo quando foi eleito Papa.
Um
dos pontos fortes de seus quase nove meses de Pontificado foi a
divulgação da Exortação Apostólica - primeiro documento exclusivamente
publicado por Francisco -, detalhando como a Igreja e o próprio papado
devem ser reformados para criar uma instituição mais missionária e
misericordiosa, com atenção especial aos pobres.
Na
semana passada, Francisco formou uma comissão especial para a proteção
de crianças, vítimas de abusos sexuais, e para a luta contra padres
pedófilos, retomando sua intenção de enfrentar um problema que por
muitas vezes foi ocultado na Santa Sé.
Além de
cumprir as tarefas burocráticas com êxito, Jorge Bergoglio é conhecido
pela quebra de protocolos. Há suspeitas de que ele sai do Vaticano à
noite, vestido como um sacerdote comum, para se encontrar com homens e
mulheres sem-teto”. E não poupa abraços e gestos de carinho a fiéis em
suas audiências na Praça de São Pedro, no Vaticano, nas quais, por
muitas vezes, dispensou a segurança destinada aos antigos pontífices.
Francisco
também ganhou fama pelas duras críticas à corrupção, à burguesia, à
guerra e à cultura do descarte. E por adotar uma postura mais flexível
em relação a temas tabus para a Igreja, como o homossexualismo, e uma
linguagem mais coloquial e próxima dos fiéis.
Apesar
da idade avançada - ele completa 77 anos em 17 de dezembro -, Francisco
vem mantendo um ritmo acelerado desde que assumiu o trono de São Pedro.
Ele se levanta às 4h30 e deita às 22h, com uma curta sesta depois do
almoço. Há relatos de que ele não tem o costume de tirar férias. E isso
não mudou quando assumiu a liderança da Igreja Católica. Não foi a
Castel Gandolfo, a residência de verão dos papas, e só concordou em
suspender audiências gerais durante julho e agosto, devido ao intenso
calor romano.
Edward Snowden fica em segundo lugar - Francisco
foi selecionado pela revista a partir de uma lista de dez
personalidades. Depois do Papa, ficou o ex-técnico da NSA Edward
Snowden, que revelou o programa secreto de espionagem do governo dos
Estados Unidos.
Outros finalistas foram o
ativista de direitos dos homossexuais Edith Windsor, o presidente sírio
Bashar al -Assad e o senador dos EUA Ted Cruz, do Texas.
No ano passado, o escolhido foi o presidente americano Barack Obama. A revista elege a personalidade do ano desde 1927.
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