Jornal Amazônia
O uso irregular de emulsificantes para engrossar o açaí, alvo de uma recomendação do Ministério Público do Estado (MPE-PA) ao Departamento de Vigilância Sanitária (Devisa), reacendeu o debate sobre a manipulação da bebida.
Na Feira da 25, na avenida Romulo Maiorana, a batedora de açaí Valquíria Melo trabalha há 20 anos no ramo e diz que a prática é comum, principalmente nas periferias. "Nesta época do ano, em que a safra não é tão boa, alguns batedores colocam para fazer render. Eu não uso porque a liga tira um pouco o sabor, que é o meu principal diferencial", conta. No box dela, um litro de açaí grosso é vendido a R$ 16. Valquíria alerta os consumidores a desconfiarem ao verem alguém vendendo açaí do tipo papa barato. "Um teste simples é pegar um pouco do açaí e colocar para ferver. Se ficar grosso como mingau é porque tem mistura, do contrário ele fica mais ralo", aconselha.
Ainda segundo ela, alguns locais também usam corante, no período em que o açaí está com tonalidade marrom. "Quem adiciona algo no açaí não faz a manipulação na frente dos fregueses, é bom prestar atenção nisso", acrescenta. Para o autônomo Kléber Londres, 41, que compra açaí quase diariamente, vale a pena pagar um pouco mais por um produto de melhor qualidade. "Às vezes a gente vê um açaí bem bonito, mas quando vai provar não está com um gosto bom. Já aconteceu comigo, parei de comprar em um ponto por notar essa diferença", recorda.
O box da batedora de açaí Valda de Jesus, na Feira da Cremação, é onde ele compra todos os dias. "O cliente precisa confiar no que está consumindo. Acho que se fizerem uma fiscalização mais rígida, muitos pontos ainda serão fechados", reforça Valda. A promotora Joana Coutinho, autora da recomendação, informa que quem comete a fraude pode ter seu estabelecimento fechado. O texto encaminhado ao Devisa solicita uma pesquisa por amostragem, com a intenção de mensurar quantos e quais pontos de venda estão adicionando a liga neutra no processo de preparação do açaí.
Substância não causa danos à saúde - A substância misturada ao açaí não possui cor, sabor e propriedades nutricionais negativas ou positivas, esclarece o pós-doutor em Engenharia de Alimentos Hervé Louis Rogez, que atua nas áreas de tecnologia e engenharia de matrizes vegetais ricas em compostos bioativos. "Participei da comissão que desenvolveu o padrão de identidade e qualidade do açaí, em 1998, e ficou definido que os batedores artesanais devem utilizar somente água e polpa", garante. Ele complementa que o corante não pode ser usado e apenas indústrias podem adicionar acidulantes no açaí que é exportado.
"A fiscalização nesse sentido, de preservar os direitos do consumidor, para que ele não leve açaí do tipo fino pagando o valor do grosso, é comum na entressafra. Mas a prática não é novidade e a ação deveria continuar intensa ao longo do ano", defende. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informou que o Devisa realiza, rotineiramente, vistorias nos pontos de venda de açaí de Belém.
Na Feira da 25, na avenida Romulo Maiorana, a batedora de açaí Valquíria Melo trabalha há 20 anos no ramo e diz que a prática é comum, principalmente nas periferias. "Nesta época do ano, em que a safra não é tão boa, alguns batedores colocam para fazer render. Eu não uso porque a liga tira um pouco o sabor, que é o meu principal diferencial", conta. No box dela, um litro de açaí grosso é vendido a R$ 16. Valquíria alerta os consumidores a desconfiarem ao verem alguém vendendo açaí do tipo papa barato. "Um teste simples é pegar um pouco do açaí e colocar para ferver. Se ficar grosso como mingau é porque tem mistura, do contrário ele fica mais ralo", aconselha.
Ainda segundo ela, alguns locais também usam corante, no período em que o açaí está com tonalidade marrom. "Quem adiciona algo no açaí não faz a manipulação na frente dos fregueses, é bom prestar atenção nisso", acrescenta. Para o autônomo Kléber Londres, 41, que compra açaí quase diariamente, vale a pena pagar um pouco mais por um produto de melhor qualidade. "Às vezes a gente vê um açaí bem bonito, mas quando vai provar não está com um gosto bom. Já aconteceu comigo, parei de comprar em um ponto por notar essa diferença", recorda.
O box da batedora de açaí Valda de Jesus, na Feira da Cremação, é onde ele compra todos os dias. "O cliente precisa confiar no que está consumindo. Acho que se fizerem uma fiscalização mais rígida, muitos pontos ainda serão fechados", reforça Valda. A promotora Joana Coutinho, autora da recomendação, informa que quem comete a fraude pode ter seu estabelecimento fechado. O texto encaminhado ao Devisa solicita uma pesquisa por amostragem, com a intenção de mensurar quantos e quais pontos de venda estão adicionando a liga neutra no processo de preparação do açaí.
Substância não causa danos à saúde - A substância misturada ao açaí não possui cor, sabor e propriedades nutricionais negativas ou positivas, esclarece o pós-doutor em Engenharia de Alimentos Hervé Louis Rogez, que atua nas áreas de tecnologia e engenharia de matrizes vegetais ricas em compostos bioativos. "Participei da comissão que desenvolveu o padrão de identidade e qualidade do açaí, em 1998, e ficou definido que os batedores artesanais devem utilizar somente água e polpa", garante. Ele complementa que o corante não pode ser usado e apenas indústrias podem adicionar acidulantes no açaí que é exportado.
"A fiscalização nesse sentido, de preservar os direitos do consumidor, para que ele não leve açaí do tipo fino pagando o valor do grosso, é comum na entressafra. Mas a prática não é novidade e a ação deveria continuar intensa ao longo do ano", defende. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informou que o Devisa realiza, rotineiramente, vistorias nos pontos de venda de açaí de Belém.

Ó açaí é o alimento mais saboroso que "Papai do Céu" deixou ao alcance da criatura humana.
ResponderExcluirO "bicho" é bom, até com veneno. Se o tal do emulsificante adicionado a ele não causa prejuízo à saúde, como diz o Hervé Louis Rogez (pós-doutor em Engenharia de Alimentos), sequer altera o sabor do produto, não vejo nada de lesa ao consumidor o fato do batedor vender o litro do "papa" engrossa do com emulsificante ao mesmo preço do que o, digamos, "legítimo". Os grandes empresários utilizam-se de todos os recursos possíveis para reduzir custos e aumentar o lucro dos seus negócios. Por sua vez, dentre os microempresários, muitos, além de gerirem os seus negócios, botam a mão na massa , figurativamente um emulsificante, para alavancar a força de trabalho com menos despesa de pessoal (é só um exemplo). Por que só o batedor de açaí não pode buscar alternativas, desde que lícitas, para aumentar o seu lucro?
Vejam o caso das sorveterias: são substâncias estranhas ao sabor natural que garantem aquela cremosidade nos saborosos sorvetes regionais (micro e médias empresas) ou nos sabores manjados das "q-bons" da vida (grandes empresas).
E VIVA O AÇAÍ. COM OU SEM EMULSIFICANTE, CUSTE O QUE CUSTAR.
SE FICAR MUITO CARO, EU VENDO O CARRO PARA CONTINUAR SABOREANDO O AÇAÍ.
Palavra de um acriano que chegou ao Pará com apenas 7 aninhos de idade. E por causa do açaí, canta, todo dia aquela musiquinha: "Daqui não saio, daqui ninguém me tira ..."