“Caro Papa Francisco, somos um grupo de mulheres de todas as partes da Itália (e além), que te escreve para quebrar o muro de silêncio e indiferença com que nos deparamos todos os dias. Cada uma de nós vive, viveu ou quer viver uma relação amorosa com um padre, por quem somos apaixonadas”, começa a carta assinada apenas com o primeiro nome e a inicial do sobrenome de cada mulher.
No final do texto, há os números de telefone das signatárias, que dizem querer “lançar humildemente aos seus pés o nosso sofrimento para que algo possa mudar, não só para nós, mas para o bem de toda a Igreja”.
“Nós amamos estes homens, eles nos amam”, afirmam as 26 moças. “E na maioria das vezes não é possível, mesmo com toda a vontade, cortar um vínculo tão forte e bonito, que traz com ele, infelizmente, toda a dor de não plenamente vivê-lo”.
Segundo as companheiras dos clérigos, as alternativas são o abandono do sacerdócio ou a persistência em um relacionamento secreto.
Papa Francisco, porém, não tem dado sinais de que a Igreja Católica pretende rever sua postura quanto à lei do celibato sacerdotal. Em março, Bergoglio defendeu a prática tradicional em uma conferência com bispos africanos, destacando que, desde o seminário, os futuros padres devem seguir as exigências do celibato eclesiástico.
Uma declaração dado pelo número 2 do Vaticano, Monsenhor Pietro Parolin, em setembro de 2013, havia levantado novamente o debate sobre a política do celibato. À época, Parolin afirmou que o celibato não é um dogma, mas uma tradição da igreja, e que poderia ser discutido. Apesar da empolgação da mídia com a afirmação, especialistas deixaram claro que o discurso do Monsenhor não significava uma inclinação para a mudança.

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