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terça-feira, 20 de maio de 2014

Soltura de 12 presos na Operação Lava Jato, suaviza tensões em Brasília

Ufa! Um suspiro de alívio percorreu os principais diretores da empreiteira Camargo Corrêa. Enrolada nas investigações da Polícia Federal na Operação Lava Jato, a empresa estava às portas de ser tomada, pela segunda vez, pela polícia, à cata de documentos que estabeleçam uma ligação da companhia com o doleiro Alberto Youssef.

A decisão do ministro Teori Zavascki, do STF, de requisitar o inquérito para o Supremo, na prática zerou a Lava Jato. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa foi solto nesta tarde, em Curitiba, onde estava preso na Superintendência da PF, após alvará expedido pelo juiz federal Sergio Fernando Moro. Outros 11 presos pela PF, entre eles Youssef, devem ser soltos nas próximas horas.

Mesmo depois de ter informado, por escrito, em dois bilhetes, que estava sofrendo pressões dentro da cadeia, Costa se recusou a ser ouvido por uma comissão mista do Congresso. Igualmente não passou recados para o lado de fora sobre o que sabe a respeito de contratos suspeitos da Petrobras. Ele teve suas duas filhas e seus dois genros indiciados pela PF por tentativa de destruição de documentos. Também essa caso subirá ao Supremo. Costa, que já não vinha falando nada, agora tem menos motivos ainda para falar o que sabe.

Igual situação parece ser a do doleiro Alberto Youssef. Preso, ele não abriu a boca nem houve notícia de que tivesse entrado na situação de delação premiada. Com inúmeras ligações no Congresso, ele permaneceu em silêncio. É outro que, em liberdade, não tem por que falar.

Não há prazo para o Supremo, uma vez tendo recebido o inquérito da Lava Jato, voltar a tocar no assunto. Até lá, é como se a operação tivesse sido zerada.

Para o governo, que temia os desdobramentos da CPI da Petrobras, a própria comissão de investigação e as empreiteiras, em especial, a decisão do ministro Zavascki aliviou o clima. Sob o comando do PMDB e relatoria do PT, graças a uma série de manobras bem sucedidas feitas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a CPI já evitara a convocação de personagens como os próprios Youssef e Costa. Agora também tem menos motivos para chamá-los. 
 
Os novos e incertos prazos para a continuidade das investigações tendem a tirar o ímpeto da oposição. A esta altura, os fatos na agenda dos presidenciáveis já são outros que aqueles de seis semanas atrás, quando nasceu a articulação pela CPI. O presidenciável Aécio Neves, que mais se empenhou pela comissão de inquérito, está desafiado a criar um fato novo para superar a ducha de água fria – porém legal – dada pelo ministro Teori sobre o imbróglio.(Brasil 247)

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