Nesse esforço, a instituição europeia vai, literalmente, seguir o dinheiro: apostará mais fichas na Ásia e terá presença em cinco grandes áreas econômicas que respondem por mais de 90% do Produto Interno Bruto (PIB), do comércio e do fluxo de capital do mundo.
O Brasil está fora dos planos devido à pequena abertura do País ao comércio internacional e à falta de escala do HSBC no mercado brasileiro. A explicação foi dada nesta manhã pelo executivo-chefe do grupo financeiro, Stuart Gulliver. No México, ao contrário, o banco continuará de portas abertas. Para explicar a manutenção da outra filial latino-americana, o executivo argumentou que o "quadro é diferente no México, onde a economia é aberta e há 11 reformas em curso".
Na corrida pelos negócios do HSBC, o Bradesco estaria disposto a pagar até R$ 10 bilhões, superando o apetite de Itaú Unibanco e Santander. Os três enviaram propostas, há cerca de três semanas, dentro do intervalo sugerido pelo Goldman Sachs, assessor da operação, de R$ 8 bilhões a R$ 12 bilhões e foram para a fase seguinte da disputa pelo ativo.
Durante evento para atualização do cenário para os investidores do HSBC, o principal executivo do grupo explicou com naturalidade a decisão de sair do Brasil. "Os negócios têm gerado resultado abaixo do esperado no Brasil, Turquia, México e Estados Unidos. O que vamos fazer é vender o Brasil e a Turquia e mudar no México e EUA", disse Gulliver, ao ressaltar que a filial brasileira do HSBC vai se restringir a uma pequena operação para atender grandes empresas. "Vamos manter uma modesta presença no Brasil".
Em nota à imprensa, o HSBC Brasil informou que está em processo de venda e não de encerramento de suas operações no País. "O HSBC Brasil segue operando normalmente e, mesmo após a venda, seguirá prestando serviços aos seus clientes. O banco está empenhado em garantir a continuidade do negócio e uma transição suave e coordenada para um potencial comprador", destacou a instituição.
A venda da filial do Brasil acontece diante de dois principais problemas. O primeiro é estrutural e diz respeito à falta de abertura comercial do País. "Brasil e Turquia são economias mais fechadas, com pequeno porcentual das exportações sobre o Produto Interno Bruto", disse. Números apresentados pelo executivo mostram que as exportações brasileiras, por exemplo, respondem por 10% do PIB. O mesmo indicador está em 31% no México, 23% na China e 16% na Índia.
Outro problema é do próprio banco. No Brasil e Turquia, o HSBC sofre com a falta de escala. Para ser o terceiro maior banco dos dois mercados, o executivo explicou que as filiais teriam de multiplicar o total de ativos em mais de seis vezes. Na apresentação na capital britânica, Gulliver mostrou um quadro em que mostra o HSBC Brasil com US$ 63 bilhões de ativos em dezembro de 2014. Em sexto lugar no ranking dos maiores bancos no mercado brasileiro, o HSBC está muito atrás do Santander - o quinto - que somava US$ 225 bilhões.
Nenhum comentário:
Postar um comentário