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domingo, 20 de setembro de 2015

Delfim não apoia o impeachment, apesar de achar Dilma "trapalhona"

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O ex-ministro Delfim Netto qualificou a presidente Dilma Rosseff de "trapalhona", apesar de "sua absoluta honestidade de propósito". A crítica de Delfim tem como alvos o pacote fiscal anunciado esta semana pelo governo federal e o envio ao Congresso da proposta orçamentária para o próximo ano com um déficit de R$ 30,5 bilhões.

Para ele, o envio do orçamento deficitário foi a "a maior barbeiragem política e econômica da história recente do Brasil". Ele também refuta a possibilidade de um impeachment da presidente sem que hajam provas concretas para a abertura de um processo do gênero.

Em entrevista ao Jornal O Estado de São Paulo, Delfim Netto ressaltou que o pacote fiscal não passa de "uma fraude, um truque, uma decepção, não tem corte nenhum, é uma cobra que mordeu o rabo". Sobre a CPMF, um dos principais pontos defendidos pelo governo como sendo essencial para o equilíbrio das contas púbicas, o ex-ministro foi taxativo: A CPMF é um imposto cumulativo, regressivo, inflacionário, tem efeito negativo sobre o crescimento e quem paga é o pobre". Delfim disse, ainda, que "a visão" que a presidente tem sobre o país "não coincide com o Brasil".

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:
 
Como o sr. vê a situação hoje?
Com muita preocupação. As pessoas sabem que a presidente é uma mulher com espírito muito forte, com vontades muito duras, e ela nunca explicou porque ela deu aquela conversão na estrada de Damasco. Ela deveria ter ido à televisão, já no primeiro momento, e dizer: "Errei. Achei que o modelo que nós tínhamos ia dar certo e não deu". Mas, não. Ela mudou sem avisar e sem explicar nada para ninguém. Como confiar?
Como define a conversão na estrada de Damasco?
Ela mudou um programa econômico extremamente defeituoso, que foi usado para se reeleger. Em 2011, a Dilma fez um ajuste importante, aprovou a previdência do funcionalismo público, o PIB cresceu praticamente no nível do Lula. Mas o vento que era de cauda e que ajudou muito o Lula tinha mudado e virado um vento de frente.
E o uso na reeleição?
A tragédia, na verdade, foi 2014, porque ela usou um axioma da política, que diz que 'o primeiro dever do poder é continuar poder'. No momento em que ela assumiu isso, ela passou a insistir nos seus equívocos. Aliás, contra o seu ministro da Fazenda, o Guido Mantega, que tinha preparado a mudança, tanto que as primeiras medidas anunciadas pelo Joaquim Levy já estavam prontas, tinham sido feitas pelo Guido.
E o pacote fiscal?
O primeiro equívoco mortal foi encaminhar para o Congresso uma proposta de Orçamento com déficit. Foi a maior barbeiragem política e econômica da história recente do Brasil. A interpretação do mercado foi a seguinte: o governo jogou a toalha, abriu mão de sua responsabilidade, é impotente, então, seja o que Deus quiser, o Congresso que se vire aí.
De tudo o que o sr. diz, conclui-se que o ponto central da crise é que Dilma é uma presidente fraca?
Ela tem uma visão do Brasil que não coincide com o Brasil.
Por que o sr. defendia o aumento da Cide, não a recriação da CPMF?
O aumento da Cide seria infinitamente melhor. CPMF é um imposto cumulativo, regressivo, inflacionário, tem efeito negativo sobre o crescimento e quem paga é o pobre mesmo. Ele está sendo usado porque o programa do governo é uma fraude, um truque, uma decepção – não tem corte nenhum, só substituição de uma despesa por outra e o que parece corte é verba cortada do outro. Dizem que vão usar a verba do sistema S. Ora, meu Deus do céu! R$ 1 do sistema S produz infinitamente mais do que R$ 1 na mão do governo. Alguém duvida de que o governo é ineficiente?
Quais as chances de o pacote passar?
Eles vão ter de negociar com a CUT e com o PT, que é o verdadeiro sindicato do funcionalismo público. Então, é quase inconcebível e vai ter uma greve geral que vai reduzir ainda mais a receita. É uma cobra que mordeu o rabo. O aumento de imposto é 55% do programa; o corte, se você acreditar que há corte, é de 19%; e a substituição interna representa 26%. Ou seja, para cada real que o governo finge que vai economizar com salários, ele quer receber R$ 3 com as transferências e o aumento de imposto. No fundo, o esforço é nulo.
Se a presidente está com 8% de popularidade, pior até que o Collor, o impeachment seria uma solução?
Se houver algum desvio de conduta materialmente provado, o impeachment é um recurso natural dentro da Constituição. Então, não há nenhuma quebra de institucionalidade, não tem nenhum problema. Agora, o Brasil não é nenhuma pastelaria e não é nenhuma passeata cívica de verde e amarelo nem panelaço que decide se vai ter ou não impeachment. Não há recall de presidentes. A sociedade votou, que pague os seus erros para aprender e volte em 2018. Está em segunda época, volte em 2018 para fazer nova prova.

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