Por Luiz Neto - Desembargador do TJE-PA, em sua página no facebook
Belém, moça cantada em prosa e verso pelas almas sensíveis. Bela e vilipendiada a cada dia por várias gerações de filhos ingratos. Deixamos transformar seus belos Igarapés em valões fétidos (esgotos a céu aberto). Optamos por uma verticalizacão imobiliária que destruiu e ainda destroi verdadeiras pérolas arquitetônicas, casarios antigos e seus quintais e pomares.
Nossa educação - que é dever da família - nos permite a nós que somos seu povo amante, bela cidade, entulhar suas ruas de lixo, abusar do seus sensíveis ouvidos, destruir sua arborização, sua mata nativa, em prol de um progresso que nada traz de proveitoso a nossa vida urbana, à cidade como um espaço delicioso de viver/conviver.
Deixamos aumentar nosso déficit de civilização para com você e conosco. Estamos nos tornando maus selvagens, perdendo a afeição à bondade intrínseca ao ser humano em seu estado original.
Aí ninguém respeita ninguém. Todos mandam. Ninguém quer obedecer.
Temos crise de autoridades. Posturas não existem. Todos fazem o que querem sob a benevolência de quem deve fiscalizar, impedir.
Mas você, Belém, sobrevive a esse caos e à degradação, em todos o sentidos, que estamos a lhe impor.
Você sobrevive porque sua generosidade para conosco é maior, bem maior, do que as atrocidades, diárias, que lhe impomos.
Alguém haverá de lhe salvar. Seu povo (nós) não percebeu isto ainda. E vamos alastrando nossa selvageria por onde passamos. Eu me recuso a acreditar que não temos jeito como seres humanos, como cidadãos.
Que o seu derradeiro grito de ajuda ainda possa ser ouvido por todos nós como um chamado à conscientização e ao ainda possível renascimento.
Que haja beleza em Atenas! Que haja beleza em Belém. Em todos os sentidos. Você clama por isto. Clamamos por isto. Desculpa e Parabéns minha amada Belém!!

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