Ela não cogita, contudo -mas tampouco descarta-, voltar a ser candidata à Presidência. "Meu objetivo de vida não é ser presidente da República", diz a "professora que trabalha e que tem uma militância política, que vive uma vida modesta".
Por ora, diz que o foco é estruturar a Rede, que tem apenas 3.000 integrantes com filiação confirmada, e seu programa, para apresentar candidatos próprios na próxima eleição municipal, mas em poucas cidades. Também será "programático" o apoio a candidatos de outros partidos, como Ricardo Young (PPS) em São Paulo.
Ela discorda de que seu grupo esteja omisso ou tímido no debate sobre a grave crise política enfrentada pelo país. Diz que é muito cedo para pregar um rótulo no novo partido. Se tiver de escolher um, prefere ser chamada de "sustentabilista" -progressista, bem entendido, mas não anticapitalista.
A dificuldade toda, explica, é que ninguém sabe o que representa construir um partido "em rede", não verticalizado nem centralista, para representar o "novo sujeito político" que está emergindo -na Espanha com o Podemos, na Grécia com a Syriza, na Índia com o Partido do Homem Comum, na Argentina com La Red.
Marina nega que a questão ambiental, ou a da sustentabilidade "nos seus aspectos econômico, social, ambiental, cultural, político, ético e até mesmo estético", seja estreita demais para fundamentar um partido, por falta de penetração no tecido social.
"Em 2010 as pessoas diziam que não tinha", diz, rindo, em clara alusão aos 20 milhões de votos que obteve. Mas afirma não ter medo de falar em temas abstratos como sustentabilidade ou de defender o equilíbrio fiscal.
"A desgraça que estamos vivendo hoje é porque as pessoas não dizem o que precisa ser dito, não fazem o que precisa ser feito, só fazem e dizem o que dá voto."
Leia íntegra da entrevista, aqui >Folha de SP entrevista Marina Silva
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