Fale com este blog

E-mail: ercio.remista@hotmail.com
Celular/watsap: (91) 989174477
Para ler postagens mais antigas, escolha e clique em um dos marcadores relacionados ao lado direito desta página. Exemplo: clique em Santarém e aparecerão todas as postagens referentes à terra querida. Para fazer comentários, eis o modo mais fácil: no rodapé da postagem clique em "comentários". Na caixinha "Comentar como" escolha uma das opções. Escreva o seu comentário e clique em "Postar comentário".

sexta-feira, 18 de março de 2016

'Até o príncipe está sujeito à lei', diz juiz Sergio Moro em palestra

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, participa de seminário em Curitiba sobre combate à lavagem de dinheiro 
Em palestra (foto) a auditores fiscais da Receita Federal, na noite de ontem (17), em Curitiba, o juiz Sergio Moro disse que ninguém está acima da lei e pregou moderação a manifestantes de rua, favoráveis e contrários à Operação Lava Jato.

"Na lógica do direito, temos de cumprir a lei. Uma das conquistas do estado de direito é que até o príncipe está sujeito à lei. Então cumpra-se a lei", disse Moro, ao responder a uma pergunta da plateia sobre mandados de busca e apreensão em casas de "pessoas com certa reputação pública".

Antes de defender medidas de busca com "razões legais fundadas", Moro fez a ressalva que estava falando em termos genéricos.

No último dia 4, ele autorizou buscas na casa do ex-presidente Lula e, na quarta-feira (16), levantou o sigilo das conversas telefônicas do ex-presidente, aumentando a temperatura política da crise do governo Dilma Rousseff.

Aparentando tranquilidade, Moro falou timidamente sobre a repercussão política da Operação Lava Jato nos últimos dias, pedindo aos manifestantes que não se enfrentem nas ruas. "Existe já barulho demais nos últimos dias. A única coisa que me permito dizer, neste caso, é que as pessoas mantenham a calma. Quer aqueles que protestem a favor da Lava Jato, quer aqueles que protestem contra, que mantenham a calma", declarou.

E saiu pela tangente quando perguntaram-lhe à queima-roupa se "o Brasil vai mudar": "Se o Brasil vai mudar ou não, é pensar que o juiz tem poderes precognitivos".

"É preciso uma dose de esperança temperada com uma dose de ceticismo. Não estamos fadados à corrupção sistêmica, isso não é uma doença tropical", afirmou.

O juiz da Lava Jato citou uma frase célebre de Winston Churchill, quando o Reino Unido estava isolado no combate à Alemanha nazista. O então primeiro-ministro havia afirmado que, se o Império Britânico sobrevivesse àquela guerra, as futuras gerações olhariam para aquele período não como o momento mais escuro da história, mas como o melhor momento do povo britânico —"the finest hour". - "Talvez daqui a 20 ou 30 anos possamos olhar para trás e ver que esse pode ser o melhor momento", disse.

Provas da Lava Jato
- Na palestra, Moro falou por 50 minutos, concentrando-se basicamente em temas como a formação de provas na Lava Jato —como a colaboração premiada e a análise de documentos contábeis que levaram ao encontro do caminho do dinheiro da propina.

Ele minimizou o papel das interceptações telefônicas na Lava Jato sem mencionar os recentes grampos em conversas do ex-presidente Lula. - "Muitas vezes se superestima o papel da interceptação nestes casos, mas a prova de interceptação seja telemática ou telefônica não foi assim a rainha das provas neste caso, mas pontualmente teve um papel mais relevante".

Ele defendeu o uso das delações premiadas: "Não adianta ter um criminoso que revele todos os pecados do mundo, que revele quem matou John Kennedy se não houver prova de corroboração".

Ele também elogiou a recente decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que determinou o cumprimento da pena a partir da confirmação da condenação criminal por um tribunal de segunda instância. - "Foi um avanço muito importante. Sejamos francos, veio do Judiciário, quando estas inovações deveriam vir do Legislativo", afirmou.

Moro defendeu que o legado da Operação Lava Jato deveria provocar consequências institucionais, como leis anticorrupção. - "Investigação da Lava Jato não é propriedade do Ministério Público ou minha, os desafios gerados por ela precisam encontrar uma resposta não só no Judiciário, mas também em outras esferas de poder, como o Congresso".

Ele citou o exemplo do deputado Paulo Maluf (PP-SP), recentemente condenado na França, sem citar o nome. - "Não vou citar o nome. Existe um parlamentar que tem dois mandados de prisão recentes. Como fica? Não tem nenhuma importância isso?", afirmou.

O juiz chegou ao Hotel Bourbon, no centro de Curitiba, pela garagem. Ao sair do elevador, dezenas de pessoas que estavam no saguão o aplaudiram.

Pouco antes da palestra, os auditores se aproximaram, em grupos, para tirar selfies com o juiz. Foi aplaudido duas vezes de pé: quando seu nome foi anunciado e quando terminou a palestra. Ele saiu sem responder perguntas dos jornalistas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário