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quinta-feira, 10 de março de 2016

‘Minhas motivações não são partidárias’, diz Moro a empresários

Juiz Sérgio Moro durante evento em Curitiba. FOTO:  Rodolfo Buhrer/REUTERS
O juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Operação Lava Jato, afirmou ontem, 9, em Curitiba que as investigações não são responsáveis pela crise que vive o Brasil e negou ter coloração partidária. “As motivações minhas não são partidárias. Nenhuma, zero, zero ligação com partidos ou pessoas ligadas a partidos”, afirmou Moro.

O juiz disse ler tanta “bobagem publicada”. “Outro dia vi publicado que meu pai era fundador do PSDB em Maringá. Meu pai é falecido, professor de geografia, a pessoa mais honesta que eu conheci na vida e nunca teve relação nenhuma com partido. Isso chateia.”

Moro participou na noite desta quarta-feira, 9, de uma palestra no grupo de empresários LIDE Paraná, grupo de líderes empresariais. O tema do evento era “Empresas e Corrupção”.

Desde que autorizou a deflagração da Operação Aletheia que pegou o ex-presidente Lula na sexta-feira, 4, Moro tem sido alvo de pesadas críticas de aliados do ex-presidente. Até a presidente Dilma atacou a Lava Jato e manifestou solidariedade a Lula.

O juiz da Lava Jato afirmou estar “consternado com o quadro econômico” do País. “Mas acho que a culpa não é da Lava Jato.”

O magistrado afirmou aos empresários presentes que há “indicativos de um quadro de corrupção sistêmico” no Brasil.

“E quais são as nossas alternativas? Varrer para debaixo do tapete ou enfrentar esse problema”, afirmou Moro.

O juiz disse que “é preciso trabalhar contra o quadro de corrupção sistêmico”. “E isso é bom em todos os sentidos.”
País precisa vencer ‘sem violência ou ódio’
— Já superamos crises econômicas terríveis, vencemos duas ditaduras — a do Estado Novo e a ditadura militar — tivemos triunfo contra a hiper inflação nos anos 90. Superamos tudo isso andando juntos. Devemos vencer andando juntos e caminhando para frente, não para trás. Devemos vencer sem violência e ódio contra ninguém — disse Moro, numa referência velada aos enfrentamentos que têm acontecido no país entre grupos contrários e a favor da presidente Dilma Rousseff.
 
— Esse quadro (de corrupção) nos envergonha, envergonha os brasileiros que acabam tendo uma imagem de malandro lá fora. O Brasil, disse ele, não pode empurrar a questão para baixo do tapete.
— Uma coisa é a corrupção isolada. Outra é a corrupção sistêmica. Precisamos saber como chegamos e como sairemos dela — disse Moro.

— Às vezes dá vontade de falar tudo o que a gente pensa, mas não dá — disse Moro, lembrando que a Lava-Jato já foi acusada até de levar o país à recessão.

Sem corrupção, afirmou o juiz, o investimento externo também pode aumentar, pois as empresas estrangeiras poderão competir num mercado mais leal. Ele afirmou também que a imprensa cumpre o papel de divulgar para que a sociedade possa ser esclarecida:— É importante que a sociedade apoie.
Moro afirmou que o papel dele é, muitas vezes, superdimensionado, pois existe o trabalho do MPF e da polícia federal e das outras instâncias do judiciário. — Este é um trabalho institucional —disse ao responder uma das perguntas da plateia.

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