Tinta na caneta Com o desfecho do processo de
impeachment de Dilma Rousseff se aproximando e já sob a batuta de Lula, o
Planalto decidiu radicalizar na dose de um remédio antigo para tentar
atrair o PMDB de volta para o lado governista. A ideia é ceder tudo o
que for necessário para a sigla — não só destravando nomeações
represadas, mas também distribuindo novos ministérios. “Ou chamamos o
PMDB para ser nosso sócio de verdade ou não haverá escapatória”, resume
um palaciano.
Morre na praia? A onda da Lava Jato se aproxima mais
e mais do PMDB. A depender do alvo — e tudo indica que será graúdo — o
tabuleiro da crise pode se embaralhar de novo.
Mesmo barco Há quem defenda fazer as pazes com o PT caso um tsunami afogue novos peemedebistas.
O profeta No café da manhã com senadores na semana
passada, Lula foi premonitório. Mostrando um telefone celular, disse: “O
que acaba com o político é esta merda.”
Sobreviveu A ressaca moral dos que caíram no grampo
com Lula não atingiu Nelson Barbosa (Fazenda). Da série de diálogos
revelados, ganhou o apelido de “ministro-ninja” por se safar de uma
conversa embaraçosa. Só respondia “tá”, “ahã” e “uhum”.
Sem rodeios Em reunião com líderes empresariais
nesta quinta-feira, Paulo Skaf, o presidente da Fiesp (Federação das
Indústrias do Estado de SP), foi direto ao ponto: “Não adianta discutir
agendas pontuais antes de derrubar a Dilma”.
É do ramo A senadores, o ex-presidente Fernando
Collor de Mello (PTB-AL) deu o seu palpite sobre o futuro do governo:
“Estamos em um processo de extrema gravidade, que ninguém vai conseguir
barrar”.
Superterça Presidente e relator da comissão de
impeachment, Rogério Rosso (PSD-DF) e Jovair Arantes (PTB-GO) têm um
traço comum: são os dois únicos que participam tanto das reuniões de
líderes aliados no Planalto quanto dos almoços na casa de Eduardo Cunha.
Lá e cá O governo federal torce para que isso
indique que a dupla está disposta a salvar tanto Cunha quanto Dilma
Rousseff. Já os mais escaldados veem nesse trânsito todo chances maiores
de traição para um dos lados.
Esquerda volver Movimentos sociais comemoravam a
notícia de que o governo fará na segunda (21) o lançamento da terceira
etapa do Minha Casa, Minha Vida. Diziam que, finalmente, o Palácio do
Planalto dava sinais da tal guinada à esquerda.
Fogo de palha “Será a terceira vez que lançaremos essa nova etapa”, diz um incrédulo funcionário presidencial.
TIROTEIO
Dilma entendeu que
tinha de renunciar, mas interpretou a Constituição de forma errada:
entregou o cargo para o ex e não para o vice.
DO DEPUTADO CARLOS MARUN (PMDB-MS), sobre a
posse do ex-presidente Lula como ministro da Casa Civil mesmo após os
protestos da população.
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