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sábado, 12 de março de 2016

PMDB abafa divisões e adia rompimento com governo

O presidente nacional do PMDB e vice-presidente da República, Michel Temer, lidera Caravana da Unidade em Belo Horizonte (MG) 
Na tentativa de projetar Michel Temer como um líder político capaz de unificar diferentes correntes "em nome do Brasil", o PMDB decidiu sufocar divisões internas e transformar sua convenção nacional num ato de unção ao vice-presidente.

Após semanas de especulações sobre qual seria o tom do evento que acontece neste sábado (12), a cúpula peemedebista fez um acordo que prevê adiar qualquer decisão sobre o rompimento formal da sigla com o governo Dilma Rousseff em até 30 dias.

Nesse contexto, a convenção vem sendo classificada nos bastidores como "um aviso prévio" do PMDB à petista. Líderes da sigla afirmam que, agora, é o momento "de falar para dentro" do partido e pregar a união em torno de Temer, que será reeleito presidente da sigla.

O acerto foi fechado na noite de quinta-feira (10), em jantar dos líderes da legenda. Até então, havia uma disposição nas alas mais radicais do partido de usar o encontro para declarar, no mínimo, independência do Planalto.

Essa medida desobrigaria deputados e senadores da sigla de votarem conforme determinação do governo e de seus líderes no Congresso.

O recuo é resultado da ação de integrantes do PMDB no Senado, entre eles o presidente da Casa, Renan Calheiros (AL), e de integrantes da legenda de Estados que ainda apoiam o governo, como o Rio de Janeiro do deputado Leonardo Picciani.

Mesmo esses grupos, no entanto, reconhecem que a situação da presidente beira o insustentável. Nesse cenário, o adiamento da ruptura também dará ao PMDB tempo para acompanhar a repercussão das manifestações contra Dilma programadas para o domingo (13) e da finalização do julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o impeachment.

Há ainda uma preocupação em aguardar o desfecho da tentativa de Dilma de levar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o seu ministério. O PMDB não acredita que o petista abraçará a ideia, mas pondera que esse pode ser um fator relevante para o destino de Dilma.

A cautela, porém, não impediu aliados de Temer de traçarem um roteiro com vistas a, em breve, sacramentar o desembarque do governo.

A criação do MDB, agremiação que deu origem ao PMDB, completará 50 anos no final deste mês. O partido planeja grande evento para a data, que também será usada para lançar a segunda etapa do plano de governo do PMDB, que ficou conhecido como "Plano Temer". O novo documento terá foco em propostas para a ação social.

Apesar de manter o discurso de união interna em prol de Temer, o partido não vai barrar críticas à aliança entre o PMDB e o PT. Os microfones do evento ficarão abertos para a apresentação de moções contra Dilma.

Segundo o acordo da cúpula, no entanto, nenhuma dessas moções será votada. Os próprios líderes da legenda admitem que, embora ainda não haja unanimidade, hoje, a maioria do partido é a favor da ruptura com Dilma.

Mesmo as alas mais radicais foram convencidas a adiar as deliberações. "Nesse momento o partido está preocupado em mostrar à nação que é capaz de se unir para ajudar o Brasil", reconheceu o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), um dos opositores ao PT mais ferrenhos da sigla. "A maioria do PMDB quer romper, mas isso ainda apresentaria uma divisão. Então vamos aguardar", concluiu.

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