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domingo, 3 de abril de 2016

Após o abandono de Dilma pelo PMDB, Lula foi até Jader Barbalho

Na coluna de Luiz Antônio Novaes - Jornal O Globo
Na dura campanha da reeleição em 2006, Lula, arranhado pelo mensalão, perseguiu seu segundo mandato com tal pragmatismo que subiu ao palanque em Belém (foto) beijando a mão de Jader Barbalho (PMDB), político que arrastava consigo, desde os anos 80, processos e denúncias de corrupção. Dez anos e muitos governos do PT depois, Lula, agora com a reputação bem mais abalada pela Lava-Jato, procurou a ajuda do senador, já denunciado ao STF pela mesma operação, novamente em busca da quase perdida hegemonia política.

Após o abandono de Dilma pelo PMDB, Lula foi, na quarta-feira (30/03), até Jader. Na verdade, bateu à sua porta. Na casa do senador em Brasília começaram as negociações pesadas para tentar barrar, voto a voto, o impeachment. Eduardo Cunha, que atrasa o quanto pode a sua própria cassação, conseguiu acelerar ao máximo a da presidente.

A ideia do governo é erguer, a partir de dissidências e legendas nanicas, um “Centrinho” — dada a pequenez dos envolvidos. Se der certo, o “varejão” que lembra a era Sarney servirá para o PT manter o poder, mas dificilmente a governabilidade.

O balcão de negócios movido a cargos — no mensalão e no petrolão foi também a cash —, está a pleno vapor e não conhece limites. Não só Jader, cujo filho Helder é ministro de Dilma, poderá ampliar seu feudo na Esplanada, mas também o PP de Maluf, a quem foi oferecida a Saúde ou a Educação, o PR, com Minas e Energia, além dos inexpressivos PTN e PHS — o baixo clero do baixo clero que jamais imaginou chegar lá.

Estar do “outro lado” é a única linha divisória válida para o governo — que separa assim o bem do mal. O milenarismo petista — que depende da crença de artistas, intelectuais e movimentos sociais — declara guerra santa contra Michel Temer e Cunha, rompidos com Dilma, mas não contra Jader e Renan Calheiros — apesar de serem do mesmo PMDB e estarem todos citados ou envolvidos na Lava-Jato. E aposta mais uma vez no medo, agora por meio do slogan “Não vai ter golpe!”. Uma retórica marqueteira feita sob medida para mobilizar e manipular a esquerda, principalmente a juventude, com o fantasma da ditadura militar.

Assombração por assombração, a Lava-Jato, que parecia estar no limbo após o ministro Teori parar o juiz Sérgio Moro, reapareceu com a Operação Carbono 13, ops, 14, trazendo tudo junto e misturado: o ABC de Lula, o financiamento primitivo do PT, o mensalão e Marcos Valério, Silvinho Land Rover, Delúbio Soares, o compadre Bumlai, o petrolão, o empresário acusado de chantagear Lula e, no centro da sala, o cadáver insepulto de Celso Daniel, prefeito petista de Santo André assassinado em janeiro de 2002, quando coordenava a campanha de Lula. Haja Juízo Final.

Um comentário:

  1. Certa vez quando residia em Itaituba, e fiz uma pergunta à época então presidente do Senado na casa dum amigo que não está mais entre nós, Senador Jader Barbalho, o que podes me dizer sobre a eleição do Lula para presidente, e ele respondeu Lauro, o Brasil vai conhecer o Lula.

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