Por Tostão, ex-jogador e colunista da Folha de SP
Além disso, a confederação da Noruega, por excesso de cuidado e por conhecer as fraquezas humanas, não convidaria para diretor de sua seleção alguém que era empresário de atletas, mesmo que interrompesse sua atividade.
Os resultados e as atuações da seleção nos seis primeiros jogos pelas eliminatórias foram os esperados. Poderia ser pior, já que o Brasil não mereceu o empate com a Argentina e empatou com o Paraguai no último minuto.
Além das habituais deficiências individuais e coletivas que conhecemos, ficou ainda mais evidente, contra Uruguai e Paraguai, a irregularidade da seleção e do futebol brasileiro, por dependerem demais de certos espasmos e de lances individuais e isolados.
A seleção e as equipes brasileiras, com algumas exceções, há décadas, não sabem atuar coletivamente. Além do hábito de jogar por estocadas e lances esporádicos, não há um excepcional meio-campista para fazer a transição, a troca de passes, entre a defesa e o ataque.
Essa falta é decorrente da estratégia ou a ausência de craques no meio-campo faz com que o time jogue dessa forma? As duas coisas.
Dunga não é o responsável por isso, mas ele não faz nada para a seleção evoluir, embora, no segundo tempo contra o Paraguai, ele tenha agido bem, ao trocar os volantes por um meia e um atacante, quando percebeu que o adversário foi todo para a defesa. Era também óbvio. O time reagiu, com garra. Dizer que falta comprometimento aos jogadores é fazer média com o torcedor, que adora essa crítica, sempre que a seleção joga mal.
É necessário criar mudanças táticas e individuais. O perigo, quando se muda, é ficar ainda pior. Por causa da reação contra o Paraguai, na última terça-feira (29), uma situação circunstancial, alguns comentaristas já pedem o meio-campo com Renato Augusto, Philippe Coutinho e Lucas Lima. Querem afundar mais ainda a seleção.
É essencial ter um volante, pelo centro, que marque e que tenha um excelente passe. Não temos esse jogador, mas existem outras opções, como Casemiro.
Apesar da incerteza de que a seleção melhoraria com um novo técnico, está na hora de Dunga e de Gilmar Rinaldi saírem, desde que o técnico seja Tite, mesmo com seu "titês". Não pode ser qualquer um. Tite se preparou para isso.
Tite deveria assumir imediatamente, com urgência. É muito difícil, mas é preciso vencer e, ao mesmo tempo, iniciar um novo futuro para o time brasileiro. Futuro não é destino. Futuro é o que será construído.

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