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domingo, 10 de abril de 2016

Lula monta 'QG' em hotel de Brasília para tentar salvar Dilma

Brasília - DF - Politica - 06/04/2016 - Suíte presidencial do Royal Tulip Brasilia: a nova CASA CIVIL da República Federativa do Brasil! Ao comando do Lula! Foto: Mateus Bonomi/Raw Image *** PARCEIRO FOLHAPRESS - FOTO COM CUSTO EXTRA E CRÉDITOS OBRIGATÓRIOS *** 
 Hotel Royal Tulip, onde Lula se hospeda em Brasília
Em uma uma mesa redonda de cinco lugares na antessala do quarto 4050, no segundo piso de um hotel de luxo em Brasília, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta fechar os termos de um acordo para salvar o governo Dilma Rousseff.

Pessoas que participaram dessas conversas resumem o discurso vendido por Lula em uma frase: "O que você precisa para ficar com a gente?"

A pergunta é acompanhada da promessa de que os que forem fiéis a ele agora serão recompensados em uma nova fase do governo, que estará sob sua coordenação.

O ex-presidente afirma que vai mexer na condução da economia tão logo o governo consiga barrar o impeachment no plenário da Câmara e ajudará a restabelecer a interlocução do Executivo com o Congresso, uma das principais críticas dos parlamentares em relação à presidente.

Apesar da baixíssima popularidade de Dilma e de seu próprio desgaste pessoal, Lula se tornou o principal ativo da articulação política do Planalto desde que o processo de impedimento da petista se acelerou. No hotel, ele tem se reunido com presidentes e líderes de diversos partidos, além de deputados, senadores, governadores e até mesmo ministros de Estado.

O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), por exemplo, esteve três vezes no hotel com Lula nos últimos dez dias. Após as conversas com o ex-presidente, o PP se tornou, junto com PR e PSD, parte do bloco para o qual o governo prometeu três dos seis ministérios hoje ocupados pelo PMDB.

Além de traçar a estratégia para conseguir os 172 votos necessários para derrubar o impeachment, Lula acompanha pessoalmente um mapa de potenciais votos dividido por Estados.

"Ele tem conversado com todo mundo, de vários partidos, com as pessoas com quem tem relação, porque tem gente que é só com ele. Ele é o Lula", disse ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), responsável direto pela articulação política do Planalto. "Lula é uma referência dentro do governo ou fora dele, mas é claro que o preferimos dentro", completa.

Para a oposição, a movimentação de Lula e dos governistas para angariar apoio a Dilma envolve mais do que cargos e verbas. Fala-se abertamente de compra de deputados por valores que variam entre R$ 400 mil por uma ausência e até R$ 2 milhões por um voto pró-governo. Nos corredores da Câmara, o assunto é corrente, mas até aqui não surgiu nenhum caso comprovado. O governo nega a prática.

Os dirigentes partidários contam que a tratativa de cargos é feita com Berzoini e com Jaques Wagner, que saiu da Casa Civil para abrir espaço a Lula e hoje é chefe de gabinete da Presidência.

No Painel da Folha de SP
Terreno pantanoso O histórico de fidelidade dos partidos do “centrinho” mostra que o Planalto arrisca muito ao apostar suas fichas em PR, PP e PSD. Em decisões recentes importantes para Dilma Rousseff, os três partidos têm dado menos da metade de seus votos ao governo — e até dirigentes das siglas têm consciência de que o índice não deve melhorar muito agora. O PP, por exemplo, promete entregar até 30 dos 51 deputados, mas estimativas mais conservadoras veem um limite de 11 votos pró-governo.

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